Questão de Atitude
[Clique na imagem acima e assista a mais uma queimada em Ubá]
Denuncie qualquer ato incendiário em sua cidade. Queimada é crime contra a saúde pública e o meio ambiente. Mande seu vídeo (ou foto) para nós. Colabore com a natureza que a vida no planeta agradece. Não descarte lixo eletrônico em qualquer lugar, nem coloque para a coleta regular, semanal. Entre em contato conosco que encaminharemos suas pilhas e baterias usadas, assim como celulares velhos e em desuso ou estragados.
<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<matéria>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
Entenda o que é Efeito Estufa e Mudanças Climáticas
Até quando vai a onda de calor?
Termômetro marca 38ºC no estádio do Morumbi, no último final de semana.
Preparem-se, porque deve haver outras. Com uma primavera altamente influenciada pelo El Niño, o Brasil tem enfrentado fortes ondas de calor. Doze estados registraram mais de 40ºC nos últimos dias, segundo o MetSul, e as temperaturas seguem altas em boa parte do país até o meio desta semana, aponta o Climatempo.
O que causa
estas ondas de calor?
O El Niño, que aquece as águas do Pacífico,
diminui as frequências de pancadas de chuva, dificultando que os termômetros
baixem e resultando em dias com mais horas de sol e calor. O fenômeno também
impede a mistura do ar quente com o frio, de origem polar, diminuindo a
ocorrência de frentes frias.
Mas quando esta onda de calor arrefece?
O calor é resultado de um sistema de alta pressão
atmosférica, segundo o Climatempo, e esta onda só deve enfraquecer no final da
semana.
A previsão é de que até o final da semana (29 e 30 de setembro) temperaturas muito altas ainda sejam observadas em partes do Sudeste e do
Centro-Oeste. O Sul já começa a esfriar antes, devido a uma frente fria que
chega hoje, acompanhada da formação de um ciclone.
Um exemplo é a capital paulista, que amanhã
ainda pode registrar 36ºC de máxima, mas que na quinta tem previsão de chegar a
apenas 20ºC, com tempo nublado e chuva a qualquer hora. Na sexta-feira, a
máxima em São Paulo sobe para 25ºC, e o fim de semana deve voltar a ser quente,
com termômetros chegando a 29ºC no sábado e 33ºC no domingo - mas previsão de
pancadas de chuva.
Teremos mais ondas?
Há
muitas chances de que sim. Segundo o Climatempo, há probabilidade de que elas
voltem em outubro, com mais sistemas de alta pressão atmosférica estacionados
sobre o Brasil, até o final da primavera. Outubro já é um mês naturalmente mais
quente, com a primavera. Portanto, pode-se esperar temperaturas tão elevadas
quanto as sentidas em setembro.
Previsão de chuvas por
regiões para os próximos 10 dias, segundo a Metsul
Norte.
A
região já passou pelo período mais chuvoso do ano, no inverno amazônico, que
tem 60% a 70% da precipitação do ano. Agora, parte do Norte deve sofre com uma
seca devido ao El Niño.
Chuvas
devem ocorrer com mais intensidade oeste e sul do Amazonas, Acre e Rondônia,
enquanto Pará e Tocantins devem ter precipitações irregulares.
Nordeste
A
chuva será escassa em boa parte da região, com pancadas isoladas e passageiras,
tanto no Agreste como na costa.
Centro-Oeste
Sofrendo
com calor extremo e tempo seco, terá incidência de ar tropical com maior
umidade, o que favorecer a ocorrência de chuva e temporais isolados. Uma frente
fria provocada pelo ciclone que se formará na costa do Brasil aumenta a umidade
na região, gerando pancadas fortes e temporais isolados, principalmente em Mato
Grosso e Goiás.
Sudeste
O que se observa no Centro-Oeste se repete no
Sudeste. Haverá presença de umidade sobre a região devido à frente fria e ao
ciclone, que permitem que o ar tropical quente e úmido da Amazônia traga chuvas
à região neste fim de setembro e começo de outubro.
Devem
ocorrer precipitações diárias no Sudeste — mas não necessariamente em todas as
cidades. A exceção é o norte de Minas Gerais.
Sul
É a região com mais chuvas nos próximos dez
dias, devido à chegada do ciclone extratropical. Setembro é o mais chuvoso já
observado em um século de dados no Rio Grande do Sul, com acumulados acima de
500 mm em muitas cidades.
A baixa pressão traz chuva hoje em parte do
Rio Grande do Sul, antes da formação do ciclone que gerará uma frente fria. Ela
avança com chuva por Santa Catarina e Paraná na quarta. O Sul terá novas áreas
de instabilidade entre sexta (29) e sábado (30), com o avanço de ar mais frio —
o que se repete em outro episódio entre 3 e 4 de outubro, com mais chuvas.
Ebulição Global
torna julho o mês mais quente da história da Terra
Para a ONU, após os recordes de temperatura de julho, o planeta Terra entrou oficialmente na Era da Ebulição Global, substituindo o período do aquecimento.
Por muitos anos, o planeta Terra viveu aquilo conhecido como Aquecimento Global. Agora, com o mês de julho sendo o mais quente da história (desde o início das medições humanas), há uma piora no cenário climático global, o aumento dos desastres ambientais e a chegada oficial da "Era da Ebulição Global", também conhecida como Fervura Global.
O que é a onda de calor que atinge o planeta e por que 2023 pode ser o ano mais quente da história?
Nesta nova era, a tendência é do aumento constante das temperaturas médias globais, impulsionado pela poluição, pelo uso de combustíveis fósseis e pela emissão de gases do efeito estufa — gerados pela ação do homem. A previsão atual é de que os oceanos também aquecerão a um ponto até então impensável.
Embora a situação tenha se agravado com a Era da Ebulição Global, os especialistas afirmam que ainda há tempo de impedir a piora generalizada, com a união dos países, das empresas e das pessoas em prol do planeta.
O que é Ebulição
Global?
A expressão Ebulição Global foi usada, pela primeira vez, em caráter oficial, pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, na quinta-feira (27 de julho), enquanto afirmava que o mês de julho deve ser o mais quente já registrado, durante coletiva de imprensa.
Sobre o medo e a sensação de pânico que o termo pode causar, Guterres afirma que é, de fato, assustador. No entanto, o secretário-geral da ONU ressalta que "ainda é possível limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C [acima dos níveis pré-industriais] e evitar o pior das mudanças climáticas". Só que, para isso, as ações precisam ser imediatas e abrangentes.
Julho de 2023: o
mês mais quente da Terra
Antes do final oficial deste mês, as autoridades do clima, como a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Copernicus — o Programa Europeu de Observação da Terra —, já entendem que julho será o mês mais quente, desde o início das medições.
Inúmeras cidades atingiram temperaturas iguais ou superiores aos 50 ºC. Estar exposto a esse nível de calor é arriscado para o organismo humano, já que é o limite daquilo que é considerado "muito quente". O risco de complicações envolvendo problemas no coração é alto, além da desidratação.
Segundo os Centros de Previsão Ambiental dos EUA, o dia 6 de julho foi considerado o mais quente da Terra desde que as temperaturas médias globais foram calculadas pela primeira vez em 1979. Naquele dia, os termômetros globais, que estabelecem a média somando até a temperatura do Ártico, chegaram a 17,18 ºC.
El Niño
Para além dos efeitos da ação humana na Era da Ebulição do Global, ainda há outro fenômeno natural que favorece o aquecimento generalizado: o El Niño, que se origina nas águas do Oceano Pacífico Equatorial e que está oficialmente de volta, desde junho deste ano.
Consequências do
clima extremo na Terra
"A humanidade está na berlinda", afirma o secretário-geral da ONU. "Para grandes partes da América do Norte, Ásia, África e Europa, é um verão cruel. Para todo o planeta, é um desastre", acrescenta Guterres.
Afinal, os desastres relacionados ao clima e padrões climáticos extremos devem se tornar mais comuns. Por exemplo, um estudo recente da iniciativa World Weather Attribution (WWA) demonstrou que as ondas de calor já se tornaram mais comuns e a tendência é que sejam ainda mais frequentes.
Em paralelo, a maior temperatura média global gera o derretimento de geleiras, o que pode aumentar o nível do mar. Dependendo da velocidade desse movimento, será possível observar o impacto na maioria das cidades litorâneas.
Outro problema serão as mudanças dos padrões climáticos, como secas se intensificando em algumas regiões do globo, afetando as atividades agrícolas e a vida humana. Em última escala, isso pode gerar migrações globais em massa. Estes indivíduos são conhecidos como "refugiados ambientais".
É possível
impedir o aumento das temperaturas?
Mesmo neste cenário em que as previsões não são otimistas, o entendimento da ONU é que ainda há tempo de brecar as mudanças climáticas mais extremas. "Para isso, devemos transformar um ano de calor ardente em um ano de ambição ardente", ilustra Guterres.
Para o secretário-geral, a Cúpula de Ambição Climática da ONU, em setembro, e a conferência climática COP28, em novembro, serão dois eventos importantes para traçar o futuro. Guterres espera que as nações industrializadas do G20, responsáveis por 80% das emissões globais, se comprometam ativamente com a causa.
Fonte: ONU.
Animais marinhos estranhos que vivem na zona escura e gélida do oceano onde naufragou o Titanic e
O fangtooth é um peixe de grandes e afiadas presas (Getty Images)
Na quinta-feira (22), a Guarda Costeira dos EUA
anunciou a morte de todos os ocupantes do submersível Titan da OceanGate, que
possivelmente implodiu em sua expedição marítima por uma ruptura no casco.
Conheça alguns dos animais marinhos que vivem na zona remota do oceano, onde
está aterrado o Titanic, que naufragou em 1912.
O Titan
OceanGate levava quatro turistas milionários e o piloto para a zona erma
do oceano, onde estão os restos do naufrágio do Titanic - a uma profundidade de
cerca de 3.800 metros, além da conhecida zona da meia-noite, local em que a luz
solar não penetra e a pressão é 376 vezes maior que a da atmosfera da Terra.
Nessa marca, as
profundezas gélidas e a escuridão completa são mortais para os seres humanos e todos
os animais que conhecemos, sobretudo pela pressão que é exercida de todos os
lados, o que esmagaria a maioria dos corpos vivos, ocasionando um colapso total
de diversos órgãos vitais.
No entanto, o
que para nós é um ambiente desafiador, é o habitat comum de animais que vivem
nessa escuridão. Eles resistem muito bem à pressão e, inclusive, alguns geram a
própria "luz".
Conheça cinco dessas criaturas que habitam as
profundezas onde colapsou o Titan e onde mora, por 111 anos, o Titanic.
Peixe com sistema
anticongelante
Patagonian Toothfish vive em águas profundas e tem um sistema anticongelante - Imagem: U.S. FDA/Wikimedia Commons)
Viver longe do
sol é ter a capacidade de se adaptar, e assim é a vida do patagonian toothfish.
Seu corpo tem uma proteína anticongelante que lhe permite nadar em águas com
temperaturas abaixo de zero grau e ainda assim se manter ativa e com os órgãos
em perfeitas condições. Suas escamas são negras, e os peixes adultos podem
pesar até 100 kg e viver por até 50 anos.
O porco do abismo
O porco-do-mar (scotoplanes) vive na zona abissal. - (imagem: Monterey Bay Aquarium Research I/Wikimedia Commons)
O porco-do-mar
(scotoplanes) vive na chamada zona abissal, local abaixo de 4 mil metros, em
que a temperatura é congelante e onde poucos animais podem viver. Sua cor é
translúcida e ele se alimenta de animais mortos e de outras matérias orgânicas
em decomposição.
Tubarão gigante e raro
Tubarão-boca-grande (Megachasma pelagios) em exposição - (Imagem: opencage/Wikimedia Commons).
O
tubarão-boca-grande (Megachasma pelagios) foi avistado poucas vezes e é
considerado uma espécie rara. Alguns podem atingir até sete metros de
comprimento e ter peso superior a uma tonelada. Mas, apesar de todo tamanho,
ele se alimenta principalmente de plânctons, nadando com sua imensa boca aberta
"filtrando" as águas das profundezas.
Um monstro das
profundezas
Um Fangtooth
renderizado em 3D - (Images/iStockphoto-3dsam79/Getty
De aparência
assustadora, os fangtooths (Anoplogaster cornuta) são peixes que vivem nas
profundezas, com grandes e afiados dentes, eles são peixes de porte pequeno,
mas capazes de predar animais grandes, como atuns.
O peixe sem rosto
O cusk sem rosto
( Typhlonus nasus) vive a mais de 5 mil metros de profundidade - (Imagem: R.
Mintern/Wikimedia Commons)
O cusk sem rosto
(Typhlonus nasus) tem esse nome por ter um rosto extremamente reduzido, com
olhos não visíveis. Esses animais vivem a mais de 5 mil metros de profundidade
e são um dos poucos seres vivos que resistem à alta pressão dessa zona.
Estudo mostra que estados amazônicos têm até 40% dos peixes contaminados
por mercúrio
Em todas as camadas populacionais analisadas, a ingestão diária de mercúrio excedeu a dose de referência recomendada pela Agência de Proteção Ambiental do governo norte-americano (EPA), 0,1 μg/kg pc/dia. (0,1 micrograma por quilograma de peso corporal/dia).
