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Morre Dom
Geraldo Majella, ex-presidente da CNBB e criador da Pastoral da Criança
Morreu essa semana (26)) o Cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo, ex-presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e uma das lideranças a criar a Pastoral da Criança. Ele tinha 89 anos e estava com a saúde frágil desde dezembro do ano passado, quando sofreu um AVC.
Quem foi Geraldo
Majella
Mineiro de Juiz de Fora (MG), morreu em Londrina (PR). Ele se mudou para a cidade paranaense em 2014. Dom Geraldo Majella estava em internamento domiciliar e teve uma piora nos últimos dias, vindo a falecer na madrugada de sábado (26 de agosto).
Tornou-se presidente da CNBB em 2001 permanecendo por dois anos no principal posto da Igreja Católica no Brasil. Começou a Pastoral da Criança em Florestópolis (PR) em 1983. A iniciativa se espalhou por todas as dioceses do Brasil. A pastoral ainda se difundiria para alguns países da América Latina e África.
Anunciou a beatificação de Santa Dulce em 2010. Dom Majella também foi responsável por escrever a oração em exaltação da santa. Foi Arcebispo Metropolitano de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil em 1999. A nomeação foi feita pelo Papa João Paulo II, em 3 de janeiro de 1999. Em 2011, pediu renúncia do posto. Ele foi atendido pelo Papa Bento XVI, tornando-se arcebispo emérito da Arquidiocese de Salvador.
Participou de dois conclaves, que é a reunião para escolha de um novo papa. Também ocupou cargos de relevância na estrutura mundial da igreja. A CNBB publicou uma nota de pesar lamentando a morte do religioso e exaltando seu legado.
"Sua
vida foi marcada por um grande amor à Igreja e uma contínua dedicação às coisas
da Igreja, a serviço da fé e ao testemunho da vida cristã. Dom Geraldo mostrou
sempre grande zelo pela Liturgia, pela boa formação dos sacerdotes e do povo
católico e pela irrestrita fidelidade ao Papa e à Igreja”.
Trecho
da nota da CNBB.
Sexo é pecado ou não? O que pensam as religiões
Na semana de Corpus Christi a polêmica ou dúvida continua, em pleno século 21. Sexo é pecado ou não?
"Expressar-se sexualmente é uma
riqueza. Portanto, qualquer coisa que menospreze a real expressão sexual também
menospreza você, e empobrece essa riqueza em você. O sexo tem sua própria
dinâmica; tem sua própria razão de ser. A expressão do amor é provavelmente o
ponto central da atividade sexual", segundo o portal católico "Vatican News". Mas e as outras religiões o que pensam sobre o tema?
Em muitas religiões, o sexo antes do casamento é proibido. Recentemente, o papa Francisco falou abertamente sobre temas considerados "tabus" pela Igreja Católica (leia matéria abaixo), com um grupo de jovens. Questionado sobre sexo, quando um dos jovens lhe pergunta sobre masturbação, Francisco disse que "o sexo é um dos dons mais bonitos que Deus deu à pessoa humana".
Ao longo de sua resposta, o líder católico ainda admite que a catequese
da Igreja Católica é "fraca" em relação ao tema e que, muitas vezes,
os cristãos não têm uma postura madura para falar sobre isso. A fala do papa
surpreendeu os fiéis. Afinal, falar sobre sexo e prazer não é tão comum nas
igrejas. Inclusive, em muitas religiões, o sexo antes do casamento é proibido.
Os líderes religiosos falaram sobre o assunto
Católicos
Conforme o professor de ética e padre da igreja São Paulo Apóstolo na
Arquidiocese de Ribeirão Preto (SP), Elviro Pinheiro, a Igreja Católica entende
que a sexualidade afeta todos os aspectos da pessoa humana. Para os católicos, o sexo está relacionado à
capacidade de amar e procriar, criando assim uma comunhão com o outro.
E, por isso, a relação sexual deve acontecer somente quando os dois estiverem
unidos perante a doutrina. Segundo
Pinheiro, a Igreja Católica entende que o sexo antes do casamento é pecado.
“O matrimônio é o sacramento que
regulariza o ato. Ao homem e à mulher cabe reconhecer e aceitar a sua
identidade sexual. São complemento um na vida do outro, seja físico, moral e
espiritual."
Evangélicos
Para o pastor e teólogo manauara Caio Fábio, do ponto de vista histórico, o sexo é algo que foi abordado durante os séculos como um gerador de culpa. O ato sempre foi acompanhado de terror, e o sexo apenas para procriação é um dogma inventado pela Igreja Católica.
