Questão de Atitude



Questão de Atitude

  

[Clique na imagem acima e assista a mais uma queimada em Ubá]

Denuncie qualquer ato incendiário em sua cidade. Queimada é crime contra a saúde pública e o meio ambiente. Mande seu vídeo (ou foto) para nós. Colabore com a natureza que a vida no planeta agradece. Não descarte lixo eletrônico em qualquer lugar, nem coloque para a coleta regular, semanal. Entre em contato conosco que encaminharemos suas pilhas e baterias usadas, assim como celulares velhos e em desuso ou estragados.


Clique aqui e mande um zap                                                       Acesse: jornalprimeirap@gmail.com

<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<matéria>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>


Entenda o que é Efeito Estufa e Mudanças Climáticas 

Até quando vai a onda de calor?

Termômetro marca 38ºC no estádio do Morumbi, no último final de semana.  

Preparem-se, porque deve haver outras. Com uma primavera altamente influenciada pelo El Niño, o Brasil tem enfrentado fortes ondas de calor. Doze estados registraram mais de 40ºC nos últimos dias, segundo o MetSul, e as temperaturas seguem altas em boa parte do país até o meio desta semana, aponta o Climatempo.

O que causa estas ondas de calor?

O El Niño, que aquece as águas do Pacífico, diminui as frequências de pancadas de chuva, dificultando que os termômetros baixem e resultando em dias com mais horas de sol e calor. O fenômeno também impede a mistura do ar quente com o frio, de origem polar, diminuindo a ocorrência de frentes frias.

Mas quando esta onda de calor arrefece?

O calor é resultado de um sistema de alta pressão atmosférica, segundo o Climatempo, e esta onda só deve enfraquecer no final da semana.

A previsão é de que até o final da semana (29 e 30 de setembro) temperaturas muito altas ainda sejam observadas em partes do Sudeste e do Centro-Oeste. O Sul já começa a esfriar antes, devido a uma frente fria que chega hoje, acompanhada da formação de um ciclone.

Um exemplo é a capital paulista, que amanhã ainda pode registrar 36ºC de máxima, mas que na quinta tem previsão de chegar a apenas 20ºC, com tempo nublado e chuva a qualquer hora. Na sexta-feira, a máxima em São Paulo sobe para 25ºC, e o fim de semana deve voltar a ser quente, com termômetros chegando a 29ºC no sábado e 33ºC no domingo - mas previsão de pancadas de chuva.

Teremos mais ondas?

Há muitas chances de que sim. Segundo o Climatempo, há probabilidade de que elas voltem em outubro, com mais sistemas de alta pressão atmosférica estacionados sobre o Brasil, até o final da primavera. Outubro já é um mês naturalmente mais quente, com a primavera. Portanto, pode-se esperar temperaturas tão elevadas quanto as sentidas em setembro.

Previsão de chuvas por regiões para os próximos 10 dias, segundo a Metsul

Norte.

A região já passou pelo período mais chuvoso do ano, no inverno amazônico, que tem 60% a 70% da precipitação do ano. Agora, parte do Norte deve sofre com uma seca devido ao El Niño.

Chuvas devem ocorrer com mais intensidade oeste e sul do Amazonas, Acre e Rondônia, enquanto Pará e Tocantins devem ter precipitações irregulares.

Nordeste

A chuva será escassa em boa parte da região, com pancadas isoladas e passageiras, tanto no Agreste como na costa.

Centro-Oeste

Sofrendo com calor extremo e tempo seco, terá incidência de ar tropical com maior umidade, o que favorecer a ocorrência de chuva e temporais isolados. Uma frente fria provocada pelo ciclone que se formará na costa do Brasil aumenta a umidade na região, gerando pancadas fortes e temporais isolados, principalmente em Mato Grosso e Goiás.

Sudeste

O que se observa no Centro-Oeste se repete no Sudeste. Haverá presença de umidade sobre a região devido à frente fria e ao ciclone, que permitem que o ar tropical quente e úmido da Amazônia traga chuvas à região neste fim de setembro e começo de outubro.

Devem ocorrer precipitações diárias no Sudeste — mas não necessariamente em todas as cidades. A exceção é o norte de Minas Gerais.

Sul

É a região com mais chuvas nos próximos dez dias, devido à chegada do ciclone extratropical. Setembro é o mais chuvoso já observado em um século de dados no Rio Grande do Sul, com acumulados acima de 500 mm em muitas cidades.

A baixa pressão traz chuva hoje em parte do Rio Grande do Sul, antes da formação do ciclone que gerará uma frente fria. Ela avança com chuva por Santa Catarina e Paraná na quarta. O Sul terá novas áreas de instabilidade entre sexta (29) e sábado (30), com o avanço de ar mais frio — o que se repete em outro episódio entre 3 e 4 de outubro, com mais chuvas.

Ebulição Global torna julho o mês mais quente da história da Terra

Nesta nova era, a tendência é do aumento constante das temperaturas médias globais, impulsionado pela poluição, pelo uso de combustíveis fósseis e pela emissão de gases do efeito estufa.

Para a ONU, após os recordes de temperatura de julho, o planeta Terra entrou oficialmente na Era da Ebulição Global, substituindo o período do aquecimento. 

Por muitos anos, o planeta Terra viveu aquilo conhecido como Aquecimento Global. Agora, com o mês de julho sendo o mais quente da história (desde o início das medições humanas), há uma piora no cenário climático global, o aumento dos desastres ambientais e a chegada oficial da "Era da Ebulição Global", também conhecida como Fervura Global. 

O que é a onda de calor que atinge o planeta e por que 2023 pode ser o ano mais quente da história? 

Nesta nova era, a tendência é do aumento constante das temperaturas médias globais, impulsionado pela poluição, pelo uso de combustíveis fósseis e pela emissão de gases do efeito estufa — gerados pela ação do homem. A previsão atual é de que os oceanos também aquecerão a um ponto até então impensável. 

Embora a situação tenha se agravado com a Era da Ebulição Global, os especialistas afirmam que ainda há tempo de impedir a piora generalizada, com a união dos países, das empresas e das pessoas em prol do planeta. 

O que é Ebulição Global?

A expressão Ebulição Global foi usada, pela primeira vez, em caráter oficial, pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, na quinta-feira (27 de julho), enquanto afirmava que o mês de julho deve ser o mais quente já registrado, durante coletiva de imprensa. 

Sobre o medo e a sensação de pânico que o termo pode causar, Guterres afirma que é, de fato, assustador. No entanto, o secretário-geral da ONU ressalta que "ainda é possível limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C [acima dos níveis pré-industriais] e evitar o pior das mudanças climáticas". Só que, para isso, as ações precisam ser imediatas e abrangentes. 

Julho de 2023: o mês mais quente da Terra

Antes do final oficial deste mês, as autoridades do clima, como a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Copernicus — o Programa Europeu de Observação da Terra —, já entendem que julho será o mês mais quente, desde o início das medições. 

Inúmeras cidades atingiram temperaturas iguais ou superiores aos 50 ºC. Estar exposto a esse nível de calor é arriscado para o organismo humano, já que é o limite daquilo que é considerado "muito quente". O risco de complicações envolvendo problemas no coração é alto, além da desidratação. 

Segundo os Centros de Previsão Ambiental dos EUA, o dia 6 de julho foi considerado o mais quente da Terra desde que as temperaturas médias globais foram calculadas pela primeira vez em 1979. Naquele dia, os termômetros globais, que estabelecem a média somando até a temperatura do Ártico, chegaram a 17,18 ºC. 

El Niño

Para além dos efeitos da ação humana na Era da Ebulição do Global, ainda há outro fenômeno natural que favorece o aquecimento generalizado: o El Niño, que se origina nas águas do Oceano Pacífico Equatorial e que está oficialmente de volta, desde junho deste ano. 

Consequências do clima extremo na Terra

"A humanidade está na berlinda", afirma o secretário-geral da ONU. "Para grandes partes da América do Norte, Ásia, África e Europa, é um verão cruel. Para todo o planeta, é um desastre", acrescenta Guterres. 

Afinal, os desastres relacionados ao clima e padrões climáticos extremos devem se tornar mais comuns. Por exemplo, um estudo recente da iniciativa World Weather Attribution (WWA) demonstrou que as ondas de calor já se tornaram mais comuns e a tendência é que sejam ainda mais frequentes. 

Em paralelo, a maior temperatura média global gera o derretimento de geleiras, o que pode aumentar o nível do mar. Dependendo da velocidade desse movimento, será possível observar o impacto na maioria das cidades litorâneas. 

Outro problema serão as mudanças dos padrões climáticos, como secas se intensificando em algumas regiões do globo, afetando as atividades agrícolas e a vida humana. Em última escala, isso pode gerar migrações globais em massa. Estes indivíduos são conhecidos como "refugiados ambientais". 

É possível impedir o aumento das temperaturas?

Mesmo neste cenário em que as previsões não são otimistas, o entendimento da ONU é que ainda há tempo de brecar as mudanças climáticas mais extremas. "Para isso, devemos transformar um ano de calor ardente em um ano de ambição ardente", ilustra Guterres. 

Para o secretário-geral, a Cúpula de Ambição Climática da ONU, em setembro, e a conferência climática COP28, em novembro, serão dois eventos importantes para traçar o futuro. Guterres espera que as nações industrializadas do G20, responsáveis por 80% das emissões globais, se comprometam ativamente com a causa. 

Fonte: ONU. 

                                    

Animais marinhos estranhos que vivem na zona  escura e gélida do oceano onde  naufragou o Titanic e explodiu o submersível 


O fangtooth é um peixe de grandes e afiadas presas (Getty Images) 

 

Na quinta-feira (22), a Guarda Costeira dos EUA anunciou a morte de todos os ocupantes do submersível Titan da OceanGate, que possivelmente implodiu em sua expedição marítima por uma ruptura no casco. Conheça alguns dos animais marinhos que vivem na zona remota do oceano, onde está aterrado o Titanic, que naufragou em 1912.

 

O Titan OceanGate levava quatro turistas milionários e o piloto para a zona erma do oceano, onde estão os restos do naufrágio do Titanic - a uma profundidade de cerca de 3.800 metros, além da conhecida zona da meia-noite, local em que a luz solar não penetra e a pressão é 376 vezes maior que a da atmosfera da Terra.

 

Nessa marca, as profundezas gélidas e a escuridão completa são mortais para os seres humanos e todos os animais que conhecemos, sobretudo pela pressão que é exercida de todos os lados, o que esmagaria a maioria dos corpos vivos, ocasionando um colapso total de diversos órgãos vitais.

 

No entanto, o que para nós é um ambiente desafiador, é o habitat comum de animais que vivem nessa escuridão. Eles resistem muito bem à pressão e, inclusive, alguns geram a própria "luz".

 

Conheça cinco dessas criaturas que habitam as profundezas onde colapsou o Titan e onde mora, por 111 anos, o Titanic.

 

Peixe com sistema anticongelante


Patagonian Toothfish vive em águas profundas e tem um sistema anticongelante - Imagem: U.S. FDA/Wikimedia Commons)

 

Viver longe do sol é ter a capacidade de se adaptar, e assim é a vida do patagonian toothfish. Seu corpo tem uma proteína anticongelante que lhe permite nadar em águas com temperaturas abaixo de zero grau e ainda assim se manter ativa e com os órgãos em perfeitas condições. Suas escamas são negras, e os peixes adultos podem pesar até 100 kg e viver por até 50 anos.

 

O porco do abismo


O porco-do-mar (scotoplanes) vive na zona abissal. - (imagem: Monterey Bay Aquarium Research I/Wikimedia Commons) 


O porco-do-mar (scotoplanes) vive na chamada zona abissal, local abaixo de 4 mil metros, em que a temperatura é congelante e onde poucos animais podem viver. Sua cor é translúcida e ele se alimenta de animais mortos e de outras matérias orgânicas em decomposição.

 

Tubarão gigante e raro

Tubarão-boca-grande (Megachasma pelagios) em exposição - (Imagem: opencage/Wikimedia Commons).


O tubarão-boca-grande (Megachasma pelagios) foi avistado poucas vezes e é considerado uma espécie rara. Alguns podem atingir até sete metros de comprimento e ter peso superior a uma tonelada. Mas, apesar de todo tamanho, ele se alimenta principalmente de plânctons, nadando com sua imensa boca aberta "filtrando" as águas das profundezas.

 

Um monstro das profundezas

Um Fangtooth renderizado em 3D - (Images/iStockphoto-3dsam79/Getty 


De aparência assustadora, os fangtooths (Anoplogaster cornuta) são peixes que vivem nas profundezas, com grandes e afiados dentes, eles são peixes de porte pequeno, mas capazes de predar animais grandes, como atuns.

 

O peixe sem rosto

O cusk sem rosto ( Typhlonus nasus) vive a mais de 5 mil metros de profundidade - (Imagem:  R. Mintern/Wikimedia Commons)


O cusk sem rosto (Typhlonus nasus) tem esse nome por ter um rosto extremamente reduzido, com olhos não visíveis. Esses animais vivem a mais de 5 mil metros de profundidade e são um dos poucos seres vivos que resistem à alta pressão dessa zona.


 

Estudo mostra que estados amazônicos têm até 40% dos peixes contaminados por mercúrio

Em todas as camadas populacionais analisadas, a ingestão diária de mercúrio excedeu a dose de referência recomendada pela Agência de Proteção Ambiental do governo norte-americano (EPA), 0,1 μg/kg pc/dia. (0,1 micrograma por quilograma de peso corporal/dia).

Os dados mais graves são de Roraima e Acre, que tiveram 40% e 35,9% dos peixes, respectivamente, com alto nível de concentração do metal tóxico utilizado em garimpos na região. Estudos feitos com peixes comprados em centros urbanos na Amazônia apontaram contaminação por mercúrio acima dos níveis seguros em todos os estados do Norte.

O que diz o estudo?

"Mais de um quinto (21,3%) dos peixes [...] que chegam à mesa das famílias na região Amazônica têm níveis de mercúrio acima dos limites seguros estabelecidos pela Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO/WHO) e pela Agência de Vigilância Sanitária brasileira (ANVISA)", diz o estudo, desenvolvido pelas organizações Iepé (Instituto de Pesquisa e Formação Indígena), Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, Greenpeace, Instituto Socioambiental e WWF-Brasil. 

Foram coletados 1010 peixes de 80 espécies diferentes, tirados de 17 municípios amazônicos, nos seis estados do Norte, em mercados públicos, feiras-livres ou com pescadores nos pontos de desembarque pesqueiro entre março de 2021 e setembro de 2022.

Crianças e mulheres em idade fértil são grupos mais vulneráveis aos efeitos do mercúrio: crianças entre 2 e 4 anos estariam ingerindo até 31 vezes mais mercúrio do que a dose recomendada; já as mulheres, 9 vezes.

Pesquisadores ponderam que não tiraram amostras de todos os peixes consumidos na região ao longo das estações, e, por isso, acreditam que os dados revelem somente uma parte do real impacto provocado pela exposição ao mercúrio para a maioria da população que vive hoje em centros urbanos da Amazônia. 

A recomendação principal deve ser enfocada na garantia da segurança sobre os territórios da Amazônia e na erradicação de garimpos ilegais de ouro, bem como de outras atividades humanas ilegais que aumentam a disponibilidade de mercúrio para o ambiente, tais como desmatamento e queimadas." Nota técnica do estudo sobre contaminação por mercúrio nos estados do Norte

Como o garimpo usa o mercúrio?

Os garimpeiros usam o metal para separar o ouro dos demais sedimentos. Em altas concentrações, o mercúrio afeta o funcionamento do sistema nervoso e do cérebro, causando fraqueza e problemas de visão, por exemplo.

Segundo estudos anteriores, realizados na região a fim de mapear a contaminação dos peixes, 45% do mercúrio usado nos garimpos ilegais é despejado sem qualquer tipo de tratamento nos rios e igarapés da Amazônia.

A substância pode permanecer até 100cem anos na natureza, envenenando os rios e a terra, além de causar doenças em seres humanos e animais. Em grávidas, a contaminação pode provocar abortos ou fazer com que os bebês nasçam com paralisia cerebral, deformidades e malformações.


Banco Mundial alerta para perdas de R$ 920 bi caso Amazônia vire 'savana'

 

Entre 2000 e 2020, a origem de 76% das emissões do país era a mudança no uso do solo, incluindo desmatamento e agricultura.

Amazônia é afetada por outras formas de degradação e um relatório do Banco Mundial apontou que o Brasil pode ter um impacto de até R$ 920,5 bilhões caso o desmatamento na Amazônia chegue a um ponto de inflexão —ou seja, a floresta naturalmente passe a sofrer um processo de savanização após atingir certo nível de degradação. 

O que diz o relatório?

Os impactos econômicos foram calculados em US$ 184,1 bilhões (R$ 920,5 bilhões), ou 9,7% do PIB de 2022 até 2050. Os dados são do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Os danos irreversíveis eliminariam as chuvas da região e, dessa forma, atingiriam em massa diversos ecossistemas. "Atingir um ponto de inflexão no bioma da Amazônia significaria danos irreversíveis à estrutura do bioma e a seus serviços ecossistêmicos."

Dano na geração de energia elétrica seria certo. "A redução prevista nos níveis de precipitação e mudanças nos padrões de chuvas sazonais também tem o potencial de criar riscos para o fornecimento de eletricidade no Brasil, em que a energia hidrelétrica predomina, podendo resultar em crises periódicas de energia."

Banco Mundial não vê modelo de crescimento brasileiro como adequado

O relatório destaca o potencial do Brasil, mas aponta atrasos relacionados ao uso da terra. Entre 2000 e 2020, a origem de 76% das emissões do país era a mudança no uso do solo, incluindo desmatamento e agricultura, em comparação com 18% para as emissões globais.

Incentivos agrícolas atuais não combatem a grilagem e o desmatamento, afirmam os autores. "Subsídios, políticas de crédito rural e a estrutura do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) são incentivos adicionais para desmatar terras para a agricultura", diz um trecho do estudo. Dos R$ 244 bilhões do orçamento do Plano Safra em 2022, apenas R$ 5 bilhões foram destinados ao programa de diminuição da emissão de carbono na atmosfera — que tem como principal expoente o desmatamento.

Oportunidades com a economia verde

Por outro lado, a prevalência de energia renovável coloca o país em vantagem competitiva. "O Brasil está em uma posição excepcional para se beneficiar das ações climáticas, devido às suas várias vantagens competitivas — especialmente o fornecimento de energia de baixo carbono, com grande potencial adicional de energia renovável. Suas emissões são dominadas pela mudança do uso do solo e da agricultura, e não pela energia, o que cria oportunidades específicas e custos diferentes em relação a outros países."

A adaptação da economia para um modelo mais sustentável poderia gerar impacto positivo de R$ 472,78 bilhões no PIB até 2050, calculou o Banco Mundial. Secas, enchentes e inundações nas cidades já causam perdas de R$ 13 bilhões (0,1% do PIB de 2022) ao ano. A adaptação das cidades, que concentram grande parte do poderio econômico, também foi destacada no relatório.

O ponto de partida do relatório são os objetivos estabelecidos pelo próprio país no Acordo de Paris e nas edições das COPs, realizadas pela ONU. Para atingir esses objetivos, o relatório recomenda ações em quatro frentes: reformas estruturais e medidas de aumento da produtividade, políticas econômicas abrangentes para o crescimento resiliente e de baixo carbono, políticas setoriais e pacotes de investimentos, além de ações para assegurar o financiamento dos investimentos necessários.

Com isso, acredita-se que o Brasil possa atingir um desenvolvimento verde e acabar com o desmatamento ilegal até 2028, além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em 50% até 2030, além de zerar as emissões líquidas até 2050.

*Com informações da Agência Brasil

 


Parques eólicos que são geradores de energia 100% limpas estão se mostrando grandes poluidores sonoros e potenciais  devastadores da funa e flora

 

Além do barulho, as torres afetam também o meio ambiente, alteram a vegetação, destroem a flora e provocam a morte de animais. Na saúde humana, causam zumbido no ouvido, depressão e o medo.

Os moradores de comunidades residentes no interior de parques eólicos, que convivem dia e noite com as torres que geram energia a partir vento, reclamam das dificuldades causadas pela poluição sonora provocada pela movimentação de seus geradores. A descrição é a de uma turbina de avião que nunca desliga.

 

Notícias que veicularam no início do mês, em jornais do nordeste, Agência Brasil de notícias e Rádio Nacional de Brasília, dão conta de que os impactos da energia eólica, no cotidiano dos moradores, animais e vegetações que estão próximos ao parque são muitos.

Além do barulho, as torres afetam também o meio ambiente, alteram a vegetação, destroem a flora e provocam a morte de animais. Na saúde humana, causam zumbido no ouvido, depressão e o medo. E todos esses transtornos estão acontecendo onde a munícipe, Roselma de Oliveira mora, em Caetés, Pernambuco. Uma das torres fica a apenas 160 m da casa onde era reside com a família.

Problemas de alergia, problemas de audição. E um dos piores, que eu acho que tem, é a depressão, a ansiedade. Crianças de cinco, seis, oito, nove anos, para dormirem, têm que ser à base de medicamentos, e a gente não dorme, a gente cochila e acorda com aquele barulho terrível”, relatou Roselma.

