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Brasileiros ainda podem sacar dinheiro do Valores a receber do BC que
está para mais de R$ 7 bi
Imagem: Getty Imagens
Conforme as estatísticas do BC, 63,07% do público
que tem dinheiro "esquecido" nos bancos pode recuperar valores de até
R$ 10.
Os brasileiros
ainda podem sacar R$ 7,178 bilhões em recursos "esquecidos" nos
bancos, segundo as estatísticas de junho do Sistema Valores a Receber (SVR),
que foram publicadas pelo Banco Central no início do mês. O valor é similar ao
balanço do mês anterior, que apontava que R$ 7,123 bilhões ainda podiam ser
devolvidos pelo sistema.
A maior parte do valor a ser devolvido à população
está concentrada nos bancos (R$ 4,228 bilhões), seguidos por administradores de
consórcios (R$ 2,119 bilhões) e cooperativas (R$ 627,852 milhões).
Conforme as estatísticas do BC, 63,07% do público
que tem dinheiro "esquecido" nos bancos pode recuperar valores de até
R$ 10. Já 24,99% têm a receber entre R$ 10,01 e R$ 100 e 10,18% podem ter a
devolução de R$ 100,01 a R$ 1.000. Em relação a valores acima de R$ 1.000,01, o
porcentual é de 1,77%.
Já foram recuperados pela população R$ 4,432
bilhões até junho, o que beneficiou 14,475 milhões de pessoas físicas e 571,808
mil empresas. Só em junho foram devolvidos R$ 229 milhões.
O SVR foi lançado pelo BC no início de 2022 para
possibilitar que a população recupere valores que ficaram esquecidos em bancos
e demais instituições financeiras e de pagamento.
Depois de um início tumultuado, devido à alta
procura pelos recursos, a segunda fase do sistema, prevista inicialmente para
maio, foi adiada em meio à greve dos servidores do BC no ano passado. O acesso
ao SVR foi retomado em março deste ano.
"Digital Real X" é o
nome por extenso de Drex a nova moeda eletrônica brasileira
Drex: BC
divulga nome da primeira moeda virtual brasileira. [Imagem:Divulgação/Banco Central]
O Banco Central
anunciou que a moeda digital brasileira emitida pela instituição vai se chamar
Drex. Até então o projeto estava sendo chamado de Real Digital. Entenda o que
já se sabe sobre o projeto e como vai funcionar a moeda virtual.
O que é Drex?
É a versão
digital do real, mas não é uma criptomoeda. O Drex vai ser um sistema com duas
moedas: uma de atacado (a moeda virtual regulada), que será usada para
pagamentos entre o BC e instituições financeiras autorizadas, e uma de varejo
(que vem sendo chamada de real tokenizado), que será emitida pelo mercado e vai
chegar ao consumidor final. A sigla é a abreviação da expressão "Digital
Real X". Segundo o BC, a combinação de letras forma uma palavra "com
sonoridade forte e moderna" e fazem alusão ao Real Digital. Já o
"e" vem de eletrônico e o "x" passaria a ideia de
"modernidade e de conexão".
Primo só
distante do Pix. Apesar da sigla também terminar com a letra "x", não
tem relação direta com o sistema de pagamentos instantâneos. O BC destacou,
porém, no anúncio que o Drex dá "continuidade à família de soluções do BC
iniciada com o Pix". Drex vai ser uma nova forma de dinheiro. A ideia do
BC é complementar o sistema financeiro que já existe hoje com a nova moeda. O
valor das moedas será sempre o mesmo: 1 Drex vai equivaler a R$ 1.
A principal
diferença entre as criptomoedas e o Drex é que ele vai ser regulado. Moedas
como bitcoin e ethereum não têm nenhum tipo de regulamentação. A solução,
segundo o BC, "propiciará um ambiente seguro e regulado para a geração de
novos negócios e o acesso mais democrático aos benefícios da digitalização da
economia a cidadãos e empreendedores".
O real
tokenizado vai permitir transações entre pessoas de forma direta. Arthur
Igreja, especialista em tecnologia e inovação, dá um exemplo prático: na
Califórnia, as pessoas conseguem tokenizar o documento do carro. Na hora de
vender, a própria pessoa consegue acessar o documento e trocar a titularidade,
sem precisar ir a algum despachante ou cartório.
Quando vou poder usar o Drex?
Expectativa é de
que a moeda chegue aos brasileiros ao final de 2024. A data pode atrasar caso o
BC precise realizar mais testes. Todas as transações vão ser simuladas, com a
participação do BC e agentes do mercado para realizar os testes necessários antes
de o Drex ser implementado oficialmente. O objetivo da nova moeda é facilitar
as transações e diminuir os custos. O projeto começou em março. Ele foca no
desenvolvimento da infraestrutura para a criação da moeda digital brasileira.
A ideia é que o
Drex seja uma alternativa ao uso de cédulas. Outros países já lançaram as suas
moedas digitais, chamadas de CBDC (do inglês Central Bank Digital Currencies; a
sigla pode ser traduzida para o português como "moedas digitais de banco
central"). Alguns deles, como a Suécia, a China e a Coreia do Sul, estão
em fase de execução dos projetos-piloto.
"É uma coisa de
infraestrutura e bastidor, mas não vai mudar a forma como o cidadão lida com o
seu dinheiro. Hoje cada banco tem seu sistema para fazer a consolidação de informações,
com muitos softwares que precisam conversar entre si", explica Arthur Igreja. "Quando
você faz uma compra e venda de título, hoje leva alguns dias para liquidar.
Quando for tokenizado, vai poder fazer na hora. Vai ser como fazer um Pix", emenda Igreja.
Cronograma do projeto
Maio de 2023: BC
selecionou as instituições financeiras que vão participar ativamente do projeto
piloto, como Itaú, Nubank e Santander. Ainda não há regras para definir quem
serão os selecionados.
Dezembro de
2023: A expectativa é de que o Drex seja desenvolvido. Fevereiro de 2024:
Começam os testes de compra e venda de ativos do Tesouro Nacional com a moeda.
Março de 2024: Início da avaliação final do projeto-piloto para entender o que
funcionou e o que precisa ser aprimorado. Final de 2024 (sem data definida):
Lançamento aos brasileiros. O BC diz que é uma previsão e que o projeto pode
atrasar caso precisem realizar mais testes.
Quero receber. Como vai funcionar?
Ainda não dá
para saber todos os tipos de serviço que vão surgir a partir do Drex. Em março,
Fábio Araújo, coordenador da iniciativa do real digital no BC, disse em
coletiva de imprensa que as soluções serão criadas pelas instituições
financeiras. Araújo disse que o BC é responsável por regulamentar a nova
ferramenta, mas que o mercado é que é criativo para implementar novas soluções.
Uma
funcionalidade possível é que o Drex seja usado para pagamentos, por meio de
carteiras digitais. As carteiras digitais serão custodiadas por instituições financeiras
autorizadas pelo BC. Drex poderá ser convertido para qualquer outra forma de
pagamento atual. O BC diz que pode ser transformado em depósito bancário
convencional ou em real físico, além de poder ser usado em pagamentos do dia a
dia.
Dinheiro em
papel não vai deixar de existir. O Drex será uma opção ao uso de cédulas e, por
ter foco no uso online, não deve ter impacto na circulação de dinheiro em
espécie em um primeiro momento, segundo o BC. Outra possibilidade são os
"contratos inteligentes". Na prática, eles permitem programar
pagamentos e transações que podem começar a partir de objetos, como na venda de
um carro.
Algumas
aplicações do real digital foram testadas no Lift Challenge. É uma edição
especial de um laboratório de inovação do BC para avaliar possíveis funções da
moeda criadas por agentes do mercado. Conheça algumas delas: O Itaú estudou
transferências internacionais de dinheiro. Os testes foram feitos com envios de
recursos da tesouraria do Itaú brasileiro para a unidade do banco na Colômbia.
A Visa focou em
pequenas e médias empresas, buscando uma forma para que estas companhias
tivessem acesso a fundos de investimentos internacionais por meio do real
digital. A Vert, empresa de tecnologia para serviços financeiros, tinha como
objetivo oferecer crédito rural via real digital, de forma mais fácil, rápida e
com menos etapas. O Santander propôs uma solução que permite que o pagamento de
um bem, como um carro ou imóvel, acontece no mesmo instante em que seu direito
de propriedade é transferido para o comprador.
A Febraban
apresentou uma solução de entrega de encomendas para o e-commerce por uma rede
de armários programáveis baseada na internet das coisas. Na prática, oferece
uma solução de logística em que diferentes plataformas de e-commerce poderão
ter acesso a pontos seguros de entrega.
Qual é a diferença entre Drex e
Pix? O custo é uma delas.
O Drex não é uma criptomoeda e sim uma moeda digital dividida em duas funcionalidades (atacado e varejo) e o Pix é um meio de pagamento instantâneo. [Imagem:
Divulgação/Banco Central].
Apesar de ser
considerado um "primo" do Pix, o Drex funcionará de maneira distinta.
Entenda a relação funcional entre Drex e Pix:
O que é o Drex?
Funcionará como
uma versão eletrônica do papel-moeda, que utiliza a tecnologia blockchain, a
mesma das criptomoedas. Vai ser uma nova forma de dinheiro. Cada R$ 1
equivalerá a 1 Drex — e o valor será garantido pela autoridade monetária.
Apesar de ser a
versão digital do real, não é uma criptomoeda. O Drex vai ser um sistema com
duas moedas: uma de atacado (a moeda virtual regulada), que será usada para
pagamentos entre o BC e instituições financeiras autorizadas, e uma de varejo
(que vem sendo chamada de real tokenizado), que será emitida pelo mercado e vai
chegar ao consumidor final. Além disso, a principal diferença entre as
criptomoedas e o Drex é que ele vai ser regulado.
O que é o Pix?
É um meio de
pagamento instantâneo. O dinheiro pode ser transferido de uma conta para outra
em até dez segundos, a qualquer horário, todos os dias (inclusive feriados e
finais de semana).
Além de
transferir e receber dinheiro, você pode também fazer compras pagando com Pix e
pagar contas (de luz, de celular etc.) e até impostos, como o Simples Nacional.
Pode ser usada por pessoas físicas e jurídicas (empresas), inclusive MEI
(microempreendedor individual). Não há limite da quantidade de transações via
Pix no mês.
Então, qual é a
diferença entre o Drex e o Pix?
Real x
blockchain. Enquanto o Pix é uma transação, em que a transferência é feita em
reais e segue limites de segurança impostos pelo BC e pelas instituições
financeiras, o Drex é uma moeda, em que a transferência contará com a
tecnologia blockchain, a mesma das criptomoedas — o que permitirá transações
com valores ainda maiores.
"Primo
distante". Apesar da sigla também terminar com a letra "x", o
serviço não tem relação direta com o sistema de pagamentos instantâneos. O BC
destacou, porém, no anúncio que o Drex dá "continuidade à família de
soluções do BC iniciada com o Pix".
Diferente do
Pix, o Drex terá um custo para ser usado. No entanto, o BC ainda não formalizou
qual será esse valor.
Alimentos infantis têm rótulos
emulados para driblar veto à propaganda de fórmula afirma Instituto de Defesa
do Consumidor
Imagem: Giuliana Saringer/UOL
Fórmulas infantis: rótulos semelhantes para produtos
diferentes confundem consumidor, diz Idec.
