Datas Especiais

13 de maio de 1888, 135 anos após a chamada, “Abolição da escravatura", homens e mulheres negras buscam garantias e direitos que nem  a chamada "abolição" garantiu.

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Morre Dom Geraldo Majella, ex-presidente da CNBB e criador da Pastoral da Criança

O cardeal Geraldo Majella Agnelo, 79, era Arcebispo Emérito da Arquidiocese de Salvador. De linha centrista foi indicado pelo papa João Paulo 2º, em 3 de janeiro de 1999  [Imagem: Rubens Cavallari/Folha]. 

Morreu essa semana (26)) o Cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo, ex-presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e uma das lideranças a criar a Pastoral da Criança. Ele tinha 89 anos e estava com a saúde frágil desde dezembro do ano passado, quando sofreu um AVC. 

Quem foi Geraldo Majella 

Mineiro de Juiz de Fora (MG), morreu em Londrina (PR). Ele se mudou para a cidade paranaense em 2014. Dom Geraldo Majella estava em internamento domiciliar e teve uma piora nos últimos dias, vindo a falecer na madrugada de sábado (26 de agosto). 

Tornou-se presidente da CNBB em 2001 permanecendo por dois anos no principal posto da Igreja Católica no Brasil. Começou a Pastoral da Criança em Florestópolis (PR) em 1983. A iniciativa se espalhou por todas as dioceses do Brasil. A pastoral ainda se difundiria para alguns países da América Latina e África. 

Anunciou a beatificação de Santa Dulce em 2010. Dom Majella também foi responsável por escrever a oração em exaltação da santa. Foi Arcebispo Metropolitano de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil em 1999. A nomeação foi feita pelo Papa João Paulo II, em 3 de janeiro de 1999. Em 2011, pediu renúncia do posto. Ele foi atendido pelo Papa Bento XVI, tornando-se arcebispo emérito da Arquidiocese de Salvador. 

Participou de dois conclaves, que é a reunião para escolha de um novo papa. Também ocupou cargos de relevância na estrutura mundial da igreja. A CNBB publicou uma nota de pesar lamentando a morte do religioso e exaltando seu legado. 

"Sua vida foi marcada por um grande amor à Igreja e uma contínua dedicação às coisas da Igreja, a serviço da fé e ao testemunho da vida cristã. Dom Geraldo mostrou sempre grande zelo pela Liturgia, pela boa formação dos sacerdotes e do povo católico e pela irrestrita fidelidade ao Papa e à Igreja”. 

Trecho da nota da CNBB.

 

 Sexo é pecado ou não? O que pensam as religiões

Imagem: BBC

Na semana de Corpus Christi a polêmica ou dúvida continua, em pleno século 21. Sexo é pecado ou não?

 "Expressar-se sexualmente é uma riqueza. Portanto, qualquer coisa que menospreze a real expressão sexual também menospreza você, e empobrece essa riqueza em você. O sexo tem sua própria dinâmica; tem sua própria razão de ser. A expressão do amor é provavelmente o ponto central da atividade sexual", segundo o portal católico "Vatican News". Mas e as outras religiões o que pensam sobre o tema?

Em muitas religiões, o sexo antes do casamento é proibido. Recentemente, o papa Francisco falou abertamente sobre temas considerados "tabus" pela Igreja Católica (leia matéria abaixo), com um grupo de jovens. Questionado sobre sexo, quando um dos jovens lhe pergunta sobre masturbação, Francisco disse que "o sexo é um dos dons mais bonitos que Deus deu à pessoa humana". 

Ao longo de sua resposta, o líder católico ainda admite que a catequese da Igreja Católica é "fraca" em relação ao tema e que, muitas vezes, os cristãos não têm uma postura madura para falar sobre isso. A fala do papa surpreendeu os fiéis. Afinal, falar sobre sexo e prazer não é tão comum nas igrejas. Inclusive, em muitas religiões, o sexo antes do casamento é proibido.

Os líderes religiosos falaram sobre o assunto

Católicos 

Conforme o professor de ética e padre da igreja São Paulo Apóstolo na Arquidiocese de Ribeirão Preto (SP), Elviro Pinheiro, a Igreja Católica entende que a sexualidade afeta todos os aspectos da pessoa humana. Para os católicos, o sexo está relacionado à capacidade de amar e procriar, criando assim uma comunhão com o outro. E, por isso, a relação sexual deve acontecer somente quando os dois estiverem unidos perante a doutrina. Segundo Pinheiro, a Igreja Católica entende que o sexo antes do casamento é pecado. “O matrimônio é o sacramento que regulariza o ato. Ao homem e à mulher cabe reconhecer e aceitar a sua identidade sexual. São complemento um na vida do outro, seja físico, moral e espiritual." 