Os dados mais
graves são de Roraima e Acre, que tiveram 40% e 35,9% dos peixes,
respectivamente, com alto nível de concentração do metal tóxico utilizado em
garimpos na região. Estudos feitos com peixes comprados em centros urbanos na
Amazônia apontaram contaminação por mercúrio acima dos níveis seguros em todos
os estados do Norte.
O que diz o estudo?
"Mais de um quinto (21,3%) dos peixes [...] que chegam à mesa das famílias na região Amazônica têm níveis de mercúrio acima dos limites seguros estabelecidos pela Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO/WHO) e pela Agência de Vigilância Sanitária brasileira (ANVISA)", diz o estudo, desenvolvido pelas organizações Iepé (Instituto de Pesquisa e Formação Indígena), Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, Greenpeace, Instituto Socioambiental e WWF-Brasil.
Foram coletados 1010 peixes de 80 espécies diferentes, tirados de 17
municípios amazônicos, nos seis estados do Norte, em mercados públicos, feiras-livres ou com
pescadores nos pontos de desembarque pesqueiro entre março de 2021 e
setembro de 2022.
Crianças e mulheres em idade fértil são grupos
mais vulneráveis aos efeitos do mercúrio: crianças entre 2 e 4 anos estariam
ingerindo até 31 vezes mais mercúrio do que a dose recomendada; já as mulheres,
9 vezes.
Pesquisadores ponderam que não tiraram amostras de todos os peixes consumidos na região ao longo das estações, e, por isso, acreditam que os dados revelem somente uma parte do real impacto provocado pela exposição ao mercúrio para a maioria da população que vive hoje em centros urbanos da Amazônia.
A recomendação
principal deve ser enfocada na garantia da segurança sobre os territórios da
Amazônia e na erradicação de garimpos ilegais de ouro, bem como de outras
atividades humanas ilegais que aumentam a disponibilidade de mercúrio para o
ambiente, tais como desmatamento e queimadas." Nota técnica do estudo sobre
contaminação por mercúrio nos estados do Norte
Como o garimpo usa
o mercúrio?
Os garimpeiros usam o metal para separar o
ouro dos demais sedimentos. Em altas concentrações, o mercúrio afeta o
funcionamento do sistema nervoso e do cérebro, causando fraqueza e problemas de
visão, por exemplo.
Segundo estudos anteriores, realizados na região a fim de mapear a
contaminação dos peixes, 45% do mercúrio usado nos garimpos ilegais é despejado
sem qualquer tipo de tratamento nos rios e igarapés da Amazônia.
A substância pode permanecer até 100cem anos na natureza, envenenando os
rios e a terra, além de causar doenças em seres humanos e animais. Em grávidas,
a contaminação pode provocar abortos ou fazer com que os bebês nasçam com
paralisia cerebral, deformidades e malformações.
Banco Mundial alerta para perdas de R$ 920 bi caso
Amazônia vire 'savana'
Amazônia é afetada por outras formas de degradação e um relatório do Banco Mundial apontou que o Brasil pode ter um impacto de até R$ 920,5 bilhões caso o desmatamento na Amazônia chegue a um ponto de inflexão —ou seja, a floresta naturalmente passe a sofrer um processo de savanização após atingir certo nível de degradação.
O que diz o relatório?
Os impactos econômicos foram calculados em US$ 184,1
bilhões (R$ 920,5 bilhões), ou 9,7% do PIB de 2022 até 2050. Os dados são do Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Os danos irreversíveis eliminariam as chuvas da
região e, dessa forma, atingiriam em massa diversos ecossistemas. "Atingir um ponto de inflexão no bioma da Amazônia significaria danos
irreversíveis à estrutura do bioma e a seus serviços ecossistêmicos."
Dano na geração de energia elétrica seria certo. "A redução prevista nos níveis de precipitação e mudanças nos padrões de
chuvas sazonais também tem o potencial de criar riscos para o fornecimento de
eletricidade no Brasil, em que a energia hidrelétrica predomina, podendo
resultar em crises periódicas de energia."
Banco Mundial não vê modelo de crescimento brasileiro como adequado
O relatório destaca o potencial do Brasil, mas
aponta atrasos relacionados ao uso da terra. Entre 2000 e 2020, a origem de
76% das emissões do país era a mudança no uso do solo, incluindo desmatamento e
agricultura, em comparação com 18% para as emissões globais.
Incentivos agrícolas atuais não combatem a grilagem
e o desmatamento, afirmam
os autores. "Subsídios, políticas
de crédito rural e a estrutura do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural
(ITR) são incentivos adicionais para desmatar terras para a agricultura",
diz um trecho do estudo. Dos R$ 244 bilhões do orçamento do Plano Safra em
2022, apenas R$ 5 bilhões foram destinados ao programa de diminuição da emissão
de carbono na atmosfera — que tem como principal expoente o desmatamento.
Oportunidades com a economia verde
Por outro lado, a prevalência de energia renovável
coloca o país em vantagem competitiva. "O Brasil está em uma posição excepcional para se beneficiar das ações
climáticas, devido às suas várias vantagens competitivas — especialmente o
fornecimento de energia de baixo carbono, com grande potencial adicional de
energia renovável. Suas emissões são dominadas pela mudança do uso do solo e da
agricultura, e não pela energia, o que cria oportunidades específicas e custos
diferentes em relação a outros países."
A adaptação da economia para um modelo mais
sustentável poderia gerar impacto positivo de R$ 472,78 bilhões no PIB até 2050, calculou o Banco Mundial. Secas, enchentes e inundações nas cidades já
causam perdas de R$ 13 bilhões (0,1% do PIB de 2022) ao ano. A
adaptação das cidades, que concentram grande parte do poderio econômico, também
foi destacada no relatório.
O ponto
de partida do relatório são os objetivos estabelecidos pelo próprio país no
Acordo de Paris e nas edições das COPs, realizadas pela ONU. Para atingir
esses objetivos, o relatório recomenda ações em quatro frentes: reformas
estruturais e medidas de aumento da produtividade, políticas econômicas
abrangentes para o crescimento resiliente e de baixo carbono, políticas
setoriais e pacotes de investimentos, além de ações para assegurar o
financiamento dos investimentos necessários.
Com isso,
acredita-se que o Brasil possa atingir um desenvolvimento verde e acabar com o
desmatamento ilegal até 2028, além de reduzir as emissões de gases de efeito
estufa (GEE) em 50% até 2030, além de zerar as emissões líquidas até 2050.
*Com
informações da Agência Brasil
Parques eólicos que são geradores de energia 100%
limpas estão se mostrando grandes poluidores sonoros e potenciais devastadores da funa e flora
Os moradores de comunidades residentes no interior de
parques eólicos, que convivem dia e noite com as torres que geram energia a
partir vento, reclamam das dificuldades causadas pela poluição sonora provocada
pela movimentação de seus geradores. A descrição é a de uma turbina de avião
que nunca desliga.
Notícias
que veicularam no início do mês, em jornais do nordeste, Agência Brasil de notícias e Rádio Nacional de Brasília, dão conta de que os impactos da energia
eólica, no cotidiano dos moradores, animais e vegetações que estão próximos ao
parque são muitos.
Além
do barulho, as torres afetam também o meio ambiente, alteram a vegetação,
destroem a flora e provocam a morte de animais. Na saúde humana, causam zumbido
no ouvido, depressão e o medo. E todos esses transtornos estão acontecendo onde
a munícipe, Roselma de Oliveira mora, em Caetés, Pernambuco. Uma das torres
fica a apenas 160 m da casa onde era reside com a família.
“Problemas de alergia, problemas de audição.
E um dos piores, que eu acho que tem, é a depressão, a ansiedade. Crianças de cinco,
seis, oito, nove anos, para dormirem, têm que ser à base de medicamentos, e a
gente não dorme, a gente cochila e acorda com aquele barulho terrível”,
relatou Roselma.
Aliar
a geração de energia com preservação ambiental e proteção social é o desafio.
Ainda mais quando os dados mostram que, no Brasil, 44% da energia usada é
renovável, seja hidrelétrica, solar ou eólica. Isso é mais do que quatro vezes
o que usam os países ricos, que dependem, basicamente, de combustível fóssil.
Para
Nevinha Valentim, do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça
Socioambiental do Rio Grande do Norte, a chegada desses empreendimentos
causa, de início, grande devastação ambiental. “Quando chega em larga escala, devastando dunas, manguezais. Quando tem
um modo de agricultura de produção familiar, então isso é uma coisa devastadora”,
alerta.
O
assunto foi tema de discussão em Brasília no final de março. Um grupo de
afetados pelos aerogeradores esteve em reuniões com o governo federal. Apesar
de reconhecer a importância desse tipo de matriz energética, eles querem fazer
parte da discussão. O professor da Universidade Federal da Paraíba Iure Paiva
resume o que seria o ideal.
“Esse diálogo, essa abertura de
possibilidade, de a gente fazer com que essas vozes sejam ouvidas, tenham uma
repercussão, esse é um primeiro passo. O segundo, é a gente ter a ação do poder
público na fiscalização e, em terceiro lugar, a gente adote um modelo de
desenvolvimento, de segurança energética, que seja centrado nas pessoas e não
apenas na atividade econômica”, defende Paiva.
O
grupo que esteve em Brasília participando dessas reuniões apresentou para o
governo um panorama do cenário atual. Uma possibilidade é a instalação das
chamadas eólicas offshore, de construção das torres de energia em
alto-mar. Em março, a Petrobras assinou uma carta de intenções para analisar a
viabilidade técnica de instalação das eólicas offshores em seis estados.
Mais
de 750 parques eólicos estão em operação no país, com mais de 10 mil torres
geradoras. De acordo com o Global Wind Energy Council (GWEC), o
Brasil ocupa a sétima posição no ranking mundial de geração de energia eólica.
Como vai ser o outono 2023?
Segundo o MetSul, o outono terá predomínio de dias com temperatura acima da média, quentes para a época do ano. Os episódios de frio, contudo, serão pontuais e fortes.
Previsão é que não ocorram mudanças abruptas no clima a curto prazo; chuvas poderão ser mais intensas. De acordo com Estael Sias, meteorologista da MetSul, o diferencial do outono de 2023 para o de anos anteriores é a temperatura do iceano Pacífico, após três anos de La Niña.
O outono, que começou às 18h25 da segunda-feira (20 de março), não prometendo mudanças abruptas no clima a curto prazo. A chuva, concentrada sobretudo no Centro-Oeste e Sudeste durante o verão, deverá se distribuir pelo país, o que aliviará a estiagem no Sul e levará chuvas mais intensas para a região Nordeste.
De acordo com
Estael Sias, meteorologista da MetSul, o diferencial do outono de 2023 para o
de anos anteriores é a temperatura do Pacífico, após três anos de La Niña,
fenômeno caracterizado pelo resfriamento das águas deste oceano. Os impactos,
segundo especialistas, serão vistos no comportamento da chuva e na temperatura
da estação.
Os dias quentes
serão normais em abril, maio e até junho. Segundo a MetSul, o outono terá predomínio
de dias com temperatura acima da média, quentes para a época do ano. Os
episódios de frio, contudo, serão pontuais e fortes.
Como será o outono em todo o Brasil?
De acordo com o Instituto
Nacional de Meteorologia, a primeira semana do outono de 2023 no Brasil foi de uma redistribuição da umidade pelo território brasileiro. A expectativa é a de que o Sul
tenha maior frequência de pancadas de chuva, enquanto o Sudeste e uma parte do
Sul tenham mais dias de tempo seco e calor pela frente.
A previsão também
indica que, pancadas de chuva e trovoadas ocorram em
todo o centro-norte da região Nordeste, principalmente no Maranhão, Piauí,
Ceará, Rio Grande do Norte e em áreas isoladas do sertão de Pernambuco e da
Paraíba até metade da segunda semana.
O Oeste e o Sul do
Estado têm maior propensão a sofrer influência de massas de ar frio durante a
estação. Além disso, será comum a ocorrência de mudanças bruscas de
temperatura, que também podem estar acompanhadas de vento forte.
Como será o clima no outono?
A MetSul adverte
para a possibilidade de episódios pontuais de chuva mais volumosa e extrema à
medida que o inverno se aproxima. Esses episódios poderão gerar inundações e
alagamentos.
Sul
No Sul, a estação
começa com chuvas irregulares, principalmente no Rio Grande do Sul. Em abril,
as temperaturas ainda estarão acima da média e os volumes de chuva aumentarão
gradualmente. Quem mora na região também poderá esperar por grandes variações
térmicas, sempre alternando com temperaturas um pouco mais altas.
Sudeste
No Sudeste, abril
começará com algumas pancadas de chuva típicas do verão, mas o tempo seco
passará a predominar. Não são esperadas temperaturas elevadas, principalmente
no interior de São Paulo e Minas Gerais. Na faixa litorânea do Rio de Janeiro e
São Paulo, alguns eventos de chuva extrema ainda podem ocorrer durante a
passagem de frentes frias.
Centro-Oeste
O Centro-Oeste
deverá ter temperaturas mais quentes no decorrer do outono. Em abril haverá
pancadas de chuva típicas de verão entre o norte de Mato Grosso e Goiás, mas,
assim como no Sudeste, na segunda quinzena predominam os dias de tempo firme. A
temperatura fica acima da média entre maio e junho no MT, oeste de GO e norte e
oeste do Mato Grosso do Sul.