Aliar a geração de energia com preservação ambiental e proteção social é o desafio. Ainda mais quando os dados mostram que, no Brasil, 44% da energia usada é renovável, seja hidrelétrica, solar ou eólica. Isso é mais do que quatro vezes o que usam os países ricos, que dependem, basicamente, de combustível fóssil.

Para Nevinha Valentim, do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental do Rio Grande do Norte, a chegada desses empreendimentos causa, de início, grande devastação ambiental. “Quando chega em larga escala, devastando dunas, manguezais. Quando tem um modo de agricultura de produção familiar, então isso é uma coisa devastadora”, alerta.

O assunto foi tema de discussão em Brasília no final de março. Um grupo de afetados pelos aerogeradores esteve em reuniões com o governo federal. Apesar de reconhecer a importância desse tipo de matriz energética, eles querem fazer parte da discussão. O professor da Universidade Federal da Paraíba Iure Paiva resume o que seria o ideal.

Esse diálogo, essa abertura de possibilidade, de a gente fazer com que essas vozes sejam ouvidas, tenham uma repercussão, esse é um primeiro passo. O segundo, é a gente ter a ação do poder público na fiscalização e, em terceiro lugar, a gente adote um modelo de desenvolvimento, de segurança energética, que seja centrado nas pessoas e não apenas na atividade econômica”, defende Paiva.

O grupo que esteve em Brasília participando dessas reuniões apresentou para o governo um panorama do cenário atual. Uma possibilidade é a instalação das chamadas eólicas offshore, de construção das torres de energia em alto-mar. Em março, a Petrobras assinou uma carta de intenções para analisar a viabilidade técnica de instalação das eólicas offshores em seis estados.

Mais de 750 parques eólicos estão em operação no país, com mais de 10 mil torres geradoras. De acordo com o Global Wind Energy Council (GWEC), o Brasil ocupa a sétima posição no ranking mundial de geração de energia eólica.


Como vai ser o outono 2023?

Segundo o MetSul, o outono terá predomínio de dias com temperatura acima da média, quentes para a época do ano. Os episódios de frio, contudo, serão pontuais e fortes.


Previsão é que não ocorram mudanças abruptas no clima a curto prazo; chuvas poderão ser mais intensas. De acordo com Estael Sias, meteorologista da MetSul, o diferencial do outono de 2023 para o de anos anteriores é a temperatura do iceano Pacífico, após três anos de La Niña. 

outono, que começou às 18h25 da segunda-feira (20 de março), não prometendo mudanças abruptas no clima a curto prazo. A chuva, concentrada sobretudo no Centro-Oeste e Sudeste durante o verão, deverá se distribuir pelo país, o que aliviará a estiagem no Sul e levará chuvas mais intensas para a região Nordeste. 

De acordo com Estael Sias, meteorologista da MetSul, o diferencial do outono de 2023 para o de anos anteriores é a temperatura do Pacífico, após três anos de La Niña, fenômeno caracterizado pelo resfriamento das águas deste oceano. Os impactos, segundo especialistas, serão vistos no comportamento da chuva e na temperatura da estação.

Os dias quentes serão normais em abril, maio e até junho. Segundo a MetSul, o outono terá predomínio de dias com temperatura acima da média, quentes para a época do ano. Os episódios de frio, contudo, serão pontuais e fortes.

Como será o outono em todo o Brasil?

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, a primeira semana do outono de 2023 no Brasil foi de uma redistribuição da umidade pelo território brasileiro. A expectativa é a de que o Sul tenha maior frequência de pancadas de chuva, enquanto o Sudeste e uma parte do Sul tenham mais dias de tempo seco e calor pela frente.

A previsão também indica que, pancadas de chuva e trovoadas ocorram em todo o centro-norte da região Nordeste, principalmente no Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e em áreas isoladas do sertão de Pernambuco e da Paraíba até metade da segunda semana.

O Oeste e o Sul do Estado têm maior propensão a sofrer influência de massas de ar frio durante a estação. Além disso, será comum a ocorrência de mudanças bruscas de temperatura, que também podem estar acompanhadas de vento forte.

Como será o clima no outono?

A MetSul adverte para a possibilidade de episódios pontuais de chuva mais volumosa e extrema à medida que o inverno se aproxima. Esses episódios poderão gerar inundações e alagamentos.

Sul

No Sul, a estação começa com chuvas irregulares, principalmente no Rio Grande do Sul. Em abril, as temperaturas ainda estarão acima da média e os volumes de chuva aumentarão gradualmente. Quem mora na região também poderá esperar por grandes variações térmicas, sempre alternando com temperaturas um pouco mais altas.

Sudeste

No Sudeste, abril começará com algumas pancadas de chuva típicas do verão, mas o tempo seco passará a predominar. Não são esperadas temperaturas elevadas, principalmente no interior de São Paulo e Minas Gerais. Na faixa litorânea do Rio de Janeiro e São Paulo, alguns eventos de chuva extrema ainda podem ocorrer durante a passagem de frentes frias.

Centro-Oeste

O Centro-Oeste deverá ter temperaturas mais quentes no decorrer do outono. Em abril haverá pancadas de chuva típicas de verão entre o norte de Mato Grosso e Goiás, mas, assim como no Sudeste, na segunda quinzena predominam os dias de tempo firme. A temperatura fica acima da média entre maio e junho no MT, oeste de GO e norte e oeste do Mato Grosso do Sul.

Nordeste

As chuvas ainda ocorrerão com frequência no Nordeste, em abril. Ela seguirá volumosa ao norte da região em maio, mas diminuirá em junho. Os distúrbios ondulatórios de leste ficam presentes ao longo da estação e contribuem ativamente para a presença da chuva na costa leste nordestina. As temperaturas ficarão abaixo da média nesse período, mas, em junho, o calor voltará a aumentar.

Norte

O Norte do país terá um mês de abril chuvoso, principalmente no Pará e Tocantins, onde os volumes ficam acima da média. A temperatura acompanha esta tendência, mas o clima deve ficar abafado. Nas outras áreas a temperatura sobe no decorrer do outono e fica acima da média. As chuva frequentes da estação de outono elevam o nível dos rios da Bacia Amazônica, provocando as cheias do rios entre junho e julho.


Aquecimento global causou recorde de chuva e tragédia no litoral de SP

 

No planeta inteiro, todos esses fenômenos extremos estão acontecendo com muito mais frequência, e a ciência não deixa nenhuma dúvida que eles não estariam acontecendo com essa frequência se o planeta não estivesse sofrendo o aquecimento global”, afirma o cientista Carlos Nobre 

Em São Sebastião, cidade turística aos pés da Serra do Mar, no litoral norte paulista, a busca por desaparecidos não tem prazo para acabar. As chuvas intensas registradas nas primeiras horas de domingo (19) deixaram ao menos 57 mortos até sábado (25). 

O maior volume de chuva registrado na região em 24 horas foi de 683 milímetros, no município de Bertioga, ou seja mais de 600 litros por m³ quase que  ininterruptamente. É o novo recorde no sistema meteorológico brasileiro. Em São Sebastião, foram 627 mm em 24 horas no fim de semana (18 e 19 de fevereiro).

Carlos Nobre, climatologista aposentado do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que esteve envolvido na criação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em 2011, reforça o alerta que a ciência vem dando há anos: eventos climáticos extremos desse tipo estão ficando mais frequentes com as mudanças climáticas.

Cientista, Nobre, referência brasileira em estudos sobre aquecimento global e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) assevera: "No planeta inteiro, todos esses fenômenos extremos estão acontecendo com muito mais frequência, e a ciência não deixa nenhuma dúvida que eles não estariam acontecendo com essa frequência se o planeta não estivesse sofrendo o aquecimento global".

Segundo o climatologista, modelos matemáticos existentes mundo afora não conseguem capturar recordes de chuva como o do litoral de São Paulo, mas apenas reproduzir eventos extremos das últimas décadas. "Essas chuvas no litoral norte paulista foram três vezes maiores do que os modelos de previsão indicaram. É um desafio muito grande para a ciência ver como fazer com que os modelos climáticos consigam prever esses recordes que estão acontecendo todos os anos em todo o planeta", diz.

Na região atingida no litoral paulista, não há sistema de sirene que comunique o risco à população e que indique o momento de abandonar o local. "Quando o alerta mais grave foi emitido, por volta da meia-noite de domingo, se houvesse tocado alguma sirene, as pessoas poderiam ter saído de casa. Naquele horário ainda não havia acontecido deslizamentos", lamenta Nobre.

O cientista conceu entrevista à Deutsche Welle - uma empresa pública de radiodifusão da Alemanha.

Carlos Nobre explica que, "Trata-se de um evento extremo porque, de fato, foi um recorde de chuvas nos municípios de Bertioga e São Sebastião. Foram mais de 600 milímetros que caíram num espaço de nove horas. É um recorde registrado pelos milhares de pluviômetros do Cemaden em 10 anos, esse é o recorde de chuva em menos de 24 horas. É um fenômeno extremo que foi previsto pelo Cemaden, que alertou todas as Defesas Civis do estado de São Paulo. Nunca tinha acontecido um volume de chuva tão alto num espaço de tempo tão curto. Em alguns momentos, como às 2h da madrugada de sábado para domingo, chegou a chover 120 mm em uma hora. É um recorde no sistema meteorológico brasileiro".

O quanto se pode relacionar o que aconteceu com as mudanças climáticas?

Hoje já existem vários sistemas no mundo - e seria importante ter um desses no Brasil - que procuram fazer o que se chama de atribuição de causa. Esses estudos fazem simulações com modelos matemáticos do sistema meteorológico. Por exemplo: eles fazem uma simulação de como seria o clima sem nenhuma influência do aumento da concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera. Então o modelo mostra como aconteceriam eventos extremos como esse do litoral paulista em todo o mundo, ou seja, naturais, associados com o clima do planeta.

Os cientistas fazem esse mesmo tipo de simulação adicionando o aumento da concentração dos gases de efeito estufa, que é o que aconteceu no planeta nos últimos 100 anos. E aí a simulação mostra o quanto os eventos extremos aumentariam nesse cenário. É uma maneira de se atribuir causa.

Isso foi feito após a chuva que causou mais de 120 mortes em Recife em 2022. Imediatamente, um grupo da Inglaterra fez essa simulação e mostrou que a intensidade e frequência daquele tipo de evento extremo se deve ao aquecimento global. Não aconteceria se o planeta não estivesse se aquecendo.

Nobre afirma que temos que esperar esses grupos que têm capacidade de fazer esses estudos. Tenho certeza que, em poucas semanas, farão isso e dirão se o que aconteceu pode ser atribuído a uma causa natural ou não. "Pela minha experiência, eu acho que um evento que bate o recorde de chuva em 24 horas deve ter muito a ver com o aquecimento global. Muito desse volume imenso de chuva que aconteceu no litoral paulista tem a ver com o fato de que a temperatura superficial do oceano estava mais alta, a cerca de 27 °C. Isso faz o oceano evaporar uma quantidade imensa de água. O sistema meteorológico que ficou sobre o oceano, perto da costa, uma baixa de pressão, jogou essa imensa quantidade de vapor que evaporou do oceano para dentro da costa. O vapor subiu a Serra do Mar, condensou e choveu muito".

No planeta inteiro, todos esses fenômenos extremos estão acontecendo com muito mais frequência, e a ciência não deixa nenhuma dúvida que eles não estariam ocorrendo com essa frequência se o planeta não estivesse sofrendo o aquecimento global.

Mas será que os modelos usados no Brasil para previsão do tempo dão conta de prever esse volume de água que caiu, mais de 600 milímetros num dia numa localidade?

Os modelos matemáticos de previsão de tempo são normalmente calibrados para representar o fenômeno físico que aconteceu ao longo dos últimos 30 anos. É muito difícil prever que esses modelos vão conseguir antever esses recordes. Globalmente falando, eles não conseguem prever esses recordes porque são calibrados para responder ao que aconteceu nas últimas décadas.

"Essas chuvas no litoral norte paulista foram três vezes maiores do que os modelos de previsão indicaram. Mas o Cemaden fez um alerta de altíssimo risco: os próprios modelos já estavam indicando mais de 200 mm, e esse volume de chuva em poucas horas causa desastre em qualquer lugar do mundo. Mas caíram 600 mm", antecipa Nobre

E isso é uma coisa que acontece em todo o planeta. Quando há um recorde de chuva, os modelos matemáticos não conseguem capturar o recorde, mas reproduzir os eventos extremos que têm acontecido nos últimos 30 anos. Então é um desafio muito grande para a ciência ver como fazer com que os modelos climáticos consigam prever esses recordes que estão acontecendo todos os anos em todo o planeta.

O próprio Cemaden foi criado num contexto semelhante de tragédia, em 2011. Mas o quanto ele ajudou a diminuir o número de mortes por desastres naturais?

O Cemaden foi fundado em 2011, depois do evento extremo na região serrana do Rio, em Petrópolis e Teresópolis, que teve o maior número de mortes registrado por um evento climático na história do Brasil. Morreram mais de 900 pessoas naquele janeiro.

A então presidente, Dilma Rousseff, que havia acabado de assumir o cargo, visitou os prefeitos e soube que não havia nenhum sistema de alerta para prevenir aquelas mortes. "Eu havia, um pouco antes, apresentado ao ministro Mercadante, que estava à frente da Ciência e Tecnologia, uma proposta que defendia há muitos anos, que era criar uma capacidade de o Brasil de fazer alerta de desastres naturais", afirmou Carlos Nobre

O Inpe já fazia previsões de qualidade das condições do tempo, mas aquilo não chegava à Defesa Civil. A chuva que aconteceu na região serrana havia sido prevista com três dias de antecedência pelo Inpe.

O Cemaden pega as previsões e transforma em risco de desastre de inundações, deslizamentos, enxurradas, secas, incêndios de grandes proporções. Hoje, monitora 1.038 municípios e calculou que mais de 10 milhões de brasileiros vivem em áreas de risco de desastres. Mais de 2 milhões de brasileiros vivem em áreas de alto risco.

"A gente teve lá atrás, em 2011, 900 mortos. Depois, por muitos anos, esse número baixou para menos de 100. Os municípios que receberam alertas do Cemaden conseguiram reduzir o número de mortes. A região serrana do Rio, desde então, tem sirenes. Quando o alerta chega, a Defesa Civil aciona as sirenes e a população sabe que tem que sair de casa e aonde deve ir. Infelizmente, em 2022 esse número explodiu, foram mais de 500 pessoas mortas por desastres".

Do fim de 2021 até agora, ou seja, em 14 meses, tivemos o recorde de desastres naturais na história do Brasil. É preciso entender realmente o porquê, se estão acontecendo mais eventos do tipo ou se a comunicação do alerta de risco está sendo efetiva.

"Nenhuma das cidades do litoral de São Paulo tem sirene. Mais de 40 mil áreas foram mapeadas pelo Cemaden no país como de risco, então seria muito importante que todos esses locais tivessem sistema de sirene. Quando o alerta mais grave foi emitido, por volta da meia-noite de domingo, se houvesse tocado alguma sirene, as pessoas poderiam ter saído de casa. Naquele horário ainda não tinham acontecido deslizamentos", diz Nobre. "Instalar sirenes é para ontem, é medida de curto prazo. A médio prazo, tem que tirar os 2 milhões de brasileiros que moram em áreas de altíssimo risco. Tem pessoas que moram em locais com declividade acima de 25 graus, isso é muito perigoso, ninguém deveria morar numa encosta assim. Isso leva tempo. Tem que criar Minha Casa, Minha Vida, como o presidente  Lula anunciou em São Sebastião, mas tem que ser minha casa sustentável, minha vida sustentável. As pessoas não podem voltar para essas áreas de altíssimo risco. É um enorme desafio", alerta.

A maioria das pessoas voltou para onde morava depois do desastre de 2011 na região serrana do Rio. 

Existe também o perigo representado pelos eventos climáticos extremos que não aparecem nas previsões...

O Cemaden consegue fazer alerta com dias de antecedência para a maioria dos casos associados a eventos meteorológicos previsíveis, como o que ocorreu no litoral paulista agora. Foi enviado, na última sexta-feira, um documento técnico detalhado para todas as Defesas Civis.

O evento extremo de 15 de fevereiro de 2022 em Petrópolis, que matou mais de 200 pessoas, foi um evento raro e não foi previsto pelos modelos matemáticos. Isso acontece em todo o mundo.

Aquele evento se desenvolveu de uma maneira muito rápida e gerou grande quantidade de umidade que saiu do oceano, subiu a serra de Petrópolis e causou 230 mm de chuva em três horas com inúmeras inundações. Naquele evento, a Defesa Civil não recebeu o alerta com antecedência.

Nos Estados Unidos, os modelos não captam tornados. Eles mostram que uma tempestade poderia gerar um tornado, mas depois que o tornado é gerado, os modelos não conseguem prever a trajetória e duração. Há inúmeros sistemas de monitoramento que, quando detectam o tornado se formando, avisam toda a população possivelmente atingida. E todos podem se abrigar e sobreviver.

Em 2021, houve inundação no Vale do Ahr, na Alemanha. Uma analogia com o que aconteceu aqui no litoral paulista agora, porque os modelos mais avançados do mundo não previram aquele evento e sim que haveria muita chuva, mas o volume foi quatro vezes maior que o previsto (total de 150 mm]. Mesmo num país  desenvolvido como a Alemanha, aquela chuva, com grande  intensidade e  duração, causou um desastre que matou inúmeras pessoas.

"A maioria dos eventos extremos no Brasil são previsíveis. Então a população tem que ser capacitada para responder a isso, principalmente com o aumento do risco que as mudanças climáticas trazem. Isso precisa se tornar uma política que o governo tem que desenvolver", diz Carlos Nobre.


 São Paulo é área da América Latina mais exposta às mudanças climáticas 

Enchente durante bloco de Carnaval de rua na região norte da cidade de São Paulo, nesta segunda (20)- Imagem: Ettore Chiereguini/Agência Estado

 

Na América do Sul, as áreas de maior risco climático estão no Brasil, de acordo com um estudo publicado na segunda-feira (20) sobre os riscos do aquecimento global em áreas urbanas.

São Paulo aparece na 33ª posição do ranking. Atrás, estão Santa Catarina (45) e Minas Gerais (47), e na Argentina, na capital Buenos Aires (40). Em todos esses casos, o principal risco é devido às inundações fluviais e pluviais, e, no caso de Buenos Aires, também há a exposição ao aumento do nível do mar.

[Assista abaixo vídeo que aborda os baixos investimentos em desastres naturais -também ocasionados pela ação das pessoas - no Brasil]

O estudo foi feito pela XDI, uma empresa australiana especializada em avaliar riscos climáticos para investidores e analistas financeiros. Regiões econômicas estratégicas da China e dos Estados Unidos são as mais expostas às consequências das mudanças climáticas, além da Índia.

"Recebemos um sinal muito forte para países como China, Estados Unidos e Índia. Esses são, basicamente, os motores da economia mundial, onde se concentram muitas infraestruturas", explica Karl Mallon, diretor de ciência e inovação da companhia.

Cerca de 80% dos territórios mais expostos estão localizados nestes países. Dos 10 primeiros, nove são chineses, como as províncias de Jiangsu (1), Shandong (2) e Hebei (3), no leste da segunda maior economia do mundo.

Alguns estados americanos de grande importância econômica também estão entre os primeiros da lista, como Flórida (10), Califórnia (19) e Texas (20), diz o relatório, que estudou 2.600 regiões.

Na Europa, o território mais vulnerável aos impactos é o estado alemão da Baixa Saxônia (56).

"Fuga das capitais"

O método utilizado pela XDI leva em conta oito fatores de risco: o aumento do nível dos rios, as inundações pluviais e costeiras, o calor extremo, os incêndios florestais, as secas, o vento extremo, as geadas e os degelos.

A modelo tem como base um dos cenários pessimistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), do aumento da temperatura global em mais de 3°C antes do final do século, em relação à era pré-industrial.

Este cenário também é utilizado pelos bancos para fazer avaliações de risco.

"Publicamos essa análise a pedido dos investidores que solicitavam dados sobre os riscos em escala regional", explica Rohan Hamden, CEO da XDI.

"Como a infraestrutura construída geralmente se sobrepõe aos altos níveis de atividade econômica e valores de capital, é imperativo entender e avaliar melhor o risco físico da mudança climática", disse ele.

Os autores do relatório pedem aos países que reduzam suas emissões de CO2 para limitar o aquecimento global e evitar futuras catástrofes. No entanto, alertam que as mudanças climáticas terão, de qualquer forma, consequências financeiras no preço de alguns títulos e no comportamento dos atores econômicos.

"As pessoas que querem abrir uma fábrica ou cadeia de suprimentos nesses estados e províncias vão pensar duas vezes", prevê Mallon.

"Na melhor das hipóteses, pode haver um prêmio de risco para esses territórios e, na pior, uma fuga de capitais de investidores em busca de portos seguros" para seus fundos.

Assista como orçamento para prevenção de desastres para 2023, foi o menor em 14 anos.

 

O que é genocídio segundo a lei? 