Evangélicos

Para o pastor e teólogo manauara Caio Fábio, do ponto de vista histórico, o sexo é algo que foi abordado durante os séculos como um gerador de culpa. O ato sempre foi acompanhado de terror, e o sexo apenas para procriação é um dogma inventado pela Igreja Católica. 

Quando Jesus vem, segundo o teólogo, a relação é tratada de outra forma. "A única realidade que não é natural para Jesus é a traição e a infidelidade." O cristianismo não foi fundado como religião, mas em um caminho de consciência de verdade e vida, e transformou-se a partir do protestantismo. O especialista vê que as igrejas evangélicas neopentecostais são atrasadas em diálogos que envolvem sexualidade e não possuem uma visão saudável sobre o tema. 

O escritor conta que as igrejas não praticam a nova lei (novo testamento) para dar espaço ao velho, porque sabem que o texto vai de encontro às práticas deles. Com isso, o sexo, que deveria ser tratado como algo bom, é encarado como pecado. 

Espiritismo 

No espiritismo todos são almas em essência, ou seja, não delimitados ou definidos pelas questões morfológicas, sendo assim, os espíritos não têm sexo.

O corpo físico é encarado como uma ferramenta primordial onde a reencarnação encara o feminino e o masculino como grandes laboratórios para esse espírito que vem, consiga manifestar seus potenciais divinos. “Temos uma visão do compromisso, porque todo processo de conexão íntima gera responsabilidade nas trocas vibratórias. Nós estabelecemos vínculos", diz a médica pediatra e conselheira da UEM (União Espírita Mineira), Lenici Aparecida de Souza Alves. 

Do ponto de vista do sexo enquanto experiência física, Alves afirma que ele deve ser visto de maneira livre com responsabilidade e aproximação, pois, assim, os casais podem ficar juntos. 

Umbanda 

Na Umbanda, abordam-se os aspectos de gênero e a prática natural. A religião não concebe na filosofia o pecado. O sacerdote e teólogo Pai Silnei Farkas, membro da FNAB (Associação Nacional das Religiões Afro-Brasileiras), em São Paulo, aponta que a Umbanda acredita que não houve, não há e não haverá qualquer ruptura do homem com Deus, Nzambi, o Criador. 

Na religião, não se encara o sexo como questão moral, embora o sincretismo religioso presente, as doutrinas do catolicismo não são adotadas. Com isso, é possível a relação antes ou após o casamento. “O corpo humano não é tabu na Umbanda. Acreditamos e louvamos Deus como Pai e Mãe, logo, recebemos Dele o amor paterno e materno para entendermos que o sexo deve ser colocado em nossas vidas com amor."

 

Sexo é um dos dons mais bonitos dados por Deus, diz Papa

Papa Francisco em audiência na Praça São Pedro, no Vaticano - Imagem: Guglielmo Mangiapane/Reuters 

Em um documentário de 83 minutos, o papa Francisco falou abertamente sobre temas considerados "tabus" pela Igreja Católica com um grupo de jovens. Chamado de "Amém: Perguntando ao Papa", do streaming Star+, o líder não foge de nenhuma pergunta.

Questionado sobre sexo, quando um dos jovens o pergunta sobre masturbação, Francisco diz que "o sexo é um dos dons mais bonitos que Deus deu à pessoa humana". 


"Expressar-se sexualmente é uma riqueza. Portanto, qualquer coisa que menospreze a real expressão sexual também menospreza você, e empobrece essa riqueza em você. O sexo tem sua própria dinâmica; tem sua própria razão de ser. A expressão do amor é provavelmente o ponto central da atividade sexual", acrescenta segundo o portal católico "Vatican News".

Ao longo de sua resposta, o líder católico ainda admite que a catequese da Igreja Católica é "fraca" em relação ao tema e que, muitas vezes, os cristãos não têm uma postura madura para falar sobre isso.

Falando com um jovem que cria conteúdo pornográfico na internet, Francisco fala das possibilidades de conexão dadas pelas redes sociais, mas foca na questão da moralidade. "Quem depende da pornografia é como se dependesse de uma droga que o mantém em um nível que não o deixa crescer. A moralidade da mídia depende do uso que você faz dela", pontua.

Perguntado se sabia o que era uma pessoa não-binária e se elas têm espaço dentro da Igreja Católica, o pontífice voltou a repetir o que sempre fala quando questionado sobre isso: que é preciso dar acolhimento sem julgamentos.