Quando Jesus vem, segundo o teólogo, a relação é tratada de outra forma. "A única realidade que não é natural para Jesus é a traição e a infidelidade." O cristianismo não foi fundado como religião, mas em um caminho de consciência de verdade e vida, e transformou-se a partir do protestantismo. O especialista vê que as igrejas evangélicas neopentecostais são atrasadas em diálogos que envolvem sexualidade e não possuem uma visão saudável sobre o tema.
O escritor conta que as igrejas não praticam a nova lei (novo testamento) para dar espaço ao velho, porque sabem que o texto vai de encontro às práticas deles. Com isso, o sexo, que deveria ser tratado como algo bom, é encarado como pecado.
Espiritismo
No espiritismo todos são almas em essência, ou seja, não delimitados ou definidos pelas questões morfológicas, sendo assim, os espíritos não têm sexo.
O corpo físico é encarado como uma ferramenta primordial onde a reencarnação encara o feminino e o masculino como grandes laboratórios para esse espírito que vem, consiga manifestar seus potenciais divinos. “Temos uma visão do compromisso, porque todo processo de conexão íntima gera responsabilidade nas trocas vibratórias. Nós estabelecemos vínculos", diz a médica pediatra e conselheira da UEM (União Espírita Mineira), Lenici Aparecida de Souza Alves.
Do ponto de vista do sexo enquanto experiência física, Alves afirma que ele deve ser visto de maneira livre com responsabilidade e aproximação, pois, assim, os casais podem ficar juntos.
Umbanda
Na Umbanda, abordam-se os aspectos de gênero e a prática natural. A religião não concebe na filosofia o pecado. O sacerdote e teólogo Pai Silnei Farkas, membro da FNAB (Associação Nacional das Religiões Afro-Brasileiras), em São Paulo, aponta que a Umbanda acredita que não houve, não há e não haverá qualquer ruptura do homem com Deus, Nzambi, o Criador.
Na religião, não se encara o sexo como questão
moral, embora o sincretismo religioso presente, as doutrinas do catolicismo
não são adotadas. Com isso, é possível a relação antes ou após o casamento. “O corpo humano não é tabu na Umbanda.
Acreditamos e louvamos Deus como Pai e Mãe, logo, recebemos Dele o amor paterno
e materno para entendermos que o sexo deve ser colocado em nossas vidas com
amor."
Sexo é um dos dons
mais bonitos dados por Deus, diz Papa
Papa Francisco em audiência na Praça São Pedro, no Vaticano - Imagem: Guglielmo Mangiapane/Reuters
Em um documentário de 83 minutos, o papa
Francisco falou abertamente sobre temas considerados "tabus" pela
Igreja Católica com um grupo de jovens. Chamado de "Amém:
Perguntando ao Papa", do streaming Star+, o líder não foge de nenhuma
pergunta.
Questionado sobre sexo, quando um dos jovens o pergunta sobre masturbação,
Francisco diz que "o sexo é um dos dons mais bonitos que Deus deu à pessoa
humana".
"Expressar-se sexualmente é uma riqueza. Portanto, qualquer coisa que
menospreze a real expressão sexual também menospreza você, e empobrece essa
riqueza em você. O sexo tem sua própria dinâmica; tem sua própria razão de ser.
A expressão do amor é provavelmente o ponto central da atividade sexual",
acrescenta segundo o portal católico "Vatican News".
Ao longo de sua resposta, o líder católico ainda admite que a catequese da
Igreja Católica é "fraca" em relação ao tema e que, muitas vezes, os
cristãos não têm uma postura madura para falar sobre isso.
Falando com um jovem que cria conteúdo pornográfico na internet, Francisco fala
das possibilidades de conexão dadas pelas redes sociais, mas foca na questão da
moralidade. "Quem depende da pornografia é como se dependesse de uma droga
que o mantém em um nível que não o deixa crescer. A moralidade da mídia depende
do uso que você faz dela", pontua.
Perguntado se sabia o que era uma pessoa não-binária e se elas têm espaço
dentro da Igreja Católica, o pontífice voltou a repetir o que sempre fala
quando questionado sobre isso: que é preciso dar acolhimento sem julgamentos.
"Cada pessoa é filho de Deus, cada pessoa. Deus não rejeita ninguém, Deus
é Pai e eu não tenho o direito de expulsar ninguém da Igreja. Não só isso, meu
dever é sempre o de acolher. A Igreja não pode fechar a porta a ninguém. A
ninguém", disse ainda, conforme o site católico, criticando que usa
discursos de ódio dizendo seguir a Bíblia.