Atendimento de emergência a crianças yanomanis - (Sesai/Divulgação)

Legislação brasileira e internacional definem o crime, com cinco condutas listadas. 

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, determinou a abertura de inquérito policial para apurar o genocídio do povo yanomami em Roraima, numa decisão que se baseia tanto na lei brasileira como na legislação internacional. O procedimento foi instaurado pela Polícia Federal.

Criado pelo advogado polonês Raphael Lemkin (1900-1959), o conceito de genocídio apareceu pela primeira vez no livro "Axis Rule in Occupied Europe" (o governo do eixo na Europa ocupada), publicado em 1944. 

A noção, que junta "geno" (do grego: raça, classe) com "cidio" (do latim: matar), se aplicava à política de assassinatos em massa implementada por Adolf Hitler na Alemanha, mas Lemkin já pensava no assunto antes disso, quando procurava um nome para os crimes cometidos no massacre do povo armênio (1915-1923).

Não demorou para o novo conceito ganhar status legal. Em 1948, a recém-criada ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou a Convenção para Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, definido em duas partes.

Uma delas é a "intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal". A outra parte lista cinco condutas que, se praticadas com essa intenção, configuram o crime de genocídio. São elas:

a) matar membros do grupo;

b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo;

c) submeter intencionalmente o grupo a condição de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial;

d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio de grupo;

e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro

A convenção da ONU passou a valer no Brasil em 1952 e, quatro anos depois, o então presidente Juscelino Kubitschek sancionou a lei 2.889/1956, que define e pune o crime de genocídio.

A lei brasileira repete os termos das Nações Unidas e acrescenta algumas regras específicas, como as penas aplicáveis: a mínima não fica abaixo de dois anos de prisão (nos casos de lesão grave ou transferência forçada) e a máxima pode chegar a 30 anos (no caso de morte).

Sua primeira e única aplicação no Brasil ocorreu em relação a um crime de 1993, justamente contra yanomamis. O episódio, conhecido como massacre do Haximu, deixou 12 indígenas mortos na serra da Parima, região de Roraima próxima à fronteira da Venezuela.

Aos dois textos legais de meados do século passado se somou um terceiro, o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (TPI), finalizado em 1998 e em vigor no Brasil desde 2002.

Essa norma apenas reforçou a antiga definição, mas uma assembleia dos países-membros do Estatuto de Roma esclareceu um ponto: qualquer uma das cinco condutas do crime de genocídio precisa fazer parte de um padrão de ações contra um determinado grupo nacional, étnico, racial ou religioso. Ou seja, não basta uma ação isolada para configurar o genocídio – a menos, é claro, que dessa ação isolada já resulte a destruição total ou parcial do grupo em questão.

A necessidade de apontar um padrão dificulta a acusação. Por outro lado, esse padrão, na maioria das vezes, acaba sendo a única maneira de demonstrar a intenção do genocida. Afinal, o criminoso evitará deixar um documento ou dar declarações atestando sua intenção de provocar extermínio.

"Em qualquer crime, descobre-se a intenção a partir de uma série de circunstâncias que cercam o ato criminoso. Não é diferente no genocídio. O que se busca é descobrir se há algum padrão que evidencie a intenção de eliminar um povo", afirma a advogada Deborah Duprat, subprocuradora aposentada da República. 

Para Eloísa Machado, que é professora de direito da FGV, uma das características que ajudam a identificar o genocídio é a mobilização da máquina estatal. "Caso se comprove que o Estado criou uma política para destruir um povo, aí temos o genocídio", diz Machado, da Comissão Arns e do Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos (CADHu).

De acordo com ela, essa política pode passar pelo esvaziamento de órgãos de proteção, pela leniência com criminosos que ataquem um dado povo e pela ausência de assistência devida.

Segundo Fábio Tofic Simantob, advogado criminalista, se o governo tem o dever de agir e deixa de fazê-lo, mesmo após ter sido alertado sobre a situação, há uma violação. "Começa a se aproximar da figura do dolo [intenção] ou do dolo eventual, que é aquele em que pode não haver intenção direta de obter o resultado, mas se assume o risco com uma ação ou omissão", afirma.

Em nota, o Ministério da Justiça usa a figura do dolo eventual para justificar a investigação sobre genocídio do povo yanomami, destacando "os indícios de negativa de assistência nutricional e de saúde dessas populações indígenas".

O MJ também se refere a três condutas previstas nas leis sobre genocídio: assassinatos, violação da integridade física ou da integridade mental e "negação de procedimentos que são fundamentais para a sustentação da vida desse povo".

De acordo com Duprat, esse último ponto, que corresponde à letra "c" da lei, trata não só da sobrevivência física. "É também a sobrevivência do povo enquanto diferenciado da sociedade de grande formato", diz.

Para Deisy Ventura, que coordena o programa de pós-graduação em saúde global na Faculdade de Saúde Pública da USP, as pessoas ainda se prendem muito a uma ideia de que o genocídio só ocorre quando há guerra ou uma matança como a dos armênios ou dos judeus.

"Genocídio não é só colocar alguém no paredão e atirar. Não é só pegar o facão e sair cortando cabeças, como aconteceu em Ruanda", diz Ventura, que é ex-presidente da Associação Brasileira de Relações Internacionais. "Dá para provocar danos muito maiores simplesmente deixando de cumprir o dever legal e encorajando o crime", afirma.

Caso o inquérito proposto pelo Ministério da Justiça vire um processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o caso tramitaria na primeira instância da Justiça Federal. O Tribunal Penal Internacional só entra em cena se o Judiciário brasileiro falhar em investigar o crime. 

 


                                          [Clique na imagem e saiba tudo sobrea a COP 27]

Até 2050 todas as crianças do mundo estarão expostas a alta frequência de ondas de calor

  A Unicef estima que, atualmente, cerca de 559 milhões de crianças no mundo já estão expostas a uma elevada frequência de ondas de calor.

Relatório da Unicef diz que emissões de gases causarão impactos climáticos que devem prejudicar a saúde de 2 bilhões de crianças. 

Até 2050, todas as crianças do mundo devem estar expostas a elevadas frequências de ondas de calor. As mais de 2 bilhões de crianças que existirão naquele ano sofrerão com a constância do evento extremo mesmo no melhor cenário climático possível, ou seja, se o planeta conseguir chegar perto de cumprir os compromissos acordados, o que, no momento, parece improvável de acontecer.

É o que aponta o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), que, no final de outubro (2022), publicou um relatório sobre a situação das crianças (menores de 18 anos) em decorrência da crise climática. Com o título "O ano mais frio do resto de nossas vidas", a entidade estima que, atualmente, cerca de 559 milhões de crianças no mundo já estão expostas a uma elevada frequência de ondas de calor – o que é caracterizado por 4,5 ou mais registros desse evento extremo.

Estima-se que, em 2020, uma a cada quatro crianças enfrentava elevada frequência de ondas de calor. No mesmo ano, as Américas e a Europa registravam os percentuais mais elevados de crianças expostas a uma elevada frequência de ondas de calor, enquanto a Ásia tinha o maior número absoluto. Segundo o Unicef, medidas de mitigação e de adaptação são urgentes.

As crianças, especialmente as mais novas, estão entre os grupos mais vulneráveis à crise climática. Os pequenos têm mais dificuldade para regular a temperatura corporal. Isso sem considerar os impactos das altas temperaturas sobre a saúde mental e emocional das crianças. "O mundo precisa, urgentemente, investir na construção de resiliência e na adaptação de todos os sistemas dos quais as crianças dependem para, assim, dar conta dos desafios da rápida mudança climática", afirma Catherine Russell, diretora-executiva da Unicef.

Segundo o relatório, as crianças nas áreas mais ao norte do planeta serão as que enfrentarão a situação mais dramática no aumento da severidade das ondas de calor. Os pesquisadores estimam que, em 2050, cerca de metade de todas as crianças da África e da Ásia viverá exposta continuamente a temperaturas extremamente altas – segundo o Unicef, quando 83 dias ou mais por ano registram mais de 35°C.

Atualmente, uma a cada três crianças no mundo vive em países com cerca de 83 dias ou mais por ano de temperatura acima de 35°C. A exposição a temperaturas extremamente altas já atinge áreas do Oriente Médio, Áfricas do Norte e Central, o sul da Ásia e partes da América Latina e da Austrália, o que dificulta rotinas básicas diárias e leva crianças a situações de doença e morte.

As regiões que, em 2020, tinham as maiores exposições de crianças a temperaturas extremamente altas são a África e a Ásia, o que deve se manter até 2050. O documento aponta que, no mundo, as ondas de calor matam cerca de meio milhão de pessoas por ano.

Entre os riscos à saúde, associados ao aumento de temperatura, estão alergias, insolação e estresse térmico, maiores níveis de asma e de risco, condições respiratórias crônicas, aumento de doenças cardiovasculares, risco de doenças transmitidas por mosquitos, baixo peso ao nascer, subnutrição e diarreia.


Conferência do Clima (COP27) aplaude eleição de Lula mas quer revisão de compromissos do Brasil

Lula confirma participação na Cop27

Para a ONU, não há opção: ou governos aumentam sua ambição ou simplesmente o desastre climático será uma realidade. 

A cúpula da ONU espera que o desembarque de Luiz Inácio Lula da Silva no cenário internacional mande "sinais fortes" contra o desmatamento no mundo. Para retomar sua postura de protagonista internacional, o Brasil será cobrado a refazer seus compromissos de redução de emissões, considerados como insuficientes e verdadeiras "pedaladas ambientais".

Lula decidiu ir à Conferência da ONU sobre o Clima que ocorre entre os dias 6 a 18 de novembro na cidade de Sharm El-Sheikh no Egito, inclusive como um sinal claro de que sua gestão irá colocar a questão climática no centro de sua agenda e na busca de recuperar a credibilidade internacional do país. Em suas declarações, Lula ele já deixou claro que está ciente da pressão internacional e disposto a voltar a cooperar.

Sua ida ocorre depois que o governo do Egito, organizador do evento, enviou uma carta ao presidente eleito para oficialmente convidá-lo. Entre diplomatas estrangeiros, a presença de Lula irá ofuscar a delegação oficial do Brasil, liderada ainda por representantes de Jair Bolsonaro.

Na ONU, a expectativa é de que Lula não apenas mude o discurso, mas que haja uma revisão real da realidade do meio ambiente no país. O vice-secretário-executivo da Convenção da ONU para Mudanças Climáticas, o indiano Ovais Sarmad, disse que a entidade comemora a eleição de Lula. Mas aponta para os caminhos adiante.

"Saudamos os resultados das eleições no Brasil e queremos dar as boas vindas a Lula em Sharm El Sheik", externou Sarmad, que tem o cargo de secretário-geral assistente da ONU, um dos postos mais altos na diplomacia mundial.

"Essa é uma mudança importante que temos visto no nível político que deve mandar um sinal forte sobre o desmatamento que vemos em várias partes do mundo, em especial na Amazônia", disse.

Segundo ele, as florestas são fundamentais no que se refere às emissões e, portanto, a eleição brasileira foi considerada como positiva. "Esse resultado (da eleição) é muito importante e bem-vindo", disse Sarmad. "Vamos trabalhar com todos os atores e o Brasil é uma das peças extremamente importantes, especialmente na questão florestal", completou.

Novos compromissos

Ocupando o mais alto escalão da ONU e com amplo acesso ao secretário-geral da entidade, Antonio Guterres, admitiu que existe uma esperança de que o governo Lula irá refazer e reapresentar à comunidade internacional novos compromissos nacionais, no que se refere à redução de emissões. A proposta apresentada por Bolsonaro foi duramente criticada e vista como uma tentativa do governo de trapacear a comunidade internacional.

Segundo esses negociadores, há uma disposição real do mundo em ajudar o Brasil a lidar com o desmatamento, inclusive com o retorno do financiamento externo. Mas não haverá "cheque em branco" e, antes de um novo acordo, o que o mundo quer ver é se o novo governo brasileiro tem novas metas e planos. No Egito, isso estará no centro das atenções.

Na semana passada, num verdadeiro obituário da política de meio ambiente do Brasil, o Programa da ONU para Meio Ambiente publicou seu informe anual sobre emissões revelando que o governo de Jair Bolsonaro vai na direção contrária entre as principais potências do mundo no que se refere ao combate às mudanças climáticas.

A estratégia do Itamaraty e de outras autoridades nacionais de mentir à comunidade internacional simplesmente fracassou. O documento aponta que as metas estabelecidas pelos maiores responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa não estão sendo suficientes para limitar o aquecimento global dentro dos limites definidos pelo Acordo de Paris, abaixo dos 2 graus Celsius e com esforços para que o limite seja de 1,5 graus Celsius até 2100.

O que ainda deixou a ONU preocupada é que, apesar das metas anunciadas pelos governos durante a Cúpula em Glasgow, no ano passado, as políticas, medidas e ações sequer correspondem ao que foi assumido pelas diplomacias de todo o mundo.

Para a entidade, não há opção: ou governos aumentam sua ambição ou simplesmente o desastre climático será uma realidade. Mas o informe revela um outro aspecto: todo o esforço do governo de Jair Bolsonaro de mostrar ao mundo, em Glasgow, que estava assumindo uma postura de defesa do clima não passava de uma farsa.

No ano passado, o governo brasileiro tentou desmontar a pressão internacional anunciando compromissos de redução de desmatamento e adotando um novo tom nos discursos. Mas as taxas de destruição da floresta continuaram a subir, enquanto os órgãos para lidar com a situação da Amazônia continuaram sem recursos.

Para Carlos Rittl, especialista em política internacional da Rainforest Foundation da Noruega, o Brasil "se destaca negativamente" no novo informe da ONU. O país aparece como dentro do G20, que, ao invés de aumentar a ambição climática em seus novos compromissos, apresentou metas que vão levar a um aumento das emissões em 2030 comparado às propostas anteriores. Apenas o México também tem um desempenho que vai na contramão do mundo, mas em taxas bem mais modestas que a brasileira.

"Ou seja, o mundo está caminhando rápido para o caos climático, há pouco avanço nas metas dos maiores emissores, mas só um país que torna o desafio de combater o aquecimento global ainda mais difícil: o Brasil de Bolsonaro", disse Rittl.

"Além disso, o relatório também mostra que enquanto as emissões de uso da terra de alguns países, como China, Índia, Estados Unidos e União Europeia foram negativas em 2020, no Brasil as emissões aumentaram, por conta do aumento do desmatamento", destacou. "A guerra do Bolsonaro contra a Amazônia tem impacto para o mundo inteiro", disse.

O informe ainda revela que o Brasil, em sua proposta, sequer está cumprindo
com todos os critérios esperados das maiores economias do mundo, como transparência, a publicação de um plano e um acompanhamento anual.

 

Bancada antiambiental terá 41% nas cadeiras da Câmara 


O novo Congresso não está apenas mais à direita — ele também ficou mais antiambiental. Os partidos que votam de forma contrária à proteção do meio ambiente ganharam reforços, enquanto apoiadores da causa não conseguiram se reeleger. 

As legendas cujas posições são tradicionalmente mais distantes da defesa ambiental fizeram 213 deputados, que representam 41,5% dos votos na Câmara. São elas: PP, União Brasil, Solidariedade, PL, PTB e Novo.

Já os partidos que concentram os votos ambientalistas terão 137 das 513 cadeiras na Câmara (26,7%). O grupo é composto por Rede, PCdoB, PT, PSOL, PSB, PV, PDT, Avante e Cidadania.

A classificação foi feita com base no índice de convergência ambiental dos partidos, calculado pelo painel Farol Verde, do IDS (Instituto Democracia e Sustentabilidade).

Chamado de ICAt, o ranking deu uma nota de 0% a 100% para cada um dos partidos. Pelo cálculo, quanto mais próximo de 100%, mais verde foi o histórico de votações da sigla na última legislatura.

As legendas intermediárias, cuja convergência com a posição ambientalista ficou entre 31% e 49% nos últimos anos, terão 163 deputados. São elas: Pros, Patriota, PSDB, MDB, PSD, Republicanos, Podemos e PSC.

O Farol Verde também fez a conta por deputado reeleito, avaliando o passado de suas votações em matérias ambientais, já que as posições dos parlamentares podem diferir dos partidos. A esse cálculo, foi somada a projeção do voto dos novos eleitos, considerando o ICAt dos seus partidos.

A partir da análise por deputado, o Farol Verde concluiu que a composição antiambiental da Câmara aumentou. Os deputados antiambientais somavam 37% dos votos da Câmara e agora devem chegar a 42,6%. Os parlamentares intermediários passaram de 33% para 30,4% e os verdes, de 30% para 27%.

André Lima, coordenador do Farol Verde e consultor sênior de política e direito socioambiental do IDS, avalia, porém, que "há espaço para aumentar a adesão ao voto ambiental, trabalhando o diálogo com as bancadas".

O relatório considerou os votos dos partidos em projetos das matérias socioambientais com votação nominal da última legislatura. O índice foi medido a partir da concordância com o voto do líder da Frente Parlamentar Ambientalista na Câmara e no Senado.

O rol de projetos de lei considerados inclui tanto textos com potencial retrocesso ambiental (PLs da regularização fundiária, licenciamento ambiental e agrotóxicos) quanto pautas positivas para o meio ambiente (regulação do mercado de carbono e pagamento por serviços ambientais).

O índice médio de convergência ambiental da nova Câmara dos Deputados é de 42%, mas entre os representantes de estados amazônicos, ele é ainda menor: apenas 35%.

"Os dados sugerem que as vozes que majoritariamente falarão em nome dos eleitores da Amazônia possuem baixa adesão às pautas climáticas e socioambientais", resume o relatório.

A nova composição do Congresso também foi avaliada pela agência focada em advocacy socioambiental Pulso Público. "O saldo para a agenda ambiental foi majoritariamente negativo", afirma a análise, obtida com exclusividade pela Folha.

O trabalho considera o perfil dos nomes eleitos, classificando-os como aliados ou detratores da agenda ambiental a partir da sua atuação anterior e de posicionamentos já conhecidos.

"Velhos nomes do agronegócio conseguiram a reeleição", diz o estudo, que destaca ainda um novo detrator: Ricardo Salles (PL-SP), ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro.

Por outro lado, embora a bancada ambientalista tenha perdido protagonistas, como Rodrigo Agostinho (PSB-SP) e Joenia Wapichana (Rede-RR), que não conseguiram se reeleger, ela contará com novos nomes que priorizam a pauta, como Marina Silva (Rede-SP), Sônia Guajajara (PSOL-SP), Célia Xakriabá (PSOL-MG) e Duda Salabert (PDT-MG).

Já para o Senado, o segundo turno ainda deve trazer definições, uma vez que cinco senadores atuais disputam governos estaduais.

Do que é possível ver por ora, a perda potencial é de apenas dois votos ambientais, segundo o Farol Verde. Ainda que o quadro da casa tenha pouca variação, a convergência ambiental já era baixa, destaca a análise.

"A bancada majoritariamente divergente em relação às pautas de clima e meio ambiente no Senado já é de, no mínimo, 39,5%, podendo chegar a 42%", diz o estudo.

A Pulso Público, no entanto, destaca em sua análise que o Senado nos últimos anos, em comparação à Câmara, conteve retrocessos ambientais.

"Durante a última legislatura, o Senado segurou parte considerável da agenda contra o meio ambiente (regularização fundiária, licenciamento ambiental, agrotóxicos, autocontrole etc.)", cita o trabalho.

Três ex-ministros de Bolsonaro eleitos para o Senado Damares Alves (Republicanos-DF), Tereza Cristina (PP-MS) e Marcos Pontes (PL-SP) pegaram vagas de nomes com votos alinhados ao ambientalismo. O saldo foi compensado por trocas com o sinal inverso, como a chegada de Flávio Dino (PSB-MA) na vaga que era de Roberto Rocha (PTB-MA).

"O Senado perde o mandato de Jean Paul Prates (PT-RN), que se candidatou como primeiro suplente de Carlos Eduardo (PDT-RN) [não eleito], e abre espaço para Rogério Marinho (PL-RN). A ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro, Tereza Cristina (PP-MS), soma à lista de atores representantes do agronegócio, assim como o ex-secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Junior (PL-SC)", destaca a análise da Pulso Público.

Em 2019, Seif afirmou que os peixes seriam inteligentes e desviariam das manchas de óleo que atingiram as praias do Nordeste.

"Perdemos nomes que não tinham tanto protagonismo, mas estavam abertos a escutar a ala ambientalista em assuntos específicos", diz o cientista político Ícaro Silva, líder de projetos na Pulso Público.

Ele aposta, contudo, que ainda é possível construir entendimentos com nomes mais pragmáticos da direita. "O próprio PL, mesmo sendo de Bolsonaro, tem o pragmatismo de algumas figuras", avalia.

"Também precisamos buscar informações sobre os novos eleitos. Há parlamentares novos que trazem a causa animal, por exemplo. Então, enquanto no contexto geral tende a piorar, precisamos olhar os novos e checar alinhamentos."

A Pulso Público também alerta para a possível aceleração na tramitação de projetos relatados por parlamentares que não foram reeleitos. Movimentações recentes indicam que o PL dos agrotóxicos (PL 1459/22), relatado pelo presidente da Comissão de Agricultura do Senado, Acir Gurgacz (PDT-RO), que não conseguiu renovar o mandato, pode ser votado ainda neste ano.