"Cada pessoa é filho de Deus, cada pessoa. Deus não rejeita ninguém, Deus é Pai e eu não tenho o direito de expulsar ninguém da Igreja. Não só isso, meu dever é sempre o de acolher. A Igreja não pode fechar a porta a ninguém. A ninguém", disse ainda, conforme o site católico, criticando que usa discursos de ódio dizendo seguir a Bíblia.

"Estas pessoas são infiltradas que se aproveitam da Igreja para suas paixões pessoais, para a sua estreiteza pessoal. É uma das corrupções da Igreja", afirmou.

Sobre os abusos sexuais, um dos jovens diz que sofreu o crime de um membro da Opus Dei e que o religioso foi condenado na justiça civil, mas que recebeu uma carta da Congregação para a Doutrina da Fé em que decidiu-se "restituir o bom nome" do abusador. Dizendo estar triste com a situação e prometendo rever esse caso, o Papa ainda afirmou que esses abusos nunca podem prescrever.

"Pelo menos na Igreja, [quero que] estes casos de abuso de menores não caiam em prescrição. E se com os anos caem em prescrição, eu levanto automaticamente tal prescrição. Não quero que isto jamais caia em prescrição", ressalta.

O fim do documentário mostra duas pessoas contrastantes entre os 10 jovens, Maria, uma jovem que se orgulha de ser católica, e Lucia, que se afastou da Igreja após sofrer abusos de poder e psicológicos em uma comunidade católica.

A ela, "Francisco não tenta convencê-la do contrário" e diz que às vezes "a verdadeira coragem consiste em abandonar o que nos prejudica", diz o portal católico. "Este lugar mau, este lugar de corrupção, este convento me desumaniza, vou voltar para onde comecei, para buscar a humanidade de minhas raízes. Isto não me escandaliza', pontua.

 

Lesbianismo, RPG e horóscopo: afinal, o que as igrejas consideram pecado?

A lista de pecados foi até para nos trending topics do Twitter - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Uma lista de pecados entregue a jovens que participaram de um retiro de uma igreja evangélica de Brasília viralizou nas redes sociais recentemente. Com 108 itens, a checklist incluía pecados como aborto, ciúme doentio, vício em cigarro, homossexualismo, lesbianismo, racionalismo, primeira comunhão, crisma, entre outros.

Depois da repercussão da lista, a jovem que fez a publicação nas redes sociais apagou o post que já havia alcançado 11 milhões de visualizações. A relação de pecados foi para nos trending topics do Twitter. Mas, será que é mesmo possível fazer uma listagem de todos os pecados, como a tal igreja de Brasília tentou fazer?

 

Até é possível fazer, já que listas de pecados fazem parte da tradição cristã. A Bíblia mesmo traz uma lista assim, nos Dez Mandamentos. O conceito cristão de pecado começa a ser desenvolvido a partir do não cumprimento dos mandamentos. A noção objetiva de pecado que a igreja cristã desenvolveu está baseada nos princípios da moral natural que estão colocados ali, a partir dos Dez Mandamentos", explicou o teólogo Felipe Zangari, mestre em Ciências da Religião.

Segundo ele, o desenvolvimento do cristianismo e da moral cristã foi trabalhando ao longo dos séculos a questão do pecado de diversas formas. A partir da Idade Média surgiram livros que listavam o que era pecado ou não, e ofereciam ao sacerdote a penitência correspondente a cada tipo de pecado.


Igrejas Evangélicas


Mas, se historicamente é possível listar pecados, na prática, o número de listas pode ser imenso e variando o que é pecado ou não conforme a igreja cristã. Vale lembrar que não existe uma única "igreja evangélica", mas incontáveis denominações diferentes. 


Para o teólogo Milton Paulo, pastor da Igreja Vineyard, em Mogi das Cruzes (SP), “como a Bíblia é o que guia a fé e a prática religiosa dentro das igrejas evangélicas, a interpretação literal do livro sagrado dos cristãos pode levar a incontáveis listas de "pode ou não pode. Essas listas são tão infinitas quanto o número de pessoas que se propõem a tal tarefa, porque cada um fará sua lista de acordo com sua interpretação do texto bíblico", afirmou.


Segundo Milton Paulo, a lista de pecados apresentará diferenças dependendo da linha da igreja, como, por exemplo, se ela for mais fundamentalista ou mais progressista. Isso significa que não existe uma uniformidade no cenário evangélico, nem quando o assunto é o pecado.


É importante ressaltar que tais listas são formadas a partir da interpretação de cada grupo. Não se trata pura e simplesmente do texto, mas da interpretação do texto",Milton Paulo, pastor da Igreja Vineyard.