Influenciadores digitais com milhões
de seguidores têm aparecido nas redes sociais em ações de publicidade de
fórmulas infantis (leites artificiais) da Nestlé e da Danone.
Os itens
divulgados imitam embalagens de produtos cuja propaganda é proibida. O tema é
alvo de uma ação na Justiça. A indústria diz que segue a lei e que apoia o
aleitamento materno.
Entenda o caso
Como a propaganda
das fórmulas infantis é vetada, Nestlé e Danone têm promovido produtos
parecidos, cuja divulgação é permitida: as fórmulas voltadas para crianças a
partir de um ano e os compostos lácteos, alimentos feitos com leite e outros
ingredientes, como óleos vegetais.
A lei brasileira
proíbe publicidade de fórmulas infantis para crianças com menos de um ano. O
entendimento é de que esse tipo de publicidade desincentiva o aleitamento
materno, assim como a de chupetas e mamadeiras.
O Idec entrou
com uma ação civil pública contra Nestlé, Danone e Mead Johnson (dona da
fórmula Enfamil) em junho de 2022. A ação pede a responsabilização das empresas
por promoção cruzada, que consiste em assemelhar rótulos, cores e logos para
associar produtos diferentes. O foco da ação é a suposta propaganda indireta da
fórmula para bebês com menos de um ano por meio do rótulo dos compostos
lácteos.
Os rótulos e os
nomes desses produtos são muito semelhantes. A fórmula para crianças de até um
ano da Nestlé tem o nome de Nan. Para crianças a partir de um ano é o Nanlac. O
composto lácteo é o Neslac. Na Danone, a fórmula para crianças até um ano é o
Aptamil. Para crianças a partir de um ano é o Aptanutri. E o composto lácteo é
o Milnutri.
A Nestlé e
Danone disseram que apoiam as recomendações da OMS para o aleitamento materno e
cumprem a lei brasileira. A Mead Johnson não respondeu.
O que diz o Idec
A ação pede que
as empresas paguem juntas uma indenização de R$ 60 milhões por danos morais
coletivos. Pede também que a promoção cruzada desses produtos seja considerada
ilegal. A Justiça chegou a determinar que a Nestlé colocasse um adesivo nas
embalagens do composto lácteo Neslac com o aviso de que aquele produto não
deveria ser confundido com a fórmula infantil. A empresa conseguiu derrubar a
decisão.
A semelhança
entre os rótulos e os nomes faz com que a propaganda de um produto gere
publicidade para o outro e confunde o consumidor, diz o Idec (Instituto
Brasileiro de Defesa do Consumidor). É comum encontrar latas de fórmula para
bebês ao lado dos produtos para crianças mais velhas nas prateleiras das
farmácias.
O Idec diz que
isso viola a proibição de publicidade de fórmulas infantis. A fórmula que não
tem restrição de publicidade promove as outras fórmulas, assim como faz o
composto lácteo, diz Leonardo Pillon, advogado do Programa de Alimentação
Saudável do Idec.
Essa é uma forma
que a indústria encontrou para burlar a legislação, diz especialista da SBP
(Sociedade Brasileira de Pediatria). Tanto as fórmulas para crianças a partir
de um ano quanto os compostos lácteos foram criados após a regulamentação da
lei que trata do tema, diz Fabíola Suano, presidente do Departamento Científico
de Nutrologia da SBP.
“É uma forma de
burlar a legislação. Esses produtos não existiam quando a lei foi regulamentada.
E então criaram esses produtos com o mesmo rótulo. O grande sinal de que é para
burlar a legislação é rotulo o ser igual. Por que não faz outro rótulo?”, Fabíola
Suano, presidente do Departamento Científico de Nutrologia da SBP. Sobre a ação, a
Nestlé diz que não comenta processos em curso. A Danone afirma que a ação se
refere ao rótulo antigo.
A Mead Johnson
não respondeu. Em novembro de 2022, a empresa anunciou que não ofereceria mais
no mercado brasileiro as fórmulas Enfamil e Enfanutri e o composto lácteo
Enfagrow, alvos da ação do Idec.
O que dizem as empresas
A Nestlé disse
que "suas fórmulas infantis, fórmulas de primeira infância e compostos
lácteos seguem todos os requisitos legais aplicáveis". Diz ainda que
colabora com o governo, instituições públicas e sociedade civil "para a
implementação do Código da Organização Mundial da Saúde para a Comercialização
de Substitutos do Leite Materno no Brasil".
Disse também que
os rótulos desses produtos estão em conformidade com a lei e contém indicação
da faixa etária. Também ressaltou que, na impossibilidade do aleitamento
materno, "recomenda que pais, mães e responsáveis consultem um
profissional de saúde para que obtenham orientações nutricionais
individualizadas".
A Danone diz que
oferece duas linhas de fórmulas infantis e uma linha de composto lácteo,
"com marcas e rótulos diferentes, além de clara diferenciação de faixa
etária na embalagem". Diz ainda que, caso a amamentação não seja uma opção
para os pais, fornece "produtos seguros e de qualidade nutricional,
desenvolvidos para as diferentes necessidades, sempre pautados nas evidências
científicas mais confiáveis".
A Danone
ressaltou que a legislação permite a comunicação para a fórmula voltada para
crianças a partir de um ano. Na categoria de fórmula infantil da primeira
infância (1 a 3 anos), "a legislação define o engajamento permitido para o
público em geral, incluindo comunicação e outras ações", diz.
Ações nas redes sociais
Nos últimos
meses, esses produtos têm aparecido em uma leva de ações publicitárias com
influenciadores nas redes sociais. As peças fazem propaganda do Nanlac, fórmula
infantil da Nestlé direcionada a crianças a partir de um ano, e do Aptanutri,
produto semelhante da Danone.
Como as fórmulas
são direcionadas para crianças a partir de um ano, sua divulgação é permitida.
A propaganda é
feita por famosos pais e mães de crianças pequenas. Em abril, a atriz Talita
Younann (1,1 milhão de seguidores no Instagram) publicou fotos com a filha e um
texto de propaganda do Nanlac. O casal formado pela cantora Marcella Fogaça
(259 mil seguidores) e o ator Joaquim Lopes (1,7 milhão de seguidores) fez uma
postagem parecida no final de maio. No início de junho, o ator Bruno Gissoni
(7,4 milhões de seguidores) e a atriz Yanna Lavigne (2,2 milhões de seguidores)
também divulgaram que o pediatra recomendou Nanlac para sua filha.
O avanço das
redes sociais tem dificultado a fiscalização do cumprimento da lei, segundo
Rosana De Divitiis, cientista social e membro do conselho diretor da IBFAN
(Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar, na sigla em inglês). Os
motivos são o grande número de influenciadores e a falta de regras claras para
o tema no ambiente digital. Há inclusive os casos em que a divulgação ocorre mesmo
sem parcerias com as fabricantes.
“Muitas vezes a
pessoa fala da fórmula mesmo sem ser patrocinada pela indústria e, quando
entramos em contato, diz que está apenas dando sua opinião como mãe”, Rosana De
Divitiis, membro do conselho diretor da IBFAN.
Alimento ultraprocessado
A recomendação
da OMS é que o leite materno seja oferecido até os dois anos de idade ou mais,
e de forma exclusiva até os seis meses de vida. A fórmula infantil é o alimento
indicado se houver algum impedimento para a amamentação.
Não há indicação
pediátrica para o uso de fórmulas infantis por crianças saudáveis a partir de
um ano, diz Fabíola Suano, da SBP. Nessa idade, a criança deve comer comida e
pode consumir o leite usado pela família, de duas a três vezes ao dia.
Já os compostos
lácteos são "alimentos ultraprocessados que não encontram indicação em
lactentes" e podem gerar a "impressão inadequada de que são mais
importantes do que a alimentação", diz a SBP.
MAPA determinou o recolhimento de lotes de duas marcas de feijão por grãos impróprios para o consumo. (Imagem: iStock)
Governo determinou o recolhimento de lotes de duas marcas de feijão por
grãos impróprios para o consumo. O Ministério da Agricultura e Pecuária
ordenou a retirada de estoque das marcas Da Mamãe e Sanes
por presença de grãos mofados e ardidos.
Veja os lotes
afetados:
Lote 51 do
feijão cores, marca Da Mamãe;
Lote 06 do
feijão preto, marca Da Mamãe;
Lote
030423 do feijão preto, marca Sanes;
Lote
080323 do feijão preto da marca Sanes.
Os feijões
impróprios para consumo foram encontrados no estado do Rio de Janeiro e no
Distrito Federal. Segundo a Embrapa, um grão é "ardido" quando está
visivelmente fermentado na parte interna. O problema é causado por umidade ou
calor excessivos.
Grãos
mofados e ardidos acima do limite de 15% indicam a má qualidade do produto e
representa risco à saúde dos consumidores, diz o governo.
Esses grãos podem conter micotoxinas
prejudiciais ao organismo, causando intoxicações alimentares e reações
alérgicas. (Diretor do Departamento de Inspeção de
Produtos de Origem Vegetal, Hugo Caruso).
O Ministério da Agricultura ressalta
ainda a importância que os consumidores verifiquem se possuem algum pacote de
feijão das marcas e lotes mencionados em suas residências ou restaurantes. Caso
tenham adquirido esses produtos, o consumo deve ser interrompido imediatamente
e o consumidor deve entrar em contato com o comércio onde foi adquirido para o
procedimento de devolução ou descarte adequado. (Comunicado do Mapa).
Por que salsicha faz mal para a saúde? Tem uma porção segura
para consumo?
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), consumir cerca de 50 g de carne processada diariamente já é arriscado para a saúde.
Ingrediente principal do
cachorro-quente, a salsicha é um embutido e seu consumo é bastante controverso.
O alimento industrializado contém grandes quantidades de gorduras,
conservantes, aditivos, sódio e colesterol. Porém, pelo fato de seu preço
estar mais acessível do que a carne vermelha, é comum que ela esteja presente
com frequência na dieta de muitos brasileiros.
"A salsicha é um
ultraprocessado, mas fornece uma grande quantidade de proteínas. Isso pode
contribuir para reduzir a desnutrição calórica. No entanto, é importante
lembrar que é preciso consumir com moderação e este alimento deve fazer parte
de uma dieta equilibrada para não ser prejudicial aoorganismo", destaca Paulo
Henkin, nutrólogo e diretor da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).
Há diversos tipos de salsichas disponíveis no mercado. De forma geral, é
possível encontrar as que são produzidas com carne bovina, suína ou de frango.
Elas costumam ser feitas daquela carne que sobra e fica presa no osso do animal
e também de miúdos moídos.
O alimento é obtido por meio da emulsão de carne de uma ou mais espécies
de animais de açougue e submetido a um processo térmico adequado. Portanto,
ocorre uma mistura de carne com a umidade da gordura. "Como todos os
ultraprocessados, ela apresenta mais calorias, sódio, corantes e conservantes
do que o recomendado". Andrea Pereira, nutróloga do Hospital Israelita Albert Einstein e
cofundadora da ONG Obesidade Brasil
Os conservantes e aditivos são incorporados na salsicha para garantir
seu aspecto, textura, sabor e cor.