Por outro lado, a senadora Kátia Abreu (PP-TO), que relata o PL do licenciamento ambiental e também não conseguiu a reeleição, afirmou à Folha que não deve pressionar pela aprovação neste ano.

"Não acho que é hora de aprovar, acho que tem que esperar o novo Congresso Nacional. É algo tão grave e tão importante que não quero ter a vaidade de deixar esse relatório ser aprovado em meu nome", disse. 

 

Bolsonaro ou Lula: em qual governo a taxa de desmatamento na Amazônia foi maior? 

Taxa de desmatamento na Amazônia aumentou nos últimos anos, revelam as estatísticas do governo federal © Getty Images

Um dos temas a ganhar destaque durante o primeiro debate do segundo turno das eleições de 2022, dia 16 de outubro foi o desmatamento da Amazônia.

No segundo bloco, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o atual governo está "brincando de desmatar, de 'abrir cerca', de derrubar árvores".

"Nós vamos ganhar as eleições para poder cuidar da Amazônia e não permitir que haja invasão de terra indígena e garimpo ilegal."

O presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, rebateu e pediu que os espectadores fizessem uma pesquisa na internet.

"Dá um Google: 'desmatamento de 2003 a 2006', nos quatro anos de governo Lula. Depois pesquise 'desmatamento de 2019 a 2022'", disse.

Olhando para Lula, Bolsonaro emendou: "No seu governo, foi desmatado o dobro do que no meu".

Mas o que dizem os dados?

De fato, a área total de floresta destruída durante os três primeiros anos do governo Lula foi maior em comparação com o mesmo período de Bolsonaro no cargo — mas a taxa de desmatamento foi reduzida significativamente e chegou aos menores patamares históricos entre 2006 e 2015, especialmente no período em que Dilma Rousseff (PT) assumiu a Presidência.

Para se ter uma ideia, a área desmatada por ano caiu praticamente cinco vezes entre 2003 e 2015.

Na contramão, os números voltaram a subir mais recentemente, com uma nova aceleração do desmatamento entre os governos de Michel Temer (MDB) e de Bolsonaro.

Entre 2016 e 2021, a área destruída a cada ano quase dobrou.

Confira a seguir o que mostram os números sobre o desmatamento na Amazônia.

Freio e acelerador

As informações oficiais sobre a destruição de áreas da Floresta Amazônica vêm do Projeto Prodes, que é conduzido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.

O órgão faz esse monitoramento por satélites desde 1988 e os dados obtidos servem de base para que o governo atualize as políticas públicas relacionadas à região e à preservação ambiental.

Em números absolutos, é possível conferir que a área desmatada na Amazônia em 2003, primeiro ano do governo Lula, foi de 25,3 mil quilômetros quadrados.

Vídeo relacionado: Ataque a Lula, Amazônia “intocada” e mais: o que Bolsonaro disse em discurso na ONU

No ano seguinte, a área destruída cresceu para 27,7 mil km².

A partir de 2005, porém, houve uma queda nesses índices.

Foram 19 mil km² naquele ano, seguidos de 14,2 mil (2006), 11,6 mil (2007), 12,9 mil (2008), 7,4 mil (2009) e 7 mil (2010).

Ou seja: ao longo dos dois mandatos do petista, a taxa de desmatamento caiu 67%.

Os números continuaram em descenso durante o governo de Dilma Rousseff: o ano com menos desmatamento na Amazônia na série histórica foi 2012, quando 4,5 mil km² foram devastados.

A partir de então, a área destruída só se ampliou: com exceção de 2014 e 2017, todos os anos recentes registraram um aumento nas taxas do Inpe.

E o que aconteceu especificamente desde que Bolsonaro assumiu a Presidência?

No primeiro ano do atual governo, em 2019, a área desmatada foi de 10,1 mil km².

Os índices continuaram em ascensão em 2020 (10,8 mil km²) e em 2021 (13 mil km²). Os dados de 2022 ainda não estão disponíveis.

Ou seja: a taxa de desmatamento subiu 73% nos três primeiros anos da gestão Bolsonaro.

Outra ponderação feita por ambientalistas envolve o legado que cada presidente recebeu do governo anterior.

O desmatamento em 2002, quando o presidente ainda era Fernando Henrique Cardoso (PSDB), foi de 21,6 mil km².

Já em 2018, último ano de Michel Temer (MDB) na Presidência, foram 7,5 mil km² de floresta destruída — uma proporção três vezes menor.

E os outros biomas?

O Inpe também faz um monitoramento parecido no Cerrado desde 2001.

O movimento dos gráficos é bem parecido ao que aconteceu na Amazônia: crescimento na área absoluta desmatada durante os dois primeiros anos de governo Lula (28,8 mil km2 em 2003, número que se repetiu em 2004) e queda sustentada entre 2005 (16,9 mil) e 2012 (9 mil).

O índice de desmatamento nesse bioma voltou a subir em 2013 (13,5 mil), mas apresentou uma nova diminuição entre 2014 (10,9 mil) e 2019 (6,3 mil).

Em 2020 e 2021, o desmatamento no Cerrado se elevou de novo e atingiu 7,9 mil e 8,5 mil km², respectivamente.

Já na Mata Atlântica, foram desmatados 21,6 mil hectares (ha) entre 2020 e 2021, um aumento de 66% em relação a 2019 e 2020 (13 mil ha) e 90% entre 2017 e 2018 (11,3 mil ha), quando foi atingido o menor valor da série histórica.

Os dados foram compilados pela ONG SOS Mata Atlântica.

Por fim, o MapBiomas revela uma situação parecida no Pantanal. A área devastada subiu de 24,3 mil ha em 2018 para 31,7 mil em 2019 e 42,8 mil em 2020.

O menor índice de destruição desse bioma foi registrado em 2015, quando 23 mil ha foram desmatados.

Mais de 16 mil hectares ou 22,5 campos de futebol foram atingidos pelas chuvas de granizo no estado

Imagens: Emater-MG / Divulgação

Os municípios de Andradas, Três Corações, Pouso Alto (Sul), Paula Cândido (Zona da Mata) e Carmópolis de Minas (Central), foram os mais prejudicados. 


Levantamento feito pela Emater-MG mostra que as lavouras de café foram as mais prejudicadas. As chuvas de granizo registradas no início desta semana em Minas Gerais atingiram 16,8 mil hectares de lavouras no estado, o equivalente a 160 mil e 800 m² de área, ou 22,5 campos de futebol profissional. É o que mostra o balanço realizado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).  

O estudo também revela que 2.039 produtores rurais tiveram algum tipo de perda, em 63 municípios. Os maiores prejuízos foram nas regiões Sul, Campo das Vertentes, Central e Zona da Mata.

Os plantios de café arábica foram os mais impactados, com 13 mil hectares. O número representa 77% do total atingido pelas chuvas em Minas Gerais. O levantamento da Emater-MG mostra que 1.090 cafeicultores sofreram algum tipo de perda. Os municípios de Andradas, Coqueiral, Campanha e Paraguaçu, no Sul do estado, foram os que tiveram as maiores áreas de café prejudicadas pelo fenômeno.

A segunda cultura com maior área atingida pelas chuvas de granizo foi a citricultura, com 2,4 mil hectares. Pelos menos 135 citricultores mineiros relataram perdas. Os pomares mais afetados estão em Campanha, Paraguaçu e Três Corações, no Sul de Minas, além de Tocantins, na Zona da Mata.

Ainda na fruticultura, foram registrados prejuízos em lavouras de abacate. Foram 190 hectares atingidos no Sul de Minas, nos municípios de Três Corações, Campanha e Bom Jesus da Penha. Além disso, 36 hectares com plantios de uva na região foram atingidos.

Hortaliças


No levantamento feito pela Emater-MG, 302 produtores de hortaliças também relataram algum tipo de prejuízo, em 503 hectares. Os maiores danos foram em plantios de folhosas, com 212 hectares. Mas também houve perdas em outras culturas como tomate, abobrinha e couve-flor.
Os municípios de Andradas, Três Corações, Pouso Alto (Sul), Paula Cândido (Zona da Mata) e Carmópolis de Minas (Central), foram os mais prejudicados.


Abastecimento


De acordo com avaliação da Emater-MG, os estragos causados pelas chuvas de granizo podem gerar algum problema de abastecimento apenas nos mercados municipais, sem grandes impactos para o estado, de forma geral. Isto pode acarretar a necessidade de compra de produtos em outras regiões, aumentando o preço final.


No caso do café, o problema maior será para aqueles produtores que já tinham sofrido algum prejuízo com a geada ocorrida em 2021, como por exemplo, os cafeicultores de Andradas e Coqueiral”, explica o coordenador estadual de Crédito Rural da Emater-MG, Willem de Araújo.


Acompanhamento técnico


A Emater-MG faz um alerta para que os agricultores evitem qualquer atitude precipitada. Muitas áreas atingidas poderão ser recuperadas. Além disso, o tratamento feito nas lavouras vai depender do tipo de cultura.


As plantas deverão apresentar lesões causadas pelas pedras e que são porta de entrada para doenças fúngicas e bacterianas. Recomendamos que procurem a assistência técnica da Emater para orientação da melhor forma de minimizar o problema. Não se precipitem em fazer podas, às vezes desnecessárias, ou usar produtos 'milagrosos'. Não façam nada sem um acompanhamento técnico”, alerta o coordenador técnico de Culturas da Emater-MG, Sérgio Brás Regina.


A empresa também lembra que os produtores atingidos e que obtiveram crédito rural do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) devem procurar as instituições financeiras.Essas operações são cobertas pelo seguro do Proagro e Proagro Mais. O produtor deve comunicar as perdas ao agente financeiro, o mais rápido possível, para a indicação de um profissional para a vistoria da área afetada”, explica o coordenador Willem de Araújo. Esta cobertura do seguro do Pronaf são para contratos de crédito rural renovados a partir de 1º de julho deste ano (safra 2022/2023).

 A segunda cultura com maior área atingida pelas chuvas de granizo foi a citricultura, com 2,4 mil hectares. Os pomares mais afetados estão em Campanha, Paraguaçu e Três Corações, no Sul de Minas, além de Tocantins, na Zona da Mata.


Garimpo legal e ilegal cresce no Brasil e mais de 91% de sua área está na Amazônia

Policiais federais atuam em garimpos ilegais na região do rio Crepori, afluente do rio Tapajós, no município de Jacareacanga, no Pará, estado líder em área de garimpo, segundo dados do MapBiomas - (Pedro Ladeira - 16.fev.2022/Folhapress).

A área de garimpo no Brasil continua crescendo e, desde 2019, é maior do que a da mineração industrial. Mais de 91% da área garimpeira brasileira está na Amazônia, segundo dados do MapBiomas divulgados nesta segunda-feira (26).

O levantamento aponta que, de 2010 a 2021, a área de garimpo passou de 99 mil hectares para 196 mil hectares. Em comparação, a de mineração industrial demorou 20 anos para aumentar de 86 mil hectares para 170 mil.

Pará, especialmente, e Mato Grosso são os estados que concentram a atividade garimpeira, com quase 92% da área total. Já a mineração industrial está concentrada principalmente em Minas Gerais, responsável por 36% da área do setor. Em seguida, aparece o Pará, com 24%.

Há diferenças entre o que o MapBiomas classifica como garimpo e como mineração industrial. No garimpo, de forma geral, estão concentradas as extrações de ouro —predominante— e estanho. A mineração industrial tem mais diversidade, com exploração de ferro, alumínio e outros produtos.

Os dois tipos considerados pelo levantamento se diferenciam também pela escala da operação: enquanto o garimpo é baseado em técnicas mais simples, como pás escavadeiras e bombas de sucção, a mineração industrial é caracterizada por ações em uma escala maior, segundo Cesar Diniz, coordenador-técnico do mapeamento de mineração do MapBiomas.

Um dos problemas apontados pelos dados está na expansão do garimpo em áreas protegidas. Segundo o levantamento, de 2010 até 2021, houve um crescimento de 625% da área garimpada nos territórios indígenas, uma exploração que é ilegal.

"Pelo menos, 12% do garimpo nacional é necessariamente ilegal. Essa é a quantidade de garimpos que existe dentro de áreas restritas à atividade garimpeira, que são terras indígenas e unidades de conservação de proteção integral. Nessas regiões não pode existir garimpo", afirma Diniz. "Fora desses 12%, espera-se que exista um contingente de ilegalidade muito maior."

A concentração do garimpo na Amazônia acaba sendo importante por causa dos impactos ambientais envolvidos na atividade econômica. O presidente Jair Bolsonaro (PL) defende a liberação de exploração mineral dentro de terras protegidas, como áreas indígenas. Além disso, há projeto no Congresso que segue na mesma linha.

O levantamento do MapBiomas sobre mineração inclui dados do CPRM (Serviço Geológico Brasileiro), da Ahk Brasilien (Câmara de Comércio e Indústria), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), do Isa (Instituto Socioambiental) e utilização de um algoritmo de deep learning. (Saiba mais sobre deep learning clicando aqui).


Aumenta o índice de

desmatamento e queimadas na Amazônia

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgou índices atualizados de desmatamento e queimadas no Brasil. Infelizmente, os números não são nada bons.

Entre janeiro e julho de 2022, o Cerrado teve 4.091,6 km² desmatados, o equivalente a quase três vezes a área da cidade de São Paulo. Além de ser o maior valor acumulado para o período nos últimos quatro anos, comparando aos sete primeiros meses de 2021, o aumento na devastação é de 28%.

Já na Amazônia, no mesmo período, foram 5.463,2 km² destruídos, ou quase seis vezes a cidade de São Paulo. Ou seja, o desmatamento cresceu 7% em relação a janeiro-julho do ano passado e tem o maior número acumulado nos últimos seis anos.

 

Cada hectare desmatado na Amazônia nos coloca mais perto do ‘ponto de não retorno’, em que o bioma entra em processo de degradação sem volta e perde a capacidade de gerar chuva. Por isso que não podemos admitir que números como estes se repitam"

Edegar de Oliveira, diretor de conservação e restauração do WWF-Brasil

 



E como as queimadas estão diretamente ligadas ao desmatamento, os números também aumentaram nos sete primeiros meses de 2022.

O números de queimadas na Amazônia foi 14% maior entre janeiro e julho de 2022 do que no mesmo período do ano passado e 9% maior do que a média dos últimos 10 anos. No Cerrado, a situação é ainda mais grave - aumento de 24% sobre a média dos últimos 10 anos e 6% maior do que aconteceu entre janeiro e julho de 2021.

Para o ONG WWF Brasil, "#AgirÉUrgente e combater esses números é mais do que necessário, é uma questão de sobrevivência. Precisamos conservar as áreas verdes e restaurar os biomas e ecossistemas para começar, hoje, a construir nosso amanhã!".


 Mata Nacional do Buçaco é um dos lugares mais bonitos do planeta 

Mata Nacional do Buçaco (ou Bussaco?) parece ter saído de um conto de fadas


Um bosque encantado para descobrir no Centro de Portugal, um dos jardins mais bonitos do país lusitano e do mundo. Conheça a sua história. 

Começamos com uma dúvida comum: Buçaco ou Bussaco? Ambas estão corretas! Imagine um local que parece saído de um conto de fadas, com árvores, arbustos e muito verde. A Mata Nacional do Buçaco é isso mesmo: um autêntico museu natural com 105 hectares, com troncos seculares, caminhos gastos e paredes há muito esquecidas cobertas com líquenes e musgos.

Esta mata, nascida no século 12, hoje é mais uma floresta, graças ao empenho dos frades carmelitas descalços que, no século 16, instalaram no local um refúgio. Originalmente,  existiam adernos, loureiros e carvalhos. Hoje, a espécie mais abundante é o cedro, com destaque para o cedro do Buçaco, proveniente da América Central e que é um ex-libris da Mata.

O local conta também com eucaliptos, araucárias, sequóias e impressionantes fetos de porte arbóreo. No total, existem na Mata Nacional do Buçaco mais de 250 espécies de árvores e arbustos, naquela que é uma das maiores coleções dendrológicas da Europa.

Para se manter assim, o local precisa de muitos cuidados para que se coiba a invasão das acácias e o envelhecimento natural do coberto vegetal, preservando-se assim um dos expoentes máximos do arboreto português.

O coberto vegetal, aliado à grande abundância hídrica que brota das suas seis fontes e que alimenta os diversos regatos, que correm pela encosta, ajuda a que muitos animais tenham a Mata como lar.


Por lá encontram 17 espécies de anfíbios, com destaque para a salamandra-lusitânica, e 14 espécies de répteis, como o lagarto-de-água e as cobras-de-água. Quanto aos mamíferos, pode-se observar 35 espécies, como o esquilo-vermelho, os javalis e os coelhos. 

Tanta abundância de alimento leva a que também animais carnívoros encontrem refúgio, existindo oito espécies dessas no parque (com destaque para a raposa e as ginetas). Durante a noite, o domínio da Mata pertence às 15 espécies de morcego que se encontram, e que usam a escuridão para sair e caçar insetos noturnos voadores.

No meio desta diversidade, os animais mais abundantes são as aves florestais, estando identificadas cerca de 80 espécies diferentes. Algumas são afoitas, como o melro; outras mais tímidas, como a estrelinha-de-cabeça-listada; e outras aves ajudam na regeneração da floresta, como os gaios, que criam despensas de bolotas enterradas, para sobreviverem ao inverno, e que acabam por plantar novos carvalhos no processo.

Portanto, não é de admirar que este lugar exuberante, que se destaca num país onde a monocultura do pinheiro e eucalipto é uma constante, seja um daqueles locais que tem mesmo que visitar.

Apesar das transformações que sofre constantemente e de um certo desleixo nos seus cuidados, a verdade é que a Mata Nacional do Buçaco nos consegue enfeitiçar e ensinar acerca de diversos valores e interesses, como o histórico, religioso, arquitetónico, militar, cultural, e, claro, natural.


Para quem gostar de toda a paisagem, pode ficar e dormir lá mesmo, no palácio do Buçaco. Este palácio, desenhado pelo cenógrafo Luigi Manini, ergue-se imponente no seio da Mata do Buçaco, transportando-nos assim para um mundo de contos de fadas.

É considerado um dos mais belos hotéis do mundo, sendo uma recriação da arquitetura manuelina inspirada em obras como a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos. Não confundir, no entanto, com outros monumentos em estilo manuelino. o Palácio do Buçaco foi construído em estilo neo-manuelino.

Alguns dos nomes maiores da arte portuguesa, como Norte Júnior, Carlos Vieira, e Jorge Colaço, estão ligados à estrutura e ao ornato deste edifício, que apresenta uma estreita ligação com a exuberância da mata. 

O hotel é gerido pela terceira geração de descendentes de Alexandre de Almeida, o primeiro grande industrial hoteleiro português, e oferece um ambiente distinto e requintado, onde se distingue o conforto dos alojamentos, a excelência da cozinha portuguesa e o palato dos vinhos do Buçaco, mundialmente reconhecidos.



Queimadas na Amazônia batem recorde desde 2007 e governo gasta só 18% do orçamento contra incêndio 

Na região sul do Amazonas, no primeiro semestre deste ano, 7.533 focos de incêndio foram registrados na Floresta, crescimento de 17% em relação ao mesmo período de 2021.

No momento em que o Brasil registra os piores índices de queimadas dos últimos anos, o governo federal tem executado um volume mínimo do orçamento previsto para financiar ações de combate e prevenção contra incêndios.

Dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop), do governo federal, mostram que, no primeiro semestre deste ano, apenas 18% dos recursos previstos no Ministério do Meio Ambiente (MMA) para ações de “prevenção e controle de incêndios florestais nas áreas federais prioritárias” foram efetivamente liquidados, ou seja, pagos por serviços prestados.

No mês de julho, auge do período seco na maior parte do País, somente R$ 32 milhões de um orçamento total de R$ 175 milhões reservados para essas ações foram utilizados. Do total disponível, 51% foram empenhados até o momento, ou seja, carimbados para pagamentos.

"Infelizmente, os dados apontam que a mudança de ministro no MMA não resolveu o problema dos incêndios na região amazônica. Pelo contrário, temos a intensificação de crimes ambientais, que consequentemente, são crimes contra a vida dos povos da Amazônia", diz a deputada Vivi Reis (PSOL-PA), que reuniu os dados. O Ministério do Meio Ambiente foi questionado pela reportagem sobre a baixa execução no orçamento, mas não se manifestou a respeito.

Focos

No primeiro semestre deste ano, 7.533 focos de incêndio foram registrados na Floresta Amazônica, crescimento de 17% em relação ao mesmo período de 2021. No Cerrado, por sua vez, foram 10.869 registros, números 13% maiores que o dos seis primeiros meses do ano passado. Os dados são do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. 

Os últimos 30 dias foram particularmente ruins para a Amazônia, quando 2.562 focos de incêndio fizeram do mês o pior junho desde 2007. No Cerrado, houve 4.239 registros, aumento de 1,4% em relação ao ano passado e o pior patamar desde junho de 2010. Desde 2019, primeiro ano da gestão de Jair Bolsonaro, esse índice é crescente. Historicamente, anos eleitorais têm os maiores índices de desmatamento e queimadas.