Para Helen Teixeira, mestra em Ciências da Religião pela PUC-Campinas, o movimento evangélico brasileiro tem suas raízes teológicas e ideológicas vindas dos EUA. "Essas ideias teológicas caminham em paralelo com uma ideologia do chamado 'American Way of Life' - modo de vida americano, em tradução livre - marcado pelo individualismo e pela meritocracia. E isso consiste em um controle rigoroso do comportamento individual como sinal da salvação e da espiritualidade", explicou.


Segundo Teixeira, a ideia de uma lista de pecados é relacionada com uma leitura mais literal da Bíblia, como se o livro fosse um manual de prática, com regras e lições de moral que devem ser aplicadas na vida dos fiéis em qualquer época. Além disso, Teixeira ressalta que a identidade evangélica sempre esteve associada a um determinado conjunto de práticas, vestimentas e abstenções, algo que seria uma resposta contra a cultura.


Em relação à lista que viralizou na internet, a pesquisadora aponta que há um grande aspecto anticatólico, com a menção à primeira comunhão e ao crisma como pecados. "O anticatolicismo é uma característica presente desde o início do protestantismo do Brasil, que vê os católicos como pagãos que precisam ser convertidos ao verdadeiro cristianismo, que, na visão desses cristãos, seria o de vertente evangélica"Helen Teixeira, mestra em Ciências da Religião pela PUC-Campinas.


Igreja Católica

Já a Igreja Católica conseguiu, de certo modo, listar o que é ou não pecado. O catecismo da Igreja Católica, que está em vigor desde a reforma promulgada na década de 1980, apresenta pecados objetivos, que são aqueles contra a própria consciência, contra a pessoa de Deus e contra o próximo. Segundo o teólogo Felipe Zangari, esses são os três eixos fundamentais que a teologia moral aborda para analisar situações de pecado.


"Agora, a análise é fria porque estamos falando de gente. E, tanto no catecismo da Igreja Católica quanto no direito canônico estão previstos as agravantes e as atenuantes de cada situação objetiva que enseja ali uma ideia preliminar de pecado. Em suma, a depender das condições contextuais, psicossociais e afetivas que cada pessoa enfrenta, uma situação pode ser pecado leve para uma pessoa e gravíssimo para outra", explicou.


Essa análise pode ser feita no momento da confissão do fiel com o padre católico.

A confissão auricular cumpre o preceito deixado por Jesus de dar aos apóstolos o poder de perdoar os pecados. O foco da confissão está no reconhecimento das faltas, no arrependimento sincero do coração, no desejo de mudança de atitude e, sobretudo, na confiança de que Deus sempre acolhe e sempre perdoa um coração arrependido, chamado de sacramento da reconciliação. Mais importante do que o grau do pecado, é o desejo de mudar de vida e a confiança na Divina Misericórdia", Felipe Zangari.


Na Bíblia, consta que o apóstolo Paulo, em sua carta à Igreja de Roma, simplificou toda essa história, e isso há quase dois mil anos, ao afirmar que "todos pecaram", conforme está no livro de Romanos. 

Para Milton Paulo, talvez a intenção do apóstolo tenha sido também a de evitar o constrangimento e o sentimento de vergonha alheia ao ver uma lista como a apresentada pela igreja de Brasília. "Como Igreja, em algum momento do caminho pegamos uma rota diferente da proposta oferecida por Jesus nos Evangelhos. Por isso, não consigo ver nada de útil ou saudável em uma lista assim. A sensação de que a medida que a obediência à lista for 'furando', o sentimento de débito com o Divino vai aumentando não é nada boa", concluiu.

Arquiteto' e santo milagreiro das pílulas: quem foi Frei Galvão?

 

Frei Galvão, o primeiro santo nascido no Brasil, foi canonizado por Bento 16 - Imagem: Mosteiro da Luz de São Paulo

No dia 11 maio de 2007, há exatos 16 anos, o Brasil ganhava seu primeiro santo nascido no país: Frei Galvão. Ele foi canonizado em uma missa presidida pelo papa Bento 16 no Campo de Marte, na zona norte de São Paulo.

Quem foi Frei Galvão

Antônio de Sant'Anna Galvão nasceu em 1739 no que atualmente é a cidade de Guaratinguetá (SP). Ele vinha de uma família muito nobre e era o quarto de dez filhos. Ele viveu com a família até os 13 anos, quando foi para um seminário na Bahia, onde estudou até os 19 anos.

Desde novo, demonstrava interesse pela construção religiosa e teria visitado diversas igrejas da região nordeste do país para ampliar os estudos na área.