Quantidade
recomendada
Não existe uma quantidade recomendada. De acordo com os especialistas, o ideal é que seja uma comida de exceção,
ou seja, a salsicha deve ser consumida em pequenas quantidades e, de
preferência, uma ou duas vezes por semana, no máximo.
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), consumir cerca de 50 g de
carne processada diariamente já é arriscado para a saúde. Neste caso, a
quantidade seria equivalente a ingerir uma salsicha por dia.
Vale destacar que um cachorro-quente ou um espaguete com salsicha, em
uma dieta equilibrada, não oferece risco à saúde. A hipótese do risco aparece
no consumo quase diário de dietas pobres em variedade de nutrientes.Paulo Henkin,
nutrólogo e diretor da Abran
Riscos
do consumo em excesso
Consumir salsicha regularmente, com outros ultraprocessados, como
mortadela, linguiça, hambúrguer e frango empanado (nuggets),
aumenta o risco de diversas doenças e compromete bastante a saúde.
Um dos riscos citados com frequência pelos pesquisadores é o aumento do
risco de câncer. De acordo com um estudo divulgado no
periódico American Journal of Preventive Medicine, o consumo de
ultraprocessados está relacionado à morte prematura de 57 mil pessoas por ano
no Brasil.
Os principais problemas de saúde que podem surgir com o consumo
excessivo de salsicha são:
·Diabetes;
·Obesidade;
·Doenças cardiovasculares;
·Hipertensão;
·Depressão e distúrbios do humor;
·Síndrome metabólica;
·Asma;
·AVC.
Esses problemas de saúde acontecem porque as carnes processadas possuem
grandes quantidades de compostos químicos que são adicionados na sua produção.
Entre eles, destacam-se os nitritos e nitratos. Esses itens podem alterar o DNA
do organismo, que fica mais propenso a doenças, como o câncer.
A salsicha é considerada uma fonte de calorias vazias, ou seja, é um
produto alimentício que não possui uma composição capaz de nutrir o indivíduo.
Porém, é fonte de aditivos alimentares e excesso de calorias, em contraponto ao
baixo valor nutricional.Jamile Tahim, nutricionista mestre pela UECE (Universidade Estadual do
Ceará)
Dá
para tornar a salsicha mais saudável?
As salsichas costumam ter a mesma composição e nutrientes,
independentemente do tipo escolhido. No entanto, as de frango e as versões
lights são consideradas um pouco mais saudáveis. Há ainda opções que não levam
a carne mecanicamente separada.
"A composição da salsicha é considerada desbalanceada e fonte de
substâncias pró-inflamatórias. No entanto, pensando no contexto de insegurança alimentar de pessoas
induzidas ao consumo pelo baixo preço, o recomendado é ferver o alimento antes
do preparo", indica Tahim.
Veja abaixo algumas dicas na hora da compra e preparo da salsicha:
·Na hora de escolher a salsicha, é fundamental olhar os rótulos e
comparar os ingredientes. É importante lembrar que quanto menos itens tiver,
melhor a qualidade do produto.
·Cheque o prazo de validade e verifique se há um selo que indique que o
alimento foi inspecionado e produzido em um local adequado.
·Escolha as salsichas que estão embaladas a vácuo em plástico e sem muita
água. Isso garante que o produto esteve em temperatura de refrigeração adequada
e evita o risco de contaminação e deterioração.
·Evite comprar as salsichas "soltas", que são embaladas nos
mercados --o manuseio pode ter sido realizado de forma inadequada.
·As opções fervidas, refogadas, assadas no forno são as mais saudáveis.
Evite preparar a salsicha frita ou queimar na grelha por muito tempo.
·Quem deseja aumentar o teor de proteínas na alimentação sem o consumo de
embutidos pode utilizar fontes vegetais de aminoácidos, como o arroz integral
com feijão e ovos.
·Sempre que possível, opte por refeições caseiras, com legumes, verduras
e frutas.
Referência: TBCA (Tabela Brasileira de Composição de
Alimen.
Quem mexe no diâmetro original dos pneus pode se tornar um fraudador e levar
muita sem saber
"Na prática, o dono do veículo com rodas grandes estará fazendo o mesmo que o vendedor pilantra que rebobina a quilometragem de carros mais rodados".
Nem todos têm conhecimento de que alterar o diâmetro total dos pneus
originais caracteriza infração de trânsito (R$ 195,23 e cinco pontos na CNH,
conforme a resolução 292 do Contran), e que isso também implica na adulteração
do hodômetro do carro.
As
leis de trânsito se preocupam mais com a questão da dirigibilidade
originalmente projetada pelo fabricante e com a marcação da velocidade que
chega para o motorista. Entretanto, de tabela, ajudam a evitar mais casos de
carros com registros de quilometragem que não condizem com a realidade.
Como isso funciona?
Velocímetro do carro com hodômetro (ao centro) Imagem: Divulgação.
Tem muita gente trocando rodas e pneus originais e colocando outros de
maior diâmetro. A circunferência passa a ser muito maior, o que indica uma
velocidade X no velocímetro, mas o carro está mais rápido do que isso. Exemplo:
o motorista vê o velocímetro marcando 98 km/h, mas ele está a 110 km/h. Ele vai
ser pego"Marcus Vinícius Aguiar, vice-presidente da AEA
(Associação Brasileira de Engenharia Automotiva).
O problema não se limita
às maiores possibilidades de multas por excesso de
velocidade, uma vez que o hodômetro extrai os dados do velocímetro para
determinar o quanto o veículo rodou.
Se o automóvel trafegar sempre mais rapidamente do
que o que o ponteiro da velocidade mostra, a aferição da distância percorrida
sempre será menor. Portanto, nunca será condizente com a realidade. Quanto mais
esse carro rodar, mais discrepante o registro ficará do real.
Defasagem no registro do
hodômetro é consequência direta da alteração do
diâmetro para rodas e pneus, o que acaba colocando muitos na posição de
fraudadores, mesmo sem saber.
"Na prática, o dono do veículo com rodas grandes
estará fazendo o mesmo que o vendedor pilantra que rebobina a quilometragem de
carros mais rodados. As exceções são os poucos condutores que vão atrás de
recalibrar a leitura do painel".
Carros com hodômetro adulterado são problema crônico no mercado de
seminovos e usados. Há muitos por aí que voltam a quilometragem para que se
possa pegar um valor mais alto na venda. O procedimento não é difícil de fazer,
especialmente em modelos nacionais ou com menos eletrônica embarcada, bastando
apenas ajuste manual dos valores, ou por aparelhos"Alexandre
Barros Pinho, sócio-proprietário da oficina WTC Express.
"Por isso, na hora de comprar, sempre vá atrás dos laudos cautelares e
investigue outros históricos onde as quilometragens possam estar registradas,
como revisões, trocas de óleo, notas de orçamento e serviços, entre outras.
Além disso, verifique se o nível de desgaste dos componentes condiz com o que o
painel indica", explica.
Para o Código Brasileiro de Trânsito
(CTB), a exceção para os veículos que podem usar pneus maiores do que os
originais do carro são os classificados na espécie ‘misto, tipo utilitário’.
Detalhe das rodas do Jeep Wrangler: Divulgação
"Poderão ter alterado o diâmetro externo do conjunto formado por roda e
pneu, observadas restrições impostas pelo fabricante e exigências fixadas pelo
Contran", segundo a legislação de trânsito. Ou seja, quem gosta de
off-road tem a possibilidade de colocar aquelas rodas parrudas com pneus
"carnudos".
Porém, nem mesmo esses veículos estão
livres das discrepâncias entre velocidade do ponteiro e seu respectivo registro
do hodômetro, com a sua distância real percorrida.
Por que cultivo
legal de maconha não é tão rentável na América Latina
Vários países da América Latina avançaram na
legalização parcial do cultivo -Imagem: iStock
A maconha de cultivo clandestino alimentou uma das indústrias mais
lucrativas do mundo no século 20 na América Latina. À medida que a legalização
foi aprovada em alguns países nos últimos anos, contudo, o produto tem virado
um negócio muito menos atraente na região.
México, Colômbia e, anos depois, países como o
Paraguai abrigaram vastas indústrias de produção ilícita de maconha, amplamente
conhecidas tanto por sua violência quanto por seus lucros.
Neste século 21, seguindo o exemplo inicial do
Uruguai, que legalizou o cultivo em 2013, várias nações latino-americanas deram
o passo para promover uma gradual legalização do setor.
Hoje, a maconha para fins medicinais é legal em
países como Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru. Esse setor movimenta
mais de US$ 170 milhões anualmente na região, segundo estimativas da
consultoria Euromonitor.
O que não tem sido observado, porém, são os grandes
lucros que alguns esperavam com a legalização.
Uma indústria de 'cuidados intensivos'
"A
indústria da cannabis na Colômbia está concentrada no setor de
cuidados intensivos", diz Miguel Samper à BBC News Mundo, serviço em
espanhol da BBC.
Ele é chefe da associação de produtores
legais de maconha no país, a Asolcolcanna. A Colômbia foi, depois do México, um
dos maiores produtores clandestinos de maconha no século 20, durante um período
conhecido no país sul-americano como "bonanza marimbera".
Essa fase antecedeu a ascensão dos grandes
cartéis de cocaína, que em décadas posteriores originaram uma triste fama ao
país. Os ventos da legalização chegaram à Colômbia
em 2016, quando o então vice-ministro da Justiça, Miguel Samper, viu o país se
tornar o quinto do mundo a tornar legal e regulamentar a maconha para fins
medicinais.
No entanto, depois de estar na vanguarda,
"a Colômbia foi relegada a segundo plano" no desenvolvimento da
indústria, diz Samper, que hoje é dirigente sindical. O país tem 57 mil hectares autorizados pelo
governo para o cultivo legal de cannabis, mais do que qualquer
outro país da América Latina. Segundo Samper, contudo, apenas cerca de 520
hectares desse total, ou cerca de 1%, estão realmente sob cultivo.
Ele estima ainda que, até 2022, cerca de uma
em cada três das 1,3 mil empresas oficialmente licenciadas para o cultivo se
retiraram efetivamente do negócio. Em sua avaliação, um dos problemas do setor é
que a produção local não encontra mercado na indústria farmacêutica. O governo
não autorizou a fabricação em escala industrial de nenhum medicamento feito com
a cannabis colombiana, diz ele.
Mitos da indústria
A Colômbia não é o único caso de expectativas
frustradas na indústria da cannabis na região. A legalização
parcial, afirma o analista sênior da consultoria Euromonitor Erwin Henriquez,
não significou o fim iminente das atividades criminosas em torno do cultivo
ilícito de maconha.
"O mercado ilegal de cannabis ainda
é significativamente maior do que qualquer mercado legal", ressalta."Nossa estimativa é de que continue
crescendo."
Na América Latina, o consumo per capita de
maconha mal chega a US$ 1 por ano, ante US$ 88 nos Estados Unidos, afirma
Henriquez. Em conversa com a BBC News Mundo, ele também falou
sobre o que considera falsas ideias criadas em torno da nova indústria em torno
da legalização.
Com o tempo, argumenta, o aspecto clandestino pode
começar a desaparecer, apontando para o fato de que no Canadá, pela primeira
vez, a indústria legal superou o cultivo ilegal de maconha. "A legalização da cannabis não
é uma cura instantânea para a existência do mercado ilícito", opina.