"Estas pessoas são infiltradas que se aproveitam da Igreja para suas
paixões pessoais, para a sua estreiteza pessoal. É uma das corrupções da
Igreja", afirmou.
Sobre os abusos sexuais, um dos jovens diz que sofreu o crime de um membro da
Opus Dei e que o religioso foi condenado na justiça civil, mas que recebeu uma
carta da Congregação para a Doutrina da Fé em que decidiu-se "restituir o
bom nome" do abusador. Dizendo estar triste com a situação e prometendo rever esse caso, o Papa ainda
afirmou que esses abusos nunca podem prescrever.
"Pelo menos na Igreja, [quero que] estes casos de abuso de menores não
caiam em prescrição. E se com os anos caem em prescrição, eu levanto
automaticamente tal prescrição. Não quero que isto jamais caia em
prescrição", ressalta.
O fim do documentário mostra duas pessoas contrastantes entre os 10 jovens,
Maria, uma jovem que se orgulha de ser católica, e Lucia, que se afastou da
Igreja após sofrer abusos de poder e psicológicos em uma comunidade católica.
A ela, "Francisco não tenta convencê-la do contrário" e diz que às
vezes "a verdadeira coragem consiste em abandonar o que nos
prejudica", diz o portal católico. "Este lugar mau, este lugar de
corrupção, este convento me desumaniza, vou voltar para onde comecei, para
buscar a humanidade de minhas raízes. Isto não me escandaliza', pontua.
Lesbianismo,
RPG e horóscopo: afinal, o que as igrejas consideram pecado?
A
lista de pecados foi até para nos trending topics do Twitter - Imagem: Reprodução/Redes Sociais
Uma
lista de pecados entregue a jovens que participaram de um retiro de uma igreja
evangélica de Brasília viralizou nas redes sociais recentemente. Com 108 itens,
a checklist incluía pecados como aborto, ciúme doentio, vício em cigarro,
homossexualismo, lesbianismo, racionalismo, primeira comunhão, crisma, entre
outros.
Depois da repercussão da
lista, a jovem que fez a publicação nas redes sociais apagou o post que já
havia alcançado 11 milhões de visualizações. A relação de pecados foi para nos
trending topics do Twitter. Mas, será que é mesmo possível fazer uma listagem
de todos os pecados, como a tal igreja de Brasília tentou fazer?
Até é possível fazer, já que listas de pecados fazem parte da tradição cristã. A Bíblia mesmo traz uma lista assim, nos Dez Mandamentos. “O conceito cristão de pecado começa a ser desenvolvido a partir do não cumprimento dos mandamentos. A noção objetiva de pecado que a igreja cristã desenvolveu está baseada nos princípios da moral natural que estão colocados ali, a partir dos Dez Mandamentos", explicou o teólogo Felipe Zangari, mestre em Ciências da Religião.
Segundo ele, o desenvolvimento do cristianismo e da moral cristã foi trabalhando ao longo dos séculos a questão do pecado de diversas formas. A partir da Idade Média surgiram livros que listavam o que era pecado ou não, e ofereciam ao sacerdote a penitência correspondente a cada tipo de pecado.
Igrejas Evangélicas
Mas, se historicamente é possível listar pecados, na prática, o número de listas pode ser imenso e variando o que é pecado ou não conforme a igreja cristã. Vale lembrar que não existe uma única "igreja evangélica", mas incontáveis denominações diferentes.
Para o teólogo Milton Paulo, pastor da Igreja Vineyard, em Mogi das Cruzes
(SP), “como a Bíblia é o que guia a fé e
a prática religiosa dentro das igrejas evangélicas, a interpretação literal do
livro sagrado dos cristãos pode levar a incontáveis listas de "pode ou não
pode. Essas listas são tão infinitas quanto o número de pessoas que se propõem
a tal tarefa, porque cada um fará sua lista de acordo com sua interpretação do
texto bíblico", afirmou.
Segundo Milton Paulo, a
lista de pecados apresentará diferenças dependendo da linha da igreja, como,
por exemplo, se ela for mais fundamentalista ou mais progressista. Isso
significa que não existe uma uniformidade no cenário evangélico, nem quando o
assunto é o pecado.
“É importante ressaltar que tais listas são formadas a partir da interpretação de cada grupo. Não se trata pura e simplesmente do texto, mas da interpretação do texto",Milton Paulo, pastor da Igreja Vineyard.
Para Helen Teixeira, mestra em Ciências da Religião pela PUC-Campinas, o movimento evangélico brasileiro tem suas raízes teológicas e ideológicas vindas dos EUA. "Essas ideias teológicas caminham em paralelo com uma ideologia do chamado 'American Way of Life' - modo de vida americano, em tradução livre - marcado pelo individualismo e pela meritocracia. E isso consiste em um controle rigoroso do comportamento individual como sinal da salvação e da espiritualidade", explicou.