Aos 21 anos foi ordenado sacerdote franciscano, no Rio de Janeiro, mas acabou se estabelecendo em São Paulo, no convento de São Francisco, região central da cidade. Por lá, continuou os estudos em filosofia e teologia. Ele se tornou confessor de religiosas que viviam no chamado Recolhimento de Santa Teresa, em São Paulo, e mais tarde tornou-se diretor e acabou comprando a ideia das irmãs de criação de um novo convento.

Frei Galvão trabalhou para a construção do Mosteiro da Luz, inaugurado em 1802, e atuava como arquiteto, mestre-de-obras, pedreiro, servente e carpinteiro no projeto, segundo o pesquisador Benedito Lima de Toledo (1934-2019). Foi a partir dessa empreitada que o bairro da Luz começou a ganhar forma em São Paulo.

O religioso viveu tensões políticas em São Paulo. Quando estava na direção do Recolhimento de Santa Teresa, houve uma mudança no governo que resultou no fechamento do convento. Sob pressão popular, o local foi reaberto. Depois, houve desavença com capitão-mor, que havia sentenciado um soldado à morte por uma ofensa. O religioso defendeu o soldado e acabou exilado para o Rio. Novamente por pressão popular, a decisão foi revogada.

Frei Galvão ficou conhecido por uma série de atos de caridade e uma fé inabalável — que resultou na criação das famosas pílulas, até hoje distribuídas no Mosteiro da Luz.

Ele intercedeu por um doente com pedra no rim. Segundo a crença, o religioso teria ido até Guaratinguetá para angariar recursos para a construção do mosteiro. Na cidade, foi abordado por um grupo que pedia que ele fosse a uma fazenda rezar para ajudar uma pessoa que estava há dias sofrendo com uma pedra no rim. Sem tempo para ir até o local, Frei Galvão pegou um pedaço de papel e escreveu: "Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta: Mãe de Deus, intercedei por nós". Entregou o papel e orientou que o enfermo tomasse aquilo como um remédio, além de continuar orando pela cura — que se deu mais tarde.

As pílulas começaram a ficar famosas e ele ensinou as irmãs do convento a fabricá-las. Frei Galvão morreu em dezembro de 1822 e foi sepultado no Mosteiro da Luz.

Um santo brasileiro

Frei Galvão se tornou o primeiro brasileiro a ser beatificado pelo Vaticano, em 1998. Na época, cerca de 2 mil brasileiros prestigiaram o evento conduzido pelo papa João Paulo 2º.

A justificativa para a beatificação veio após uma menina de 12 anos ter saído de um coma supostamente por um milagre das pílulas de Frei Galvão. Daniela Cristina da Silva estava com hepatite aguda do tipo A. Ela sofreu uma parada cardíaca e ficou em coma aos 4 anos. Os médicos haviam dado o caso como perdido, mas a mãe fez a novena de Frei Galvão e ministrou as famosas pílulas do religioso. Duas semanas depois, a filha estava lúcida.

A beatificação foi um passo anterior à canonização, quando Frei Galvão tornou-se oficialmente o primeiro santo brasileiro, em maio de 2007. Na ocasião, o papa Bento 16 esteve no Campo de Marte, em São Paulo, para a cerimônia. A decisão do Vaticano se deu após a compreensão de que ele havia realizado pelo menos dois milagres.

Frei Galvão também acabou reconhecido postumamente como engenheiro honoris causa, em 2008, em uma homenagem realizada pelo CREA-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo).

A canonização de Frei Galvão abriu precedentes para outros brasileiros também ganharem o título de santos. Em 2017, o Papa Francisco canonizou os Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, um grupo de trinta religiosos que foram vítimas de um massacre na região que hoje é o Rio Grande do Norte. Em 2019, foi a vez de Irmã Dulce, considerada a primeira mulher santa nascida no país.


A história do Dia das Mães remonta à mitologia greco—romana 

Reia, na mitologia grega, era uma titânide, filha de Urano e de Gaia. Na mitologia romana é identificada como Cibele, a Magna Mater.

No Brasil, como o governo populista de Getúlio Vargas instituiu este dia¿ Com relação ao comércio, data é uma das mais importantes do ano, ficando atrás somente do Natal em termos de faturamento. 

Dia das Mães, assim como o Carnaval e a Páscoa, não tem uma data fixa no calendário. No entanto, ele é sempre celebrado no segundo domingo de maio – e, para esse ano, dia 14, próximo domingo.

Segundo a "BBC", a origem das comemorações remonta à Grécia antiga, quando os gregos ofereciam presentes à mãe de todos os deuses, a deusa Reia, mãe de Zeus, o deus dos deuses.