Outros acreditavam que com a legalização da maconha
seriam abertas grandes oportunidades de exportação para os Estados Unidos. Mais uma vez, diz Henriquez, isso não acontece
necessariamente na realidade. "Os Estados Unidos não são um grande mercado
de exportação de cannabis para a América Latina."
Uma das razões, segundo ele, se deve ao fato de que
a indústria legal do país "tem capacidade para atender o mercado
interno". Mercados como o Oriente Médio e a Ásia, por outro
lado, poderiam ser mais atraentes, acrescenta.
A aposta no mercado recreativo
A imagem que os especialistas pintam
dessa indústria na América Latina até o momento é de uma coleção de
expectativas não atendidas. Esses mesmos especialistas avaliam,
contudo, que essas frustrações podem mudar em breve.
"Na indústria da cannabis, a América Latina deverá ser a
região com maior crescimento em cinco anos. Em termos reais, crescerá bem
próximo ao ritmo observado na Europa Ocidental", diz Erwin Henriquez.
Muitos países latino-americanos têm
vantagens competitivas naturais para o produto. Por causa da ausência de
estações marcadas, podem obter até três colheitas por ano. A terra, a mão de
obra e a energia elétrica são geralmente mais baratas do que em outras áreas da
Europa ou da América do Norte.
Pesquisadores apontam que muito do
desenvolvimento dessa indústria dependerá da forma como se desenvolverá o
debate sobre a futura regulamentação da indústria, e especialmente da maconha
para uso recreativo, nos parlamentos das nações latino-americanas.
México e Colômbia, dois dos grandes
mercados potenciais, estão discutindo projetos legislativos que legalizam e
regulamentam o "uso adulto" da maconha. Apenas dois países no mundo
deram o passo completo para legalizar e regulamentar a cannabis para
fins recreativos: Canadá e Uruguai.
A Colômbia é, certamente, um dos
países onde há expectativa sobre como essa discussão se desenvolve, sobretudo
com a chegada de Gustavo Petro ao poder, em 2022, à frente de um novo governo,
que, ao contrário do seu antecessor, parece olhar com bons olhos para a
descriminalização e regulamentação da maconha recreativa.
Samper disse à BBC News Mundo que
agora "há ares de otimismo" na indústria da maconha colombiana, dada
a "vontade política manifestada por Petro" de assumir "uma nova
abordagem para a política de drogas".
O presidente colombiano tem dito que
quer uma abordagem menos repressiva nas ações antidrogas e garante que busca
proteger os pequenos produtores.
"A cannabis será
o trem de pouso perfeito para a nova política de drogas, que é contrária à
abordagem proibicionista que só deixou ondas de violência e décadas de
sofrimento no país", diz Samper.
Multinacionais têm forte presença
O presidente colombiano diz que,
apesar de a legislação colombiana exigir que todas as empresas participantes do
mercado tenham sido legalmente constituídas no país, até agora várias das
principais contaram com participação de capital estrangeiro.
Petro se referiu a essa situação com
apenas quatro dias de mandato, quando em 11 de agosto de 2022 disse em um
discurso: "Será a multinacional canadense que fica com os dólares e faz as
plantações de cannabis? Ou serão os produtores de cannabis (da
região colombiana) de Cauca? Por que não podem?"
Para Miguel Samper, a participação
das multinacionais no mercado de cannabis medicinal é resultado dos altos
investimentos necessários para atender aos altíssimos padrões de qualidade da
indústria farmacêutica global.
Ele afirma que, sem descuidar da
saúde pública, um eventual mercado de maconha recreativa não precisaria ter
barreiras de entrada tão altas e, portanto, haveria mais agricultores locais
participando dos lucros, especialmente se o governo relaxar os requisitos
existentes para se obter uma licença.
Samper estima que cada hectare de
cultivo legal de maconha em produção na Colômbia gere 20 empregos diretos e
quase 18 indiretos.
Se levarmos em conta que o país
sul-americano já possui mais de 56 mil hectares autorizados, mas ainda não
cultivados, o potencial de geração de empregos também seria bastante amplo.
O debate político continua
Apesar do que Petro propõe, a proposta de
aprofundar a legalização da maconha para incluir o consumo recreativo tem
fortes opositores políticos na Colômbia e em muitos outros países da região.
"Os
progressistas deveriam entender que a Colômbia rechaça a legalização da cannabis recreativa,
que não é nada recreativa, apenas causa destruição da pessoa",
escreveu no Twitter a senadora e líder da direita colombiana María Fernanda
Cabal em novembro passado.
Cabal citou em seu tuíte uma pesquisa da empresa
colombiana Invamer que afirmava que 57% de seus compatriotas são contra a
legalização da maconha para fins recreativos.
No México, outro dos grandes mercados potenciais de
expansão, a decisão final de legalizar o "uso adulto", já aprovada
pela Câmara dos Deputados, está nas mãos do Senado do país.
Em 19 de janeiro passado, o presidente da comissão
de finanças do Senado mexicano, Alejandro Armenta, afirmou que a discussão
seria retomada em fevereiro.
Os anúncios em torno das liberações de leis contra
a maconha na América Latina têm gerado mais expectativas do que resultados na última
década. Resta saber se agora, com a legalização mais
profunda, haverá uma nova bonança econômica na região.
A festa popular em evidência mais antiga da humanidade
O carnaval é comemorado no Brasil desde a chegada dos portugueses, no século 16, há mais de 500 anos.
A origem do carnaval é consenso entre a maioria dos historiadores. Os primeiros registros de festas carnavalescas datam de cerca de 10 mil anos
antes de Cristo. Tratavam-se de grandes festejos pagãos regados à
comida e bebida, tudo em comemoração às colheitas e louvor às divindades.
Chegamos agora a ela, só que 2023 d.C.
Alguns
dizem que a origem teria sido no Egito, onde as pessoas festejavam mascaradas
em homenagem à Deusa Ísis e ao Touro Apis; ou na Grécia, onde se celebrava a
volta da primavera e cultuava-se o Deus Dionísio. Já na Roma Antiga, os
romanos cultuavam os deuses Baco, Saturno e Pã.
Festa na
rua, blocos, micaretas, samba, marchinhas, axé, frevo e muito mais. Dependendo
de onde você está, é possível encontrar as mais diversas manifestações
carnavalescas no Brasil. Fato é que não há como estabelecer
precisamente qual é a origem do carnaval, mas a sua forma como conhecemos
hoje, nas suas mais diversas manifestações, tem referências a todas essas culturas
que surgiram motivadas por fenômenos astronômicos ou da natureza.
Uma das
possibilidades para saber qual é a origem do carnaval com esse nome é que ele
derive do termo currus navalis, referindo-se aos cortejos marítimos ou carros alegóricos em
forma de barco feitos para celebrar o início da primavera.
Porque o
carnaval não tem uma data fixa?
Com o
fortalecimento da sua influência, a partir da Idade Média, a Igreja Católica
passou a incorporar o carnaval ao seu calendário. A data oficial instituída foi
nos últimos dias antes da quaresma (período de 40 dias de reflexão espiritual e
privação de certos alimentos, como a carne, por exemplo), por isso o dia do
carnaval varia de acordo com o ano. Alguns estudiosos inclusive relacionam o
termo carnaval à Carna Vale (adeus carne) ou Carne
Levamen (supressão da carne).
A origem
das fantasias e bailes de máscaras
Os
primeiros bailes de máscaras ocorreram no século 13, na Itália, e eram restritos
à nobreza. A festa ganhou as ruas com o surgimento da Commedia dell’arte (teatros
improvisados) nas cidades italianas durante o período do Renascimento. Em
Florença foram criadas canções para acompanhar os cortejos que também contavam
com carros decorados chamados trionfi. Em Roma e Veneza, os
foliões usavam chapéus de três pontas e máscaras brancas. A popularização da
festa na Europa se deu, de fato, apenas a partir do século 19.
O
carnaval no Brasil
O
carnaval é comemorado no Brasil desde a chegada dos portugueses, no século 16. As
comemorações realizadas no Entrudo – período que
precedia a quaresma – resumiam-se
à bagunças feitas pelos escravos com guerras de água, farinha, limões de cheiro
e arremessos de areia. As manifestações carnavalescas, como
conhecemos hoje, só começaram a
surgir a partir do século 19, quando as classes mais ricas,
influenciadas pelos europeus, passaram a promover festas em salões.
A “folia”
começou a se “abrasileirar” no final do século 19, em 1899, com a primeira marchinha feita por Chiquinha
Gonzaga: “Ó abre alas”. O samba passou a se popularizar a partir
de 1917. Durante o governo de Getúlio Vargas, com investimentos e licenças para
ocupar as ruas, os desfiles cresceram e a festa passou a se tornar parte da
identidade nacional.
Independente
de qual seja a origem do carnaval, atualmente
a festa tem diferentes características em cada região. É a
celebração mais aguardada para muitos brasileiros e turistas. No nordeste, a
folia se estende a outras épocas do ano, no chamado “carnaval fora de época”,
como o Fortal, em Fortaleza; o Carnatal em Natal; a Micaroa
em João Pessoa; o Recifolia, em Recife; o Micaru, em Caruaru e muitos outros.
Desmoranamentos ocasionam destruição de casas e obrigam Defesa Civil a interditar imóveis em Ubá
(Imagem: divulgação)
Imóveis completamente destrúidos pleos temporais no bairro Olaria. (Clique na imagem e veja mais fotos)
Entre os dias 23 e 25, 10 residências foram interditadas preventivamente pela Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil de Ubá, por instabilidade no solo atingido. O saldo, até o momento é de 18 pessoas desabrigadas e 30 desalojadas. Confira abaixo, na íntegra, o comunicado enviado pela Defesa Civil do município.
Segue Nota
Oficial sobre imóveis interditados pela Defesa Civil, em Ubá.
A Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil de Ubá agiu
preventivamente no dia 23 de janeiro e interditou seis imóveis na rua Miraí, no
bairro Olaria, devido à instabilidade de talude. Na manhã desta
quarta-feira (25), ocorreu o desabamento da encosta onde três casas foram
totalmente destruídas e três seriamente danificadas. Não houve vítimas ou
feridos.
Com o apoio do Corpo de Bombeiros e da Guarda Civil Municipal
outras 10 residências foram interditadas preventivamente pela Defesa Civil,
pois o terreno continua instável. Até o momento 18 pessoas estão
desabrigadas e 30 desalojadas, todos direcionados para casa de amigos ou
parentes.
Equipes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, com
assistente social, psicólogo, conselheiro tutelar e profissionais de apoio,
estiveram no local dando suporte aos moradores. Todos os atingidos foram
orientados quanto ao aluguel social. A secretaria também disponibilizou equipes
e veículos para a remoção de bens materiais das famílias afetadas.
As equipes da Prefeitura de Ubá, Defesa Civil, Corpo de
Bombeiros e Guarda Civil Municipal seguem monitorando o local.
O alerta devido à previsão de mais chuvas permanece. Devido ao
encharcamento do solo, o risco de deslizamento aumenta. Orienta-se a moradores
de áreas de risco que mantenham atenção e saiam de casa a qualquer sinal de
alteração. O contato para emergências deve ser feito através do Corpo de
Bombeiros Militar, pelo número 193.
Atenciosamente, Assessoria de
Comunicação. Prefeitura de Ubá.