Nordeste
As chuvas ainda
ocorrerão com frequência no Nordeste, em abril. Ela seguirá volumosa ao norte da
região em maio, mas diminuirá em junho. Os distúrbios ondulatórios de leste
ficam presentes ao longo da estação e contribuem ativamente para a presença da
chuva na costa leste nordestina. As temperaturas ficarão abaixo da média nesse
período, mas, em junho, o calor voltará a aumentar.
Norte
O Norte do país terá um mês de abril chuvoso, principalmente no Pará e Tocantins, onde os volumes ficam acima da média. A temperatura acompanha esta tendência, mas o clima deve ficar abafado. Nas outras áreas a temperatura sobe no decorrer do outono e fica acima da média. As chuva frequentes da estação de outono elevam o nível dos rios da Bacia Amazônica, provocando as cheias do rios entre junho e julho.
Aquecimento global causou recorde de chuva e tragédia no litoral de SP
“No planeta inteiro, todos esses fenômenos extremos estão acontecendo com muito mais frequência, e a ciência não deixa nenhuma dúvida que eles não estariam acontecendo com essa frequência se o planeta não estivesse sofrendo o aquecimento global”, afirma o cientista Carlos Nobre.
Em São Sebastião, cidade turística aos pés da Serra do Mar, no litoral norte paulista, a busca por desaparecidos não tem prazo para acabar. As chuvas intensas registradas nas primeiras horas de domingo (19) deixaram ao menos 57 mortos até sábado (25).
O maior volume de chuva registrado na região em 24
horas foi de 683 milímetros, no município de Bertioga, ou seja mais de 600 litros por m³ quase que ininterruptamente. É o novo recorde no sistema
meteorológico brasileiro. Em São Sebastião, foram 627 mm em 24 horas no fim de semana (18 e 19 de fevereiro).
Carlos Nobre, climatologista aposentado do Inpe
(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que esteve envolvido na criação do
Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em
2011, reforça o alerta que a ciência vem dando há anos: eventos
climáticos extremos desse tipo estão ficando mais frequentes com as mudanças
climáticas.
Na região atingida no litoral paulista, não há
sistema de sirene que comunique o risco à população e que indique o momento de
abandonar o local. "Quando o alerta mais grave foi emitido, por volta da
meia-noite de domingo, se houvesse tocado alguma sirene, as pessoas poderiam
ter saído de casa. Naquele horário ainda não havia acontecido
deslizamentos", lamenta Nobre.
O cientista conceu entrevista à Deutsche Welle - uma empresa pública de radiodifusão da Alemanha.
Carlos Nobre explica que, "Trata-se de um evento extremo porque, de fato, foi um recorde de chuvas nos municípios de Bertioga e São Sebastião. Foram mais de 600 milímetros que caíram num espaço de nove horas. É um recorde registrado pelos milhares de pluviômetros do Cemaden em 10 anos, esse é o recorde de chuva em menos de 24 horas. É um fenômeno extremo que foi previsto pelo Cemaden, que alertou todas as Defesas Civis do estado de São Paulo. Nunca tinha acontecido um volume de chuva tão alto num espaço de tempo tão curto. Em alguns momentos, como às 2h da madrugada de sábado para domingo, chegou a chover 120 mm em uma hora. É um recorde no sistema meteorológico brasileiro".
O quanto se pode relacionar o que aconteceu com as
mudanças climáticas?
Hoje já existem vários sistemas no mundo - e seria importante ter um desses no Brasil - que procuram fazer o que se chama de atribuição de causa. Esses estudos fazem simulações com modelos matemáticos do sistema meteorológico. Por exemplo: eles fazem uma simulação de como seria o clima sem nenhuma influência do aumento da concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera. Então o modelo mostra como aconteceriam eventos extremos como esse do litoral paulista em todo o mundo, ou seja, naturais, associados com o clima do planeta.
Os cientistas fazem esse mesmo tipo de simulação
adicionando o aumento da concentração dos gases de efeito estufa, que é o que
aconteceu no planeta nos últimos 100 anos. E aí a simulação mostra o quanto os
eventos extremos aumentariam nesse cenário. É uma maneira de se atribuir causa.
Isso foi feito após a chuva que causou mais de 120
mortes em Recife em 2022. Imediatamente, um grupo da Inglaterra fez essa
simulação e mostrou que a intensidade e frequência daquele tipo de evento
extremo se deve ao aquecimento global. Não aconteceria se o planeta não
estivesse se aquecendo.
No planeta inteiro, todos esses fenômenos extremos
estão acontecendo com muito mais frequência, e a ciência não deixa nenhuma
dúvida que eles não estariam ocorrendo com essa frequência se o planeta não
estivesse sofrendo o aquecimento global.
Mas será que os modelos usados no Brasil para previsão
do tempo dão conta de prever esse volume de água que caiu, mais
de 600 milímetros num dia numa localidade?
Os modelos matemáticos de previsão de tempo são
normalmente calibrados para representar o fenômeno físico que aconteceu ao
longo dos últimos 30 anos. É muito difícil prever que esses modelos vão
conseguir antever esses recordes. Globalmente falando, eles não conseguem
prever esses recordes porque são calibrados para responder ao que aconteceu nas
últimas décadas.
E isso é uma coisa que acontece em todo o planeta. Quando há um recorde de chuva, os modelos matemáticos não conseguem capturar o recorde, mas reproduzir os eventos extremos que têm acontecido nos últimos 30 anos. Então é um desafio muito grande para a ciência ver como fazer com que os modelos climáticos consigam prever esses recordes que estão acontecendo todos os anos em todo o planeta.
O próprio Cemaden foi criado num contexto
semelhante de tragédia, em 2011. Mas o quanto ele ajudou a diminuir o número de
mortes por desastres naturais?
O Cemaden foi fundado em 2011, depois do evento extremo na
região serrana do Rio, em Petrópolis e Teresópolis, que teve o maior número de
mortes registrado por um evento climático na história do Brasil. Morreram mais
de 900 pessoas naquele janeiro.
A então presidente, Dilma Rousseff, que havia
acabado de assumir o cargo, visitou os prefeitos e soube que não havia nenhum
sistema de alerta para prevenir aquelas mortes. "Eu havia, um pouco antes,
apresentado ao ministro Mercadante, que estava à frente da Ciência e
Tecnologia, uma proposta que defendia há muitos anos, que era criar uma
capacidade de o Brasil de fazer alerta de desastres naturais", afirmou Carlos Nobre
O Inpe já fazia previsões de qualidade das
condições do tempo, mas aquilo não chegava à Defesa Civil. A chuva que
aconteceu na região serrana havia sido prevista com três dias de antecedência
pelo Inpe.
O Cemaden pega as previsões e
transforma em risco de desastre de inundações, deslizamentos, enxurradas,
secas, incêndios de grandes proporções. Hoje, monitora 1.038 municípios e
calculou que mais de 10 milhões de brasileiros vivem em áreas de risco de desastres.
Mais de 2 milhões de brasileiros vivem em áreas de alto risco.
Do fim de 2021 até agora, ou seja, em 14 meses,
tivemos o recorde de desastres naturais na história do Brasil. É preciso entender realmente o porquê, se estão acontecendo mais eventos do tipo ou se a
comunicação do alerta de risco está sendo efetiva.
A maioria das pessoas voltou para onde morava
depois do desastre de 2011 na região serrana do Rio.
Existe também o perigo representado pelos eventos
climáticos extremos que não aparecem nas previsões...
O Cemaden consegue fazer alerta com dias de
antecedência para a maioria dos casos associados a eventos meteorológicos
previsíveis, como o que ocorreu no litoral paulista agora. Foi enviado, na
última sexta-feira, um documento técnico detalhado para todas as Defesas Civis.
O evento extremo de 15 de fevereiro de 2022 em
Petrópolis, que matou mais de 200 pessoas, foi um evento raro e não foi
previsto pelos modelos matemáticos. Isso acontece em todo o mundo.
Aquele evento se desenvolveu de uma maneira muito
rápida e gerou grande quantidade de umidade que saiu do oceano, subiu a serra
de Petrópolis e causou 230 mm de chuva em três horas com inúmeras inundações. Naquele evento, a Defesa Civil não recebeu o alerta com
antecedência.
Nos Estados Unidos, os modelos não captam tornados.
Eles mostram que uma tempestade poderia gerar um tornado, mas depois que o
tornado é gerado, os modelos não conseguem prever a trajetória e duração. Há inúmeros sistemas de monitoramento que, quando detectam o tornado se
formando, avisam toda a população possivelmente atingida. E todos podem se
abrigar e sobreviver.
Em 2021, houve inundação no Vale do Ahr, na
Alemanha. Uma analogia com o que aconteceu aqui no litoral paulista
agora, porque os modelos mais avançados do mundo não previram aquele evento e sim que haveria muita chuva, mas o volume foi quatro vezes maior que o
previsto (total de 150 mm]. Mesmo num país desenvolvido como a Alemanha,
aquela chuva, com grande intensidade e duração, causou um desastre que
matou inúmeras pessoas.
São Paulo é área da América Latina mais exposta às mudanças climáticas
Enchente durante bloco de Carnaval de rua na região norte da cidade de São Paulo, nesta segunda (20)- Imagem: Ettore Chiereguini/Agência Estado
Na América do Sul, as áreas de maior risco climático estão no Brasil, de acordo com um estudo publicado na segunda-feira
(20) sobre os riscos do aquecimento global em áreas urbanas.
São Paulo aparece na 33ª posição do ranking. Atrás,
estão Santa Catarina (45) e Minas Gerais (47), e na Argentina, na capital
Buenos Aires (40). Em todos esses casos, o principal risco é devido às
inundações fluviais e pluviais, e, no caso de Buenos Aires, também há a
exposição ao aumento do nível do mar.
[Assista abaixo vídeo que aborda os baixos investimentos em desastres naturais -também ocasionados pela ação das pessoas - no Brasil]
O estudo foi feito pela XDI, uma empresa australiana especializada em avaliar riscos climáticos para investidores e analistas financeiros. Regiões econômicas estratégicas da China e dos Estados Unidos são as mais expostas às consequências das mudanças climáticas, além da Índia.
"Recebemos
um sinal muito forte para países como China, Estados Unidos e Índia. Esses são,
basicamente, os motores da economia mundial, onde se concentram muitas
infraestruturas", explica Karl Mallon, diretor de ciência e inovação
da companhia.
Cerca de 80% dos territórios mais expostos estão
localizados nestes países. Dos 10 primeiros, nove são chineses, como as
províncias de Jiangsu (1), Shandong (2) e Hebei (3), no leste da segunda maior
economia do mundo.
Alguns estados americanos de grande importância
econômica também estão entre os primeiros da lista, como Flórida (10),
Califórnia (19) e Texas (20), diz o relatório, que estudou 2.600 regiões.
Na Europa, o território mais vulnerável aos
impactos é o estado alemão da Baixa Saxônia (56).
"Fuga
das capitais"
O método utilizado pela XDI leva em conta oito
fatores de risco: o aumento do nível dos rios, as inundações pluviais e
costeiras, o calor extremo, os incêndios florestais, as secas, o vento extremo,
as geadas e os degelos.
A modelo tem como base um dos cenários pessimistas
do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), do aumento da
temperatura global em mais de 3°C antes do final do século, em relação à era
pré-industrial.
Este cenário também é utilizado pelos bancos para fazer avaliações de
risco.
"Publicamos
essa análise a pedido dos investidores que solicitavam dados sobre os riscos em
escala regional", explica Rohan Hamden, CEO da XDI.
"Como a
infraestrutura construída geralmente se sobrepõe aos altos níveis de atividade
econômica e valores de capital, é imperativo entender e avaliar melhor o risco
físico da mudança climática", disse ele.
Os autores do relatório pedem aos países que
reduzam suas emissões de CO2 para limitar o aquecimento global e evitar futuras
catástrofes. No entanto, alertam que as mudanças climáticas terão, de qualquer
forma, consequências financeiras no preço de alguns títulos e no comportamento
dos atores econômicos.
"As
pessoas que querem abrir uma fábrica ou cadeia de suprimentos nesses estados e
províncias vão pensar duas vezes", prevê Mallon.
"Na
melhor das hipóteses, pode haver um prêmio de risco para esses territórios e,
na pior, uma fuga de capitais de investidores em busca de portos seguros"
para seus fundos.
Assista como orçamento para prevenção de desastres para 2023, foi o menor em 14 anos.
O que é genocídio segundo a lei?
Legislação brasileira e internacional definem o crime, com cinco condutas listadas.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio
Dino, determinou a abertura de inquérito policial para apurar o genocídio do
povo yanomami em Roraima, numa decisão que se baseia tanto na lei brasileira
como na legislação internacional. O procedimento foi instaurado pela Polícia
Federal.
Criado pelo advogado polonês Raphael Lemkin (1900-1959), o conceito de genocídio apareceu pela primeira vez no livro "Axis Rule in Occupied Europe" (o governo do eixo na Europa ocupada), publicado em 1944.
A noção, que junta "geno" (do grego:
raça, classe) com "cidio" (do latim: matar), se aplicava à política
de assassinatos em massa implementada por Adolf Hitler na Alemanha, mas Lemkin
já pensava no assunto antes disso, quando procurava um nome para os crimes
cometidos no massacre do povo armênio (1915-1923).