Segundo Teixeira, a ideia de uma lista de pecados é relacionada com uma leitura mais literal da Bíblia, como se o livro fosse um manual de prática, com regras e lições de moral que devem ser aplicadas na vida dos fiéis em qualquer época. Além disso, Teixeira ressalta que a identidade evangélica sempre esteve associada a um determinado conjunto de práticas, vestimentas e abstenções, algo que seria uma resposta contra a cultura.
Em relação à lista que viralizou na internet, a pesquisadora aponta que há um grande aspecto anticatólico, com a menção à primeira comunhão e ao crisma como pecados. "O anticatolicismo é uma característica presente desde o início do protestantismo do Brasil, que vê os católicos como pagãos que precisam ser convertidos ao verdadeiro cristianismo, que, na visão desses cristãos, seria o de vertente evangélica", Helen Teixeira, mestra em Ciências da Religião pela PUC-Campinas.
Igreja Católica
Já a Igreja Católica
conseguiu, de certo modo, listar o que é ou não pecado. O catecismo da Igreja
Católica, que está em vigor desde a reforma promulgada na década de 1980,
apresenta pecados objetivos, que são aqueles contra a própria consciência,
contra a pessoa de Deus e contra o próximo. Segundo o teólogo Felipe Zangari,
esses são os três eixos fundamentais que a teologia moral aborda para analisar
situações de pecado.
"Agora, a análise é fria porque estamos
falando de gente. E, tanto no catecismo da Igreja Católica quanto no direito
canônico estão previstos as agravantes e as atenuantes de cada situação
objetiva que enseja ali uma ideia preliminar de pecado. Em suma, a depender das
condições contextuais, psicossociais e afetivas que cada pessoa enfrenta, uma
situação pode ser pecado leve para uma pessoa e gravíssimo para outra",
explicou.
Essa análise pode ser
feita no momento da confissão do fiel com o padre católico.
“A confissão auricular cumpre o preceito
deixado por Jesus de dar aos apóstolos o poder de perdoar os pecados. O foco da
confissão está no reconhecimento das faltas, no arrependimento sincero do
coração, no desejo de mudança de atitude e, sobretudo, na confiança de que Deus
sempre acolhe e sempre perdoa um coração arrependido, chamado de sacramento da
reconciliação. Mais importante do que o grau do pecado, é o desejo de mudar de
vida e a confiança na Divina Misericórdia", Felipe Zangari.
Na Bíblia, consta que o apóstolo Paulo, em sua carta à Igreja de Roma, simplificou toda essa história, e isso há quase dois mil anos, ao afirmar que "todos pecaram", conforme está no livro de Romanos.
Para Milton Paulo, talvez a intenção do apóstolo tenha sido também a de evitar o constrangimento e o sentimento de vergonha alheia ao ver uma lista como a apresentada pela igreja de Brasília. "Como Igreja, em algum momento do caminho pegamos uma rota diferente da proposta oferecida por Jesus nos Evangelhos. Por isso, não consigo ver nada de útil ou saudável em uma lista assim. A sensação de que a medida que a obediência à lista for 'furando', o sentimento de débito com o Divino vai aumentando não é nada boa", concluiu.
Arquiteto' e santo milagreiro das pílulas: quem foi
Frei Galvão?
Frei
Galvão, o primeiro santo nascido no Brasil, foi canonizado por Bento 16 - Imagem:
Mosteiro da Luz de São Paulo
No dia 11
maio de 2007, há exatos 16 anos, o Brasil ganhava seu primeiro santo nascido no
país: Frei Galvão. Ele foi canonizado em uma missa presidida pelo papa Bento 16
no Campo de Marte, na zona norte de São Paulo.
Quem foi Frei Galvão
Antônio de Sant'Anna Galvão nasceu em 1739 no que
atualmente é a cidade de Guaratinguetá (SP). Ele vinha de uma família muito nobre e era o
quarto de dez filhos. Ele viveu com a família até os 13 anos, quando foi para
um seminário na Bahia, onde estudou até os 19 anos.
Desde novo, demonstrava interesse pela construção
religiosa e
teria visitado diversas igrejas da região nordeste do país para ampliar os
estudos na área.
Aos 21 anos foi ordenado sacerdote franciscano, no
Rio de Janeiro, mas acabou se estabelecendo em São Paulo, no convento de São Francisco,
região central da cidade. Por lá, continuou os estudos em filosofia e teologia.