Saiba quais são as tendências das chuvas para os próximos dias
Com a temperatura subindo mais, cresce a possibilidade de chuva localizada muito intensa e temporais da tarde para a noite. São os casos de São Paulo e de Minas Gerais, por exemplo.
Cenário de chuva
muda em relação ao segundo terço do mês sem ZCAS e aumento da precipitação nas
extremidades do país.
Os
próximos 10 dias devem ter altos volumes de chuva em pontos de todas as regiões
do Brasil, com o aumento da umidade sobre o território nacional, o que vai
levar a um aumento das precipitações em áreas do país que experimentaram justamente
os primeiros 10 dias com chuva escassa ou abaixo da média.
Nos
exatos 10 primeiros dias do mês, o mapa da chuva no Brasil era clássico dos
meses de Verão no país, com um canal de umidade organizado entre as regiões
Norte, Centro-Oeste e Sudeste, por conta da formação de uma Zona de Convergência
do Atlântico Sul (ZCAS). Desta vez, a umidade estará menos concentrada numa
faixa a mais dispersa pelo país.
O
mapa abaixo mostra a projeção de chuva para 10 dias do modelo meteorológico do
Centro Europeu (ECMWF) a partir dos dados da rodada da 0Z da terça-feira (10 de
janeiro0. Observa-se como a chuva vai estar mais espalhada pelo país com
aumento notável no Sul e em parte do Nordeste.
No
Sudeste, à medida que a Zona de Convergência do Atlântico Sul se desconfigura,
haverá um menor número de horas de chuva e ocorrem aberturas após dias muito
nebulosos, no entanto, com a temperatura subindo mais, cresce a possibilidade
de chuva localizada muito intensa e temporais da tarde para a noite. São os
casos de São Paulo e de Minas Gerais, por exemplo.
O
que chama muito atenção no mapa é o significativo aumento da chuva em parte do
Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, que vem sofrendo com uma
estiagem que reduz os níveis dos rios e causa perdas na agricultura. A chuva
que se repetiu na quarta-feira (11) assim como nos próximos dias, entretanto, não terá nem duração nem
volumes suficientes para acabar com a estiagem no Rio Grande do Sul e tampouco
poderá reverter o grande déficit de precipitação acumulado durante os últimos
meses. Mas será benéfica em vários pontos.
Nem
todas as cidades gaúchas registrarão chuva satisfatória, mas em diversas se
projeta que os acumulados de precipitação nos próximos dias possam somar marcas
de 30 mm a 50 mm com registros superiores. Haverá pontos isolados com
acumulados de até 75 mm a 100 mm somados até o começo da próxima semana.
São
volumes que vão trazer alento em parte do campo gaúcho, evitando um agravamento
maior da estiagem e perdas ainda mais expressivas em lavouras. Boa notícia ainda para o abastecimento de água, uma vez que rios como da Grande Porto
Alegre, atualmente em situação hidrológica grave a crítica, devem experimentar um
aumento em seus níveis.
Em
Ubá, chuvas fortes provocaram alagmantos, quedas de árvores e deixaram famílias desabrigadas. Clique aqui e acesse as informações
da defesa civil local.
Início do Verão ou Solstício de Verão, que no Brasil começa no
dia 21 de dezembro de 2022 e termina em 20 de março de 2023.
O solstício de verão é o fenômeno
astronômico que marca o início dessa estação. Ele acontece exatamente às 18h48
do dia 21 de dezembro de 2022 no Hemisfério Sul, onde está localizado o Brasil.
Características do verão
Sendo a estação do ano que
ocorre depois da primavera e antes do outono, suas principais
características são:
·dias mais
longos do ano;
·temperaturas
mais altas;
·aumento
da umidade;
·chuvas
constantes.
No Brasil, além de apresentar dias mais longos do que as noites, o clima é quente e
chuvas constantes. As chuvas decorrem da evaporação rápida das águas pelo calor
do Sol.
Solstício de verão
O solstício de verão é o período
em que o Hemisfério Sul está inclinado cerca de 23,5º na direção do Sol. Esse evento astronômico marca o
início da estação mais quente, que acontece todos os anos entre os dias 21 e 22
do mês de dezembro.
O solstício também é responsável
pelo início do inverno, neste caso, é chamado de solstício de inverno. Em
dezembro, quando começa o verão no Hemisfério Sul, começa o inverno no
Hemisfério Norte.
O fim do verão também é marcado
por um fenômeno astronômico: o equinócio, período quando o Sol incide com maior
intensidade nas regiões próximas à linha do Equador. No Brasil, e em todo o Hemisfério
Sul, o equinócio de outono acontece todos os anos entre os dias 20 ou 21 de
março, quando inicia o outono.
Os principais
cuidados com a saúde para este Verão
Na estação que combina com diversão,
festas, sol, praia e piscina, é preciso dobrar os cuidados e se atentar a diversos
hábitos. Mesmo com o sol oferecendo seus benefícios, como por
exemplo, a vitamina “D”, o uso do protetor solar é imprescindível para conter o
câncer de pele, o ressecamento e manchas, além de proteger sua pele do sol e
dos raios UVA e UVB que alcançam as camadas internas e externas.
Beba água.
Você sabia que devido à alta da temperatura no verão, o corpo trabalha para se
proteger produzindo mais suor a fim de se refrigerar? Por isso, é fundamental
ingerir a quantidade necessária para auxiliar nas funções vitais e manter a
temperatura do corpo.
Se
alimentar saudavelmente à base de alimentos leves, como verduras, legumes e
frutas, que são ricos em vitaminas e minerais, também ajudam a repor o conteúdo
de água do corpo. A época mais quente do ano sempre vem acompanhada de
doenças sazonais, que merecem atenção para evitar graves consequências
à saúde.
Entre as doenças que mais ocorrem estão a desidratação pela perda de líquidos e sais
minerais, a insolação através da exposição
ao sol intenso, a conjuntivite devido a
exposição prolongada ao sol, sauna, ar condicionado, a dor de ouvido geralmente causada pelo contínuo
contato com a água, a micose na pele por meio de
infecções de fungos em regiões úmidas e quentes, a dengue pela alta reprodução e proliferação
através das fortes chuvas de verão, as alergias respiratórias, a intoxicação alimentar pela conservação inadequada
de alimentos, dentre outras.
Cuidado a alimentação no verão
As altas temperaturas do verão também fazem com que
produtos estraguem mais rápido. Por isso, é necessário ter o cuidado redobrado.
Principalmente em épocas de viagens, onde as pessoas comem em lugares que não
conhecem e não sabem de todos os cuidados de higiene. Os principais sintomas da
intoxicação alimentar são: dores no abdômen, náusea e vômitos, febre, diarreia,
calafrios e desidratação.
Lembrando que é preciso não se esquecer das medidas de
prevenção à Covid-19. Neste novo normal não se esqueça de manter o
distanciamento social e evitar aglomerações. Siga todos os protocolos de
segurança.
Diante de tantas possibilidades e exposições
provocadas pelas altas temperaturas, a atitude mais recomendada ao se deparar
com alguma emergência ou urgência é buscar imediatamente o auxílio de
profissionais da saúde.
É nessa hora que entra em ação o serviço de Atendimento Pré Hospitalar Novavitalmed. A
confiança de poder contar com um atendimento médico 24 horas por dia,
estabelecendo uma garantia de prevenção à saúde e do conforto da qualidade de
vida. Como funciona?
Tudo começa por uma Central de Regulação Médica
humanizada. Quando o paciente não estiver submetido a uma situação de
emergência ou de urgência médica, e o problema não puder ser resolvido através
do Novavitalfone (aconselhamento
médico por telefone), a Novavitalmed enviará uma equipe de profissionais
de saúde até a casa do paciente. O serviço também oferece toda estrutura de
equipamentos e ambulâncias para os casos de remoção.
Deste
modo, nada melhor do que as famílias se prevenirem neste verão e diante de
alguma eventualidade, ao se deparar com algum incomodo causado por dores ou
qualquer outro de tipo de reação, procure um médico ou os serviços des saúde.
O Dia da Criança no Brasil foi mudado de data três vezes
De 12 de outubro para 25 de março e novamente 12 de outubro. Troca-troca de datas misturou decretos presidenciais com vendas no comércio.
O Dia das Crianças (português brasileiro) ou Dia da Criança (português europeu) é uma data comemorativa celebrada anualmente em homenagem às crianças, cujo dia efetivo varia de acordo com o país. Países como Angola, Portugal e Moçambique adotaram o dia 1 de junho. No Brasil é celebrado em 12 de outubro. Por quê?
Em 1925, foi proclamado em Genebra o Dia Internacional da Criança durante a Conferência Mundial para o Bem-estar da Criança, sendo celebrado desde então em 1 de junho em vários países. A ONU reconhece o dia 20 de novembro como o Dia Mundial da Criança, por ser a data em que foi aprovada a Declaração Universal dos Direitos da Criança em 1959 e a Convenção dos Direitos da Criança em 1989.
No Brasil, em 1924, o deputado federal Galdino do Valle Filho lançou a ideia do Dia da Criança. Os deputados aprovaram e o dia 12 de outubro foi oficializado pelo presidente Arthur Bernardes (1922 - 1926), por meio do decreto nº 4867, de 5 de novembro de 1924. Em 1940, Getúlio Vargas instituiu um novo decreto, que "fixava as bases da organização da proteção à maternidade, à infância e à adolescência em todo o País", e que criava uma nova data de comemoração, conforme o Artigo 17 do Capítulo VI: "Será comemorado em todo o país, a 25 de março de cada ano, o Dia da Criança. Constituirá objetivo principal dessa comemoração avivar na opinião pública a consciência da necessidade de ser dada a mais vigilante e extensa proteção à maternidade, à infância e à adolescência."
Segundo a pesquisadora Ângela de Castro Gomes, o "comemorar", na acepção semântica, poderia ter diversas interpretações, por exemplo, poderia significar "trazer à memória", "fazer recordar" e a estreita ligação com os projetos sociopolíticos, sociais, de educação e saúde do governo Vargas, neste caso em particular, referindo-se às políticas de proteção à infância, maternidade e família.
O fato é que, por alguma razão, a data de 25 de março ficou apenas "no papel". Somente em 1960, quando a Fábrica de Brinquedos Estrela fez uma promoção conjunta com a Johnson & Johnson para lançar a "Semana do Bebê Robusto" e aumentar suas vendas, é que a data de 12 de outubro passou a integrar o calendário das festas comerciais. Logo depois, outras empresas decidiram criar a Semana da Criança, para aumentar as vendas. No ano seguinte, os fabricantes de brinquedos decidiram escolher um único dia para a promoção, e fizeram ressurgir o antigo decreto de 1924. A estratégia deu certo, pois desde então o dia das crianças é comemorado com muitos presentes.
Em Portugal
Em Portugal, o Dia da Criança é festejado no dia 1 de junho. Esta efeméride assinalou-se pela primeira vez em 1950 por iniciativa das Nações Unidas, com o objetivo de chamar a atenção para os problemas que as crianças então enfrentavam. Neste dia, os Estados-membros reconheceram que "todas as crianças, independentemente da raça, cor, religião, origem social, país de origem, têm direito a afeto, amor e compreensão, alimentação adequada, cuidados médicos, educação gratuita, proteção contra todas as formas de exploração e a crescer num clima de paz e fraternidade".