Devastação

A Amazônia viu 3.988 quilômetros quadrados de sua floresta tombar nos seis primeiros meses de 2022. O desmatamento deste primeiro semestre é o maior já registrado para esse período desde 2016, início da série histórica realizada pelos sistemas do Inpe.

Para se ter uma ideia, o que ocorreu no primeiro semestre de 2022 é praticamente o triplo do volume registrado no mesmo intervalo de 2017, quando o desmatamento chegou a 1.332 km² na região. É o quarto ano consecutivo com recordes de desmatamento no período e supera em 10,6% a área devastada nos primeiros seis meses de 2021. O governo Jair Bolsonaro tem sido alvo de cobranças no Brasil e no exterior por causa do aumento do desmate.

O mês de junho também teve a pior marca da série histórica. Foram devastados 1.120 km² no mês na Amazônia, 5% a mais que em junho de 2021. Os Estados mais desmatados em junho de 2022 foram o Amazonas (401 km²) e o Pará (381 km²).

No Cerrado, foram derrubados 1.026 km² só no mês de junho, mais que o dobro do registrado em 2021 (485 km²) e 2020 (427 km²), um aumento de 111,5% em comparação a junho do ano passado. No acumulado do ano, entre o início de janeiro e o fim de junho, foram devastados 3.638 km² no Cerrado, um aumento de 44,5% em comparação aos seis primeiros meses de 2021, quando foram destruídos 2.518 km².

 

 

Como será o frio do inverno de 2022?

MG e BH na geladeira só há 122 anos. Capital teve a menor mínima desde maio de 1910. Mês passado, a mínima, na terceira semana, baixou a 5º C.


O inverno de 2022 começa astronomicamente às 06h14 do dia 21 de junho, quando ocorre o solstício de inverno, e se estende até às 22h04 do dia 22 de setembro, data do equinócio da primavera. 


A forte onda de frio do começo da segunda quinzena de maio de 2022 foi sentida em todas as Regiões do país. A temperatura baixou para quase 5°C negativos no Sul do Brasil. Estados da Região Norte, como Rondônia e Tocantins, registraram temperaturas em torno de 11°C. Na Região Sudeste, geou em áreas do estado de São Paulo, no Sul de Minas e também do Triângulo Mineiro. A cidade de São Paulo registrou 6,6°C, que foi a temperatura mais baixa para um dia de maio desde 1990. 

Mas o que mais impressionou foi o efeito desta massa polar na Região Centro-Oeste. O frio intenso causou geada no Distrito Federal, o que é raro. Brasília registrou apenas 4,9°C, a segunda menor temperatura para um dia de maio desde 1960, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia. 

Durante essa onda de frio, uma das perguntas mais recorrentes foi se este ano ainda poderíamos ter uma outra onda de frio tão intensa e abrangente como esta observada no começo da segunda quinzena de maio de 2022. Isto é um sinal de que o inverno será rigoroso? Como o fenômeno La Niña vai impactar no inverno? Será que teremos outra (s) ondas de frio tão amplas e fortes como esta de maio? 

Fazer muito frio, gear e nevar não são fenômenos tão incomuns assim em maio. O fato de ter passado esta onda de frio não significa que teremos um inverno rigoroso. Já tem frio à vista para o começo de junho, mas será frio para gelar Brasília novamente? O frio pode aumentar no inverno? 

Para responder a essas perguntas consultamos o agrometeorologista Celso Oliveira, da equipe de previsão climática da Climatempo.

Como será o frio do inverno de 2022? 

Já tem frio à vista para o começo de junho e que esfria parte do centro-sul do Brasil entre os dias 6 e 7 deste mês. Mas a massa de frio forte que está no radar dos meteorologistas da Climatempo é a chegada ao país na segunda quinzena de junho. Será uma massa de ar frio abrangente para chegar forte a Brasília novamente?  

Celso Oliveira já avisa que esta massa de ar frio esperada para a segunda quinzena de junho de 2022 é preocupante. “Embora essa onda de frio cause até uma queda de temperatura no Acre e em Rondônia, na Região Centro-Oeste o efeito desta massa de ar frio deve ser basicamente em Mato Grosso do Sul e nas áreas a oeste e sul de Mato Grosso". 

O meteorologista considera que o inverno será um pouco rigoroso e que passagem das massas de frio será frequente, mas nem todas serão tão abrangentes como a da segunda quinzena de maio. “Na intensidade, acho que sim. Mas não obrigatoriamente vai fazer frio o tempo todo.  O frio poderá ser pior no Sul e partes do Sudeste e Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso do Sul". 

Mas Celso alerta que, até o fim de julho, é possível que o Brasil experimente novamente uma onda de frio parecida com a que gelou o país no começo da segunda quinzena de maio. 

La Niña e o frio do inverno de 2022 

O fenômeno La Niña vem perdendo força, mas a porção central e leste do Pacífico Equatorial segue fria, com temperatura abaixo da média. Como isto influencia o frio do inverno de 2022? O que muda na intensidade e trajetória das próximas massas polares? 

Celso Oliveira explica que, embora os estudos científicos não sejam conclusivos sobre a ideia de que o La Niña deixe os invernos mais frios, nota-se que a presença do fenômeno aumenta a frequência de massas polares. Mas não é o La Nina que define se essas massas polares terão grande penetração pelo interior do país. 

O histórico mostra que vários anos frios foram com La Niña. Este ano, o fenômeno já está demonstrando tendência de enfraquecimento, mas vai persistir durante todo o inverno. Isto significa que o Pacifico Equatorial central e leste vai continuar frio, embora mais próximo do sinal de neutralidade do que do La Niña.  

Celso Oliveira complementa: “O El Niño é, de fato, um bloqueador de massas frias. Mas se o La Niña não garante a entrada de um maior número de massas frias sobre o Brasil,  a neutralidade deve ser entendida como um facilitador. 

Quantas ondas de frio são esperadas para o inverno de 2022? 

No calendário, o inverno de 2022 começa astronomicamente no dia 21 de junho (solstício de inverno) e se estende até 22 de setembro. Mas as ondas de frio não obedecem necessariamente o período astronômico. 

O inverno de 2022 terá frio frequente, mas só 2 ou 3 massas polares vão efetivamente gerar situações de onda de frio no país. A tendência de neutralidade no centro e leste do Pacifico Equatorial, mas com características frias, vai facilitar a passagem de outras massas de ar frio sobre o Brasil ao longo do inverno.  

Segundo Celso Oliveira, serão diversas massas de ar frio, mas até agora, somente duas parecem ter potencial para efetivamente espalhar o frio intenso pelo país: uma na segunda quinzena de junho e outra em julho. Outra moderada a forte é esperada para agosto. 

Mais neve no inverno de 2022? 

O histórico de neve no Brasil, precoces e tardias, mostra que o fenômeno La Niña esteve por trás de quase todos os episódios. Teremos mais neve no inverno de 2022? Qual o mês mais provável para voltar a nevar? 

A neve é uma combinação especial de fatores. É preciso muito frio e muita umidade. Pelo frio, a segunda quinzena de junho e julho seriam fortes candidatos a terem neve. Mas é sempre bom lembrar que a previsão de neve no Brasil só tem uma acertividade razoável com cerca de sete dias de antecedência.


Dia Mundial da Água 

Precarização da fiscalização ambiental aumenta o desmatamento no Brasil

Já no final de 2019, o Sistema de Alerta do Imazon detectou 583 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal, a maior parte no Pará


Brasil gastou menos da metade do orçamento de fiscalização ambiental em 2021. Por isso houve níveis crescentes de destruição na floresta amazônica, de acordo com uma análise dos gastos federais divulgada na terça-feira (25 de janeiro). O desmatamento amazônico brasileiro atingiu, em 2021, o maior nível em 15 anos, mostraram dados de satélite do governo.   


O presidente Jair Bolsonaro muitas vezes criticou o que ele chama de "aplicação excessiva de leis ambientais", mas suavizou o tom no ano passado sob pressão internacional dos Estados Unidos e da Europa.

Em uma cúpula do Dia da Terra organizada pelo presidente dos EUA, Joe Biden, Bolsonaro prometeu dobrar o orçamento para fiscalização ambiental, entre outros esforços para ajudar a proteger a Amazônia.

O dinheiro foi posteriormente disponibilizado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), cujo orçamento de fiscalização cresceu para 219 milhões de reais, mostram registros públicos. Mas o Ibama gastou apenas 41% desse dinheiro no ano passado, afirmou o grupo Observatório do Clima em uma análise dos números finais do orçamento de 2021. A agência de notícias Reuters confirmou os cálculos.

O Palácio do Planalto não respondeu aos pedidos de comentários.

A maior parte do dinheiro não utilizado foi destinada a outros gastos do Ibama, em 2022, como aquisição de equipamentos, de acordo com uma revisão da Reuters dos números do orçamento, em vez de financiar diretamente as operações de campo, que o orçamento de fiscalização também abrange.

A agência gastou cerca de três quartos de seu orçamento geral de 1,8 bilhão de reais no ano passado principalmente em folha de pagamento, pensões e outros gastos obrigatórios. O Ibama disse à Reuters, em comunicado que a forma mais adequada de mensurar os gastos públicos é por meio desse valor que foi comprometido, mesmo que o dinheiro ainda não tenha sido gasto.

Mas o Observatório do Clima afirmou que os recursos poderiam ter sido gastos em esforços diretos para combater o desmatamento em aceleração no ano passado.Suely Araújo, ex-diretora do Ibama e especialista em políticas do Observatório do Clima, disse que, embora a agência sempre repasse algum dinheiro para o ano seguinte, é incomum lançar tantos gastos à frente.

Nos três anos anteriores à posse de Bolsonaro em 2019, o Ibama gastou entre 86% e 92% de seu orçamento de fiscalização a cada ano. "Para que seja efetivo, é preciso olhar para o que é gasto e pago, não apenas para o que está comprometido. Se está comprometido, não há como saber se realmente vai se concretizar", afirmou Suely Araújo.


Sobrevivência humana está em risco por causa da crise climática


Veja o nível dos principais reservatórios do Brasil (2022) 


       Saiba todos os acontecimentos da Cop 26 clicando aqui


<<<<<***>>>>


Amargo presente! Ambientalistas, ex-juízes e cientistas presentaram dia 12 (terça-feira) um denúncia contra o presidente Jair Bolsonaro, no Tribunal Penal de Haia, por crimes contra a humanidade e a destruição da Amazônia. 


O colunista Josias de Souza fala sobre (vídeo acima) a política ambiental do presidente que, para ele, já "começa errada" e vê que há elementos contra o Bolsonaro: "Fez prova contra si mesmo" 


Leia também:


(Imagem: Brasil Escola) 

O desmatamento é uma das principais causas do aquecimento global 


O Dia da Árvore é comemorado, no Brasil, em 21 de setembro e o objetivo principal é a conscientização a respeito da preservação desse bem tão valioso e findável. A data, que é diferente em outras partes do mundo, foi escolhida em razão do início da Primavera, que começou na quarta-feira (22) no hemisfério sul. Mas o Dia Mundial da árvore é  21 de março.


A importância da árvore no meio ambiente é quase imensurável. Ela, além de ser grande símbolo da natureza é uma das mais importantes riquezas naturais que possuímos. As diversas espécies arbóreas existentes são fundamentais para a vida na Terra, obviamente, devido a sete pontos principais:

1) - aumentam a umidade do ar graças à evapotranspiração; 
2) - evitam erosões;
3) - produzem oxigênio no processo de fotossíntese;
4) - reduzem a temperatura;
5) - fornecem sombra e abrigo para milhares de espécies animais, inclusive o ser humano;
6) - atuam diretamente na alimentação, pois entre as diversas espécies arbóreas existentes,      incluem-se várias plantas frutíferas, como é o caso da mangueira; limoeiro; goiabeira;              abacateiro; pessegueiro; laranjeira e outras;
7) - aplicações econômicas. Por exemplo, a madeira por elas produzidas serve como matéria-prima para usada na construção civil, além da fabricação de papel e celulose, nesses casos, com o extrativismo de pinheiros e eucaliptos. Também, algumas espécies apresentam aplicabilidade na indústria farmacêutica por possuírem importantes compostos.

Mas, qual o objetivo do Dia da Árvore?


Em virtude da grande quantidade de utilizações e da expansão urbana, as árvores são constantemente exterminadas, o que resulta em enormes áreas desmatadas. 

O desmatamento afeta diretamente a vida de toda a população, que passa a enfrentar erosões, assoreamento de rios, redução do regime de chuvas e da umidade relativa do ar, 
desertificação e perda de biodiversidade.

Sendo assim, o dia 21 de setembro deve ser visto como um data de reflexão sobre nossas atitudes em relação a essa importante riqueza natural. O dia (21 de setembro) é muito mais do que o ato simbólico de plantar uma árvore e deve ser encarado como um momento de mudança de postura e conscientização de que nossos atos afetam as gerações futuras. 

É importante também haver conscientização a respeito da necessidade da conservação, bem como da criação de políticas públicas que combatam a exploração ilegal de árvores. 

É importante observarmos que cada região do Brasil possui uma árvore símbolo diferente. A árvore símbolo da região Norte é a castanheira; região Nordeste, carnaúba; região Centro-Oeste, ipê-amarelo; região Sudeste, pau-brasil; região Sul, araucária.


Leia também:



 Crise hídrica no Brasil atingirá de frente a região sudeste com a seca nos reservatórios do país

 
No limite da escassez. Apagão poderá estar em curso por causa da falta de água nos principais pontos de abastecimento dos municípios. 

Novembro marcará o menor nível na história, afirma Ministério das Minas e Energia. Especialistas alertam que Brasil pode ter a pior seca em 111 anos.


Segundo o secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia (MME), Christiano Vieira da Silva, em audiência pública realizada na terça-feira (17 de agosto), pela Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, o nível de abastecimento das hidrelétricas no país deve atingir o menor nível em novembro, quando deve ficar entre 11% e 14%. 

Para Christiano Vieira, a perspectiva de chuvas abaixo das médias históricas deve se manter, o que requer cautela e um esforço maior da sociedade na economia de energia. “A operação até o inicio da estação chuvosa tem que ser feita  com muita atenção”, afirmou.

A região mais crítica é a Sudeste, na qual estão os estados do RJ; SP; MG; ES,onde os reservatórios devem atingir 11,3% em novembro. Para se ter uma ideia da gravidade, para o mês, o mínimo histórico, até agora, é de novembro de 2014, quando o nível de abastecimento foi de 19%. 

O secretário destacou que, se o governo não tivesse adotado algumas medidas desde outubro do ano passado, como antecipação do acionamento de usinas termelétricas, a situação  poderia ser ainda pior, com 8% de nível de abastecimento. “Outubro e novembro serão os meses que vão requerer maior atenção. Porque em outubro e novembro de 2020, nós chegamos a 17,6% e 15,1% de armazenamento, respectivamente e temos a projeção de chegar a 11,3%. Então, realmente, é muito baixo. Então, é um valor muito baixo para essa época do ano”, alertou Christiano. 

O secretário disse que o MME e demais órgãos do governo envolvidos no tema, como Aneel e o Operador Nacional do Sistema (ONS) têm se esforçado para mitigar a situação energética no país. Ele acrescentou, porém, que a responsabilidade também é da população. “Seja reduzindo o consumo de forma consciente, evitando desperdícios, seja trabalhando para entregar uma oferta, no caso dos consumidores industriais, para o sistema nacional, para o atendimento das nossas necessidades”, afirmou.

A audiência pública foi marcada após requerimento do Deputado federal Jesus Sérgio (PDT-AC) e além do nível dos reservatórios, a bandeira vermelha estava na pauta. A audiência teve a presença de Elisa Bastos, Diretora da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

é bom lembrar que uma crise hídrica no Brasil já se desenhava desde o governo da ex-presidente Dilma Roussef, em 2016. Michel Temer, que a sucedeu não deu bola para a gravidade que se avizinhava e Jair Bolsonaro, quando se elegeu em 2018, não colocou em sua agenda de campanha, nada de investimento no setor energético, a não ser a intenção de provatizar a Eletrobrás, o que ainda não ocorreu e que, segundo alguns especialistas, é uma das causas do aumento nas tarifas de energia elétrica , em todos os estados da federação.

Leia também:


A pandemia obrigou o planeta a parar mas o desmatamento não deu trégua

Clique na imagem e assista ao vídeo sobre a matéria

O mundo perdeu o equivalente à superfície da Holanda (41.543 km²) em florestas tropicais, com o Brasil à frente da lista.


Os incêndios e a derrubada de árvores destruíram 4,2 milhões de equitares de florestas tropicais primárias, um aumento de 12% na comparação com 2019. 

Os dados são do relatório anual Global Forest Watch, divulgado nesse ano pela World Resources Institute. A perda representou 2,65 Gt de emissões de CO², equivalentes às emissões anuais de 50 milhões de carros, mais do que o dobro do número de automóveis em circulação nos Estados Unidos.

A destruição se deve principalmente à agricultura, mas também aos incêndios provocados por ondas de calor e seca em áreas como o Brasil, Austrália e Sibéria. O Brasil concentrou mais de 1/3 da superfície de florestas virgens devastadas, com 1,7 milhão de hectares, 25% a mais na comparação com o ano anterior. 

O governo de Jair Bolsonaro é alvo de críticas pela gestão ambiental e pela polótocva de favorecer atividades de agorpecuária nas áreas florestais.

Leia também:


Derrubada da Mata Atlântica cresce em 10 estados do Brasil

Imagem: Revista Eco-21
Atualmente a mata nativa brasileira está apenas com 12,4% de sua vegetação original.

Os campeões da destruição são, Minas Gerais, Bahia e Paraná. Santa Catarina e Mato Grosso do Sul (quarto e quinto da lista, respectivamente), a porcentagem acumulada é de 91% da perda de vegetação do bioma, entre 2019 e 2020. 


A Fundação SOS Mata Atlântica divulga anualmente no seu Atlas, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), unidade vinculada ao Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação (INPE/MCTI) o mapa do desflorestamento insistente na mata nativa brasileira. 

Entre 2019 e 2020, a destruição da Mata Atlântica se intensificou em 38% dos estados brasileiros. São, Rio Grande do Sul; Santa Catarina; Ceará; Alagoas; Rio Grande do Norte; Goiás; Rio de Janeiro; Mato Grosso do Sul; São Paulo e Espírito Santo, os estados em que o estudo destacou que a vegetação nativa da Mata Atlântica destruída foi em 130 quilômetros quadrados. 

Mesmo sendo 9% inferior ao registo de desmatamento no período 2018-2019, que foi de 143,7 quilômetros quadrados, houve um crescimento de 14% na comparação de 2019-2020 face ao período 2017-2018, cuja taxa de desmatamento do bioma continua alto.

Os três estados brasileiro que mais destruíram a Mata Atlântica são, Minas Gerais, Bahia e Paraná. Junto de Santa Catarina e do Mato Grosso do Sul, respectivamente, o quarto e o quinto da lista, a porcentagem acumulada é de 91% da perda de vegetação do bioma, entre 2019 e 2020. 

Atualmente, a Mata Atlântica mantém apenas 12,4% de sua vegetação original, que se estende por mais de 1,3 milhão de quilômetros quadrados – área equivalente a três vezes a da Suécia – em 17 dos 27 estados brasileiros.

Leia também:


Aneel cria gabinete para enfrentar crise hídrica brasileira 

Falta chuva. O intervalo de setembro a maio já havia registrado os piores índices em 91 anos, nas áreas das hidrelétricas, principal fonte de energia do país.

Escassez  tem pressionado o sistema de geração de energia do Brasil, por isso autoridades do governo reuniu-se no Rio de Janeiro, no final de maio, enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) criou um "gabinete de situação" para monitorar as condições de suprimento. 

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque liderou encontro do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) na sede do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável por coordenar o acionamento de usinas e o uso de linhas de transmissão para atendimento à demanda.
 
Outros técnicos da indústria de energia, incluindo o presidente da estatal EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Thiago Barral, também participou da reunião do CMSE, segundo agendas públicas divulgadas na internet. O encontro na sede do ONS vem após a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) ter anunciado a criação de um  "gabinete de situação" para acompanhar as condições do sistema elétrico em 2021 e 2022.

O grupo da Aneel vai se reunir semanalmente e sempre que for convocado. Entre as funções do gabinete estará monitorar a situação do sistema e "apoiar a implementação  de medidas deliberadas no âmbito do CMSE", além de avaliar ações que possam ser tomadas pela Aneel para contribuir para a segurança do suprimento.

Dia 1º, o governo também tratou da crise hídrica e preocupações com a oferta de energia em reunião com Pedro Parente, que em 2001 liderou a chamada Câmara de Gestão da Crise de Energia, criada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em meio a uma escassez de energia que exigiu um racionamento de eletricidade naquele ano. Apesar das movimentações para debater a situação, o ministro de Minas e Energia disse que o governo vê o cenário com "tranquilidade" e acredita ter elementos para superar as dificuldades. "No que se refere à crise hidrológica, ela é decorrente das mudanças climáticas... Então eu vejo esse momento com serenidade, nós estamos muito bem organizados", afirmou ele, ao participar do Brazil Investment Forum 2021.