Ele se tornou confessor de religiosas que viviam no chamado Recolhimento de
Santa Teresa, em São Paulo, e mais tarde tornou-se diretor e acabou comprando a
ideia das irmãs de criação de um novo convento.
Frei Galvão trabalhou para a construção do Mosteiro
da Luz, inaugurado em 1802, e atuava como arquiteto, mestre-de-obras,
pedreiro, servente e carpinteiro no projeto, segundo o pesquisador Benedito Lima de Toledo
(1934-2019). Foi a partir dessa empreitada que o bairro da Luz começou a ganhar
forma em São Paulo.
O religioso viveu tensões políticas em São Paulo. Quando estava na direção do
Recolhimento de Santa Teresa, houve uma mudança no governo que resultou no
fechamento do convento. Sob pressão popular, o local foi reaberto. Depois,
houve desavença com capitão-mor, que havia sentenciado um soldado à morte por
uma ofensa. O religioso defendeu o soldado e acabou exilado para o Rio.
Novamente por pressão popular, a decisão foi revogada.
Frei Galvão ficou conhecido por uma série de atos de
caridade e uma fé inabalável — que resultou na criação das famosas pílulas, até hoje distribuídas no
Mosteiro da Luz.
Ele intercedeu por um doente com pedra no rim. Segundo a crença, o religioso
teria ido até Guaratinguetá para angariar recursos para a construção do
mosteiro. Na cidade, foi abordado por um grupo que pedia que ele fosse a uma
fazenda rezar para ajudar uma pessoa que estava há dias sofrendo com uma pedra
no rim. Sem tempo para ir até o local, Frei Galvão pegou um pedaço de papel e
escreveu: "Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta: Mãe de Deus,
intercedei por nós". Entregou o papel e orientou que o enfermo tomasse
aquilo como um remédio, além de continuar orando pela cura — que se deu mais
tarde.
As pílulas começaram a ficar famosas e ele ensinou
as irmãs do convento a fabricá-las. Frei Galvão morreu em dezembro de 1822 e foi
sepultado no Mosteiro da Luz.
Um santo brasileiro
Frei Galvão se tornou o primeiro brasileiro a ser
beatificado pelo Vaticano, em 1998. Na época, cerca de 2 mil brasileiros
prestigiaram o evento conduzido pelo papa João Paulo 2º.
A justificativa para a beatificação veio após uma menina
de 12 anos ter saído de um coma supostamente por um milagre das pílulas de Frei
Galvão. Daniela
Cristina da Silva estava com hepatite aguda do tipo A. Ela sofreu uma
parada cardíaca e ficou em coma aos 4 anos. Os médicos haviam dado o caso como
perdido, mas a mãe fez a novena de Frei Galvão e ministrou as famosas pílulas
do religioso. Duas semanas depois, a filha estava lúcida.
A beatificação foi um passo anterior à canonização,
quando Frei Galvão tornou-se oficialmente o primeiro santo brasileiro, em maio
de 2007. Na
ocasião, o papa Bento 16 esteve no Campo de Marte, em São Paulo, para a
cerimônia. A decisão do Vaticano se deu após a compreensão de que ele havia
realizado pelo menos dois milagres.
Frei Galvão também acabou reconhecido postumamente
como engenheiro honoris causa, em 2008, em uma homenagem realizada pelo CREA-SP (Conselho Regional de
Engenharia e Agronomia de São Paulo).
A canonização de Frei Galvão abriu precedentes para outros brasileiros também ganharem o título de santos. Em 2017, o Papa Francisco canonizou os Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, um grupo de trinta religiosos que foram vítimas de um massacre na região que hoje é o Rio Grande do Norte. Em 2019, foi a vez de Irmã Dulce, considerada a primeira mulher santa nascida no país.
A
história do Dia das Mães remonta à mitologia greco—romana
No Brasil, como o governo populista de Getúlio
Vargas instituiu este dia¿ Com relação ao comércio, data é uma das mais
importantes do ano, ficando atrás somente do Natal em termos de faturamento.
O Dia das Mães, assim como o Carnaval e a Páscoa, não tem
uma data fixa no calendário. No entanto, ele é sempre
celebrado no segundo domingo de maio – e, para esse ano, dia 14, próximo
domingo.
Segundo a
"BBC", a origem das comemorações remonta à
Grécia antiga, quando
os gregos ofereciam presentes à mãe de todos os deuses, a deusa Reia, mãe de Zeus, o deus dos deuses.
Reia, na mitologia
grega, era uma titânide, filha de Urano e de Gaia. Na mitologia
romana é identificada como Cibele, a Magna Mater (mães dos deuses também a deusa da maternidade).