Não demorou para o novo conceito ganhar status
legal. Em 1948, a recém-criada ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou a
Convenção para Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, definido em duas
partes.
Uma delas é a "intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico,
racial ou religioso, como tal". A outra parte lista cinco condutas
que, se praticadas com essa intenção, configuram o crime de genocídio. São
elas:
a) matar membros do grupo;
b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do
grupo;
c) submeter intencionalmente o grupo a condição de existência capazes de
ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial;
d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio de grupo;
e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro
A convenção da ONU passou a valer no Brasil em 1952
e, quatro anos depois, o então presidente Juscelino Kubitschek sancionou a lei
2.889/1956, que define e pune o crime de genocídio.
A lei brasileira repete os termos das Nações Unidas
e acrescenta algumas regras específicas, como as penas aplicáveis: a mínima não
fica abaixo de dois anos de prisão (nos casos de lesão grave ou transferência
forçada) e a máxima pode chegar a 30 anos (no caso de morte).
Sua primeira e única aplicação no Brasil ocorreu em
relação a um crime de 1993, justamente contra yanomamis. O episódio, conhecido
como massacre do Haximu, deixou 12 indígenas mortos na serra da Parima, região
de Roraima próxima à fronteira da Venezuela.
Aos dois textos legais de meados do século passado
se somou um terceiro, o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (TPI),
finalizado em 1998 e em vigor no Brasil desde 2002.
Essa norma apenas reforçou a antiga definição, mas uma assembleia dos países-membros do Estatuto de Roma esclareceu um ponto: qualquer uma das cinco condutas do crime de genocídio precisa fazer parte de um padrão de ações contra um determinado grupo nacional, étnico, racial ou religioso. Ou seja, não basta uma ação isolada para configurar o genocídio – a menos, é claro, que dessa ação isolada já resulte a destruição total ou parcial do grupo em questão.
A necessidade de apontar um padrão dificulta a acusação. Por outro lado, esse padrão, na maioria das vezes, acaba sendo a
única maneira de demonstrar a intenção do genocida. Afinal, o criminoso evitará
deixar um documento ou dar declarações atestando sua intenção de provocar
extermínio.
"Em
qualquer crime, descobre-se a intenção a partir de uma série de circunstâncias
que cercam o ato criminoso. Não é diferente no genocídio. O que se busca é
descobrir se há algum padrão que evidencie a intenção de eliminar um povo",
afirma a advogada Deborah Duprat, subprocuradora aposentada da República.
Para Eloísa Machado, que é professora de direito da FGV, uma das características que ajudam a identificar o genocídio é a mobilização da máquina estatal. "Caso se comprove que o Estado criou uma política para destruir um povo, aí temos o genocídio", diz Machado, da Comissão Arns e do Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos (CADHu).
De acordo com ela, essa política pode passar pelo
esvaziamento de órgãos de proteção, pela leniência com criminosos que ataquem
um dado povo e pela ausência de assistência devida.
Segundo Fábio Tofic Simantob, advogado criminalista, se o governo tem o dever de agir e deixa de fazê-lo, mesmo após ter sido alertado sobre a situação, há uma violação. "Começa a se aproximar da figura do dolo [intenção] ou do dolo eventual, que é aquele em que pode não haver intenção direta de obter o resultado, mas se assume o risco com uma ação ou omissão", afirma.
Em nota, o Ministério da Justiça usa a figura do
dolo eventual para justificar a investigação sobre genocídio do povo yanomami,
destacando "os indícios de negativa de assistência nutricional e de saúde
dessas populações indígenas".
O MJ também se refere a três condutas previstas
nas leis sobre genocídio: assassinatos, violação da integridade física ou da
integridade mental e "negação de procedimentos que são fundamentais para a
sustentação da vida desse povo".
De acordo com Duprat, esse último ponto, que
corresponde à letra "c" da lei, trata não só da sobrevivência física.
"É também a sobrevivência do povo
enquanto diferenciado da sociedade de grande formato", diz.
Para Deisy Ventura, que coordena o programa de
pós-graduação em saúde global na Faculdade de Saúde Pública da USP, as pessoas
ainda se prendem muito a uma ideia de que o genocídio só ocorre quando há
guerra ou uma matança como a dos armênios ou dos judeus.
"Genocídio
não é só colocar alguém no paredão e atirar. Não é só pegar o facão e sair
cortando cabeças, como aconteceu em Ruanda", diz Ventura, que é
ex-presidente da Associação Brasileira de Relações Internacionais. "Dá para provocar danos muito maiores
simplesmente deixando de cumprir o dever legal e encorajando o crime",
afirma.
Caso o inquérito proposto pelo Ministério da Justiça vire um processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o caso tramitaria na primeira instância da Justiça Federal. O Tribunal Penal Internacional só entra em cena se o Judiciário brasileiro falhar em investigar o crime.
Até 2050 todas as crianças do mundo estarão expostas a alta frequência de ondas de calor
Relatório da Unicef diz que emissões de gases causarão impactos climáticos que devem prejudicar a saúde de 2 bilhões de crianças.
Até
2050, todas as crianças do mundo devem estar expostas a elevadas frequências de
ondas de calor. As mais de 2 bilhões de crianças que existirão naquele ano
sofrerão com a constância do evento extremo mesmo no melhor cenário climático
possível, ou seja, se o planeta conseguir chegar perto de cumprir os
compromissos acordados, o que, no momento, parece improvável de acontecer.
É
o que aponta o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), que, no final de
outubro (2022), publicou um relatório sobre a situação das crianças (menores de 18
anos) em decorrência da crise climática. Com o título "O ano
mais frio do resto de nossas vidas", a entidade estima que,
atualmente, cerca de 559 milhões de crianças no mundo já estão expostas a uma
elevada frequência de ondas de calor – o que é caracterizado por 4,5 ou mais
registros desse evento extremo.
Estima-se
que, em 2020, uma a cada quatro crianças enfrentava elevada frequência de ondas
de calor. No mesmo ano, as Américas e a Europa registravam os percentuais mais
elevados de crianças expostas a uma elevada frequência de ondas de calor,
enquanto a Ásia tinha o maior número absoluto. Segundo o Unicef, medidas de
mitigação e de adaptação são urgentes.
As
crianças, especialmente as mais novas, estão entre os grupos mais vulneráveis à
crise climática. Os pequenos têm mais dificuldade para regular a temperatura
corporal. Isso sem considerar os impactos das altas temperaturas sobre a saúde
mental e emocional das crianças. "O
mundo precisa, urgentemente, investir na construção de resiliência e na
adaptação de todos os sistemas dos
quais as crianças dependem para, assim, dar conta dos desafios da rápida
mudança climática", afirma Catherine Russell, diretora-executiva da
Unicef.
Segundo
o relatório, as crianças nas áreas mais ao norte do planeta serão as que
enfrentarão a situação mais dramática no aumento da severidade das ondas de
calor. Os pesquisadores estimam que, em 2050, cerca de metade de todas as
crianças da África e da Ásia viverá exposta continuamente a temperaturas
extremamente altas – segundo o Unicef, quando 83 dias ou mais por ano registram
mais de 35°C.
Atualmente,
uma a cada três crianças no mundo vive em países com cerca de 83 dias ou mais
por ano de temperatura acima de 35°C. A exposição a temperaturas extremamente
altas já atinge áreas do Oriente Médio, Áfricas do Norte e Central, o sul da
Ásia e partes da América Latina e da Austrália, o que dificulta rotinas básicas
diárias e leva crianças a situações de doença e morte.
As
regiões que, em 2020, tinham as maiores exposições de crianças a temperaturas
extremamente altas são a África e a Ásia, o que deve se manter até 2050. O
documento aponta que, no mundo, as ondas de calor matam cerca de meio milhão de
pessoas por ano.
Entre
os riscos à saúde, associados ao aumento de temperatura, estão alergias,
insolação e estresse térmico, maiores níveis de asma e de risco, condições
respiratórias crônicas, aumento de doenças cardiovasculares, risco de doenças
transmitidas por mosquitos, baixo peso ao nascer, subnutrição e diarreia.
Conferência do Clima (COP27) aplaude
eleição de Lula mas quer revisão de compromissos do Brasil
| Lula confirma participação na Cop27 |
Para a ONU, não há opção: ou governos aumentam sua ambição ou simplesmente o desastre climático será uma realidade.
A cúpula da ONU espera que o desembarque de Luiz Inácio Lula da Silva no cenário internacional mande
"sinais fortes" contra o desmatamento no mundo. Para retomar sua postura de protagonista internacional, o
Brasil será cobrado a refazer seus compromissos de redução de emissões,
considerados como insuficientes e verdadeiras "pedaladas ambientais".
Lula decidiu ir à Conferência da ONU sobre o Clima
que ocorre entre os dias 6 a 18 de novembro na cidade de Sharm El-Sheikh no Egito, inclusive como um sinal claro de que sua
gestão irá colocar a questão climática no centro de sua agenda e na busca de
recuperar a credibilidade internacional do país. Em suas declarações, Lula ele já
deixou claro que está ciente da pressão internacional e disposto a
voltar a cooperar.
Sua ida ocorre depois que o governo do Egito, organizador do evento, enviou uma carta ao presidente eleito para oficialmente
convidá-lo. Entre diplomatas estrangeiros, a presença de Lula irá ofuscar a
delegação oficial do Brasil, liderada ainda por representantes de Jair Bolsonaro.
Na ONU, a expectativa é de que Lula não apenas mude o discurso, mas que haja uma revisão real da realidade do meio ambiente no país. O vice-secretário-executivo da Convenção da ONU para Mudanças Climáticas, o indiano Ovais Sarmad, disse que a entidade comemora a eleição de Lula. Mas aponta para os caminhos adiante.
"Saudamos os resultados das eleições no Brasil
e queremos dar as boas vindas a Lula em Sharm El Sheik", externou Sarmad, que
tem o cargo de secretário-geral assistente da ONU, um dos postos mais altos na
diplomacia mundial.
"Essa é uma mudança importante que temos visto
no nível político que deve mandar um sinal forte sobre o desmatamento que vemos
em várias partes do mundo, em especial na Amazônia", disse.
Segundo ele, as florestas são fundamentais no que
se refere às emissões e, portanto, a eleição brasileira foi considerada como
positiva. "Esse resultado (da eleição) é muito importante e
bem-vindo", disse Sarmad. "Vamos trabalhar com todos os atores e o
Brasil é uma das peças extremamente importantes, especialmente na questão
florestal", completou.
Novos compromissos
Ocupando o mais alto escalão da ONU e com amplo
acesso ao secretário-geral da entidade, Antonio Guterres, admitiu que existe
uma esperança de que o governo Lula irá refazer e reapresentar à comunidade
internacional novos compromissos nacionais, no que se refere à redução de
emissões. A proposta apresentada por Bolsonaro foi duramente criticada e vista
como uma tentativa do governo de trapacear a comunidade internacional.
Segundo esses negociadores, há uma disposição real
do mundo em ajudar o Brasil a lidar com o desmatamento, inclusive com o retorno
do financiamento externo. Mas não haverá "cheque em branco" e, antes
de um novo acordo, o que o mundo quer ver é se o novo governo brasileiro tem
novas metas e planos. No Egito, isso estará no centro das atenções.
Na semana passada, num verdadeiro obituário da
política de meio ambiente do Brasil, o Programa da ONU para Meio Ambiente
publicou seu informe anual sobre emissões revelando que o governo de Jair
Bolsonaro vai na direção contrária entre as principais potências do mundo no
que se refere ao combate às mudanças climáticas.
A estratégia do Itamaraty e de outras autoridades nacionais de mentir à comunidade internacional simplesmente fracassou. O documento aponta que as metas estabelecidas pelos maiores responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa não estão sendo suficientes para limitar o aquecimento global dentro dos limites definidos pelo Acordo de Paris, abaixo dos 2 graus Celsius e com esforços para que o limite seja de 1,5 graus Celsius até 2100.
O que ainda deixou a ONU preocupada é que, apesar
das metas anunciadas pelos governos durante a Cúpula em Glasgow, no ano
passado, as políticas, medidas e ações sequer correspondem ao que foi assumido
pelas diplomacias de todo o mundo.
Para a entidade, não há opção: ou governos aumentam sua ambição ou simplesmente o desastre climático será uma realidade. Mas o informe revela um outro aspecto: todo o esforço do governo de Jair Bolsonaro de mostrar ao mundo, em Glasgow, que estava assumindo uma postura de defesa do clima não passava de uma farsa.
No ano passado, o governo brasileiro tentou desmontar a
pressão internacional anunciando compromissos de redução de desmatamento e
adotando um novo tom nos discursos. Mas as taxas de destruição da floresta
continuaram a subir, enquanto os órgãos para lidar com a situação da Amazônia
continuaram sem recursos.
Para Carlos Rittl, especialista em política internacional da Rainforest Foundation da Noruega, o Brasil "se destaca negativamente" no novo informe da ONU. O país aparece como dentro do G20, que, ao invés de aumentar a ambição climática em seus novos compromissos, apresentou metas que vão levar a um aumento das emissões em 2030 comparado às propostas anteriores. Apenas o México também tem um desempenho que vai na contramão do mundo, mas em taxas bem mais modestas que a brasileira.