Oficialmente, o dia é assinalado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a 20 de novembro, data em que no ano de 1959 foram aprovados pela Assembleia-Geral da ONU os Direitos da Criança. Na mesma data (20 de novembro), mas no ano de 1989, foi adotada pela Assembleia-Geral da ONU a Convenção dos Direitos da Criança, que Portugal ratificou em 21 de setembro de 1990.
Nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o dia das crianças é festejado no primeiro domingo de junho, podendo a data variar de estado para estado em nível nacional. O Dia das Crianças e Juventude foi aprovado em 1994, quando o Legislativo do Havaí tornou-se o primeiro estado do país a aprovar uma lei para reconhecer o primeiro domingo de outubro como o "Dia da Criança". O presidente Bill Clinton (1993-2001) proclamou o dia das crianças em 8 de outubro de 2000. O "Dia Nacional da Criança" foi proclamado pelo presidente George W. Bush (2001-2009) em 3 de junho de 2001.
No Paraguai
No Paraguai, devido ao esforço do historiador Andrés Aguirre, o dia das crianças é comemorado em 16 de agosto, data da Batalha de Campo Grande (conhecida como "Batalha de Los Niños" pelos paraguaios), em homenagem às crianças-soldado recrutadas por Solano López devido à falta de homens no exército paraguaio e mortas no referido combate da Guerra do Paraguai, que ocorreu entre 1864 e 1870.
No Dia da Árvore há que se
alertar para o maior cenário de desmatamento e políticas desfavoráveis ao meio
ambiente
O número de queimadas registradas na Amazônia até terça-feira (19/09) já superou o total registrado em todo o ano de 2021.
Todo 21 de
setembro é comemorado no Brasil o Dia da Árvore. Um decreto de 1965, do então
presidente Castelo Branco, instituiu a data como a Festa Anual das Árvores para
difundir a conservação das florestas e divulgar a importância das árvores no
bem-estar dos cidadãos. Mas e este ano, comemorar-se-á o quê?
Em
sessão de debates no Senado na semana passada, especialistas, cientistas e
ativistas discutiram o cumprimento das metas brasileiras pactuadas na
Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 26, realizada no
Reino Unido em 2021.
O
debate, presidido pelo senador Fabiano Contarato, do PT do Espírito Santo,
também abordou os desafios e propostas do Brasil para a conferência deste ano,
a COP 27, que acontecerá em novembro no Egito. Fabiano Contarato afirmou que o
desmatamento segue avançando em todos os biomas em ritmo alarmante, tendo
alcançado na Amazônia, em 2021, a maior taxa dos últimos 15 anos.
Ele
criticou a atuação do governo federal. “O atual presidente da República tornou
o Brasil um país inimigo do esforço global contra as mudanças climáticas e pela
preservação das florestas e do respeito aos povos indígenas. Tudo que o governo
fez desde sua posse representa um forte ataque às políticas de proteção
socioambiental. Acaba com a Secretaria de Mudanças Climáticas, com o plano de
combate ao desmatamento, com o Departamento de Educação Ambiental; criminaliza
ONGs, reduz a participação da sociedade civil, prolifera autorização de
agrotóxicos, quer autorizar extração de minério em terra indígena, arma
grileiro, enfraquece os órgãos de fiscalização”, disse.
O
senador, que atuou como presidente da Comissão de Meio Ambiente por dois anos,
ressaltou que os subsídios reunidos na sessão temática serão debatidos na
próxima conferência da ONU. Ele defendeu o debate das oportunidades que se
abrem para o Brasil na exploração da floresta em pé, com o desenvolvimento de
uma agricultura de baixo carbono e de fontes alternativas de energia verde, a
regulamentação do mercado de carbono e a expansão da bioeconomia.
UTotal
de queimadas na Amazônia em menos de nove meses de 2022 supera o acumulado do
ano passado
Foram 76.587 focos de incêndio na
região neste ano. No ano passado inteiro, foram 75.090, de acordo com dados do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Número de queimadas na Amazônia
já supera todo o ano de 2021.
O número
de queimadas registradas na Amazônia até terça-feira (19) já superou o total
registrado em todo o ano de 2021. Em nove meses incompletos (261 dias), foram
76.587 focos de incêndio na região. No ano passado inteiro, foram 75.090, de
acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Desde
maio, todos os meses aparecem com mais registros de queimadas do que na
comparação com o ano passado. Os números também mostram que setembro
intensificou essa marca negativa, já que foram 18.374 focos registrados em
apenas uma semana, quase 10% a mais que em todo o mês de setembro de 2021.
As
queimadas são consequência do aumento do desmatamento na Amazônia, que seguem
na contramão dos compromissos assumidos pelo Brasil de lutar pelo desmatamento
zero. Em agosto, os alertas de desmate na Amazônia tiveram o segundo pior mês
na série histórica, de acordo com o Inpe.
Em 2022
registrou a maior taxa de alerta de desmate para um primeiro semestre em sete anos de medição na Amazônia Legal –
região que corresponde a 59% do território brasileiro e que engloba a área de
nove estados: Acre; Amapá; Amazonas; Mato Grosso; Pará; Rondônia; Roraima; Tocantins e uma parte do Maranhão.
Em um dos
dias da atual "temporada de queimadas", a fumaça de incêndios na amazônia cruzou o céu do Brasil deixando cheiro de queimado em SP e tarde nublada no Rio Grande do Sul.
Tragédia anunciada
A ONG ambientalista Greenpeace afirmou em nota que o aumento das
queimadas é uma "tragédia anunciada" e está "associado com
desmatamento e grilagem de terras".
O desmatamento e os incêndios florestais dispararam durante o governo do
presidente Jair Bolsonaro (PL), que tentará a reeleição em outubro. Desde
que ele assumiu a Presidência, em janeiro de 2019, o desmatamento médio anual
na Amazônia brasileira aumentou 75% em comparação com a década anterior.
"Após quase quatro anos de uma clara e objetiva política
anti-ambiental por parte do governo federal, vemos que na iminência do
encerramento deste mandato (...), grileiros e todos aqueles que têm operado na
ilegalidade viram um cenário perfeito para avançar sobre a floresta",
disse no comunicado o porta-voz do Greenpeace Brasil para a Amazônia, André
Freitas.
Meio ambiente: o que dizem os planos de governo dos candidatos à Presidência
Os quatro candidatos mais bem colocados
nas pesquisas de intenção de votos dizem em seus documentos que uma das
prioridades é o combate ao desmatamento ilegal e às queimadas pelo país.
Os planos de governo apresentados pelos candidatos à
Presidência da República ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abordam a
questão ambiental. Os quatro nomes mais bem colocados nas pesquisas de intenção
de votos dizem em seus documentos que uma das prioridades é o combate ao
desmatamento ilegal e às queimadas pelo país.
Os números recentes fornecidos pelo próprio governo
federal mostram que é preciso frear o aumento da devastação verificado sob a
gestão de Jair Bolsonaro. Os alerta de desmatamento na Amazônia
voltaram a subir na atual temporada, ficando pelo terceiro ano acima de 8 mil Km².
Os números indicam ainda que as queimadas persistem no
bioma, tendo registro em 22 de agosto o pior dia de queimadas em 15 anos. Outro dilema é
encontrar financiamento para combater a devastação: uma das fontes, o Fundo
Amazônia, foi paralisado pelo atual governo e, por isso, o Brasil corre o risco de ter que devolver R$ 32 bilhões a países doares.
Confira a seguir detalhes de cada proposta dos presidenciáveis. A ordem é a mesma em que os candidatos aparecem
na última pesquisa de intenção de votos.
Lula diz que irá combater
o desmatamento ilegal e irá conservar todos os biomas brasileiros.
O documento também cita o combate ao uso
predatório dos recursos naturais e o estímulo às atividades econômicas com
menor impacto ecológico. Veja outros pontos do plano:
·Promover a transição ecológica das cidades; ·Proteção dos direitos e dos territórios dos povos indígenas,
quilombolas e populações tradicionais; ·Fortalecimento da Funai e do Sistema Nacional de Meio
Ambiente; ·Combater o crime ambiental promovido por milícias, grileiros,
madeireiros ou qualquer outra organização que atue contra a lei.
Em seu plano de governo, Lula diz que
irá combater o desmatamento ilegal e irá conservar todos os biomas brasileiros.
Também pretende cumprir as metas assumidas na Conferência de 2015 em Paris e
garantir a transição energética.
Jair Bolsonaro diz que o propósito central de um eventual segundo mandato é "promover a conservação e uso dos recursos naturais".
Em seu plano, o candidato Jair Bolsonaro diz que o propósito central de um eventual segundo mandato é "promover a conservação e uso dos recursos naturais" e defende conciliar "a preservação do meio ambiente com o desenvolvimento econômico e social".
No documento, Bolsonaro cita o compromisso com o combate ao desmatamento e queimadas ilegais na Amazônia.
Veja outros pontos do plano:
·Consolidação de bases de dados para que "harmonizem" os resultados dos levantamentos sobre queimadas no país;
·Continuar com a operação Guardiões do Bioma;
·Acelerar o desenvolvimento de ações de redução e mitigação de gases de efeito estufa e uso racional de recursos naturais;
·Proteção dos direitos dos povos indígenas e quilombolas.
Entre as propostas, Ciro Gomes diz que o Brasil precisa reduzir o desmatamento.
Em seu plano de governo, Ciro Gomes diz que o crescimento do Brasil passa "necessariamente por uma agenda ambiental clara". Entre suas propostas estão: reduzir o desmatamento, a emissão de gases danosos à atmosfera e viabilizar o crescimento econômico sustentável.
O documento também defende a criação de zonas econômicas e ecológicas no país, em especial na região amazônica.
Veja outros pontos do plano:
·Criação de uma estratégia de desenvolvimento regional com maior segurança fundiária;
·Envolver a população local em atividades econômicas que sejam rentáveis e sustentáveis a eles, mas que excluam o desmatamento;
·Preservar as reservas territoriais destinadas à população indígena, para que não sejam exploradas de forma ilegal por outros grupos étnicos.
Simone Tebet se compromete a adotar a política de tolerância zero com o desmatamento ilegal.
NO plano de governo, Simone Tebet se compromete a adotar a política de tolerância zero com o desmatamento ilegal, reduzir a devastação, "combater com rigor" grileiros, invasores, madeireiros e garimpeiros e fortalecer a fiscalização de todos os biomas.
O documento também diz que a candidata pretende acelerar e antecipar o alcance de metas de redução de gases de efeito estufa e de reflorestamento previstas nos acordos internacionais e pretende fortalecer os órgãos de fiscalização, como o ICMBio, Inpe e Ibama. Veja outros pontos do plano:
- Criar cadastros nacionais de empresas, projetos e pessoas que promovam desmatamento, invasão de terras, mineração ilegal e emissões ilegais;
· Organizar, formalizar e regulamentar um sistema nacional para o mercado de créditos de carbono;
· Implementar o "Selo Verde" para monitoramento de toda a cadeia de produtos certificados;
· Acelerar adoção, informatização, consolidação e análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Governo pagou auxílio
emergencial a 135 mil mortos, diz CGU
Em 2021 foram pagos R$ 10,4 bilhões com indicativo de óbitos
Órgão identificou R$ 11,2 bilhões
em repasses 'potencialmente indevidos' em 2020 e 2021
A Controladoria Geral da
União (CGU) identificou pagamentos "potencialmente indevidos" de R$
11,2 bilhões do Auxílio Emergencial em 2020 e 2021, aponta relatório técnico elaborado pelo
órgão sobre os repasses feitos pelo Ministério da Cidadania nesses dois anos.