Mas foi
somente em 1914 que a data se tornou feriado nos Estados Unidos, por decreto do
presidente Woodrow Wilson. Isso só foi possível porque, durante anos e anos,
Anna Jarvis fez campanha para homenagear as mães, depois que sua própria mãe,
Ann Reeves Jarvis, morreu em 1905.
Anna Maria Jarvis é reconhecida como idealizadora do Dia das
Mães nos Estados Unidos. A ideia surgiu a partir de um episódio ocorrido na
vida pessoal dela, com a morte de sua mãe. As amigas, muito preocupadas com seu
estado depressivo depois do fato, fizeram uma festa para eternizar o dia.
Inda de
acordo com a "BBC", Jarvis costumava escrever cartas a congressistas,
governadores e celebridades pedindo apoio, mas as respostas muitas vezes eram
muito debochadas: "se oficializassem o Dia das Mães, teriam que
instituir também o Dia da Sogra".
Já no
Brasil, a oficialização do Dia das Mães ocorreu em 5 de maio de 1932, por meio
de um decreto-lei assinado por Getúlio Vargas. De lá para cá, a data se tornou
a segunda mais importante para o comércio no país, perdendo apenas para o
Natal.
Por aqui,
o que esperar em 2023?
A
expectativa é que mais da metade dos brasileiros (51,8%) compre presentes para
o Dia das Mães neste ano, de acordo com pesquisa da Associação Comercial de São Paulo
(ACSP), elaborada pela PiniOn. O resultado subiu em relação ao mesmo
período de 2022, quando 50% dos consumidores admitiram que iam às compras.
Entre os
que pretendem presentear as mães, 41,2% devem desembolsar mais do que em 2022,
enquanto 30% esboçam o contrário. A expectativa é que a maioria das compras
(78,8%) gire em torno de R$ 50 e R$ 300.
Da mesma
forma, a GfK Brasil — empresa global de pesquisa de mercado com sede na Alemanha — está otimista de que o consumidor
retome as compras nesta data, e que os números do setor superem os do ano
passado. Segundo Fernando Baialuna, head da gfkconsult Latam e diretor de
varejo, neste ano, o tíquete médio gasto pelo consumidor será menor, e o
mercado estará mais voltado para as lojas físicas, não apenas no digital.
De acordo
com a GfK, os smartphones ainda estão entre os produtos mais buscados para presentear
e dividem lugar no pódio com fritadeiras (airfryers), pranchas modeladoras de
cabelo e outros eletroportáteis, além do crescimento de itens de linha branca,
como lava-louças.
O que os
brasileiros procuram?
De acordo
com o estudo do Mercado Livre, itens de beleza, cuidados pessoais, moda e
eletrônicos se destacam nas buscas dos consumidores em abril em comparação com
o mesmo mês do ano anterior.
Mais
especificamente, os usuários estão procurando peças de inverno por causa do
friozinho do outono. As buscas por blusa de lã cresceram 595%, enquanto as de
poncho aumentaram 438%, seguidas por blusa de tricô (+335%) e blazer feminino
(+81%). Outros produtos que registraram altas significativas nas buscas foram
bota e botas femininas, com um crescimento de 80%.
Já em
beleza e cuidados pessoais, uma tendência chama a atenção: perfume para cabelo
cresceu 55% nas buscas desde o início de abril deste ano e é um dos cosméticos
em destaque, seguido de paleta de maquiagem (+42%), batom matte (+40%) e
perfume (+24%).
Itens eletrônicos também costumam ter a preferência dos consumidores durante a data. Isso já se reflete no crescimento de vendas em alguns produtos que são carros chefe em datas presenteáveis, como notebook (+49%), fone de ouvido (+41%) e smartphones (+16%). Olhando para eletroportáteis, airfryer ganha destaque, com um crescimento nas vendas de 73%.
Onde está a cabeça de Tiradentes, o herói da Inconfidência mineira?
Duas grandes perguntas são: onde
foi enterrado o mártir da Inconfidência Mineira e será que conseguiram reunir
todos os membros do seu corpo no túmulo?
Joaquim José da Silva Xavier, conhecido na história do Brasil como
Tiradentes, foi enforcado e esquartejado no dia 21 de abril de 1792. O corpo
foi dividido em quatro partes, que foram expostas em locais públicos para que
outros não cometessem o mesmo erro de trair a Coroa portuguesa, evitando assim
futuras rebeliões. A cabeça foi fincada no alto de uma estaca, no centro da
praça principal da antiga Vila Rica, mas supostamente desapareceu na noite. Em
1965, 173 anos depois, em plena ditadura militar, Tiradentes foi proclamado
Patrono Cívico da Nação Brasileira pela Lei 4.867.