Preocupações com a oferta de energia cresceram depois que o governo emitiu na penúltima semana de maio um alerta de emergência hídrica para o período entre junho e setembro em cinco estados. Antes, o intervalo de setembro a maio já havia registrado as piores chuvas em 91 anos nas áreas das hidrelétricas, principal fonte de energia do país.

Técnicos do setor disseram à agência britânica de notícias, Reuters, que o momento é de preocupação, mas que a oferta de energia deve ser garantida com a flexibilização de algumas restrições existentes à operação de hidrelétricas, que permitiriam guardar mais água nos reservatórios. 

Analistas do Credit Suisse - banco suíço de investimento e provedor de outros serviços financeiros sediado em Zurique - disseram em relatório, dia 30 de maio, que seguem monitorando as condições do sistema, mas "sem pânico", e que a situação gera mais alertas quanto a custos do que com uma possível falta de suprimento.

Eles destacaram, no entanto, que as flexibilizações na operação de usinas hídricas precisam ser avaliadas pela ANA (Agência Nacional de Águas), responsável por definir  prioridades para o uso da água entre diversos setores, incluindo de energia, irrigação e transporte.

<<<<<<<<<crise hidrológica>>>>>>>>>>

Leia também:



Em estudo publicado na revista Frontiers in Conservation Science, os pesquisadores alertam para um “futuro medonho”, que envolveria uma extinção em massa e até mesmo o fim da nossa espécie. “A humanidade está causando uma rápida perda de biodiversidade e, com ela, a capacidade da Terra de sustentar vidas complexas”, disse o autor principal e ecologista, Corey Bradshaw. 


Um grupo de cientistas da Universidade Flinders, na Austrália, publicou um artigo alertando que a humanidade estaria “quase condenada” por conta de suas próprias atitudes. Segundo os estudiosos, a escala das ameaças motivadas pelas mudanças climáticas e a perda da biodiversidade induzida pelo homem pode ter efeitos ainda mais graves do que se imagina atualmente. 

Os pesquisadores afirmam que os líderes mundiais precisam de um “banho frio” sobre o estado ambiental do planeta, tanto para melhorar o planejamento, quanto para ações efetivas para evitar que esse futuro seja de curto ou médio prazo. 

O mainstream está tendo dificuldade em compreender a magnitude dessa perda, apesar da erosão constante da estrutura da civilização humana”, declarou Bradshaw. “Na verdade, a escala das ameaças à biosfera e todas as suas formas de vida é tão grande que é difícil de entender mesmo por especialistas bem informados”, completou o professor. 


Sem preparo


Para os especialistas, líderes mundiais não estão prontos para os desafios que se avizinham. Para Bradshaw e sua equipe, a humanidade ter chegado nessa situação se deve a um pensamento que não coloca as questões ambientais como prioridade. “O problema é agravado pela ignorância e pelo interesse próprio de curto prazo, com a busca por riquezas e interesses políticos atrapalhando a ação que é crucial para a sobrevivência”, disparou o especialista. 

Já para o professor Paul Ehrlich, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, um dos coautores do estudo, nenhum sistema político, econômico ou liderança está pronto para lidar com os desastres que devem acontecer. Segundo ele, sequer seria possível se preparar para os desastres previstos para o nosso futuro. “Parar a perda de biodiversidade está longe de estar no topo das prioridades de qualquer país, ficando muito atrás de outras preocupações como emprego, saúde, crescimento econômico ou estabilidade monetária”, reclamou o acadêmico. 

Sem medo de falar

Imagem: Creative Commons

Pesquisadores alertam para a necessidade de diminuição no ritmo de consumo. 


Pesquisadores alertam para a necessidade de diminuição no ritmo de consumo. Outro autor do artigo, o professor Dan Blumstein, da Universidade da California em Los Angeles (UCLA), declarou que os cientistas não estão mais economizando nas palavras ao emitir alertas sobre os riscos ocasionados pelas mudanças climáticas. Segundo ele, isso está acontecendo porque a vida humana literalmente depende de uma mudança urgente de atitudes. “O que estamos dizendo pode não ser popular e, de fato, é assustador. Mas precisamos ser francos, precisos e honestos”, disse Blumstein. “A humanidade precisa entender a enormidade dos desafios que enfrentamos na criação de um futuro sustentável”. 

Para o professor, se faz necessário desacelerar o ritmo do aumento do consumo humano e que a utilização dos insumos seja feita de forma mais sustentável. Porém, o especialista não vê isso acontecendo e nem os governos tomando medidas para mudar o jogo. “Quando compreendermos totalmente o impacto da deterioração ecológica, será tarde demais”, alerta o cientista. 

*Com informações do Futurism e SciTech Daily 

Leia também, abaixo da próxima matéria: "cientistas alertam para a seca em todas as regiões do Brasil!". 


A maioria das pessoas sabe muito pouco ou quase nada sobre o passado e o presente dos indígenas nativos brasileiros 

O Dia do Indio é ignorado por grande parte dos brasileiros desconhecendo o grande contributo dos nativos originários do Brasil e das Américas. Na foto acima, a banda de rap Brô Mcs, de Mato do Grosso do Sul. (Assista ao vídeo no rodapé desta matéria).

Dezenove de Abril é celebrado o Dia do Índio. A data foi instituída após a realização do "1.º Congresso Indigenista Interamericano", no município de Pátzcuaro, no estado de Michoacán, no México. No Brasil foi adotada em 1943 através do Decreto-Lei n.º 5.540, pelo então presidente Getúlio Vargas (1950 -1954).


Diversas autoridades governamentais, inclusive brasileiras, e vários líderes indígenas estavam presentes no congresso. Durante o evento foi criado o Instituto Indigenista Interamericano, com sede no México, que atua colaborando na coordenação das políticas indígenas na América. O povo indígena foi parte importante na formação da cultura brasileira e das Amérocas e de todos os continentes. Sua influência se revela nos costumes, na alimentação, na língua e na mistura étnica do povo brasileiro.

Podemos apontar o uso da rede de dormir; o artesanato de palha e cipó; a fabricação de utensílios de cerâmica, com algumas dessas marcas. Na culinária, temos as comidas feitas com milho, frutas e mandioca. Na medicina, destaca-se o uso de ervas medicinais. Igualmente, no folclore brasileiro, há as figuras dos caboclinhos, os pajés, as lendas que contam a origem de plantas como a vitória-régia e pássaros como o Uirapuru. A língua portuguesa incorporou centenas de palavras no seu vocabulário, como, Maracanã; Ipanema; Itamaracá; Itu; Pirassununga; Itararé; pororoca; tucunaré; uirapuru; caju; Mahuaçu; Ubá; pitanga; Jaci; Iara; Ibirapuera; Morumbi.

Em pesquisa desatualizada, no Brasil existem 896 919 índios de 305 etnias, que falam 274 idiomas e vivem espalhados no país. Em 2012 foi realizada um estudo em 32 aldeias por todas as regiões do país, onde foram entrevistaram 1.222 índios de vinte etnias. O resultado da pesquisa elucidou à época, que os índios queriam progredir socialmente por meio do trabalho e dos estudos, sem deixar de valorizar sua cultura.

A antropóloga e demógrafa Marta Maria Azevedo estima que, em 1.500, com a chegada dos europeus, a população indígena no Brasil era de 3 milhões de pessoas, com mais de 1.000 povos diferentes, que durante séculos foram exterminados pelos conquistadores, seja por suas armas de fogo e doenças que contaminaram os nativos. De acordo com antropóloga, em 1957 havia no Brasil apenas 70 mil indígenas. O crescimento desta população é observado somente a partir da década de 1980.

Em 1991, quando o IBGE passou a coletar dados sobre a população indígena brasileira, ela somava 294 mil pessoas. Em 2000, o Censo descreveu um crescimento dessa população  muito acima da expectativa, passando para 734 mil pessoas. Em 2010, o povo indígena continuou crescendo, e o Censo mostrou que mais de 817 mil brasileiros se autodeclararam indígenas, representando 0,47% da população brasileira. Eles estão distribuídos em 305 etnias e falam 274 línguas.

Esse aumento populacional jamais seria possível se fossem considerados apenas fatores demográficos, como a natalidade e a mortalidade. Os dados revelam o crescimento do número de pessoas que passaram a se reconhecer como indígenas e o “ressurgimento de grupos indígenas. Isto se dá porque, antes, índio no Brasil significava ser atrasado, inferior, escravizado, catequizado, ser alvo de discriminação, de chacinas e até mesmo não  considerado humano. Diversos povos foram obrigados a abrir mão de suas línguas e de sua cultura e, atualmente, voltam a afirmar a própria identidade, talvez porque as circunstâncias estejam mais amigáveis", avalia a profressora.

Tratá-los simplesmente como “índios” esconde a imensa diversidade cultural e circunstâncias de vida tão distintas. Mas algo muito mais forte que as diferenças étnicas propicia a união destes povos: o fato de se sentirem diferentes dos restantedos brasileiros. Temos no Brasil todos os tipos de extremos: índios que possuem seu território assegurado e os que morrem lutando por sua terra; índios brancos e índios negros; índios cristãos e índios pajés; índios isolados e índios urbanos.

Os povos indígenas isolados são aqueles que não estabeleceram contato permanente com a população nacional e com o Estado. As informações sobre eles são transmitidas por outros índios, por moradores da região e por pesquisadores. A Funai (Fundação Nacional do Índio) tem cerca de 107 registros da presença de índios isolados em toda a Amazônia Legal, dos quais 26 já foram confirmados e estão sendo monitorados, seja por imagens de satélite, sobrevoos ou expedições na região. Não se sabe, no entanto, a quantidade destes povos e indivíduos que vivem voluntariamente isolados.

Muitos já tiveram alguma experiência de contato não amistosa com garimpeiros, madeireiros, grileiros e traficantes próximos à fronteira. Também é provável que tenham tido ou mantenham contato com populações ribeirinhas, seringueiros e, principalmente, com algum outro povo indígena. Os resultados desses contatos pode ser são trágicos, a começar pelas doenças que são transmitidas, para as quais eles não têm imunidade: sarampo, rubéola, caxumba, difteria, tétano, hepatite, gripe e outras. 

Os  indígenas que vivem em áreas urbanas somam 324 mil, ou seja, 36% do total da população, um número que vem crescendo ano após ano, segundo pesquisa do IBGE de 2010. Há dois motivos recorrentes para que esses índios vivam em áreas urbanas. Um deles é a migração dos territórios tradicionais em busca de melhores condições de vida na cidade e o outro é que os limites das cidades cada vez mais alcançam as fronteiras de seus territórios.

Acredita-se, erroneamente, que as populações indígenas, no Brasil e nas Américas, estão sendo reduzidas, mas os números dizem o contrário. A desinformação ou a produção dela tem uma consequência: fingir que os índios estão deixando de existir e gradualmente não se pensar mais na situação deles. Assim justifica-se a falta de respeito com os seus direitos, vida e história, o que prejudica o contributo dos nativos originários das terras das Américas, para com a formação desse vasto continente.

Conheça a história e a música da banda indígena de rap Brô MCs


Grupo de rappers indígenas, da cidade de Dourados (MS), denuncia a luta de seu povo pela existência. 

Com 225.495 (censo do IBGE de 2020), Dourados é a segunda cidade do Mato Grosso do Sul em densidade populacional – atrás apenas de Campo Grande, capital do estado. Seria provavelmente um município tranquilo, em seu médio porte, não abrigasse uma conjunção de problemas socioambientais e fosse, até hoje, palco de um dos conflitos mais árduos do Brasil: a disputa dos ruralistas pelo território ancestral dos guarani-kaiowá, um dos povos brasileiros que mais batalham pelo direito de existir e, apesar da matança ainda presente em seu território, seguem lutando pela demarcação oficial de suas terras.

Desse contexto, saíram os Brô MCs, em sinal de que onde há problema, geralmente há rap. A diferença é que os quatro jovens do grupo são indígenas e cantam sua resistência em guarani, língua central para a região. “Chego e rimo o rap guarani e kaiowá/ Você não consegue me olhar/ E se me olha não consegue me ver/ Aqui é o rap guarani que está chegando pra revolucionar/ O tempo nos espera e estamos chegando/ Por isso venha com nós, nessa levada/ Nós te chamamos pra revolucionar/ Aldeia unida, mostra a cara”, canta a música Eju Orendive, em trecho traduzido para o português, língua também presente nas letras do quarteto composto por Charlie e Kelvin Peixoto, Bruno Veron e Clemerson Veron. Além deles, fazem parte da formação atual do grupo a rapper Dani Muniz, de ascendência indígena e negra, e o músico Higor Lobo, que faz as vezes de DJ dos MCs.

O grupo existe há quase 13 anos e esteve na programação do Festival América do Sul Pantanal (Fasp). Foi a primeira vez que eles se apresentaram, no estado, em um festival do porte do Fasp, realizado há 14 anos em Corumbá (MS), Pantanal, a cerca de 600 km de Dourados. “Foi mais uma conquista nossa, digo que subimos mais uma escada. Pra nós, é muito massa estar ali em cima representando o nosso povo Guarani-Kaiowá; não só nosso povo, mas de várias etnias existentes no Brasil”, disse Bruno Veron, fundador da banda, após um show de impacto, em 2018, em grande praça da cidade. “Massa levar essas informações que a mídia não mostra, entendeu? Do que acontece realmente com o indígena. Isso que pra nós é importante. Compartilhar a realidade do povo Guarani-Kaiowá e de outros povos. A gente está feliz por isso, bastante emocionado, é um festival grande e a gente nunca pensou em tocar num festival grande assim.”

A humildade do músico traz a consciência genuína de um povo que precisa pisar devagarinho para permanecer onde está, trilhando um caminho, na verdade, que já tem muitos degraus acima. Antes de Corumbá, por exemplo, os Brô fizeram show na Alemanha. Além disso, já se apresentaram em outros eventos importantes, como o Festival Rap Popular Brasileiro, um trampolim para representar o Mato Grosso do Sul em final nacional no Rio de Janeiro. Além disso, já tocaram no mesmo palco de Milton Nascimento, no encontro Cultura e Direitos Humanos dos Povos Guarani, em Campo Grande. Em 2017 participaram da trilha sonora do curta-metragem "Em busca da terra sem males", de Anna Azevedo, exibido no Festival Internacional de Cinema de Berlim, a Berlinale.

História do Brô Mcs


O grupo teve início quando os meninos das aldeias urbanas Bororó e Jaguapiru começaram a ouvir rap no programa de rádio Ritmos na Batida. Tempos depois, o professor da escola pediu que falassem de sua história de um modo criativo, e então criaram uma música. Daí foi um pulo para gravarem um demo e formarem um grupo que passou pela própria resistência interna dos mais velhos do seu povo e, hoje, enfrenta os problemas de toda banda independente no Brasil: precisa vender sua música e fazer show para continuar produzindo e gravando as suas faixas. atualmente com a pandemia do Novocoronavírus esse sonha está paralisado. 

 “Aquele boy passou por mim/ Me olhando diferente/ Agora eu mostro pra você/ Que sou capaz, e eu estou aqui”, escreveu Eju Orendive, ainda em 2010. Assista abaixo ao vídeo do rap dos Brô Mcs.


<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<diadoindio>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Leia também:




O dia Mundial da àgua foi lembrado na segunda-feira, dia 22 e a ciência alerta: está chovendo menos em todas as regiões do país.


Vem do céu a água que garante a maior parte da energia do Brasil.  Que sustenta a produção agrícola, que abastece as casas e as indústrias do país. São as chuvas que asseguram a vazão dos rios e o nível dos reservatórios. Mas há algo diferente no ciclo da chuva: o Operador do Sistema Elétrico Brasileiro (ONS) dá um alerta: os 161 reservatórios espalhados pelo país estão abaixo do nível normal. O motivo é que tem chovido menos em todas as regiões do Brasil.

Setenta por cento dos reservatórios vêm secando nos último sete anos

A chamada "Caixa d'água do Brasil é onde a situação é mais preocupante

A situação é mais preocupantes nas regiões Sudeste e Centro- este, chamada de "Caixa d'água do Brasil", que concentra 70% dos reservatórios. A seca vem se agravndo nos últimos sete anos.Entre setembro do ano apassado (2020) e fevereiro desse (2021), o reservatórios receberam o menos volume de chuvas desde o início da série histórica, há 91 anos (1930).



"Todos os reservatórios do sistema brasileiro são de usos múltiplos. A economia desses recursos é fundamental. Seja para geração de energia el´terica, seja para o consumo humano, seja para o que for", alerta Luiz Carlos Ciocchi, diretor geral do ONS.

A redução do volume de chuvas também aparece no mais completo estudo já feito sobre o tema, no Brasil. Pesquisadores do Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) publicaram na revista científica suiça Atmosphere (https://www.mdpi.com/journal/atmosphere) o resultado das medições iniciadas em 1962. e desde a virada do século (ano 2000), as temporadas de seca vêm aumentado em todas as regiões do Brasil. "As regiões estão secando", crava Ana Paula Cunha, coordenadora do monitoramento de secas do Cemaden. "E não é uma coisa, uma situação única da região Nordeste, como muitas vezes as pessoas pensam. É todo o Brasil", completa.

O aquecimento Global, agravado pelo aquecimento da Amazônia, impacta diretamente o ciclo da chuva.

Para o físico e professor de Ciências Atmosféricas da Universidade Estadual do Ceará, Alexandre Araújo Costa, o aquecimento Global, agravado pelo aquecimento da Amazônia, impacta diretamente o ciclo da chuva. "Nós estamos num quadro de emergência, emergência climática. Isso depende de um processo de cooperação internacional, global, de diversos países para reduzir radicalmente as emissões de gases do efeito estufa, mas precisa ue cada um faça o seu dever de casa", assevera o cientista. 


Leia também:

 

Ipê-roxo ou Ipê-de-minas, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Beleza ímpar no Outono.

Processos quase que sincronizados e de auto-proteção da natureza, que tenta seguir seu curso normal. Mas, a interferência humana interrompe esse ciclo: queimadas, secas, desflorestamente fazem com que uma estação não seja igual a outra.

O Outono, no hemisfério sul, inicia oficialmente sábado, 20 de março, e no hemisfério norte 22 de setembro. Diferentemente do Verão, quando os dias são longos e as noites curtas (escurecem tarde e clareiam mais cedo), o Outono e Inverno são o contrário: os dias ficam escuros mais cedo e costumam clarear mais tarde, ou seja, noites longas e os dias mais curtos.

Para alguns, o Outono é um tempo de tristeza eminente com a chegada do inverno. Já outros costumam atentar para o fato de as flores e folhas trocarem de cor, dia após dia. É um espetáculo, principalmente nas zonas temperadas do mundo. Além da beleza natural, que a estação apresenta, o Outono também significa a estação da colheita e das celebrações, obviamente em épocas normais, excetuando essa que estamos vivendo, de pandemia, em todo o planeta. 

Na Alemanha, celebrando a estação, acontecem algumas das festas populares mais animadas e tradicionais daquele país, como a Oktoberfest de Munique, a Cannstatter Volksfest, em Stuttgart ,entre outras, as quais atraem milhões de pessoas todos os anos. Já nos Estados Unidos, essa época coincide com o Thanksgiving (Dia de Ação de Graças), Black Friday e Halloween e marca o início oficial da Holiday Season, que se extende até o Natal. Ou seja, a partir de agora, por lá, já é hora de enfeitar a casa para o final do ano. No Brasil a estação coincide com o feriado da Semana Santa (Páscoa). 

Mas por que as árvores mudam de cor e as folhas caem no Outono?

Quanto ao espetáculo da mudança das cores das folhas das árvores e sua senescência durante o Outono, vamos colocar na conta da disciplina da Bioquímica, Genética, Fisiologia Vegetal, Ecologia entre outras cursos simétricos da natureza. Para ela, nas partes temperadas do planeta, essa época é o último suspiro antes de cair no “sono” profundo do Inverno. A partir do dia 20 de março, com o equinócio de outono, os dias ficam mais curtos, as noites mais longas e as temperaturas vão caindo gradativamente dia após dia. Os tons de verde da vegetação serão gradualmente substituídos por tons vívidos de amarelo, laranja, vermelho, dourado e marrom, antes que todas as folhas caiam e as árvores/arbustos entrem em dormência.

E por que as folhas das árvores e arbustos trocam de cor durante o Outono?

Há vários anos, cientistas e pesquisadores têm trabalhado duro para tentarem compreender como e porquê estas mudanças acontecem. Com o auxílio de técnicas moleculares, já tem sido possível isolar e estudar muitos dos genes envolvidos nesses processos. Entendendo melhor o funcionamento da fisiologia vegetal poderemos otimizar ainda mais a produção de alimentos e melhorar a tecnologia de colheita, armazenamento e transporte de flores, frutas, verduras, legumes e afins. 