"Ou seja, o mundo está caminhando rápido para o
caos climático, há pouco avanço nas metas dos maiores emissores, mas só um país
que torna o desafio de combater o aquecimento global ainda mais difícil: o
Brasil de Bolsonaro", disse Rittl.
"Além disso, o relatório também mostra que
enquanto as emissões de uso da terra de alguns países, como China, Índia,
Estados Unidos e União Europeia foram negativas em 2020, no Brasil as emissões
aumentaram, por conta do aumento do desmatamento", destacou. "A
guerra do Bolsonaro contra a Amazônia tem impacto para o mundo inteiro",
disse.
O informe ainda revela que o Brasil, em sua
proposta, sequer está cumprindo
com todos os critérios esperados das maiores economias
do mundo, como transparência, a publicação de um plano e um acompanhamento
anual.
Bancada antiambiental terá 41% nas cadeiras da Câmara
O novo Congresso
não está apenas mais à direita ele também ficou mais antiambiental. Os
partidos que votam de forma contrária à proteção do meio ambiente ganharam
reforços, enquanto apoiadores da causa não conseguiram se reeleger.
As legendas cujas
posições são tradicionalmente mais distantes da defesa ambiental fizeram 213
deputados, que representam 41,5% dos votos na Câmara. São elas: PP, União
Brasil, Solidariedade, PL, PTB e Novo.
Já os partidos que
concentram os votos ambientalistas terão 137 das 513 cadeiras na Câmara
(26,7%). O grupo é composto por Rede, PCdoB, PT, PSOL, PSB, PV, PDT, Avante e
Cidadania.
A classificação foi
feita com base no índice de convergência ambiental dos partidos, calculado pelo
painel Farol Verde, do IDS (Instituto Democracia e Sustentabilidade).
Chamado de ICAt, o
ranking deu uma nota de 0% a 100% para cada um dos partidos. Pelo cálculo,
quanto mais próximo de 100%, mais verde foi o histórico de votações da sigla na
última legislatura.
As legendas intermediárias,
cuja convergência com a posição ambientalista ficou entre 31% e 49% nos últimos
anos, terão 163 deputados. São elas: Pros, Patriota, PSDB, MDB, PSD,
Republicanos, Podemos e PSC.
O Farol Verde
também fez a conta por deputado reeleito, avaliando o passado de suas votações
em matérias ambientais, já que as posições dos parlamentares podem diferir dos
partidos. A esse cálculo, foi somada a projeção do voto dos novos eleitos,
considerando o ICAt dos seus partidos.
A partir da análise
por deputado, o Farol Verde concluiu que a composição antiambiental da Câmara
aumentou. Os deputados antiambientais somavam 37% dos votos da Câmara e agora
devem chegar a 42,6%. Os parlamentares intermediários passaram de 33% para
30,4% e os verdes, de 30% para 27%.
André Lima,
coordenador do Farol Verde e consultor sênior de política e direito
socioambiental do IDS, avalia, porém, que "há espaço para aumentar a
adesão ao voto ambiental, trabalhando o diálogo com as bancadas".
O relatório
considerou os votos dos partidos em projetos das matérias socioambientais com
votação nominal da última legislatura. O índice foi medido a partir da
concordância com o voto do líder da Frente Parlamentar Ambientalista na Câmara
e no Senado.
O rol de projetos
de lei considerados inclui tanto textos com potencial retrocesso ambiental (PLs
da regularização fundiária, licenciamento ambiental e agrotóxicos) quanto
pautas positivas para o meio ambiente (regulação do mercado de carbono e
pagamento por serviços ambientais).
O índice médio de
convergência ambiental da nova Câmara dos Deputados é de 42%, mas entre os
representantes de estados amazônicos, ele é ainda menor: apenas 35%.
"Os dados
sugerem que as vozes que majoritariamente falarão em nome dos eleitores da
Amazônia possuem baixa adesão às pautas climáticas e socioambientais",
resume o relatório.
A nova composição
do Congresso também foi avaliada pela agência focada em advocacy socioambiental
Pulso Público. "O saldo para a agenda ambiental foi majoritariamente
negativo", afirma a análise, obtida com exclusividade pela Folha.
O trabalho
considera o perfil dos nomes eleitos, classificando-os como aliados ou
detratores da agenda ambiental a partir da sua atuação anterior e de
posicionamentos já conhecidos.
"Velhos nomes
do agronegócio conseguiram a reeleição", diz o estudo, que destaca ainda
um novo detrator: Ricardo Salles (PL-SP), ex-ministro do Meio Ambiente de Jair
Bolsonaro.
Por outro lado,
embora a bancada ambientalista tenha perdido protagonistas, como Rodrigo
Agostinho (PSB-SP) e Joenia Wapichana (Rede-RR), que não conseguiram se
reeleger, ela contará com novos nomes que priorizam a pauta, como Marina Silva
(Rede-SP), Sônia Guajajara (PSOL-SP), Célia Xakriabá (PSOL-MG) e Duda Salabert
(PDT-MG).
Já para o Senado, o
segundo turno ainda deve trazer definições, uma vez que cinco senadores atuais
disputam governos estaduais.
Do que é possível
ver por ora, a perda potencial é de apenas dois votos ambientais, segundo o
Farol Verde. Ainda que o quadro da casa tenha pouca variação, a convergência ambiental
já era baixa, destaca a análise.
"A bancada
majoritariamente divergente em relação às pautas de clima e meio ambiente no
Senado já é de, no mínimo, 39,5%, podendo chegar a 42%", diz o estudo.
A Pulso Público, no
entanto, destaca em sua análise que o Senado nos últimos anos, em comparação à
Câmara, conteve retrocessos ambientais.
"Durante a
última legislatura, o Senado segurou parte considerável da agenda contra o meio
ambiente (regularização fundiária, licenciamento ambiental, agrotóxicos,
autocontrole etc.)", cita o trabalho.
Três ex-ministros
de Bolsonaro eleitos para o Senado Damares
Alves (Republicanos-DF), Tereza Cristina (PP-MS) e Marcos Pontes (PL-SP) pegaram vagas de nomes com votos alinhados ao
ambientalismo. O saldo foi compensado por trocas com o sinal inverso, como a
chegada de Flávio Dino (PSB-MA) na vaga que era de Roberto Rocha (PTB-MA).
"O Senado
perde o mandato de Jean Paul Prates (PT-RN), que se candidatou como primeiro
suplente de Carlos Eduardo (PDT-RN) [não eleito], e abre espaço para Rogério
Marinho (PL-RN). A ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro, Tereza
Cristina (PP-MS), soma à lista de atores representantes do agronegócio, assim
como o ex-secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Junior (PL-SC)",
destaca a análise da Pulso Público.
Em 2019, Seif
afirmou que os peixes seriam inteligentes e desviariam das manchas de óleo que
atingiram as praias do Nordeste.
"Perdemos
nomes que não tinham tanto protagonismo, mas estavam abertos a escutar a ala
ambientalista em assuntos específicos", diz o cientista político Ícaro
Silva, líder de projetos na Pulso Público.
Ele aposta,
contudo, que ainda é possível construir entendimentos com nomes mais
pragmáticos da direita. "O próprio PL, mesmo sendo de Bolsonaro, tem o
pragmatismo de algumas figuras", avalia.
"Também
precisamos buscar informações sobre os novos eleitos. Há parlamentares novos
que trazem a causa animal, por exemplo. Então, enquanto no contexto geral tende
a piorar, precisamos olhar os novos e checar alinhamentos."
A Pulso Público
também alerta para a possível aceleração na tramitação de projetos relatados
por parlamentares que não foram reeleitos. Movimentações recentes indicam que o
PL dos agrotóxicos (PL 1459/22), relatado pelo presidente da Comissão de
Agricultura do Senado, Acir Gurgacz (PDT-RO), que não conseguiu renovar o
mandato, pode ser votado ainda neste ano.
Por outro lado, a
senadora Kátia Abreu (PP-TO), que relata o PL do licenciamento ambiental e
também não conseguiu a reeleição, afirmou à Folha que não deve pressionar pela
aprovação neste ano.
"Não acho que
é hora de aprovar, acho que tem que esperar o novo Congresso Nacional. É algo
tão grave e tão importante que não quero ter a vaidade de deixar esse relatório
ser aprovado em meu nome", disse.
Bolsonaro ou Lula: em qual governo a taxa de
desmatamento na Amazônia foi maior? 
Um dos temas a ganhar destaque
durante o primeiro debate do segundo turno das eleições de 2022, dia 16 de outubro foi o
desmatamento da Amazônia.
No segundo bloco, o ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o atual governo está "brincando
de desmatar, de 'abrir cerca', de derrubar árvores".
"Nós vamos ganhar as eleições
para poder cuidar da Amazônia e não permitir que haja invasão de terra indígena
e garimpo ilegal."
O presidente Jair Bolsonaro (PL),
candidato à reeleição, rebateu e pediu que os espectadores fizessem uma
pesquisa na internet.
"Dá um Google: 'desmatamento de
2003 a 2006', nos quatro anos de governo Lula. Depois pesquise 'desmatamento de
2019 a 2022'", disse.
Olhando para Lula, Bolsonaro emendou:
"No seu governo, foi desmatado o dobro do que no meu".
Mas o que dizem os dados?
De fato, a área total de floresta
destruída durante os três primeiros anos do governo Lula foi maior em
comparação com o mesmo período de Bolsonaro no cargo — mas a taxa de
desmatamento foi reduzida significativamente e chegou aos menores patamares
históricos entre 2006 e 2015, especialmente no período em que Dilma Rousseff
(PT) assumiu a Presidência.
Para se ter uma ideia, a área
desmatada por ano caiu praticamente cinco vezes entre 2003 e 2015.
Na contramão, os números voltaram a
subir mais recentemente, com uma nova aceleração do desmatamento entre os
governos de Michel Temer (MDB) e de Bolsonaro.
Entre 2016 e 2021, a área destruída a
cada ano quase dobrou.
Confira a seguir o que mostram os números sobre o desmatamento na Amazônia.
Freio e acelerador
As informações oficiais sobre a
destruição de áreas da Floresta Amazônica vêm do Projeto Prodes,
que é conduzido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe),
vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.
O órgão faz esse monitoramento por
satélites desde 1988 e os dados obtidos servem de base para que o governo
atualize as políticas públicas relacionadas à região e à preservação ambiental.
Em números absolutos, é possível
conferir que a área desmatada na Amazônia em 2003, primeiro ano do governo
Lula, foi de 25,3 mil quilômetros quadrados.
Vídeo
relacionado: Ataque a Lula, Amazônia “intocada” e mais: o que Bolsonaro
disse em discurso na ONU
No ano seguinte, a área destruída
cresceu para 27,7 mil km².
A partir de 2005, porém, houve uma
queda nesses índices.
Foram 19 mil km² naquele ano,
seguidos de 14,2 mil (2006), 11,6 mil (2007), 12,9 mil (2008), 7,4 mil (2009) e
7 mil (2010).
Ou seja: ao longo dos dois mandatos do petista, a taxa de desmatamento caiu 67%.
Os números continuaram em descenso
durante o governo de Dilma Rousseff: o ano com menos desmatamento na Amazônia
na série histórica foi 2012, quando 4,5 mil km² foram devastados.
A partir de então, a área destruída
só se ampliou: com exceção de 2014 e 2017, todos os anos recentes registraram
um aumento nas taxas do Inpe.
E o que aconteceu especificamente
desde que Bolsonaro assumiu a Presidência?
No primeiro ano do atual governo, em
2019, a área desmatada foi de 10,1 mil km².
Os índices continuaram em ascensão em
2020 (10,8 mil km²) e em 2021 (13 mil km²). Os dados de 2022 ainda não estão
disponíveis.
Ou seja: a taxa de desmatamento subiu 73% nos três primeiros anos da gestão Bolsonaro.
Outra ponderação feita por ambientalistas envolve o legado que cada presidente recebeu do governo anterior.
O desmatamento em 2002, quando o
presidente ainda era Fernando Henrique Cardoso (PSDB), foi de 21,6 mil km².
Já em 2018, último ano de Michel
Temer (MDB) na Presidência, foram 7,5 mil km² de floresta destruída — uma
proporção três vezes menor.
E os outros biomas?
O Inpe também faz um monitoramento parecido
no Cerrado desde 2001.
O movimento dos gráficos é bem
parecido ao que aconteceu na Amazônia: crescimento na área absoluta desmatada
durante os dois primeiros anos de governo Lula (28,8 mil km2 em 2003, número
que se repetiu em 2004) e queda sustentada entre 2005 (16,9 mil) e 2012 (9
mil).
O índice de desmatamento nesse bioma
voltou a subir em 2013 (13,5 mil), mas apresentou uma nova diminuição entre
2014 (10,9 mil) e 2019 (6,3 mil).
Em 2020 e 2021, o desmatamento no
Cerrado se elevou de novo e atingiu 7,9 mil e 8,5 mil km², respectivamente.
Já na Mata Atlântica, foram desmatados
21,6 mil hectares (ha) entre 2020 e 2021, um aumento de 66% em relação a 2019 e
2020 (13 mil ha) e 90% entre 2017 e 2018 (11,3 mil ha), quando foi atingido o
menor valor da série histórica.
Os dados foram compilados pela ONG SOS Mata Atlântica.