E a cabeça de Tiradentes?
Segundo o portal Nova Escola
(clique e acesse a matéria), o que sobrou de seu corpo foi enterrado em segredo
no altar da antiga Capela de Sant'Anna de Sebolas, atual Igreja Nossa Senhora
de Sant’Anna de Sebollas, que fica no município de Paraíba do Sul, no estado do
Rio de Janeiro.
O mistério do sumiço ou roubo da cabeça de Tiradentes
até hoje intriga historiadores e moradores da antiga cidade que hoje se chama
Ouro Preto, segundo o jornal Estado de
Minas (acesse a matéria).
Na imagem, óleo sobre tela de Leopoldino de Faria (1836-1911) retratando a Resposta
de Tiradentes à comutação da pena de morte dos Inconfidentes. Foto: Domínio
Público
[clique na imagem e acesse]
O significado da Sexta Feira Santa (07 de abril)
Por que a Páscoa se divide em judaica e cristã?
O critério utilizado para determinar a data da Páscoa pela Igreja Católica, ainda no século IV, durante o primeiro Concílio de Niceia, no ano 325.
A
Páscoa é uma das celebrações mais importantes para judeus e cristãos. Cada
religião possui critérios diferentes para determinar o dia no qual a Páscoa é
comemorada.
A data da Páscoa é
um dos dias mais importantes no calendário de cristãos e judeus. No caso dos
cristãos, a Páscoa é um momento de relembrar a
crucificação e morte de Jesus Cristo, além de celebrar sua ressurreição. Já a
Páscoa judaica, chamada de pessach, é um momento de relembrar e
celebrar a libertação dos hebreus da escravidão do Egito.
A celebração cristã da Páscoa é uma
herança da celebração judaica e surgiu a partir de uma ressignificação da
celebração que acontecia entre os judeus. O crescimento da Páscoa entre os
cristãos forçou a Igreja Católica a estabelecer critérios que definem a data de
celebração da Páscoa todos os anos. Esse critério leva em consideração o
equinócio da primavera, no Hemisfério Norte, e as fases da Lua.
Resumo sobre a data
da Páscoa
· A data da Páscoa é o dia mais importante de celebração no calendário litúrgico dos cristãos.
· Essa celebração,
para os cristãos, relembra e comemora a ressurreição de Jesus Cristo.
· A Páscoa cristã é
derivada da Páscoa judaica, que celebra a libertação dos hebreus da escravidão
no Egito.
· A Páscoa judaica,
chamada de pessach, se inicia em 14 de nissan, data do
calendário judaico.
· O critério que define
a data da Páscoa cristã foi estabelecido no Concílio de Niceia, em 325, e leva
em conta o equinócio da primavera (no Hemisfério Norte) e as fases da Lua.
Como é definida a
data da Páscoa?
As datas que foram estabelecidas para
a celebração da Páscoa cristã e da Páscoa judaica seguem
critérios diferentes. A pessach possui uma data fixa no
calendário judaico, e o dia e o mês foram estabelecidos pelo próprio Deus,
segundo os textos bíblicos. Até hoje, os judeus seguem esse critério para a
celebração da Páscoa.
O sistema que é usado pelos cristãos
para determinar a data da Páscoa é bem mais complexo que o utilizado pelos
judeus. Além disso, diferentemente dos judeus, a celebração da Páscoa cristã possui uma data móvel, que
pode variar entre os meses de março e abril. Quem estabeleceu esse critério foi
a Igreja Católica ainda no século IV, durante o primeiro Concílio de Niceia.
Data da Páscoa
judaica
A Páscoa judaica (chamada de pessach pelos judeus, conforme mencionado, celebra a
libertação do povo hebreu da escravidão do Egito. A data da Páscoa
judaica foi estabelecida por uma ordem de Javé, conforme
consta na Torá (livro sagrado que possui os cinco primeiros livros encontrados
também na Bíblia). No livro de Êxodo, no capítulo 12, o seguinte trecho afirma:
Esse trecho de Êxodo 12 estabelece
que a comemoração da pessach acontecerá sempre no dia 14 do
mês nissan (ou nisã), o primeiro mês que consta no
calendário judaico. Esse calendário é um calendário lunissolar, isto é, que se
baseia em ciclos da Lua e do Sol. Os meses do calendário judaico baseiam-se no
ciclo lunar, enquanto o ano judaico baseia-se no ciclo solar. Sendo assim,
dentro da tradição judaica, anualmente, a comemoração judaica acontece nessa
data.