Os valores sob suspeita
contemplaram 7,7% das pessoas que receberam o benefício. Só em relação a
pessoas com "indicativo de óbito" foram repassados R$ 336 milhões a
135,7 mil beneficiários. Outros casos de pagamentos
indevidos identificados referem-se a pessoas que tinham renda familiar mensal
diferente dos critérios previstos, a menores de 18 anos e até a residentes no
exterior.
Foram pagos irregularmente aproximadamente R$ 9,4 bilhões em relação ao primeiro auxílio emergencial, com
parcelas de R$ 600, criado após o início da pandemia da Covid-19, em 2020. Outros R$ 808,9 milhões indevidos
foram pagos como auxílio emergencial residual, cujas parcelas tinham o valor de
R$ 300. Nesse caso, 3,2% dos beneficiários não deveriam, de acordo com a CGU,
ter recebido os valores.
Em 2021, mais R$ 1,07 bilhão foi
pago de forma potencialmente indevida em parcelas que vão de R$ 150 a R$ 375.
Esse volume também representa 7,7% dos beneficiários. Nesses casos, o auxílio residual
e o auxílio 2021, foram pagos respectivamente R$ 10 milhões e R$ 44 milhões a
beneficiários "com indicativo de óbito".
Parte do valor pago
indevidamente, aponta a CGU, foi restituído. Foram R$ 990 milhões ressarcidos
em relação ao primeiro auxílio emergencial, R$ 31,5 milhões para o auxílio
residual e R$ 103,6 milhões para o auxílio 2021. "As iniciativas desenvolvidas pelo Ministério da Cidadania ao longo da
execução dos benefícios resultaram em aprimoramentos da normatização
relacionada e em busca de maior adequação na focalização do público-alvo, bem
como em ações para evitar a continuidade de pagamentos indevidos", diz
a CGU em seu relatório.
No entanto, continua o órgão, a
repetição de pagamentos indevidos no auxílio residual e no auxílio 2021 mostra
que "a etapa de avaliação de critérios de elegibilidade não incorporou os
aprimoramentos necessários e suficientes para mitigar as ocorrências de forma
significativa em relação ao percentual de beneficiários que receberam os
benefícios de forma indevida".
O Ministério da
Cidadania, que tem à frente Ronaldo Vieira Bento, afirmou que vem executando uma série de ações voltadas para o ressacimento dos benefícios pagos fora dos critérios de elegibilidade.que tem à frente Ronaldo Vieira Bento, afirmou que vem executando uma série de ações voltadas para o ressarcimento
dos benefícios pagos fora dos critérios de elegibilidade.
"Entre as medidas adotadas estão o resgate dos valores não movimentados
na Caixa Econômica Federal e a disponibilização do site
devolucaoauxilioemergencial.cidadania.gov.br, desde o início dos pagamentos do
benefício, que permite a devolução de recursos por meio da emissão de Guia de
Recolhimento da União (GRU)", diz a pasta.
Segundo o governo, retornaram aos
cofres da União até o momento cerca de R$ 7,8 bilhões. Os valores são transferidos
para a conta única do Tesouro Nacional e ficam à disposição da União.
Mais de 61
milhões vivem insegurança alimentar no Brasil, aponta ONU
Pesquisa do Datafolha aponta que um em cada quatro brasileiros afirma não ter comida suficiente para alimentar seus familiares.
São 61,3 milhões de pessoas que não têm garantia de alimentação - dentre elas, 15,4 milhões convivem com insegurança alimentar grave.
Mais de
61 milhões vivem insegurança alimentar no Brasil, aponta ONU - Quase três, em
cada 10 brasileiros, não têm garantia de comida. Entre eles, 15,4 milhões
passam fome, quatro vezes mais do que no último relatório divulgado pela
Organização das Nações Unidas para Alimentação (FAO).
Quase 30%
da população brasileira vive insegurança alimentar moderada ou grave, revela
relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO)
divulgado na quinta-feira (06).
São 61,3 milhões de pessoas que não têm garantia de alimentação - dentre elas,
15,4 milhões convivem com insegurança alimentar grave. Os dados são do período
de 2019 a 2021.
O novo relatório mostra um forte agravamento da situação no Brasil: entre 2014
e 2016, eram 37,5 milhões de pessoas com insegurança alimentar, dentre elas 3,9
milhões em condição grave - quase quatro vezes menos do que hoje.
De acordo com a classificação da FAO, insegurança alimentar grave é quando a
pessoa fica sem comida por um dia ou mais. Já insegurança alimentar moderada
significa que a pessoa não tem certeza se conseguirá comida ou precisa reduzir
a qualidade e/ou quantidade dos alimentos.
Agravamento da situação mundial
No mundo
todo, o número de pessoas que sofrem com insegurança alimentar severa chegou a
2,3 bilhões em 2021, o que representa quase 30% da população mundial e revela
um "grande retrocesso nos esforços
para eliminar a fome e a desnutrição", segundo a FAO.
Os dados do relatório não incluem os reflexos da guerra na Ucrânia. O futuro se
apresenta ainda mais preocupante após o início da guerra na Ucrânia, que
provocou distúrbios nas redes mundiais de distribuição e um aumento dos preços
dos alimentos, energia e fertilizantes.
Em nível global, 828 milhões de pessoas sofriam com fome devido aos efeitos da
pandemia da covid-19 e da crise climática no fim de 2021, segundo o mesmo
relatório.
Desde o início da emergência global provocada pelo novo coronavírus, a quantidade
de pessoas sem acesso a alimentos aumentou em 150 milhões.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO); o
Programa Mundial de Alimentos (PMA); o Fundo de Desenvolvimento Agrícola (FIDA);
a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo para a Infância (Unicef) cobram
uma iminente revisão das ajudas atuais para encarar essa "situação catastrófica".
As agências preveem que, se a situação prosseguir, o objetivo da ONU de
alcançar a "Fome Zero" em 2030 não será alcançado - ou seja, 670
milhões de pessoas, o que representa pouco mais de 8% da população mundial,
continuará enfrentando a fome, a mesma quantidade que em 2015, quando foi
lançada a Agenda da ONU.
As regiões mais afetadas no mundo pela fome são a Ásia, com 20,2%; a África,
com 9,1%; América Latina e Caribe, com 8,6%.
Nesta última região, a insegurança alimentar afetou, em 2021, 40,6% dos
habitantes de forma severa, especialmente, no Caribe e na América do Sul, onde
a desnutrição dobrou desde 2015.
"Se não atuarmos desde já, nessa
resposta imediata que é necessária, mas com planejamento a longo-médio prazo,
vamos ver que não apenas estamos retrocedendo no nível de pobreza e de acesso
aos serviços básicos, mas também que isso irá desestabilizar as comunidades
mais vulneráveis e abrir as portas para novos conflitos e guerra",
alerta Helene Papper, diretora de comunicação e advogada global da FIDA.
No Brasil
No final
do mês passado, uma pesquisa do Datafolha revelou que um em cada quatro
brasileiros (26%) afirma não ter comida suficiente para alimentar seus
familiares.
No começo de junho, o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no
Contexto da Pandemia da Covid-19, apontou que que 33,1 milhões de pessoas no Brasil
não têm o que comer, fazendo o país regredir a um patamar de insegurança
alimentar equivalente ao da década de 1990.
A pesquisa revela que 58,7% da população brasileira convive com a insegurança
alimentar em algum grau - leve, moderado ou grave (fome). Atualmente, apenas
quatro em cada 10 domicílios brasileiros conseguem manter acesso pleno à
alimentação, ou seja, estão em condição de segurança alimentar.
Governo destrói programa alimentar brasileiro e acelera escalada da fome no país
Imagem: UOL
Homem procura comida no lixo. Fome cresce exponencialmente no Brasil
Ao mesmo tempo em que a insegurança alimentar atingiu patamares recordes no Brasil, com fila de pessoas em busca de osso para comer, o governo federal destruiu e praticamente zerou o orçamento do principal programa de aquisição de alimentos da agricultura familiar.
Intitulada Alimenta Brasil, a ação é voltada para a compra da produção agrícola de famílias e doação de comida para pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional.
Sem recurso, cooperativas encerraram suas atividades e projetos assistenciais reduziram a qualidade da comida oferecida para famílias carentes, crianças em creches e idosos em acolhimento.
No ano passado, o país chegou a apresentar o Alimenta Brasil à Cúpula dos Sistemas Alimentares, da ONU (Organização das Nações Unidas), como "importante estratégia para o combate à fome e à desnutrição". Apesar do discurso, o governo, na realidade, reduziu os recursos ao longo dos anos. A ação chegou a ter em 2012 a aplicação de R$ 586 milhões do orçamento federal. Em 2021 foram R$ 58,9 milhões e, até maio deste ano, apenas R$ 89 mil, ou seja, menos de 15,5%, em 10 anos.
A política criada em 2003 era chamada até 2021 de PAA (Programa de Aquisição de Alimentos). À época, foi modificada pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) no bojo da criação do Auxílio Brasil: ganhou o rótulo de Alimenta Brasil e perdeu parte dos critérios para distribuição, como a priorização de regiões onde os índices de pobreza são maiores, ao ter a grande parte do seu orçamento atrelado às emendas de relator — que dependem mais de vontade política do que de estudos técnicos, e que são distribuídas sem total transparência sobre quem indica o recurso e os motivos para isso.
Segundo o professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e ex-diretor da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) Sílvio Isoppo Porto, o PAA cresceu entre 2003 e 2012, mas teve esvaziamento drástico a partir de 2016, com exceção de 2020, quando a mobilização popular levou parlamentares a destinarem recursos extras a essa política devido à pandemia.
"Perde-se a oportunidade de estimular e assegurar a aquisição de alimentos da agricultura familiar e impõe às famílias em insegurança alimentar e nutricional seguir nessa situação de fome. Esse programa poderia, sim, ser parte da solução [para o problema da fome no país]", diz Porto que também é diretor de Sistemas Alimentares e Agroecologia do Instituto Fome Zero.
Segundo dados da Conab (órgão do governo atrelado ao Ministério da Agricultura e um dos responsáveis pela execução do programa), o número de unidades recebedoras das doações de alimentos por parte do programa caiu de 17 mil em 2012 para 2.535 em 2020 (dado mais recente disponível). Já o total de fornecedores (famílias produtoras) passou de 128.804 em 2012 para 31.196 em 2020.
Ao abrir um chamado para cooperativas interessadas em participar do programa, em setembro do ano passado, a Conab recebeu a demanda de R$ 330 milhões, segundo fontes, mas pôde disponibilizar apenas R$ 20 milhões, no fim de dezembro, que ainda não foram totalmente executados.
Em Alagoas, estado do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), cooperativas fecharam as portas sem a garantia do recurso do programa. A Coplal, uma cooperativa que agregava produtores de laranja-lima no interior do estado, chegou a funcionar com 800 famílias, mas acabou encerrando suas atividades há três anos sem a verba federal. "Esse pessoal está sofrendo tentando vender de qualquer jeito", diz o ex-presidente da cooperativa Antônio Carlos de Souza.