Por fim, o
MapBiomas revela uma situação parecida no Pantanal. A área
devastada subiu de 24,3 mil ha em 2018 para 31,7 mil em 2019 e 42,8 mil em
2020.
O menor índice de destruição desse bioma foi registrado em 2015, quando 23 mil ha foram desmatados.
Mais de 16 mil hectares ou 22,5 campos de futebol foram atingidos pelas chuvas de granizo no estado
Imagens: Emater-MG / Divulgação
Os municípios de Andradas, Três Corações, Pouso Alto (Sul), Paula Cândido (Zona da Mata) e Carmópolis de Minas (Central), foram os mais prejudicados.
Levantamento feito pela Emater-MG mostra que as lavouras de café foram as mais prejudicadas. As chuvas de granizo registradas no início desta semana em Minas Gerais atingiram 16,8 mil hectares de lavouras no estado, o equivalente a 160 mil e 800 m² de área, ou 22,5 campos de futebol profissional. É o que mostra o balanço realizado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).
O estudo também revela que 2.039 produtores rurais tiveram algum tipo de perda, em 63 municípios. Os maiores prejuízos foram nas regiões Sul, Campo das Vertentes, Central e Zona da Mata.
Os plantios de café arábica foram os mais impactados, com 13 mil hectares. O
número representa 77% do total atingido pelas chuvas em Minas Gerais. O
levantamento da Emater-MG mostra que 1.090 cafeicultores sofreram algum tipo de
perda. Os municípios de Andradas, Coqueiral, Campanha e Paraguaçu, no Sul do
estado, foram os que tiveram as maiores áreas de café prejudicadas pelo
fenômeno.
A segunda cultura com maior área atingida pelas chuvas de granizo foi a
citricultura, com 2,4 mil hectares. Pelos menos 135 citricultores mineiros
relataram perdas. Os pomares mais afetados estão em Campanha, Paraguaçu e Três
Corações, no Sul de Minas, além de Tocantins, na Zona da Mata.
Ainda na fruticultura, foram registrados prejuízos em lavouras de abacate.
Foram 190 hectares atingidos no Sul de Minas, nos municípios de Três Corações,
Campanha e Bom Jesus da Penha. Além disso, 36 hectares com plantios de uva na
região foram atingidos.
Hortaliças
No levantamento feito pela Emater-MG, 302 produtores de hortaliças também
relataram algum tipo de prejuízo, em 503 hectares. Os maiores danos foram em
plantios de folhosas, com 212 hectares. Mas também houve perdas em outras
culturas como tomate, abobrinha e couve-flor.
Os municípios de Andradas, Três Corações, Pouso Alto (Sul), Paula Cândido (Zona
da Mata) e Carmópolis de Minas (Central), foram os mais prejudicados.
Abastecimento
De acordo com avaliação da Emater-MG, os estragos causados pelas chuvas de
granizo podem gerar algum problema de abastecimento apenas nos mercados
municipais, sem grandes impactos para o estado, de forma geral. Isto pode
acarretar a necessidade de compra de produtos em outras regiões, aumentando o
preço final.
“No caso do café, o problema maior será para aqueles produtores que já tinham
sofrido algum prejuízo com a geada ocorrida em 2021, como por exemplo, os
cafeicultores de Andradas e Coqueiral”, explica o coordenador estadual de
Crédito Rural da Emater-MG, Willem de Araújo.
Acompanhamento técnico
A Emater-MG faz um alerta para que os agricultores evitem qualquer atitude
precipitada. Muitas áreas atingidas poderão ser recuperadas. Além disso, o
tratamento feito nas lavouras vai depender do tipo de cultura.
“As plantas deverão apresentar lesões causadas pelas pedras e que são porta de
entrada para doenças fúngicas e bacterianas. Recomendamos que procurem a
assistência técnica da Emater para orientação da melhor forma de minimizar o
problema. Não se precipitem em fazer podas, às vezes desnecessárias, ou usar
produtos 'milagrosos'. Não façam nada sem um acompanhamento técnico”, alerta o
coordenador técnico de Culturas da Emater-MG, Sérgio Brás Regina.
A empresa também lembra que os produtores atingidos e que obtiveram crédito
rural do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)
devem procurar as instituições financeiras. “Essas operações são cobertas pelo
seguro do Proagro e Proagro Mais. O produtor deve comunicar as perdas ao agente
financeiro, o mais rápido possível, para a indicação de um profissional para a
vistoria da área afetada”, explica o coordenador Willem de Araújo. Esta
cobertura do seguro do Pronaf são para contratos de crédito rural renovados a
partir de 1º de julho deste ano (safra 2022/2023).
A segunda cultura com maior área atingida pelas chuvas de granizo foi a citricultura, com 2,4 mil hectares. Os pomares mais afetados estão em Campanha, Paraguaçu e Três Corações, no Sul de Minas, além de Tocantins, na Zona da Mata.
Garimpo legal e ilegal cresce no Brasil e mais de 91% de sua área
está na Amazônia
A área de garimpo
no Brasil continua crescendo e, desde 2019, é maior do que a da mineração
industrial. Mais de 91% da área garimpeira brasileira está na Amazônia, segundo
dados do MapBiomas divulgados nesta segunda-feira (26).
O levantamento aponta que, de
2010 a 2021, a área de garimpo passou de 99 mil hectares para 196 mil hectares.
Em comparação, a de mineração industrial demorou 20 anos para aumentar de 86
mil hectares para 170 mil.
Pará, especialmente, e Mato
Grosso são os estados que concentram a atividade garimpeira, com quase 92% da
área total. Já a mineração industrial está concentrada principalmente em Minas
Gerais, responsável por 36% da área do setor. Em seguida, aparece o Pará, com
24%.
Há diferenças entre o que o
MapBiomas classifica como garimpo e como mineração industrial. No garimpo, de
forma geral, estão concentradas as extrações de ouro —predominante— e estanho.
A mineração industrial tem mais diversidade, com exploração de ferro, alumínio
e outros produtos.
Os dois tipos considerados pelo
levantamento se diferenciam também pela escala da operação: enquanto o garimpo
é baseado em técnicas mais simples, como pás escavadeiras e bombas de sucção, a
mineração industrial é caracterizada por ações em uma escala maior, segundo
Cesar Diniz, coordenador-técnico do mapeamento de mineração do MapBiomas.
Um dos problemas apontados pelos
dados está na expansão do garimpo em áreas protegidas. Segundo o levantamento,
de 2010 até 2021, houve um crescimento de 625% da área garimpada nos
territórios indígenas, uma exploração que é ilegal.
"Pelo menos, 12% do garimpo nacional é necessariamente ilegal. Essa é a
quantidade de garimpos que existe dentro de áreas restritas à atividade
garimpeira, que são terras indígenas e unidades de conservação de proteção
integral. Nessas regiões não pode existir garimpo", afirma Diniz.
"Fora desses 12%, espera-se que exista um contingente de ilegalidade muito
maior."
A concentração do garimpo na
Amazônia acaba sendo importante por causa dos impactos ambientais envolvidos na
atividade econômica. O presidente Jair Bolsonaro (PL) defende a liberação de
exploração mineral dentro de terras protegidas, como áreas indígenas. Além
disso, há projeto no Congresso que segue na mesma linha.
O levantamento do MapBiomas sobre
mineração inclui dados do CPRM (Serviço Geológico Brasileiro), da Ahk Brasilien
(Câmara de Comércio e Indústria), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais), do Isa (Instituto Socioambiental) e utilização de um algoritmo de
deep learning. (Saiba mais sobre deep learning clicando aqui).
Aumenta o índice
de
desmatamento e queimadas na
Amazônia
|
O Inpe (Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais) divulgou índices atualizados de desmatamento e queimadas
no Brasil. Infelizmente, os números não são nada bons. Entre
janeiro e julho de 2022, o
Cerrado teve 4.091,6 km²
desmatados, o equivalente a quase três vezes a área da cidade de São Paulo. Além de
ser o maior valor acumulado para o período nos últimos quatro anos, comparando
aos sete primeiros meses de 2021, o aumento na devastação é de 28%. Já na Amazônia, no mesmo período,
foram 5.463,2 km² destruídos,
ou quase seis vezes a cidade de
São Paulo. Ou seja, o desmatamento cresceu 7% em relação a janeiro-julho do ano passado
e tem o maior número acumulado nos últimos seis anos. |
Cada hectare desmatado na Amazônia nos coloca mais perto do ‘ponto de não retorno’, em que o bioma entra em processo de degradação sem volta e perde a capacidade de gerar chuva. Por isso que não podemos admitir que números como estes se repitam"
Edegar de Oliveira, diretor de conservação e restauração do WWF-Brasil“ |
|
E como as queimadas estão diretamente ligadas ao desmatamento, os números também aumentaram nos sete primeiros meses de 2022. O números de queimadas na Amazônia foi 14% maior entre janeiro e julho de 2022 do que no mesmo período do ano passado e 9% maior do que a média dos últimos 10 anos. No Cerrado, a situação é ainda mais grave - aumento de 24% sobre a média dos últimos 10 anos e 6% maior do que aconteceu entre janeiro e julho de 2021. Para o ONG WWF Brasil, "#AgirÉUrgente e combater esses números é mais do que necessário, é uma questão de sobrevivência. Precisamos conservar as áreas verdes e restaurar os biomas e ecossistemas para começar, hoje, a construir nosso amanhã!". |
|
|
Mata Nacional do Buçaco é um dos lugares mais bonitos do planeta
Mata Nacional do Buçaco (ou Bussaco?) parece ter saído de um conto de fadas
Um bosque encantado para descobrir no Centro de Portugal, um dos jardins mais bonitos do país lusitano e do mundo. Conheça a sua história.
Começamos com uma dúvida comum:
Buçaco ou Bussaco? Ambas estão corretas! Imagine um local que parece saído de
um conto de fadas, com árvores, arbustos e muito verde. A Mata Nacional do
Buçaco é isso mesmo: um autêntico museu natural com 105 hectares, com troncos
seculares, caminhos gastos e paredes há muito esquecidas cobertas com líquenes
e musgos.
Esta mata, nascida no século 12,
hoje é mais uma floresta, graças ao empenho dos frades carmelitas descalços
que, no século 16, instalaram no local um refúgio. Originalmente, existiam
adernos, loureiros e carvalhos. Hoje, a espécie mais abundante é o cedro, com
destaque para o cedro do Buçaco, proveniente da América Central e que é um
ex-libris da Mata.
O local conta também com
eucaliptos, araucárias, sequóias e impressionantes fetos de porte arbóreo. No
total, existem na Mata Nacional do Buçaco mais de 250 espécies de árvores e
arbustos, naquela que é uma das maiores coleções dendrológicas da Europa.
Para se manter assim, o local
precisa de muitos cuidados para que se coiba a invasão das acácias e
o envelhecimento natural do coberto vegetal, preservando-se assim um dos
expoentes máximos do arboreto português.
O coberto vegetal, aliado à
grande abundância hídrica que brota das suas seis fontes e que alimenta os
diversos regatos, que correm pela encosta, ajuda a que muitos animais tenham a
Mata como lar.
Por lá encontram 17 espécies de anfíbios, com destaque para a salamandra-lusitânica, e 14 espécies de répteis, como o lagarto-de-água e as cobras-de-água. Quanto aos mamíferos, pode-se observar 35 espécies, como o esquilo-vermelho, os javalis e os coelhos.
Tanta abundância de alimento leva
a que também animais carnívoros encontrem refúgio, existindo oito espécies
dessas no parque (com destaque para a raposa e as ginetas). Durante a noite, o
domínio da Mata pertence às 15 espécies de morcego que se encontram, e
que usam a escuridão para sair e caçar insetos noturnos voadores.
No meio desta diversidade, os
animais mais abundantes são as aves florestais, estando identificadas cerca de
80 espécies diferentes. Algumas são afoitas, como o melro; outras mais tímidas,
como a estrelinha-de-cabeça-listada; e outras aves ajudam na regeneração da
floresta, como os gaios, que criam despensas de bolotas enterradas, para
sobreviverem ao inverno, e que acabam por plantar novos carvalhos no processo.
Portanto, não é de admirar que
este lugar exuberante, que se destaca num país onde a monocultura do pinheiro e
eucalipto é uma constante, seja um daqueles locais que tem mesmo que visitar.
Apesar das transformações que
sofre constantemente e de um certo desleixo nos seus cuidados, a verdade é que
a Mata Nacional do Buçaco nos consegue enfeitiçar e ensinar acerca de diversos
valores e interesses, como o histórico, religioso, arquitetónico, militar,
cultural, e, claro, natural.
Para quem gostar de toda a paisagem, pode ficar e dormir lá mesmo, no palácio do Buçaco. Este palácio, desenhado pelo cenógrafo Luigi Manini, ergue-se imponente no seio da Mata do Buçaco, transportando-nos assim para um mundo de contos de fadas.
É considerado um dos mais belos
hotéis do mundo, sendo uma recriação da arquitetura manuelina inspirada em
obras como a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos. Não confundir, no
entanto, com outros monumentos em estilo manuelino. o Palácio do Buçaco foi
construído em estilo neo-manuelino.
Alguns dos nomes maiores da arte portuguesa, como Norte Júnior, Carlos Vieira, e Jorge Colaço, estão ligados à estrutura e ao ornato deste edifício, que apresenta uma estreita ligação com a exuberância da mata.