Atualmente, os judeus utilizam dois
calendários: o gregoriano, muito utilizado no mundo ocidental, e o judaico,
calendário próprio de sua cultura. Em 2023, a Páscoa judaica será
celebrada nos dias 5 e 6 de abril.
Data da Páscoa
cristã
A Páscoa celebra a ressurreição de
Jesus Cristo, algo que confirma a posição divina dele para os cristãos. A
celebração cristã se estabeleceu a partir da celebração judaica, e sua
popularização se deu pela ressignificação da festa para que ficasse mais
adequada à teologia cristã. No início do cristianismo, não havia uma
data certa para celebração da Páscoa.
O sistema que determina a Páscoa
cristã baseia-se em práticas oriundas de hebreus, romanos e egípcios. No caso
dos egípcios, a contribuição foi pelo uso do calendário solar. No caso dos
hebreus, pela utilização de um calendário lunar, além de eles terem sido o povo
que legou a Páscoa aos cristãos. Os romanos, por fim, além de usarem o
calendário solar, foram aqueles que criaram o sistema que define a data da
Páscoa.
No século IV, mais precisamente no
ano de 325, foi realizado o Concílio de Niceia, e nele as autoridades da
Igreja Católica reuniram-se para determinar uma data para a comemoração da
Páscoa com o objetivo de unificar a celebração da ressurreição
de Cristo em toda a cristandade. Assim,
durante o Concílio de Niceia, ficou decidido que a data da Páscoa seria
determinada pela seguinte estrutura:
·
A data da Páscoa é celebrada no primeiro domingo após a primeira Lua
cheia que ocorre depois do equinócio de primavera/outono.
Dessa forma, a comemoração para os
cristãos não é fixa, portanto acontece em data móvel e a cada
ano ocorre em uma data diferente, entre 22 de março e 25 de abril.
Qual a data da
Páscoa cristã em 2023?
Em 2023, a celebração da Páscoa
ocorre em 9 de abril, e essa data segue o critério explicado acima. Como vimos,
a Páscoa acontece no primeiro domingo após a Lua cheia que acontece depois do
equinócio da primavera no Hemisfério Norte. O equinócio da primavera no
Hemisfério Norte, em 2023, ocorre em 20 de março.
A primeira Lua cheia após esse evento
ocorre em 6 de abril, e o primeiro domingo após essa Lua cheia é no dia 9
de abril, Domingo de Páscoa. A definição do dia da Páscoa é fundamental
para que outras celebrações da liturgia cristã aconteçam. Com a Páscoa no dia 9
de abril, a Semana Santa se inicia em 2 de abril, com o Domingo de
Ramos.
O Domingo de Páscoa na tradição
cristã celebra a ressurreição de Cristo. Outras celebrações são marcadas com
base nessa data.
Além disso, a data do Carnaval é
marcada com base na data da Páscoa, pois a Terça-feira de Carnaval acontece 40
dias antes do Domingo de Ramos, que inicia a Semana Santa. O dia seguinte à
Terça-feira de Carnaval é chamado de Quarta-feira de Cinzas, sendo o
primeiro dia da Quaresma, outro importante momento da liturgia e do calendário
cristão.
Data da Páscoa nos
próximos anos
→ Pessach (Páscoa
judaica)
·
2024: 22 e 23 de abril.
·
2025: 12 e 13 de abril.
·
2026: 1º e 2 de abril.
·
2027: 21 e 22 de abril.
·
2028: 10 e 11 de abril.
Páscoa cristã
Lembrando que o equinócio de
primavera/outono (primavera no Hemisfério Norte e outono no Hemisfério Sul)
acontece sempre entre 20 e 21 de março. Sendo assim, as datas da Páscoa cristã
nos próximos cinco anos serão:
·
2024: 31 de março.
·
2025: 20 de abril.
·
2026: 5 de abril.
·
2027: 28 de março.
·
2028: 16 de abril.
Curiosidades sobre
a data da Páscoa
·
Os cristãos ortodoxos utilizam o calendário juliano, enquanto católicos
e protestantes utilizam o calendário gregoriano. Para os ortodoxos, a Páscoa em
2023 será comemorada no dia 16 de abril.
·
Existe um debate entre grandes autoridades de diferentes igrejas para
unificar a comemoração da Páscoa entre as vertentes anglicana, católica,
ortodoxa e copta.
·
Na Inglaterra, até o século VIII, havia inúmeras confusões acerca da
datação da Páscoa. Durante o Sínodo de Whitby, as autoridades cristãs da
Inglaterra decidiram seguir o modelo romano (estipulado durante o Concílio de
Niceia).

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