Apesar de hoje ainda não conhecermos ainda todos os detalhes deste quebra cabeça, sabemos o suficiente para entender o básico. Por exemplo, atualmente já se sabe que o momento do início da mudança de cor das folhas de plantas caducifólias  - em botânica, caducifólia, caduca ou decídua é uma planta que, numa certa estação do ano, perde suas folhas, geralmente nos meses mais frios e sem chuva (outono e inverno), ou em que a água se encontra congelada ou de difícil acesso à terra - e sua posterior senescência são primariamente reguladas pelo comprimento da noite.

Ou seja, nenhuma das outras influências ambientais como temperatura, precipitação, nutrição e assim por diante são tão relevantes para desencadear este processo como o comprimento cada vez maior da noite durante o Outono. Enquanto os dias ficam mais curtos e noites mais longas e, consequentemente, mais frias, uma série de processos bioquímicos começam a acontecer nas folhas que culminam com a mudança nas cores da paisagem até a senescência total das folhas nas plantas decíduas/caducifólias.

Em outras palavras, temos três fatores principais responsáveis pelo aparecimento das cores de Outono na vegetação. São eles: os pigmentos existentes na folha, comprimento da noite e o clima. 

Mas enfim, de onde vem as cores do Outono?

As cores das folhas no Verão ou Outono são resultado da predominância de três tipos de pigmentos que estão envolvidos diretamente no metabolismo vegetal. O mais importante e conhecido deles é a clorofila, a qual confere à planta sua cor básica verde. Este pigmento é fundamental para a fotossíntese, uma reação química que permite que as plantas utilizem a luz solar para fabricar açúcares para a sua alimentação, bem como fornece energia para toda a cadeia alimentar do ecossistema no qual esta inserida.

O segundo grupo de pigmentos são os carotenóides, os quais produzem os tons de amarelo, laranja e marrom e que estão presentes em vegetais como o milho, cenouras, narcisos, bananas entre outros. O terceiro grupo de pigmentos são as antocianinas, as quais produzem tons de vermelho e violeta e que dão cor às maçãs vermelhas, uvas, blueberries, cerejas, morangos, ameixas entre outros.

Todos eles são pigmentos solúveis em água e que aparecem no líquido aquoso do interior das células vegetais. Tanto a clorofila como os carotenóides estão presentes nos cloroplastos das células (local onde acontece a fotossíntese) durante todo o período vegetativo. Já as antocianinas, por sua vez, são produzidas basicamente durante o Outono, em resposta à luz e açúcares em excesso nas células das folhas e frutos. Um exemplo clássico é a maturação das uvas.

Durante a estação de crescimento (período vegetativo), a clorofila é o pigmento mais abundante da planta e é continuamente produzida pelas células. Para quem não sabe, a clorofila é verde pelo fato de sua molécula conter Íons de Mg++  o que faz com que as folhas também sejam verdes. Durante o Outono, com o comprimento da noite aumentando, a produção de clorofila diminui e num determinado momento cessa completamente e, eventualmente, toda a clorofila é destruída. Sem a clorofila, os carotenóides e antocianinas que estavam presentes na folha em concentrações menores são, então, revelados o que nos garante o espetáculo das cores de Outono.

A coloração da vegetação nesta época do ano é resultado direto da presença maior ou menor de cada um destes três pigmentos. A existência desse tríduo de diferentes pigmentos se deve a necessidade de abranger todo o espectro da luz e seus comprimentos de onda. O teor destes pigmentos variam de espécie para espécie.

Por exemplo, no Outono, os carvalhos americanos apresentam cores que vão do vermelho ao marrom passando pelo castanho-avermelhado. Já as nogueiras apresentam cores que vão do amarelo ao marrom passando pelo bronze dourado. Os álamos americanos, por sua vez, apresentam cores que vão do amarelo ao dourado. Porém, nem todas as espécies de caducifólias proporcionam o espetáculo da mudança de cores durante o Outono. Algumas, como os olmos (Ulmus sp) simplesmente murcham e caem, exibindo pouca ou quase nenhuma cor diferente do monótono marrom.

Por exemplo os carvalhos, são uma das espécies que demoram mais, pois mudam geralmente de cor muito tempo depois que outras espécies. As quais muitas vezes já estão totalmente desprovida de folhas como é o caso do Plátano, uma das mais adiantadas. Dentro de uma espécie, indivíduos de uma mesma matriz, plantados na mesma latitude, vão mostrar coloração similar tanto plantada, numa elevação mais alta, com temperaturas mais baixas, quanto outra da mesma progênie, plantado num vale com temperaturas mais amenas. Mas, então, como é que o clima afeta a cor das folhas do Outono?

Onde há maior incidência de sol mais açucar produzido e isso é igual a antocianinas, que dá origem ao vermelho. A quantidade de pigmento e o brilho das cores das folhas estão diretamente relacionados às condições climáticas que ocorrem antes e durante o tempo que a  clorofila nas folhas está diminuindo. Neste contexto temperatura e umidade são as principais variáveis do processo. Por exemplo, uma sucessão de dias quentes e ensolarados e noites frescas com temperaturas superiores a 0ºC proporcionam as cores mais espetaculares. Durante estes dias, os  açúcares produzidos na folha, acabam retidos, nas noites frescas e o gradual fechamento das veias da folha. O que acaba por evitar a saída desses açúcares. Estas condições, de muito açúcar e muita luz, estimulam a produção de antocianinas, que conferem a tonalidade vermelha, roxa ou carmim.

No caso dos carotenóides, como eles estão sempre presentes nas folhas, as cores amarelo e ouro permanecem relativamente constantes de ano para ano. A umidade no solo também afeta as cores do Outono. Como o clima, a umidade do solo varia muito de um ano para o outro, as inúmeras combinações desses dois fatores altamente variáveis asseguram que não há dois Outonos exatamente iguais. Existe a tendência e a carga genotípica. Mas quem dá a palavra final sempre é a intereção genótipo ambiente.

Folhas no Outono nem sempre são iguais 

Em outras palavras, uma seca severa ao final da Primavera ou no Verão, pode retardar o aparecimento da cor das folhas de Outono e a consequente queda por algumas semanas. Um período de calor durante a estação também irá reduzir a intensidade das cores do Outono daquele ano. A condição ideal seria uma Primavera quente e úmida, um Verão quente e ensolarado e um início de Outono ensolarado com quedas significativas de temperatura durante à noite. Produzindo assim, cores de Outono ainda mais vibrantes.

E o que desencadeia a queda das folhas durante o Outono?

No início da estação (Outono), em resposta ao encurtamento dos dias e declínio da intensidade de luz solar, as folhas começam os processos que levaram à sua senescência. Os vasos que transportam fluidos para dentro e para fora da folha gradualmente fecham como uma camada de células na base de cada folha. Estas “veias” então entupidas de açúcares funcionam como uma armadilha na folha promovendo a produção de antocianinas, o que explica também o porque as frutas maduras caem do pé.

Uma vez que esta camada de separação está totalmente completa de açucares, que irão funcionar como um isolante no inverno, os tecidos de conexão são “fechados” e a folha está “pronta” para cair. 

Mas porque mesmo as folhas caem no Outono e que benefícios isso traz para a planta?

O Inverno é uma certeza que a vegetação nas zonas temperadas enfrenta a cada ano e graças a evolução, plantas perenes, incluindo árvores, desenvolveram ao longo do tempo mecanismos de proteção para sobreviverem às temperaturas de congelamento e outras influências severas do Inverno.

Hastes, ramos e brotos estão equipados de uma espécie de “cera” capaz para sobreviver ao frio extremo, para que possam despertar na Primavera, quando se dá início a outra estação de crescimento. As folhas, no entanto, se permanecessem na árvore iriam congelar no inverno, assim as plantas tem duas opções: Endurecer e proteger suas folhas (Coníferas) ou eliminá-las.

Os pinheiros, abetos, cedros, azevinhos e assim por diante, são capazes de sobreviver ao Inverno sem derrubar suas folhas/acícolas - acícolas, folhas, galhos, flores e afins que caem não são desperdiçados. Se decompõem e reabastecem o solo com nutrientes - pois eles conseguem “endurecê-las”. Estas são cobertas com uma camada de cera e o fluido dentro de suas células contém substâncias que resistem ao congelamento.

Já nas plantas de folhas largas e algumas espécies de pinheiros, por outro lado, a parede celular é mais delicada e vulneráveis a danos causados por congelamento. Estas folhas são geralmente grandes e finas e não são protegidas por qualquer tipo de revestimento. Com o frio, o fluido das células dessas folhas, geralmente uma fina seiva aquosa, congela facilmente. E como numa lata de cerveja ou garrafa de vidro no congelador, estoura quando congelada graças ao comportamento anômalo de solidificação da água. O que acaba resultando invariavelmente na morte celular.

Isto significa dizer que, as células não poderiam sobreviver no Inverno, principalmente onde as temperaturas caem abaixo de zero. Desta forma, tecidos incapazes de “encarar" o Inverno devem ser selados e derrubados para garantir a sobrevivência da planta. E assim temos, a queda das folhas no Outono precedendo cada Inverno nas zonas temperadas.

E o que acontece com todas aquelas folhas caídas durante o Outono?

Segundo Antoine-Laurent de Lavoisier, um nobre e químico francês do século 18, "Na natureza nada se perde, tudo se transforma", acícolas, folhas, galhos, flores e afins que caem não são desperdiçados. Decompõem-se e reabastecem o solo com nutrientes, num processo conhecido como ciclagem de nutrientes. Além disso, criam uma camada esponjosa de húmus sob o solo da floresta que absorve e mantém as chuvas. As Folhas caídas também servem de alimentos para milhares de organismos do solo, vitais para o ecossistema florestal.


Leia também:


Primeira casa em impressão 3D do 

mundo é construída na Itália

A empresa italiana Mario Cucinella Architects e a fabricante de impressoras 3D WASP criaram uma casa impressa em 3D usando argila. O objetivo é produzir uma residência usando os recursos já disponíveis no meio ambiente.


Construída em uma cidade próxima a Bolonha, na Itália, a primeira casa feita de argila do mundo será inaugurada no primeiro semestre desse ano (2021). 


Devido ao seu modo de produção, a residência chamada TECLA (sigla que significa "Tecnologia e Argila") pode ser fabricada em diferentes tamanhos e é 100% reciclável e biodegradável.


                          

Design moderno no interior da casa de argila


Leia também:

Níveis dos reservatórios do Sudeste e Centro-oeste preocupam
Chamados de 'caixas d'água' do país, os reservatórios do Sudeste e Centro-oeste estão com os níveis cada vez mais baixos. 

O período chuvoso que vai de novembro a abril ainda não foi suficiente para aumentar o nível da água nessas duas regiões. O armaznamento médido nos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste está em 23% e na região Norte chega em 31%. A situação é um pouco melhor no Nordeste com o nível chegando a 52% e no Sul do Brasil, a respresa atingiram 55% da capacidade.


Há seis anos que os níveis dos reservatórios não terminavam com os níveis tão baixos, na região Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. A chuva não veio como o esperado e a situação preocupa. "Essa região é chamada de caixa d'água do país. Equivale a mais ou menos 50 ou 60% de todos os reservatórios de água para geração de energia elétrica", observou Luiz Carlos Ciocchi, diretor-geral do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) do Brasil.

O baixo nível dos reservatórios tem impacto direto na tarifa de energia elétrica dos brasileiros. Para poupar água, o governo reduz a geração nas hidrelétricas e aciona mais as termelétricas, que produz energia mais cara. O resultado disso é que a bandeira tarifária nesse mês de fevereiro estatá ou continuarão na cor amarela. Na prática isso significa uma taxa extra de R$ 1,34 para cada 100 Kw/h. Por exemplo, 1,34% a mais a cada R$ 100 consumidos.

         
O Sul é a região onde os reservatórios estão em um nível satisfatório. Sudeste e Centro-oeste têm as menores reservas, há seis anos. 

Isso impacta também nos preços dos produtos, pois o comerciante sempre jogará este aumento para o consumidor. O Operador Nacional do Sistema elétrico brasileiro (ONS) minimiza o problema afirmando que não há risco de desabastecimento, mas faz um alerta para que todos colaborarem economizando energia e água. "Nossos reservatórios atendem não somente a questão elétrica. São reservatórios de usos múltiplos, como consumo humano, animal e irrigação. Então, economizar água, economizar energia, sempre faz parte do hall daquelas atividades, daquelas atitudes de brasileiro para preservar um recurso tão caro, tão importante para a nossa vida", disse.


Leia também:


Calor escaldante fará de 2021 o ano mais quente dos últimos 10 anos

De 2017 a 2021, a média de temperatura global deve permanecer alta, entre 0,42°C e 0,89°C, acima da média entre 1981 e 2010, o que representa entre 1,02°C e 1,49°C em relação às temperaturas pré-industriais (saiba o que significa abaixo). 

A informação é do MetOffice, o serviço de meteorologia britânico, que divulgou, em 1º de fevereiro último, sua previsão de curto prazo. Segundo o instituto, os recentes recordes de temperatura vistos entre 2014 e 2016 tendem a não se repetir.

A probabilidade de que a média global ultrapasse o limite de 1,5°C - o “centro da meta” do Acordo de Paris - é tida como baixa pela avaliação, que incorpora fatores naturais e causados por humanos. O aquecimento deve ser maior sobre a terra e em altas latitudes do norte do planeta. O relatório informa, ainda, que o sistema de correntes marinhas subpolares no norte do Atlântico deve sofrer aumento de temperatura, o que poderia causar impactos climáticos importantes na América, Europa e África.

Definindo uma linha de base pré-industrial

O projeto-piloto Revolução Industrial começou no final dos anos 1700, na Grã-Bretanha e se espalhou pelo mundo. Mas isso apenas marcou o início de um aumento gradual de nossas emissões de gases de efeito estufa. Vários estudos descobriram que os sinais de mudança climática aparecem em escala global logo nos anos 1830, ou tão recentemente quanto 1930.

Além da crescente influência humana sobre o clima, também sabemos que muitos outros fatores naturais podem afetar a temperatura da Terra e essa variabilidade natural (no clima) dificulta a determinação de uma linha de base pré-industrial única e precisa. Os cientistas separam essas influências naturais em dois grupos: "interno e externo forçings".

Forças internas transferem calor entre diferentes partes do sistema climático da Terra. o El Niño-Oscilação Sul, por exemplo, move o calor entre a atmosfera e o oceano, causando variações ano a ano nas temperaturas médias da superfície global de cerca de 0.2 ℃. Variações semelhantes também acontecem em escalas de tempo decadais, que estão associados a transferências de energia mais lentas e maiores variações na temperatura da Terra.

Forças externas vêm de fora do sistema climático da Planeta para influenciar a temperatura global. Um exemplo de um forçamento externo é erupções vulcânicas, que enviam partículas para a atmosfera superior. Isso impede que a energia do Sol chegue à superfície da Terra e leva a um resfriamento temporário. Outra influência externa no clima é a variabilidade na quantidade de energia que o Sol emite.

A produção total de energia do Sol varia em vários ciclos e está relacionada ao número de manchas solares, com temperaturas ligeiramente mais altas quando há mais manchas solares e vice-versa.

A Terra sofreu longos períodos de resfriamento devido a erupções vulcânicas explosivas mais frequentes e períodos de poucas manchas solares - como durante o “Pequena idade do gelo”, que durou aproximadamente dos anos 1300 aos 1800.

Dica 10

Economize energia elétrica neste Verão (e sempre)


Você sabia que ao viajar pode ligar para sua companhia de energia elétrica e congelar por até três meses o fornecimento da sua casa ou escritório? Confira Aqui 10 dicas preciosas para diminuir o valor de sua conta de luz, agora, neste Verão escaldante, e em todo o ano.

Leia também:

Por que cidades precisam urgentemente de mais árvores?

Piracicaba (SP) tem uma extensa área urbana arborizada

Ecologistas defendem que para colhermos os benefícios das paisagens urbanas é fundamental que as árvores sejam vistas além de mera adição à estética das cidades. Isso é especialmente verdade, agora que metade da população mundial vive em espaços urbanos. Até 2050, estima-se que outras 2,5 bilhões de pessoas se mudarão para as urbes.


Megacidades como Paris e Londres têm projetos ambiciosos para se tornarem mais verdes. Algo indispensável, segundo especialistas, para frear os efeitos das mudanças climáticas nas, cada vez mais populosas, áreas urbanas.

Em um passado próximo, muita gente não tinha certeza se as árvores deveriam ter um lugar nas cidades. Quem "comporia" os espaços eram pedestres, carros, casas e prédios e não "poderia" haver muito espaço para a natureza. "Mas as árvores agora têm um lugar fundamental em muitas grandes cidades do mundo", diz Sonja Dümpelmann, historiadora da paisagem da Universidade da Pensilvânia. "Mesmo que, na maioria delas, ainda estejam lutando por espaço", completa.

Árvores são chave quando se trata de regular os microclimas, filtrando a poluição do ar, fornecendo sombra, absorvendo CO2, ajudando a evitar inundações repentinas. Além disso, atuam como um antídoto importante para o efeito de ilha de calor urbana, que torna as cidades muito mais quentes do que as áreas rurais vizinhas.

"As árvores podem fazer uma enorme diferença na temperatura de uma cidade", diz Tobi Morakinyo, climatologista urbano que pesquisa o efeito de resfriamento de árvores em Akure, sudoeste da Nigéria. Segundo ele, "o uso de árvores para gerar sombra em edifícios pode resfriá-los em até 5°C".

Em cidades quentes da África subsaariana como Akure - na região sudoeste da Nigéria, é a maior cidade e capital do Estado Ondo, com uma população de 387.087 habitantes, do grupo étnico Yoruba -  onde as temperaturas médias máximas de verão podem chegar a 38°C, esse efeito de resfriamento é uma ferramenta importante. Segundo Morakinyo, as cidades podem empregar árvores tanto contra o estresse térmico quanto contra os custos de resfriamento. 

"Além dos serviços ecológicos que as árvores urbanas proporcionam, há também as qualidades que não podemos colocar em valor monetário", acrescenta Cris Brack, ecologista florestal da Universidade Nacional Australiana e diretor do Arboretum Nacional em Camberra. "São a biodiversidade, a estética e nossa necessidade visceral de experimentar a natureza", completa Brack, referindo-se ao conceito de 'biofilia' – a ideia de que os seres humanos têm um desejo inato de se conectar com a natureza.

Evidências sugerem que habitantes de regiões com mais árvores experimentam níveis mais baixos de estresse e doenças mentais.

Luta contra o concreto


A necessidade de árvores nas cidades é cada vez maior, mas elas frequentemente lutam contra ambientes urbanos opressivos. Abaixo do solo suas raízes podem ser sufocadas por tubos de água, estradas e estacionamentos subterrâneos, e acima pela poluição, linhas de energia e tráfego. Árvores também enfrentam danos causados por carros, condições climáticas cada vez mais extremas e remoções para dar lugar a canteiros de obras.

Talvez o desafio moderno mais duro para as árvores da cidade, diz Somidh Saha, ecologista florestal urbana do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, na Alemanha, seja a estiagem. Após a onda de calor sem precedentes na Europa em 2018, um estudo coassinado por Saha constatou que 30% das árvores plantadas em Karlsruhe, no sudoeste da Alemanha, nos quatro anos anteriores haviam morrido – tanto direta quanto indiretamente por falta de água.
"Sem água suficiente, as árvores se tornam fracas e isso as torna vulneráveis a doenças", diz Saha. Ao mesmo tempo, o declínio das populações urbanas de aves e mamíferos arborícolas, como morcegos, deixa as populações de insetos sem controle, e as árvores locais mais vulneráveis.

Projetos tardios, mas providenciais em megacidades


Projetos ecológicos ambiciosos surgiram em várias megacidades ao redor do mundo nos últimos anos – Nova York plantou um milhão de árvores entre 2007 e 2015; o prefeito de Londres, Sadiq Khan, espera tornar verde mais da metade da capital até 2050; Paris, por sua vez, anunciou que construirá quatro florestas urbanas ao longo de 2020.

Mas fora da Europa, em lugares como a Índia e a Nigéria, onde faltam recursos e vontade política para tornar o verde urbano uma prioridade, as árvores nas cidades são muito mais escassas. 

Como a mudança climática traz temperaturas mais quentes e chuvas mais imprevisíveis, as cidades estão exigindo um novo tipo de resiliência das árvores urbanas. Para muitas cidades do mundo, os ecologistas dizem que isso significa plantar espécies mais exóticas. A ideia, porém, encontra bastante resistência. 

Os ecologistas Brack e Saha argumentam, no entanto, que espécies alternativas geralmente se adaptam melhor ao ambiente artificial de uma cidade – especialmente diante do aumento das ondas de calor. O bordo de três dentes, nativo da China, Coreia e Japão, é uma espécie que poderia aparecer em maior número em outras partes do mundo à medida que a temperatura global aumenta.

Há também uma distinção importante a ser feita entre árvores "exóticas", o que significa apenas que não são locais, e as "invasivas", que são prejudiciais, espalhando-se muito rapidamente e dominando o meio ambiente.

Quanto à vida selvagem local, estudos contínuos estão sendo realizados em lugares como Canberra (Austrália), onde quase todas as espécies de árvores da cidade são exóticas. Ali, os pássaros comem com prazer frutas de plantas não nativas, e os mamíferos encontram casas onde quer que haja um buraco apropriado. 