O hotel é gerido pela terceira
geração de descendentes de Alexandre de Almeida, o primeiro grande industrial
hoteleiro português, e oferece um ambiente distinto e requintado, onde se
distingue o conforto dos alojamentos, a excelência da cozinha portuguesa e o
palato dos vinhos do Buçaco, mundialmente reconhecidos.
Queimadas na Amazônia batem recorde desde 2007 e governo gasta só 18% do orçamento contra incêndio
![]() |
Na região sul do Amazonas, no primeiro semestre deste ano, 7.533 focos de incêndio foram registrados na Floresta, crescimento de 17% em relação ao mesmo período de 2021. |
No momento em que o
Brasil registra os piores índices de queimadas dos últimos anos, o governo
federal tem executado um volume mínimo do orçamento previsto para financiar
ações de combate e prevenção contra incêndios.
Dados do Sistema Integrado
de Planejamento e Orçamento (Siop), do governo federal, mostram que, no
primeiro semestre deste ano, apenas 18% dos recursos previstos no Ministério do Meio Ambiente (MMA) para ações de “prevenção e controle de incêndios florestais nas áreas federais
prioritárias” foram efetivamente liquidados, ou seja, pagos por serviços
prestados.
No mês de julho, auge do período seco na maior
parte do País, somente R$ 32
milhões de um orçamento total de R$ 175 milhões reservados para essas ações
foram utilizados. Do total disponível, 51% foram empenhados até o
momento, ou seja, carimbados para pagamentos.
"Infelizmente, os dados apontam que a mudança de ministro no MMA não resolveu o problema dos incêndios na região amazônica. Pelo contrário, temos a intensificação de crimes ambientais, que consequentemente, são crimes contra a vida dos povos da Amazônia", diz a deputada Vivi Reis (PSOL-PA), que reuniu os dados. O Ministério do Meio Ambiente foi questionado pela reportagem sobre a baixa execução no orçamento, mas não se manifestou a respeito.
Focos
No primeiro semestre deste ano, 7.533 focos de incêndio foram registrados na Floresta Amazônica, crescimento de 17% em relação ao mesmo período de 2021. No Cerrado, por sua vez, foram 10.869 registros, números 13% maiores que o dos seis primeiros meses do ano passado. Os dados são do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.
Os últimos 30 dias foram particularmente ruins para a Amazônia, quando
2.562 focos de incêndio fizeram do mês o pior junho desde 2007. No Cerrado,
houve 4.239 registros, aumento de 1,4% em relação ao ano passado e o pior
patamar desde junho de 2010. Desde 2019, primeiro ano da gestão de Jair Bolsonaro, esse índice é crescente.
Historicamente, anos eleitorais têm os maiores índices de desmatamento e
queimadas.
Devastação
A Amazônia viu 3.988 quilômetros quadrados de sua
floresta tombar nos seis primeiros meses de 2022. O desmatamento deste primeiro
semestre é o maior já registrado para esse período desde 2016, início da série
histórica realizada pelos sistemas do Inpe.
Para se ter uma ideia, o que ocorreu no primeiro
semestre de 2022 é praticamente o triplo do volume registrado no mesmo
intervalo de 2017, quando o desmatamento chegou a 1.332 km² na região. É o
quarto ano consecutivo com recordes de desmatamento no período e supera em
10,6% a área devastada nos primeiros seis meses de 2021. O governo Jair
Bolsonaro tem sido alvo de cobranças no Brasil e no exterior por causa do
aumento do desmate.
O mês de junho também teve a pior marca da série
histórica. Foram devastados 1.120 km² no mês na Amazônia, 5% a mais que em
junho de 2021. Os Estados mais desmatados em junho de 2022 foram o Amazonas
(401 km²) e o Pará (381 km²).
No Cerrado, foram derrubados 1.026 km² só no mês de
junho, mais que o dobro do registrado em 2021 (485 km²) e 2020 (427 km²), um
aumento de 111,5% em comparação a junho do ano passado. No acumulado do ano,
entre o início de janeiro e o fim de junho, foram devastados 3.638 km² no
Cerrado, um aumento de 44,5% em comparação aos seis primeiros meses de 2021, quando
foram destruídos 2.518 km².
Como será o frio do inverno de 2022?
MG e BH na geladeira só há 122 anos. Capital teve a menor mínima desde maio de 1910. Mês passado, a mínima, na terceira semana, baixou a 5º C.
O inverno de 2022 começa astronomicamente às 06h14 do dia 21 de junho, quando ocorre o solstício de inverno, e se estende até às 22h04 do dia 22 de setembro, data do equinócio da primavera.
A forte onda de frio do começo da segunda quinzena de maio de 2022 foi sentida em todas as Regiões do país. A temperatura baixou para quase 5°C negativos no Sul do Brasil. Estados da Região Norte, como Rondônia e Tocantins, registraram temperaturas em torno de 11°C. Na Região Sudeste, geou em áreas do estado de São Paulo, no Sul de Minas e também do Triângulo Mineiro. A cidade de São Paulo registrou 6,6°C, que foi a temperatura mais baixa para um dia de maio desde 1990.
Mas o que mais impressionou foi o efeito desta massa polar na Região Centro-Oeste. O frio intenso causou geada no Distrito Federal, o que é raro. Brasília registrou apenas 4,9°C, a segunda menor temperatura para um dia de maio desde 1960, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia.
Durante essa onda de frio, uma das perguntas mais recorrentes foi se este ano ainda poderíamos ter uma outra onda de frio tão intensa e abrangente como esta observada no começo da segunda quinzena de maio de 2022. Isto é um sinal de que o inverno será rigoroso? Como o fenômeno La Niña vai impactar no inverno? Será que teremos outra (s) ondas de frio tão amplas e fortes como esta de maio?
Fazer muito frio, gear e nevar não são fenômenos tão incomuns assim em maio. O fato de ter passado esta onda de frio não significa que teremos um inverno rigoroso. Já tem frio à vista para o começo de junho, mas será frio para gelar Brasília novamente? O frio pode aumentar no inverno?
Para responder a essas perguntas consultamos o agrometeorologista Celso Oliveira, da equipe de previsão climática da Climatempo.
Como será o frio do inverno de 2022?
Já tem frio à vista para o começo de junho e que esfria parte do centro-sul do Brasil entre os dias 6 e 7 deste mês. Mas a massa de frio forte que está no radar dos meteorologistas da Climatempo é a chegada ao país na segunda quinzena de junho. Será uma massa de ar frio abrangente para chegar forte a Brasília novamente?
Celso Oliveira já avisa que esta massa de ar frio esperada para a segunda quinzena de junho de 2022 é preocupante. “Embora essa onda de frio cause até uma queda de temperatura no Acre e em Rondônia, na Região Centro-Oeste o efeito desta massa de ar frio deve ser basicamente em Mato Grosso do Sul e nas áreas a oeste e sul de Mato Grosso".
O meteorologista considera que o inverno será um pouco rigoroso e que passagem das massas de frio será frequente, mas nem todas serão tão abrangentes como a da segunda quinzena de maio. “Na intensidade, acho que sim. Mas não obrigatoriamente vai fazer frio o tempo todo. O frio poderá ser pior no Sul e partes do Sudeste e Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso do Sul".
Mas Celso alerta que, até o fim de julho, é possível que o Brasil experimente novamente uma onda de frio parecida com a que gelou o país no começo da segunda quinzena de maio.
La Niña e o frio do inverno de 2022
O fenômeno La Niña vem perdendo força, mas a porção central e leste do Pacífico Equatorial segue fria, com temperatura abaixo da média. Como isto influencia o frio do inverno de 2022? O que muda na intensidade e trajetória das próximas massas polares?
Celso Oliveira explica que, embora os estudos científicos não sejam conclusivos sobre a ideia de que o La Niña deixe os invernos mais frios, nota-se que a presença do fenômeno aumenta a frequência de massas polares. Mas não é o La Nina que define se essas massas polares terão grande penetração pelo interior do país.
O histórico mostra que vários anos frios foram com La Niña. Este ano, o fenômeno já está demonstrando tendência de enfraquecimento, mas vai persistir durante todo o inverno. Isto significa que o Pacifico Equatorial central e leste vai continuar frio, embora mais próximo do sinal de neutralidade do que do La Niña.
Celso Oliveira complementa: “O El Niño é, de fato, um bloqueador de massas frias. Mas se o La Niña não garante a entrada de um maior número de massas frias sobre o Brasil, a neutralidade deve ser entendida como um facilitador.”
Quantas ondas de frio são esperadas para o inverno de 2022?
No calendário, o inverno de 2022 começa astronomicamente no dia 21 de junho (solstício de inverno) e se estende até 22 de setembro. Mas as ondas de frio não obedecem necessariamente o período astronômico.
O inverno de 2022 terá frio frequente, mas só 2 ou 3 massas polares vão efetivamente gerar situações de onda de frio no país. A tendência de neutralidade no centro e leste do Pacifico Equatorial, mas com características frias, vai facilitar a passagem de outras massas de ar frio sobre o Brasil ao longo do inverno.
Segundo Celso Oliveira, serão diversas massas de ar frio, mas até agora, somente duas parecem ter potencial para efetivamente espalhar o frio intenso pelo país: uma na segunda quinzena de junho e outra em julho. Outra moderada a forte é esperada para agosto.
Mais neve no inverno de 2022?
O histórico de neve no Brasil, precoces e tardias, mostra que o fenômeno La Niña esteve por trás de quase todos os episódios. Teremos mais neve no inverno de 2022? Qual o mês mais provável para voltar a nevar?
A neve é uma combinação especial de fatores. É preciso muito frio e muita umidade. Pelo frio, a segunda quinzena de junho e julho seriam fortes candidatos a terem neve. Mas é sempre bom lembrar que a previsão de neve no Brasil só tem uma acertividade razoável com cerca de sete dias de antecedência.
Precarização da fiscalização ambiental aumenta o desmatamento no Brasil
Já no final de 2019, o Sistema de Alerta do Imazon detectou 583 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal, a maior parte no Pará
Brasil gastou menos da metade do orçamento de fiscalização ambiental em 2021. Por isso houve níveis crescentes de destruição na floresta amazônica, de acordo com uma análise dos gastos federais divulgada na terça-feira (25 de janeiro). O desmatamento amazônico brasileiro atingiu, em 2021, o maior nível em 15 anos, mostraram dados de satélite do governo.
Em uma cúpula do Dia da Terra organizada pelo presidente dos EUA, Joe Biden, Bolsonaro prometeu dobrar o orçamento para fiscalização ambiental, entre outros esforços para ajudar a proteger a Amazônia.
O dinheiro foi posteriormente disponibilizado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), cujo orçamento de fiscalização cresceu para 219 milhões de reais, mostram registros públicos. Mas o Ibama gastou apenas 41% desse dinheiro no ano passado, afirmou o grupo Observatório do Clima em uma análise dos números finais do orçamento de 2021. A agência de notícias Reuters confirmou os cálculos.
O Palácio do Planalto não respondeu aos pedidos de comentários.
A maior parte do dinheiro não utilizado foi destinada a outros gastos do Ibama, em 2022, como aquisição de equipamentos, de acordo com uma revisão da Reuters dos números do orçamento, em vez de financiar diretamente as operações de campo, que o orçamento de fiscalização também abrange.
A agência gastou cerca de três quartos de seu orçamento geral de 1,8 bilhão de reais no ano passado principalmente em folha de pagamento, pensões e outros gastos obrigatórios. O Ibama disse à Reuters, em comunicado que a forma mais adequada de mensurar os gastos públicos é por meio desse valor que foi comprometido, mesmo que o dinheiro ainda não tenha sido gasto.
Mas o Observatório do Clima afirmou que os recursos poderiam ter sido gastos em esforços diretos para combater o desmatamento em aceleração no ano passado.Suely Araújo, ex-diretora do Ibama e especialista em políticas do Observatório do Clima, disse que, embora a agência sempre repasse algum dinheiro para o ano seguinte, é incomum lançar tantos gastos à frente.
Nos três anos anteriores à posse de Bolsonaro em 2019, o Ibama gastou entre 86% e 92% de seu orçamento de fiscalização a cada ano. "Para que seja efetivo, é preciso olhar para o que é gasto e pago, não apenas para o que está comprometido. Se está comprometido, não há como saber se realmente vai se concretizar", afirmou Suely Araújo.
Sobrevivência humana está em risco por causa da crise climática
Veja o nível dos principais reservatórios do Brasil (2022)
Saiba todos os acontecimentos da Cop 26 clicando aqui
Amargo presente! Ambientalistas, ex-juízes e cientistas presentaram dia 12 (terça-feira) um denúncia contra o presidente Jair Bolsonaro, no Tribunal Penal de Haia, por crimes contra a humanidade e a destruição da Amazônia.
O colunista Josias de Souza fala sobre (vídeo acima) a política ambiental do presidente que, para ele, já "começa errada" e vê que há elementos contra o Bolsonaro: "Fez prova contra si mesmo"
Leia também:
![]() |
O desmatamento é uma das principais causas do aquecimento global |
O Dia da Árvore é comemorado, no Brasil, em 21 de setembro e o objetivo principal é a conscientização a respeito da preservação desse bem tão valioso e findável. A data, que é diferente em outras partes do mundo, foi escolhida em razão do início da Primavera, que começou na quarta-feira (22) no hemisfério sul. Mas o Dia Mundial da árvore é 21 de março.