Reia, na mitologia grega, era uma titânide, filha de Urano e de Gaia. Na mitologia romana é identificada como Cibele, a Magna Mater (mães dos deuses também a deusa da maternidade).

Mas foi somente em 1914 que a data se tornou feriado nos Estados Unidos, por decreto do presidente Woodrow Wilson. Isso só foi possível porque, durante anos e anos, Anna Jarvis fez campanha para homenagear as mães, depois que sua própria mãe, Ann Reeves Jarvis, morreu em 1905.

Anna Maria Jarvis é reconhecida como idealizadora do Dia das Mães nos Estados Unidos. A ideia surgiu a partir de um episódio ocorrido na vida pessoal dela, com a morte de sua mãe. As amigas, muito preocupadas com seu estado depressivo depois do fato, fizeram uma festa para eternizar o dia.

Inda de acordo com a "BBC", Jarvis costumava escrever cartas a congressistas, governadores e celebridades pedindo apoio, mas as respostas muitas vezes eram muito debochadas: "se oficializassem o Dia das Mães, teriam que instituir também o Dia da Sogra".

Já no Brasil, a oficialização do Dia das Mães ocorreu em 5 de maio de 1932, por meio de um decreto-lei assinado por Getúlio Vargas. De lá para cá, a data se tornou a segunda mais importante para o comércio no país, perdendo apenas para o Natal.

Por aqui, o que esperar em 2023?

A expectativa é que mais da metade dos brasileiros (51,8%) compre presentes para o Dia das Mães neste ano, de acordo com pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), elaborada pela PiniOn. O resultado subiu em relação ao mesmo período de 2022, quando 50% dos consumidores admitiram que iam às compras.

Entre os que pretendem presentear as mães, 41,2% devem desembolsar mais do que em 2022, enquanto 30% esboçam o contrário. A expectativa é que a maioria das compras (78,8%) gire em torno de R$ 50 e R$ 300.

Da mesma forma, a GfK Brasil — empresa global de pesquisa de mercado com sede na Alemanha — está otimista de que o consumidor retome as compras nesta data, e que os números do setor superem os do ano passado. Segundo Fernando Baialuna, head da gfkconsult Latam e diretor de varejo, neste ano, o tíquete médio gasto pelo consumidor será menor, e o mercado estará mais voltado para as lojas físicas, não apenas no digital.

De acordo com a GfK, os smartphones ainda estão entre os produtos mais buscados para presentear e dividem lugar no pódio com fritadeiras (airfryers), pranchas modeladoras de cabelo e outros eletroportáteis, além do crescimento de itens de linha branca, como lava-louças.

O que os brasileiros procuram?

De acordo com o estudo do Mercado Livre, itens de beleza, cuidados pessoais, moda e eletrônicos se destacam nas buscas dos consumidores em abril em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Mais especificamente, os usuários estão procurando peças de inverno por causa do friozinho do outono. As buscas por blusa de lã cresceram 595%, enquanto as de poncho aumentaram 438%, seguidas por blusa de tricô (+335%) e blazer feminino (+81%). Outros produtos que registraram altas significativas nas buscas foram bota e botas femininas, com um crescimento de 80%.

Já em beleza e cuidados pessoais, uma tendência chama a atenção: perfume para cabelo cresceu 55% nas buscas desde o início de abril deste ano e é um dos cosméticos em destaque, seguido de paleta de maquiagem (+42%), batom matte (+40%) e perfume (+24%).

Itens eletrônicos também costumam ter a preferência dos consumidores durante a data. Isso já se reflete no crescimento de vendas em alguns produtos que são carros chefe em datas presenteáveis, como notebook (+49%), fone de ouvido (+41%) e smartphones (+16%). Olhando para eletroportáteis, airfryer ganha destaque, com um crescimento nas vendas de 73%.

Onde está a cabeça de Tiradentes, o herói da Inconfidência mineira? 


Duas grandes perguntas são: onde foi enterrado o mártir da Inconfidência Mineira e será que conseguiram reunir todos os membros do seu corpo no túmulo?

Joaquim José da Silva Xavier, conhecido na história do Brasil como Tiradentes, foi enforcado e esquartejado no dia 21 de abril de 1792. O corpo foi dividido em quatro partes, que foram expostas em locais públicos para que outros não cometessem o mesmo erro de trair a Coroa portuguesa, evitando assim futuras rebeliões. A cabeça foi fincada no alto de uma estaca, no centro da praça principal da antiga Vila Rica, mas supostamente desapareceu na noite. Em 1965, 173 anos depois, em plena ditadura militar, Tiradentes foi proclamado Patrono Cívico da Nação Brasileira pela Lei 4.867.