Leia também:

Poluição do ar mata por ano quase sete vezes mais que a Covid-19 segundo especialistas 


Imagem: R Pollution

Há um inimigo invisível, implacável e letal, que a propagação do coronavírus trouxe à tona, nesses ano de 2020: a poluição do ar.

Deveria ser considerada a primeira ameaça, mas está relegada a um segundo e até terceiro nível de preocupação de todos. Inimigo muitas vezes impossível de ser visto à olho nu, tem consequências tão graves quanto as de uma pandemia. 

A poluição emitida diariamente pelos carros, ônibus e caminhões mata anualmente sete milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o que daria quase sete vezes a Covid-19, já que, até o início da segunda semana de outubro, as mortes globais atingiram 1.037.914, de acordo com Universidade Johns Hopkins.

Para a meteorologista Josélia Pegorim, do Instituto Climatempo, "parece controverso, mas a poeira da poluição em suspensão serve de embrião para formar as gotas de chuva. As gotículas de vapor de água se depositam sobre os grãos de poeira, de areia ou de sal, no caso de nuvens que se formam no mar, e isto permite a formação e crescimento mais rápido das gotas de chuva”, atesta.

Josélia lembra ainda, que o que acontece em um lugar pode afetar outro, mesmo que ele esteja localizado em uma distância longínqua do globo terrestre. “Há estudos que provam que os grãos de areia que saem do deserto do Saara, e viajam com os ventos da altas camadas da atmosfera, chegam sobre a Amazônia e ajudam a formar as nuvens de chuva por lá". Além disso, conforme explica a meteorologista, "o nascer e pôr do sol que temos em alguns dias, com cores avermelhadas que enchem os olhos, são resultantes da interação da luz do sol com o ar mais carregado de poluição que fica na parte baixa da atmosfera.

Poluição mata e otimiza ainda mais a Covid-19


Isso pode até soar estranho, de alguma forma, não fosse o fato de que no Brasil são registradas 2.500 mortes prematuras anuais, conforme dados do International Council on Clean Transportation (ICCT), em razão da poluição. Os danos à saúde são irreversíveis. "Não há beleza que traga de volta alguém que se foi por respirar um ar sujo", alerta a especialista. 

Não é novidade que a qualidade do ar que respiramos tem impactos diretos na nossa saúde. Nem que os veículos que nos transportam de um lugar para o outro nas cidades são os maiores emissores de poluentes na atmosfera. No Brasil, a maior parte municípios ultrapassa os limites de poluição recomendados pela Organização Mundial da Saúde e essa é causa de não só milhares de mortes prematuras, mas agravante para diversas doenças respiratórias, como a própria Covid-19. Alguns estudos chegam a afirmar que a taxa de letalidade da doença causada pelo novo coronavírus é maior entre as populações mais expostas a esses poluentes.

Evitar, trocar, melhorar


Entre os especialistas no assunto, três grandes estratégias são a chave para reduzir as emissões e, consequentemente, melhorar a qualidade do ar. Elas são representadas pela sigla ASI, do inglês: Avoid (evitar), Shift (trocar) e Improve (melhorar). Em resumo, o que eles querem dizer com isso é que precisamos mudar a forma como nos locomovemos — optando por bicicletas ou transporte público, por exemplo — e melhorar os nossos veículos, tornando-os menos poluentes. Nesse sentido, a regulação tem um papel importante, pois é ela que orienta as mudanças na indústria e, consequentemente, os nossos hábitos de consumo. 

Mudanças nas normas?


As atuais normas asseguram que poderemos respirar melhor a partir de 2022, prazo para entrar em vigor a próxima fase do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), que exige melhorias no padrão de emissão dos veículos pesados, os que mais poluem. Será?

Passar para essa fase — chamada de P-8 e equivalente ao padrão internacional Euro VI — é urgente porque já estamos atrasados em relação aos principais mercados de automóveis do mundo. É sabido, há anos, que a poluição afeta diretamente a saúde de todos e ainda modifica o clima do planeta. Apesar disso, alguns representantes da indústria automobilística fazem pressão para adiar o prazo previamente acordado entre as empresas montadoras e o governo federal, argumentando que a crise provocada pela pandemia tem impactado o setor.  

Cada dólar investido nessa tecnologia geraria 11 dólares de benefícios, contabilizados a partir da redução dos gastos com saúde pública. A estimativa é do ICCT, uma organização que fornece análises técnicas e científicas aos reguladores ambientais. Além disso, os efeitos à saúde não duram apenas três anos do adiamento, que é o pedido das montadoras, mas, além de 30 anos - tempo de vida útil de um caminhão - com veículos de tecnologia defasada circulando nesse tempo todo. 

Ainda conforme a organização, os veículos pesados (caminhões e ônibus) representam 5% da frota brasileira, mas, por poluírem mais e percorrerem distância maiores, são responsáveis por mais de 80% das emissões de partículas poluentes no país. A expectativa é que a nova frota exigida pela regulação consiga reduzir essas emissões em 90%. Bom para a qualidade do ar, para a saúde pública brasileira e para o clima.

São Paulo na mira


O estado de São Paulo concentra pelo menos 40% das frotas de veículos do país e também é onde ficam grandes centros urbanos, com índices de poluição do ar preocupantes. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) é a agência do Governo do Estado responsável pelo controle, fiscalização monitoramento e licenciamento de atividades que afetam o meio ambiente. O órgão, que faz parte do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), responsável por decidir ou não pelo adiamento do Proconve, vê com preocupação o pedido das montadoras. 

Para o gerente da Divisão de Emissões Veiculares do órgão, Vanderlei Borsari, a decisão de manutenção do prazo do programa federal precisa passar pelo Conama. “Nenhum pedido pode ser unilateral. É preciso ver o que é que a sociedade inteira, através dos seus representantes, pensa à respeito disso”, avalia. 

Vanderlei também lembra que já estamos com praticamente 10 anos de defasagem, em relação à Europa e Estados Unidos, da implantação do sistema, e que a nova fase do Proconve representa um avanço muito grande no controle dos dois poluentes mais emitidos por motores diesel: óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado. A pedido do Ministério Público Federal, a CETESB deve divulgar um documento oficial com detalhes técnicos sobre o Proconve, nos próximos meses. 

Os pulmões dos paulistas e de todos brasileiros dependem dessa resposta. Mas não só. Em geral, outros órgãos estaduais tendem a seguir as diretrizes da CETESB. Com pôr do sol ou sem, com chuva ou sem ela, a saúde de todos os brasileiros pode ser influenciada por essa decisão.


        Qual é a cidade mais quente de Minas Gerais?       © Leandro Couri/EM/D.A. Press

Clique na imagem e saiba sobre

 Lei também:

Polícia Federal já pode indiciar fazendeiros de Mato Grosso do Sul por queimadas no Pantanal. 


A PF coletou inúmeras provas que considera suficientes para indiciar pelo menos quatro fazendeiros pelo início das queimadas na região da Serra do Amolar, no Pantanal de Mato Grosso do Sul.

 O Ministério Público Federal (MPF) analisará o conjunto probatório e pode (ou não) denunciar os investigados à Justiça Federal. A partir de imagens de satélite da Nasa (Agência Espacial Americana) e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), os peritos da PF encontraram vestígios que indicariam a ação humana nas queimadas, em  propriedades rurais.

A Polícia Federal também colheu, na região, depoimentos de trabalhadores  e de moradores daquela região que, segundo investigadores, dificultam a defesa dos fazendeiros. De acordo com a análise dos peritos, os focos de incêndio tiveram início no dia 30 de junho, quase na mesma hora, em quatro propriedades localizadas na região oeste do rio Paraguai.

Para a PF e o MPF, esse fato indica que a prática de colocar fogo na vegetação para o plantio de pastagens pode ter sido uma ação combinada entre os fazendeiros. Segundo as testemunhas, dias antes de mandar seus funcionários colocar fogo nas propriedades, os fazendeiros providenciaram a retirada de todo o gado.

Investigados negam ter ordenado incêndios

Nos depoimentos que prestaram à PF, os fazendeiros negaram ter mandado colocar fogo nas fazendas. "Vamos provar com as imagens de satélite da própria polícia que o fogo não começou na fazenda do meu cliente. Mas infelizmente não tive ainda acesso ao inquérito", afirmou o advogado Newley Amarilha, que defende o fazendeiro Ivanildo da Cunha Miranda, proprietário da fazenda Bonsucesso, uma das quatro propriedades em que as queimadas ocorreram.

Em uma das fazendas, foram apreendidas várias armas de fogo e munição. O delegado da PF que comanda as investigações, Daniel Rocha, disse  que "a operação foi desencadeada depois de uma minuciosa análise das imagens de satélite feita por peritos de Brasília que praticamente 'deram o mapa da trajetória do fogo'. Quando sobrevoamos a região, vi uma imagem que jamais podia imaginar. Um mar de água doce transformado em fumaça e fogo." O delegado aguarda a transcrição das conversas telefônicas e os laudos da perícia para concluir o inquérito. "Fizemos a perícia nas propriedades e temos indícios de que os incêndios foram provocados a fim de criar novas áreas de pastagens", afirmou Rocha.

Os proprietários devem ser indiciados por danos às áreas de preservação permanente e unidades de conservação, incêndio e poluição. As penas previstas na legislação, somadas, podem chegar a 15 anos de reclusão. A pena de reclusão admite o regime inicial fechado, diferentemente da de prisão;  

Fogo ainda se espalha pelo Pantanal

Três meses depois, as queimadas na região continuam a provocar prejuízos. Na quarta-feira (23.09), o fogo chegou ao Parque Nacional do Pantanal e ao corredor que liga a Serra do Amolar ao Parque Encontro das Águas, em Mato Grosso, considerado o maior refúgio de onças pintadas do mundo.

"Infelizmente quatro felinos ficaram com as patas feridas", afirmou o tenente-coronel reformado da Polícia Militar Ângelo Rabelo, presidente do Instituto Homem Pantaneiro, que trabalha no combate às queimadas. O fogo se expandiu também para a região das grandes lagoas na fronteira do Brasil com a Bolívia.

Os peritos da PF concluíram também que os incêndios acabaram destruindo as matas ciliares que protegem o rio Paraguai e seus afluentes. Desde que tiveram início, as queimadas já destruíram 30 mil hectares de mata na região.

A suspeita de participação de fazendeiros veio à tona no dia 14 de setembro, quando a Polícia Federal desencadeou a chamada Operação Matáá ("fogo" na língua dos índios guató que vivem na região, segundo a polícia). Os agentes federais apreenderam os aparelhos celulares de dez fazendeiros em Campo Grande e em Corumbá (Mato Grosso do Sul).

Polícias no rastro de outros focos de incêndio

Em outra frente de investigação, os peritos das polícias Militar e Civil de Mato Grosso do Sul também concluíram que houve ação humana nas queimadas ocorridas nas fazendas da Nhecolândia (região central do Pantanal). A polícia aguarda o laudo final para aplicar multas e indiciar os fazendeiros. "A perícia deixou claro que o incêndio teve origem nas fazendas e foi motivado pelo homem e pela seca", afirmou o tenente PM Anderson Ortiz, que comandou as vistorias nas fazendas.

Os fazendeiros investigados da Nhecolândia e da Serra do Amolar têm uma característica em comum: são herdeiros ou investidores que vieram de outras regiões do país. Para pesquisadores, a mudança do perfil dos donos das fazendas acabou prejudicando a harmonia entre pecuária e natureza no Pantanal.

"O pantaneiro segue o ciclo natural das cheias, quando as cabeças de gado são retiradas das partes alagadas. Os pantaneiros tradicionais não vão queimar mato para plantar pasto porque não têm nem dinheiro para comprar o adubo", afirma Arnildo Pott, professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e doutor em ecologia vegetal na Universidade de Queensland, Austrália, que trabalha há mais de 40 anos no Pantanal.

 Leia também:


O jornal online Tempo de BH noticiou o "Ciclone Bomba". o que viralizou no Whatsapp

Ciclone Bomba prevista para a Zona da Mata Mineira e todo o Sudeste provoca alvoroço e se afasta para o mar

Uma divulgação alarmista causa apreensão nos moradores de Ubá e cidades ao entorno. Anunciado pelas redes sociais, na segunda-feira dia 14, cria alarde e viraliza nas redes sociais


O jornal online O Tempo, de Belo Horizonte, divulgou notícia, que segundo o veículo, do portal Climatempo, causou temor nos maradores de várias cidades da Zona da Mata Mineira.

A divulgação do jornal, veiculada na segunda-feira (14) trouxe o seguinte destaque: "Previsão do tempo: ciclone bomba pode provocar ventos de até 70 km/h em Minas. Zona da Mata mineira será atingida pelo ciclone, além de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e o Sul do Brasil".

 Logo após a foto principal da matéria: "Um ciclone bomba que vai atingir o Sul e o Sudeste do Brasil nesta segunda (14) e terça-feira (15) deve provocar ventos de até 70 km/h na Zona da Mata de Minas Gerais. A informação é do site Climatempo e foi divulgada neste domingo (13).

Mas, logo ao anoitecer, os sites de notícias e os quadros de previsões do tempo das TVs abertas, a informação já era diferente: "Ele (Ciclone Bomba), tem esse nome por causa da queda rápida de pressão, em um período de 24 horas bem no centro dele. Os maiores efeitos vão ser no mar, porque ele está longe do continente. Comparado com o último, que aconteceu no início de julho (1º/07/20),  que estava bem perto do continente e ajudou a causar tantos estragos, esse de agora está bem mais distante", informou a apresentadora do quadro do clima do Jornal Nacional, da Rede Globo, Anne Lotterman. "Nós (do sudeste) - prosseguiu a apresentadora - vamos sentir o Ciclone Bomba com pouca chuva, mas o vento pode ser forte, rajadas de até 80 km, no litoral sul e de até 70 km, no litoral do Rio de Janeiro". (Fonte: ClIMATEMPO - CPTEC/INPE).

O JN da Rede Globo, à noite, noticiou que o "Ciclone Bomba" já estava no mar distante do continente

Já nesta manha de terça-feira (15) o Climatempo noticia que o "Ciclone Bomba se afasta mais para o mar". "Isso não é fake news não?", indagou Maria Ester Cavalheiro, de Guidoval. Ela disse que recebeu várias mensagens pelo Whatsapp com foto e tudo da notícia do jornal (Climatempo)."Eu até enviei para meus parentes e amigos. Então ajudei a espalhar uma mentira?", perguntou Ive Matheus, moradora do bairro Chiquito Gazolla, em Ubá.

E o próprio site Climatempo, no dia seguinte, também publicou o que o "ciclone" já não oferecia mais perigo.


Segundo o State College, da Pensilvânia, onde se localiza a sede mundial da Minitab - programa de computador voltado para fins estatísticos - "Há desvios de padrão de 3,4 graus, em previsão de 10 dias, quando há super estimação de temperatura máxima em até 5 graus e a subestimação em 10 graus. Já as previsões de 5 dias e dia seguinte podem ser menos variáveis, com desvios padrão de 2,4 e 1,2, respectivamente".

Ou seja, quando se tratar de previsão do tempo, em matéria de meteorologia, nada é fixo e consolidado, afinal, previsão não é precisão.
  
Leia também:


Municípios de Minas Gerais e  Piauí são campeões na derrubada da Mata Atlântica

Foto: O Globo

Cerca de 71% das áreas desflorestadas da Mata Atlântica se concentraram em 100 cidades, que representam quase 3% dos quase 3.429 municípios inseridos no bioma.

No topo da lista está o municípo de Manoel Emídio, no sudoeste do Piauí (a 458 km de Teresina), com o equivalente a 879 campos de futebol desmatados. Em segundo lugar está a cidade de Gameleiras, em Minas Gerais (distante a 686 km de Belo Horizonte), com o equiparado a 434 campos de futebol e em terceiro, Canto do Buriti, novamente no Piauí (no centro-sul e dista a 417 km da capital), referente a 404 campos e na quarta colocação, Novas Laranjeiras, no Paraná (a 381 km de Curitiba) com uma área similar a 332 campos de futebol.
"Aqui existe o que a gente diz de 'última fronteira agrícola do nordeste'. E o desmatamento está descontrolado", alerta o ambientalista, André Pessoa. "Se você tem o apoio do político, tem esse caos formado. Todos os moradores da região dizem assim: 'ah, se o próprio governo incentiva o desmatamento, por que que eu não vou aproveitar essa brecha e desmatar também?', alertou Pessoa.

Agronegócio está derrubando a Mata Atlântica

Em Minas gerais, o que motiva o desmatamento é a produção de carvão vegetal, por isso a floresta nativa está sendo substituída por plantações de eucalípto. Na região do Matopiba, que engloba os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a Mata Atlãntica vem perdendo espaço para o agronegócio. No Paraná, o desmate se concentra em regiões de araucárias, usadas na construção civil e na industria de papel e também para o agronegócio.
Nos anos eleitorais de 2012 e 2016, com o afrouxamento da fiscalização, foram registrados os maiores números de desmatamento da década. 

União quer restringir Lei da Mata Atlântica

O governo federal entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIM), no Supremo Tribunal Federal para restringir os dispositivos da Lei da Mata Atlãntica, que exigem o reflorestamento das áreas destrúidas ilegalmente a partir de 1990. A ideia é que o bioma seja enquadrado no Código Florestal, que prevê a recuperação só para quem desmatou a partir de 2008.
Com isso seriam legalizados e anistiados setores que iniciaram atividades de forma ilícita no bioma, cancelando multas e embargos e impedindo o reflorestamento de áreas desmatadas. "Como se não bastasse o que faz na Amazônia e no Pantanal, também mirou, para passar a boiada na Mata Atlântica", afirmou o diretor da ong SOS Mata Atlãntica, Mário Montovani.

Para o ambientalista, desta vez, o governo errou o alvo."Só que se deu mal, por que aqui tem o olhar da sociedade, aqui tem a mobilização. Esse governo deu as mãos para o crime. Colocou a sua identidade, colocou a sua digital, vamos dizer, no crime, por que a gente já sabia que eram atividades criminosas e em vez de combater isso com o IBAMA, estava indicando que o IBAMA não tivesse mais atuação nessas áreas", acusou o Mário Montovani.

O Ministério do Meio Ambiente não respondeu às inculpações da SOS Mata Atlântica.  

Fim desta matéria

Pacientes assintomáticos da Covid-19 são responsáveis por 60% do casos de contaminação afirma UFMG 


Agricultura e meio ambiente podem perfeitamenta andarem juntas e não precisam, necessariamente se rivalizarem.

Várias soluções são criadas visando a produção sustentável de alimentos e os chamados sistemas de agrofloresta, conhecidos como SAFs, são uma delas. Então, por isso, foi montada a Pentagrama, uma plataforma digital que ajuda a viabilizar a aplicação de modelos de agroflorestas em larga escala. 

Na verdade é uma ponte, conexão para unir experiência: investidores; produtores; donos de fazendas e agroindústrias. O objetivo é oferecer projetos que sejam viáveis técnica e financeiramente, reduzindo os riscos para quem quer implantar um sistema como esse. 


A Pentagrama é uma das oito ideias finalistas da Climate Launchpad, a maior competição de ideias de negócios verdes do mundo. Quer saber mais sobre a plataforma? Acesse o site: https://www.pentagramaprojetos.com.br/sistemas-agroflorestais/
 

Fim desta matéria


Bolsonaro veta pontos mais importantes da lei que obriga uso de máscaras em locais públicos


O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou a lei que obriga o uso de máscaras em ônibus, táxis, aeronaves, carros de aplicativos, e demais espaços públicos abertos e fechados, porém com vetos. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira, dia 03 de julho.

O próprio Bolsonaro receb críticas reiteradas, por contrariar as orientações do próprio Ministério da Saúde e deambular em diversos locais públicos, inclusive em eventos com aglomerações, sem usar o ítem de proteção mais falado na atualidade. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o aparato é indicado apontado como um dos três mais eficazes para diminuir a contaminação em massa, ao lado da higienização das mãos e objetos com álcool 70% e em gel e o distanciamento social.

O presidente vetou a obrigatoriedade do uso de máscaras em órgãos e entidades públicos, assim como em templos religiosos, estabelecimentos comerciais, industriais e locais fechados em que haja aglomeração de pessoas. Para isso, Bolsonaro alegou que o trecho “incorre em possível violação de domicílio”.

Outra ponto rechaçado por Bolsonaro é que os estabelecimentos comerciais também não serão obrigados a fornecer máscaras gratuitamente aos funcionários. O próprio poder público está desobrigado a fornecer o equipamento à população economicamente mais vulnerável.

Na proposta original do Congresso, havia um trecho que previa o agravamento da punição para infratores reincidentes ou que deixassem de usar máscara em ambientes fechados. Bolsonaro excluiu também esse trecho. A lei prevê multa a quem descumprir a medida, mas o valor deve ser definido pelos estados e municípios.

No início da primeira semana de julho, o boletim do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) atualizara para 61.884 o número de mortes em decorrência do novo coronavírus no Brasil. Ao todo, também foram confirmados 1.496.858 casos da Covid-19 no país.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pelo sua mensagem. Aguarde que faremos contato em breve.