Mas, qual o objetivo do Dia da Árvore?
Leia também:
No limite da escassez. Apagão poderá estar em curso por causa da falta de água nos principais pontos de abastecimento dos municípios.
Novembro marcará o menor nível na história, afirma Ministério das Minas e Energia. Especialistas alertam que Brasil pode ter a pior seca em 111 anos.
Leia também:
A pandemia obrigou o planeta a parar mas o desmatamento não deu trégua
O mundo perdeu o equivalente à superfície da Holanda (41.543 km²) em florestas tropicais, com o Brasil à frente da lista.
Leia também:
Derrubada da Mata Atlântica cresce em 10 estados do Brasil
Os campeões da destruição são, Minas Gerais, Bahia e Paraná. Santa Catarina e Mato Grosso do Sul (quarto e quinto da lista, respectivamente), a porcentagem acumulada é de 91% da perda de vegetação do bioma, entre 2019 e 2020.
Leia também:
Aneel cria gabinete para enfrentar crise hídrica brasileira
Falta chuva. O intervalo de setembro a maio já havia registrado os piores índices em 91 anos, nas áreas das hidrelétricas, principal fonte de energia do país.
Escassez tem pressionado o sistema de geração de energia do Brasil, por isso autoridades do governo reuniu-se no Rio de Janeiro, no final de maio, enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) criou um "gabinete de situação" para monitorar as condições de suprimento.
Leia também:
Em estudo publicado na revista Frontiers in Conservation Science, os pesquisadores alertam para um “futuro medonho”, que envolveria uma extinção em massa e até mesmo o fim da nossa espécie. “A humanidade está causando uma rápida perda de biodiversidade e, com ela, a capacidade da Terra de sustentar vidas complexas”, disse o autor principal e ecologista, Corey Bradshaw.
Sem preparo
Sem medo de falar
Imagem: Creative Commons
Pesquisadores alertam para a necessidade de diminuição no ritmo de consumo.
Leia também, abaixo da próxima matéria: "cientistas alertam para a seca em todas as regiões do Brasil!".
A maioria das pessoas sabe muito pouco ou quase nada sobre o passado e o presente dos indígenas nativos brasileiros
O Dia do Indio é ignorado por grande parte dos brasileiros desconhecendo o grande contributo dos nativos originários do Brasil e das Américas. Na foto acima, a banda de rap Brô Mcs, de Mato do Grosso do Sul. (Assista ao vídeo no rodapé desta matéria).Dezenove de Abril é celebrado o Dia do Índio. A data foi instituída após a realização do "1.º Congresso Indigenista Interamericano", no município de Pátzcuaro, no estado de Michoacán, no México. No Brasil foi adotada em 1943 através do Decreto-Lei n.º 5.540, pelo então presidente Getúlio Vargas (1950 -1954).
Conheça a história e a música da banda indígena de rap Brô MCs
História do Brô Mcs
Leia também:
O dia Mundial da àgua foi lembrado na segunda-feira, dia 22 e a ciência alerta: está chovendo menos em todas as regiões do país.
Leia também:
Ipê-roxo ou Ipê-de-minas, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Beleza ímpar no Outono.
Processos quase que sincronizados e de auto-proteção da natureza, que tenta seguir seu curso normal. Mas, a interferência humana interrompe esse ciclo: queimadas, secas, desflorestamente fazem com que uma estação não seja igual a outra.
Leia também:
Primeira casa em impressão 3D do
mundo é construída na Itália
A empresa italiana Mario Cucinella Architects e a fabricante de impressoras 3D WASP criaram uma casa impressa em 3D usando argila. O objetivo é produzir uma residência usando os recursos já disponíveis no meio ambiente.
Níveis dos reservatórios do Sudeste e Centro-oeste preocupamChamados de 'caixas d'água' do país, os reservatórios do Sudeste e Centro-oeste estão com os níveis cada vez mais baixos.
O período chuvoso que vai de novembro a abril ainda não foi suficiente para aumentar o nível da água nessas duas regiões. O armaznamento médido nos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste está em 23% e na região Norte chega em 31%. A situação é um pouco melhor no Nordeste com o nível chegando a 52% e no Sul do Brasil, a respresa atingiram 55% da capacidade.
Leia também:
Calor escaldante fará de 2021 o ano mais quente dos últimos 10 anos
De 2017 a 2021, a média de temperatura global deve permanecer alta, entre 0,42°C e 0,89°C, acima da média entre 1981 e 2010, o que representa entre 1,02°C e 1,49°C em relação às temperaturas pré-industriais (saiba o que significa abaixo).
Dica 10
Economize energia elétrica neste Verão (e sempre)
Leia também:
Por que cidades precisam urgentemente de mais árvores?
Piracicaba (SP) tem uma extensa área urbana arborizada
Ecologistas defendem que para colhermos os benefícios das paisagens urbanas é fundamental que as árvores sejam vistas além de mera adição à estética das cidades. Isso é especialmente verdade, agora que metade da população mundial vive em espaços urbanos. Até 2050, estima-se que outras 2,5 bilhões de pessoas se mudarão para as urbes.
Luta contra o concreto
Projetos tardios, mas providenciais em megacidades
Leia também:
Poluição do ar mata por ano quase sete vezes mais que a Covid-19 segundo especialistas
Poluição mata e otimiza ainda mais a Covid-19
Evitar, trocar, melhorar
Mudanças nas normas?
São Paulo na mira
Qual é a cidade mais quente de Minas Gerais?
© Leandro Couri/EM/D.A. Press
Clique na imagem e saiba sobre
Polícia Federal já pode indiciar fazendeiros de Mato Grosso do Sul por queimadas no Pantanal.
A PF coletou
inúmeras provas que considera suficientes para indiciar pelo menos quatro
fazendeiros pelo início das queimadas na região da Serra do Amolar, no Pantanal
de Mato Grosso do Sul.
O Ministério Público Federal (MPF) analisará o conjunto probatório e pode (ou não) denunciar os investigados à Justiça Federal. A partir de imagens de satélite da Nasa (Agência Espacial Americana) e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), os peritos da PF encontraram vestígios que indicariam a ação humana nas queimadas, em propriedades rurais.
A Polícia Federal também colheu, na região, depoimentos de trabalhadores e de moradores daquela região que, segundo investigadores, dificultam a defesa dos fazendeiros. De acordo com a análise dos peritos, os focos de incêndio tiveram início no dia 30 de junho, quase na mesma hora, em quatro propriedades localizadas na região oeste do rio Paraguai.
Para a PF e o MPF, esse fato indica que a prática de colocar fogo na vegetação para o plantio de pastagens pode ter sido uma ação combinada entre os fazendeiros. Segundo as testemunhas, dias antes de mandar seus funcionários colocar fogo nas propriedades, os fazendeiros providenciaram a retirada de todo o gado.
Investigados negam
ter ordenado incêndios
Nos depoimentos que prestaram à PF,
os fazendeiros negaram ter mandado colocar fogo nas fazendas. "Vamos
provar com as imagens de satélite da própria polícia que o fogo não começou na
fazenda do meu cliente. Mas infelizmente não tive ainda acesso ao
inquérito", afirmou o advogado Newley Amarilha, que defende o
fazendeiro Ivanildo da Cunha Miranda, proprietário da fazenda
Bonsucesso, uma das quatro propriedades em que as queimadas ocorreram.
Em uma das fazendas, foram apreendidas várias armas de fogo e munição. O delegado da PF que comanda as investigações, Daniel Rocha, disse que "a operação foi desencadeada depois de uma minuciosa análise das imagens de satélite feita por peritos de Brasília que praticamente 'deram o mapa da trajetória do fogo'. Quando sobrevoamos a região, vi uma imagem que jamais podia imaginar. Um mar de água doce transformado em fumaça e fogo." O delegado aguarda a transcrição das conversas telefônicas e os laudos da perícia para concluir o inquérito. "Fizemos a perícia nas propriedades e temos indícios de que os incêndios foram provocados a fim de criar novas áreas de pastagens", afirmou Rocha.
Os proprietários devem ser indiciados por danos às áreas de preservação permanente e unidades de conservação, incêndio e poluição. As penas previstas na legislação, somadas, podem chegar a 15 anos de reclusão. A pena de reclusão admite o regime inicial fechado, diferentemente da de prisão;
Fogo ainda se espalha pelo Pantanal
Três meses depois, as queimadas na região continuam a provocar prejuízos. Na quarta-feira (23.09), o fogo chegou ao Parque Nacional do Pantanal e ao corredor que liga a Serra do Amolar ao Parque Encontro das Águas, em Mato Grosso, considerado o maior refúgio de onças pintadas do mundo.
"Infelizmente quatro felinos ficaram com as patas feridas", afirmou o tenente-coronel reformado da Polícia Militar Ângelo Rabelo, presidente do Instituto Homem Pantaneiro, que trabalha no combate às queimadas. O fogo se expandiu também para a região das grandes lagoas na fronteira do Brasil com a Bolívia.
Os peritos da PF
concluíram também que os incêndios acabaram destruindo as matas ciliares que
protegem o rio Paraguai e seus afluentes. Desde que tiveram início, as
queimadas já destruíram 30 mil hectares de mata na região.
A suspeita de
participação de fazendeiros veio à tona no dia 14 de setembro, quando a Polícia Federal desencadeou a chamada Operação Matáá ("fogo" na língua dos índios
guató que vivem na região, segundo a polícia). Os agentes federais apreenderam
os aparelhos celulares de dez fazendeiros em Campo Grande e em Corumbá (Mato
Grosso do Sul).
Polícias no rastro de outros focos de incêndio
Em outra frente de investigação, os peritos das polícias Militar e Civil de Mato Grosso do Sul também concluíram que houve ação humana nas queimadas ocorridas nas fazendas da Nhecolândia (região central do Pantanal). A polícia aguarda o laudo final para aplicar multas e indiciar os fazendeiros. "A perícia deixou claro que o incêndio teve origem nas fazendas e foi motivado pelo homem e pela seca", afirmou o tenente PM Anderson Ortiz, que comandou as vistorias nas fazendas.
Os fazendeiros
investigados da Nhecolândia e da Serra do Amolar têm uma característica em
comum: são herdeiros ou investidores que vieram de outras regiões do país. Para
pesquisadores, a mudança do perfil dos donos das fazendas acabou prejudicando a
harmonia entre pecuária e natureza no Pantanal.
"O pantaneiro
segue o ciclo natural das cheias, quando as cabeças de gado são retiradas das
partes alagadas. Os pantaneiros tradicionais não vão queimar mato para plantar
pasto porque não têm nem dinheiro para comprar o adubo", afirma Arnildo
Pott, professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e doutor
em ecologia vegetal na Universidade de Queensland, Austrália, que trabalha há
mais de 40 anos no Pantanal.
Leia também:
Uma divulgação alarmista causa apreensão nos moradores de Ubá e cidades ao entorno. Anunciado pelas redes sociais, na segunda-feira dia 14, cria alarde e viraliza nas redes sociais
Municípios de Minas Gerais e Piauí são campeões na derrubada da Mata Atlântica
Foto: O Globo
Cerca de 71% das áreas desflorestadas da Mata Atlântica se concentraram em 100 cidades, que representam quase 3% dos quase 3.429 municípios inseridos no bioma.
Agronegócio está derrubando a Mata Atlântica
Nos anos eleitorais de 2012 e 2016, com o afrouxamento da fiscalização, foram registrados os maiores números de desmatamento da década.
União quer restringir Lei da Mata Atlântica
Com isso seriam legalizados e anistiados setores que iniciaram atividades de forma ilícita no bioma, cancelando multas e embargos e impedindo o reflorestamento de áreas desmatadas. "Como se não bastasse o que faz na Amazônia e no Pantanal, também mirou, para passar a boiada na Mata Atlântica", afirmou o diretor da ong SOS Mata Atlãntica, Mário Montovani.
O Ministério do Meio Ambiente não respondeu às inculpações da SOS Mata Atlântica.
Fim desta matéria
Pacientes assintomáticos da Covid-19 são responsáveis por 60% do casos de contaminação afirma UFMG
Agricultura e meio ambiente podem perfeitamenta andarem juntas e não precisam, necessariamente se rivalizarem.
Várias soluções são criadas visando a produção sustentável de alimentos e os chamados sistemas de agrofloresta, conhecidos como SAFs, são uma delas. Então, por isso, foi montada a Pentagrama, uma plataforma digital que ajuda a viabilizar a aplicação de modelos de agroflorestas em larga escala.Na verdade é uma ponte, conexão para unir experiência: investidores; produtores; donos de fazendas e agroindústrias. O objetivo é oferecer projetos que sejam viáveis técnica e financeiramente, reduzindo os riscos para quem quer implantar um sistema como esse.
A Pentagrama é uma das oito ideias finalistas da Climate Launchpad, a maior competição de ideias de negócios verdes do mundo. Quer saber mais sobre a plataforma? Acesse o site: https://www.pentagramaprojetos.com.br/sistemas-agroflorestais/
Fim desta matéria









































Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo sua mensagem. Aguarde que faremos contato em breve.