E a cabeça de Tiradentes?

Segundo o portal Nova Escola (clique e acesse a matéria), o que sobrou de seu corpo foi enterrado em segredo no altar da antiga Capela de Sant'Anna de Sebolas, atual Igreja Nossa Senhora de Sant’Anna de Sebollas, que fica no município de Paraíba do Sul, no estado do Rio de Janeiro. 

O mistério do sumiço ou roubo da cabeça de Tiradentes até hoje intriga historiadores e moradores da antiga cidade que hoje se chama Ouro Preto, segundo o jornal Estado de Minas (acesse a matéria). 

Na imagem, óleo sobre tela de Leopoldino de Faria (1836-1911) retratando a Resposta de Tiradentes à comutação da pena de morte dos Inconfidentes. Foto: Domínio Público

 

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O significado da Sexta Feira Santa (07 de abril)


Por que a Páscoa se divide em judaica e cristã?

 O critério utilizado para determinar a data da Páscoa pela Igreja Católica, ainda no século IV, durante o primeiro Concílio de Niceia, no ano 325.

A Páscoa é uma das celebrações mais importantes para judeus e cristãos. Cada religião possui critérios diferentes para determinar o dia no qual a Páscoa é comemorada.

 

data da Páscoa é um dos dias mais importantes no calendário de cristãos e judeus. No caso dos cristãos, a Páscoa é um momento de relembrar a crucificação e morte de Jesus Cristo, além de celebrar sua ressurreição. Já a Páscoa judaica, chamada de pessach, é um momento de relembrar e celebrar a libertação dos hebreus da escravidão do Egito.

A celebração cristã da Páscoa é uma herança da celebração judaica e surgiu a partir de uma ressignificação da celebração que acontecia entre os judeus. O crescimento da Páscoa entre os cristãos forçou a Igreja Católica a estabelecer critérios que definem a data de celebração da Páscoa todos os anos. Esse critério leva em consideração o equinócio da primavera, no Hemisfério Norte, e as fases da Lua.

Resumo sobre a data da Páscoa

·           A data da Páscoa é o dia mais importante de celebração no calendário litúrgico dos cristãos.

·        Essa celebração, para os cristãos, relembra e comemora a ressurreição de Jesus Cristo.

·      A Páscoa cristã é derivada da Páscoa judaica, que celebra a libertação dos hebreus da escravidão no Egito.

·     A Páscoa judaica, chamada de pessach, se inicia em 14 de nissan, data do calendário judaico.

·     O critério que define a data da Páscoa cristã foi estabelecido no Concílio de Niceia, em 325, e leva em conta o equinócio da primavera (no Hemisfério Norte) e as fases da Lua.

Como é definida a data da Páscoa?

As datas que foram estabelecidas para a celebração da Páscoa cristã e da Páscoa judaica seguem critérios diferentes. A pessach possui uma data fixa no calendário judaico, e o dia e o mês foram estabelecidos pelo próprio Deus, segundo os textos bíblicos. Até hoje, os judeus seguem esse critério para a celebração da Páscoa.

O sistema que é usado pelos cristãos para determinar a data da Páscoa é bem mais complexo que o utilizado pelos judeus. Além disso, diferentemente dos judeus, a celebração da Páscoa cristã possui uma data móvel, que pode variar entre os meses de março e abril. Quem estabeleceu esse critério foi a Igreja Católica ainda no século IV, durante o primeiro Concílio de Niceia.

Data da Páscoa judaica

A Páscoa judaica (chamada de pessach pelos judeus, conforme mencionado, celebra a libertação do povo hebreu da escravidão do Egito. A data da Páscoa judaica foi estabelecida por uma ordem de Javé, conforme consta na Torá (livro sagrado que possui os cinco primeiros livros encontrados também na Bíblia). No livro de Êxodo, no capítulo 12, o seguinte trecho afirma:

Esse trecho de Êxodo 12 estabelece que a comemoração da pessach acontecerá sempre no dia 14 do mês nissan (ou nisã), o primeiro mês que consta no calendário judaico. Esse calendário é um calendário lunissolar, isto é, que se baseia em ciclos da Lua e do Sol. Os meses do calendário judaico baseiam-se no ciclo lunar, enquanto o ano judaico baseia-se no ciclo solar. Sendo assim, dentro da tradição judaica, anualmente, a comemoração judaica acontece nessa data.

Atualmente, os judeus utilizam dois calendários: o gregoriano, muito utilizado no mundo ocidental, e o judaico, calendário próprio de sua cultura. Em 2023, a Páscoa judaica será celebrada nos dias 5 e 6 de abril.

