sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Pandemia

Auxílio emergencial chamado tecnicamente de Corona-vaucher oxigena pulmão político de Bolsonaro para disputar reeleição em 2022

foto: WinUp News

Segundo analistas, o presidente ganha com o benefício pandemia de de R$ 600, mas precisa consolidar apoio

No início seria R$ 200,00, se dependesse do governo federal. A Câmara dos deputados tratou de majorar o chamado Corona-vaucher, popularmente alcunhado de auxílio emergencial formatado à revelia do Palácio do Planalto, e os R$ 600 apareceram ao presidente Jair Bolsonaro como um respiro entre crises sucessivas. 

Segundo especialistas, o benefício durante a pandemia do coronavírus ajudou a melhorar a imagem do chefe do Executivo, principalmente entre os mais pobres. 2021 com o mesmo capital político.

"O auxílio emergencial está permitindo uma estabilidade e, especialmente no Nordeste, um crescimento. Mas não podemos dizer, neste instante, que o crescimento é consistente, isto é, que a aprovação vai superar a reprovação. Ainda é cedo", frisou Adriano Oliveira, cientista político e professor da Universidade Federal de Pernambuco.

Bolsonaro perdeu no Nordeste, em 2018, aliás, a única região do País que fracassou no segundo turno. Exatamente para a região mais carente do Brasil ele já está direcionando sua agenda, cuja mostra é extremamente eleitoreira. O presidente já disse que concorrerá à reeleição e sua moeda de troca já é o auxílio emergencial com outro benefício social mais encorpado.

"Só vai haver ganhos para 2022 se tiver continuidade. Se ficar até dezembro, voltamos para os parâmetros anteriores. À medida que o benefício é retirado, a avaliação pode flutuar", ponderou Ricardo Ismael, cientista político e professor da PUC Rio. "Bolsonaro ainda tem rejeição no Nordeste, região ligada ao PT, grata ao ex-presidente Lula. Mas ele começa a falar para esse eleitor."

No início de agosto, Bolsonaro afirmou que "não dá para continuar muito" a liberar o auxílio emergencial de R$ 600 a trabalhadores informais por causa do impacto da medida na economia, que, segundo ele, representa R$ 50 bilhões mensais. "Começou a pagar a quarta parcela (do auxílio emergencial) e depois tem a quinta. Não dá para continuar muito porque por mês custa R$ 50 bilhões. A economia tem que continuar. E alguns governadores teimam ainda em manter tudo fechado", disse Bolsonaro a apoiadores, cometendo erro de concordância verbal, na saída do Palácio da Alvorada.

O governo estuda estender o auxílio emergencial, destinado a trabalhadores informais, desempregados e beneficiários do Bolsa Família, até o fim de 2020. Os estudos governamentais para prorrogação do auxílio até dezembro dão sentido às análises. A, talvez, substituição do benefício emergencial por um novo programa social, batizado de "Renda Brasil", é um grande "nó" no governo. Há dúvidas sobre a possibilidade de o programa pretendido como substituto do Bolsa Família sair do papel até o fim do ano.

A transição do auxílio emergencial para o novo programa pode ser determinante para o presidente que lida com crises política, econômica e sanitária, sem poder comemorar resultados fortemente positivos, principalmente na economia.

Coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC-MG, Robson Sávio Reis Souza avalia que, "o presidente pode ser ajudado por um sentimento de gratidão à autorização do auxílio, estimulado entre os mais empobrecidos também pelo segmento dos neopentecostais. É um fato importante a ser considerado. Um outro é que o governo quer mudar não somente o nome do Bolsa Família, mas agregar outras políticas ao novo benefício. Não diria que teremos uma mudança completa no perfil do eleitorado, de lulista para bolsonarista, mas podem significar a construção de uma base para o presidente nos segmentos mais pobres", disse o professor.

E os políticos, o que dizem?

Adversário de Bolsonaro, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), vê melhora na aprovação do presidente em sua região, mas a classifica como momentânea. Bolsonaro enfrenta legados de programas assistenciais do ex-presidente Lula na região e dificuldades para imprimir um ritmo próprio. "Tinha muita coisa, como PAC, Minha Casa Minha Vida, Luz Para Todos, institutos federais, Prouni. Até agora, Bolsonaro tem um auxílio emergencial temporário. Eu diria que (a melhora na aprovação) é uma situação momentânea. Muito provavelmente ele deve tentar algum tipo de prorrogação. Mesmo com essa perenização, não é suficiente", disse o governador.

Na proposta original do governo, o auxílio seria de R$ 200, valor três vezes menor que o aprovado pelo Congresso. Mas é Bolsonaro quem capitaliza com a medida, que custa R$ 51 bilhões mensais. "Claro que foi o Congresso (o responsável pelo auxílio), mas o presidente tinha o poder de vetar e não vetou", defendeu o deputado Júlio Cesar (PSD-PI), coordenador da bancada nordestina.

Já para o deputado Raul Henry (MDB-PE), a estratégia do presidente pode ser frágil, uma vez que não ataca problemas mais profundos. "Defendo que o Brasil tenha um programa de enfrentamento à pobreza, mais amplo que o Bolsa Família, mas que caiba nas contas. Lamento que essa aproximação se deu apenas em termos das consequências de um auxílio emergencial. Precisava ter uma política estruturante para o Nordeste", afirmou.

fim desta matéria

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pelo sua mensagem. Aguarde que faremos contato em breve.