Data da Páscoa cristã

A Páscoa celebra a ressurreição de Jesus Cristo, algo que confirma a posição divina dele para os cristãos. A celebração cristã se estabeleceu a partir da celebração judaica, e sua popularização se deu pela ressignificação da festa para que ficasse mais adequada à teologia cristã. No início do cristianismo, não havia uma data certa para celebração da Páscoa.

O sistema que determina a Páscoa cristã baseia-se em práticas oriundas de hebreus, romanos e egípcios. No caso dos egípcios, a contribuição foi pelo uso do calendário solar. No caso dos hebreus, pela utilização de um calendário lunar, além de eles terem sido o povo que legou a Páscoa aos cristãos. Os romanos, por fim, além de usarem o calendário solar, foram aqueles que criaram o sistema que define a data da Páscoa.

No século IV, mais precisamente no ano de 325, foi realizado o Concílio de Niceia, e nele as autoridades da Igreja Católica reuniram-se para determinar uma data para a comemoração da Páscoa com o objetivo de unificar a celebração da ressurreição de Cristo em toda a cristandade. Assim, durante o Concílio de Niceia, ficou decidido que a data da Páscoa seria determinada pela seguinte estrutura:

·         A data da Páscoa é celebrada no primeiro domingo após a primeira Lua cheia que ocorre depois do equinócio de primavera/outono.

Dessa forma, a comemoração para os cristãos não é fixa, portanto acontece em data móvel e a cada ano ocorre em uma data diferente, entre 22 de março e 25 de abril.

Qual a data da Páscoa cristã em 2023?

Em 2023, a celebração da Páscoa ocorre em 9 de abril, e essa data segue o critério explicado acima. Como vimos, a Páscoa acontece no primeiro domingo após a Lua cheia que acontece depois do equinócio da primavera no Hemisfério Norte. O equinócio da primavera no Hemisfério Norte, em 2023, ocorre em 20 de março.

A primeira Lua cheia após esse evento ocorre em 6 de abril, e o primeiro domingo após essa Lua cheia é no dia 9 de abril, Domingo de Páscoa. A definição do dia da Páscoa é fundamental para que outras celebrações da liturgia cristã aconteçam. Com a Páscoa no dia 9 de abril, a Semana Santa se inicia em 2 de abril, com o Domingo de Ramos.

O Domingo de Páscoa na tradição cristã celebra a ressurreição de Cristo. Outras celebrações são marcadas com base nessa data.

Além disso, a data do Carnaval é marcada com base na data da Páscoa, pois a Terça-feira de Carnaval acontece 40 dias antes do Domingo de Ramos, que inicia a Semana Santa. O dia seguinte à Terça-feira de Carnaval é chamado de Quarta-feira de Cinzas, sendo o primeiro dia da Quaresma, outro importante momento da liturgia e do calendário cristão.

Data da Páscoa nos próximos anos

→ Pessach (Páscoa judaica)

·         2024: 22 e 23 de abril.

·         2025: 12 e 13 de abril.

·         2026: 1º e 2 de abril.

·         2027: 21 e 22 de abril.

·         2028: 10 e 11 de abril.

Páscoa cristã

Lembrando que o equinócio de primavera/outono (primavera no Hemisfério Norte e outono no Hemisfério Sul) acontece sempre entre 20 e 21 de março. Sendo assim, as datas da Páscoa cristã nos próximos cinco anos serão:

·         2024: 31 de março.

·         2025: 20 de abril.

·         2026: 5 de abril.

·         2027: 28 de março.

·         2028: 16 de abril.

Curiosidades sobre a data da Páscoa

·         Os cristãos ortodoxos utilizam o calendário juliano, enquanto católicos e protestantes utilizam o calendário gregoriano. Para os ortodoxos, a Páscoa em 2023 será comemorada no dia 16 de abril.

·         Existe um debate entre grandes autoridades de diferentes igrejas para unificar a comemoração da Páscoa entre as vertentes anglicana, católica, ortodoxa e copta.

·         Na Inglaterra, até o século VIII, havia inúmeras confusões acerca da datação da Páscoa. Durante o Sínodo de Whitby, as autoridades cristãs da Inglaterra decidiram seguir o modelo romano (estipulado durante o Concílio de Niceia).

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Criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1948, passou a ser comemorado a partir de 1950.










A data foi instituída em 1931, pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em honra à memória do médico e jornalista Giovanni Battista Líbero Badaró, importante personalidade na luta pelo fim da monarquia portuguesa e Independência do Brasil. 

Líbero Badaró defendia a liberdade de imprensa e mantinha um jornal de oposição ao império.
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