Em Goiás, o agricultor familiar Valons Mota conta que conseguiu participar do programa do governo até 2020, quando o estado chegou a fechar, segundo ele, projeto de até R$ 80 mil, mas que depois a fonte secou. Hoje, ele afirma que os produtores precisam buscar emendas parlamentares para a Conab. "A partir da hora que é por emenda nem todos temos padrinhos políticos", diz.
De olho no Congresso
Para o deputado Heitor Schuch (PSB-RS), presidente da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar, está em curso um desmonte das políticas públicas voltadas aos mais vulneráveis. No ano passado, ele apresentou sete emendas à medida provisória que criou o Alimenta Brasil, entre elas um dispositivo para garantir que o governo se comprometesse em contratar as propostas do PAA já cadastradas na Conab, aguardando verba para contratação, há dois anos. Nenhuma das sugestões do parlamentar foi aprovada.
"O que estamos vendo é o governo tirando recurso do setor produtivo, dos programas sociais, dentro daquilo que o governo, desde o primeiro momento, disse que como ia tratar as políticas públicas", afirma Schuch.
Em abril deste ano, a Secretaria Nacional de Inclusão Social e Produtiva publicou uma portaria estabelecendo metas, limites financeiros, requisitos para execução da modalidade compra com doação simultânea, entre outras regras para a execução do Alimenta Brasil. Um mês depois, no entanto, o governo revogou a portaria deixando os governos sem plano de ação e sem recursos para executar o programa.
O Ministério da Agricultura e a Conab praticamente ignoram o problema da fome no Brasil, apontando como responsável pela execução orçamentária do programa o Ministério da Cidadania. Este por sua vez, também não se manifesta.
MP do TCU pede investigação sobre destruição do programa Alimenta Brasil
Relatório aponta que 58,7% dos brasileiros convivem com a fome.
O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, pediu à corte a abertura de uma investigação sobre a drástica redução de recursos do governo federal destinados ao programa Alimenta Brasil.
"O desmonte dessa essencial política pública de apoio alimentar aos mais vulneráveis parece evidente e deliberada, na medida em que os recursos a ela destinados, que já foram da ordem de R$ 586 milhões, não chegaram nem a R$ 100 mil este ano, em um momento de calamidade no qual seria mais necessária a atenção governamental",escreve Furtado no pedido.
O governo federal
destruiu e praticamente zerou o orçamento do principal programa de aquisição de
alimentos da agricultura familiar. Intitulada Alimenta Brasil, a ação é voltada
para a compra da produção agrícola de famílias e doação de comida para pessoas
em situação de insegurança alimentar e nutricional. "Todo
o quadro até aqui delineado permite concluir que o Poder Executivo Federal está
evidentemente contrariando todas as disposições constitucionais mais
elementares a garantir a vida humana", diz ainda o subprocurador.
No
pedido, Furtado também pede a apuração da extensão, suficiência e efetividade
das políticas públicas do governo federal para o combate à insegurança
alimentar, diante dos dados divulgados pela a pesquisa Vigisan (Inquérito Nacional Sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia Covid-10 no Brasil), que mostra que 33,1 milhões de brasileiros se encontram nessa situação de
insegurança alimentar.
"Trato,
nesta representação, da grave insegurança alimentar ora vivida no país. Embora
sejam uma obrigação constitucional do Estado, identifica-se que estão sendo
desarticuladas as políticas públicas que objetivam garantir a segurança
alimentar da população", afirma ainda Furtado.
Há 230 anos Tiradentes era enforcado e entraria para a história
Coelhos e ovos não tem nada em comum e porque são símbolos da Páscoa?
Qual a real simbologia entre coelhos e ovos para a Páscoa
Saiba
qual o real significado e o que representam na
celebração cristã.
A
Páscoa é a data mais importante do calendário cristão. Celebrado anualmente
entre os meses de março e abril, o domingo de Páscoa marca a crença na
ressurreição de Jesus Cristo. Nesta
época do ano, a tradição é se reunir com a família e amigos para comemorar a
renovação da vida, e coelhos e ovos estão sempre presentes nas festividades
pascais. O “coelhinho da Páscoa” faz parte do imaginário popular e está em
todos os cantos, assim como os ovos de chocolate dominam o mercado. Mas por que
eles são símbolos da data cristã? Coelhos
e ovos não têm nada em comum – afinal, o animal é mamífero e não bota ovos. No
entanto, eles se “encontram” na Páscoa. Existem teorias de diferentes religiões
que explicam a origem dos símbolos na cultura cristã, mas a ideia de que ambos
representam a vitalidade é um dos consensos.
Significado
principal do coelho e do ovo na Páscoa
O
coelho é um animal que se reproduz facilmente. Por isso, se tornou símbolo de
fertilidade e prosperidade na cultura de vários povos ao longo da história. Não
à toa, também passou a ser associado ao significado da Páscoa, que remete ao
renascimento.
O
conceito do ovo como símbolo da Páscoa não é muito diferente do significado
atribuído ao coelho: ele também representa o nascimento. Além da tradição dos
ovos de chocolate, decorar ovos e usá-los como enfeites também é comum em
muitos países no período da Páscoa.
<<<<<<<<<<<Páscoa>>>>>>>>>>
Bolsonaro
gastou quase R$ 3 milhões com cartão corporativo em apenas dois
meses.
(clique na imagem e acesse a matéria)
Quase uma centena de empresas já
cortaram negócios com a Rússia após invasão da Ucrânia
(clique na imagem e acesse a matéria)
Banco Central cria novo site para contribuinte receber valores esquecidos em bancos
O BC não entra em contato direto com os cidadãos para tratar sobre esse dinheiro ou pedir confirmação de dados pessoais. Cuidado com golpes!
Já está no ar o novo portal do BC para consultar a existência de valores esquecidos em bancos por pessoas físicas e jurídicas. A estimativa é de que haja R$ 4 bilhões a serem devolvidos a 28 milhões de consumidores e empresas só nesta primeira fase, segundo informação do BC. A quantia total chega a R$ 8 bilhões.
O site para consulta havia sido anunciado ainda em janeiro. Mas a novidade animou tanto os brasileiros que o sistema logo ficou sobrecarregado e saiu do ar, fazendo com que o Banco Central suspendesse a operação até que o acesso fosse restabelecido. Agora, a consulta deverá ser feita em uma nova página:valoresareceber.bcb.gov.br.
Mais de 20,5 milhões de consultas a CPFs e CNPJs já haviam sido feitas até o meio-dia da segunda-feira (14), segundo balanço do BC. Vale lembrar que hoje só será possível consultar se você tem ou não valores a receber, mas não a quantia. Já o resgate do dinheiro levará mais de um mês. Confira aqui o calendário.
•Digite seu CPF ou CNPJ e a data de nascimento ou de criação da empresa para consultar se você tem valores esquecidos em bancos;
•Se sim, guarde bem a data que o sistema vai te informar. É neste dia que você saberá o valor exato que tem a receber e solicitar a transferência, também pelovaloresareceber.bcb.gov.br.
A devolução do dinheiro poderá ser feita via Pix a partir de 7 de março. Aqueles que não tiverem ou preferirem não indicar uma chave na hora de pedir a transferência serão informados pelos respectivos bancos sobre como será feito o depósito.
Se você não conseguir acessar o site no dia indicado pelo sistema do BC, não se preocupe: volte ao valoresareceber.bcb.gov.br em outro momento e repita o processo. O sistema vai te informar uma nova data para retorno.
O dinheiro é seu e, portanto, continuará guardado pelas instituições financeiras pelo tempo que for necessário, até que você peça a devolução.
Conta gov.br
Para pedir o resgate do dinheiro, será necessário usar um login gov.br nível prata ou ouro. Caso ainda não o tenha, basta fazer um cadastro gratuito pelo site ou pelo aplicativo gov.br disponível na Google Play (Android) e na App Store (Apple).
A conta gov.br tem três níveis de confiabilidade: bronze, prata e ouro. O primeiro, mais básico, é conquistado logo quando o cidadão se cadastra na plataforma, o que normalmente acontece por meio do formulário online do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ou da Receita Federal.
Para subir de nível e, assim, conseguir acessar solicitar transferências novaloresareceber.bcb.gov.br, é necessário confirmar sua identidade por meio de qualquer um dos processos indicados nas plataformas gov.br. Quem quiser ir de bronze para prata, por exemplo, pode validar seus dados no próprio app, via reconhecimento facial.
Cuidado com golpes
O único site para consulta e pedidos de transferência de valores esquecidos em bancos é ovaloresareceber.bcb.gov.br. O BC não entra em contato direto com os cidadãos para tratar sobre esse dinheiro ou pedir confirmação de dados pessoais.
Nunca clique em links suspeitos enviados por e-mail, SMS, WhatsApp ou Telegram, nem faça qualquer tipo de pagamento para ter acesso aos valores. Nem o BC, nem as instituições financeiras vão exigir que você forneça dados pessoais ou senhas para liberar o dinheiro.
Não caia em golpes! O único site para consulta e solicitação no sistema é ovaloresareceber.bcb.gov.br. Não enviaremos links e ninguém está autorizado a entrar em contato com você em nome do Banco Central ou do Sistema Valores a Receber. Alerta do Banco Central
<<<<<<<<<<<matéria>>>>>>>>>>>
Banco Central suspende temporariamente acesso ao Sistema de Valores a Receber
Prédio do Banco Central em Brasília
Dinheiro esquecido com o governo? O Banco Central suspende temporariamente acesso ao Sistema de Valores a Receber e BC cria novo site para consulta do SVR. Volta do serviço para consultar possíveis "dinheiros esquecidos" em bancos ocorrerá dia 14 de fevereiro.
Após falhas pelo excesso de demanda na consulta do Sistema Valores a Receber (SRV), a nova ferramenta do Banco Central ganha site exclusivo. Lançado pelo BC em janeiro, o SRV permite que cidadãos e empresas consultem se têm algum dinheiro “esquecido” a receber em bancos e demais entidades do sistema financeiro.
As consultas serão liberadas novamente no dia 14 de fevereiro exclusivamente no endereço valoresareceber.bcb.gov.br. Segundo o BC, aqueles que tiverem valores a receber no momento da consulta poderão confirmar o montante a ser recebido e solicitar a sua transferência a partir do dia 07 de março.
“O BC recomenda que o cidadão volte ao sitevaloresareceber.bcb.gov.brna data informada. Caso não compareça nessa data, o cidadão terá que fazer uma nova consulta para receber uma nova data para pedir o resgate”, informou o Banco Central.
O BC reforça ainda que o cidadão que não resgatar o valor na data indicada, não perderá o direito sobre os valores em seu nome. “As instituições financeiras guardarão esses recursos pelo tempo que for necessário, esperando até que o cidadão solicite a devolução”.
Bancos e instituições financeiras só poderão entrar em contato com clientes que tenham, montantes a receber após o mesmo acessar o sistema (ou se já o acessou nos dias 24 e 25/01) e somente no caso de pedir o resgate sem indicar uma chave Pix.
No segundo caso, a instituição não poderá solicitar dados pessoais ou senhas do cliente.
Brasil passa a oferecer visto para nômade digital.
Cada vez mais os profissionais sem instalação física trabalham em outros países aproveitando a internet e a tecnologia da informação.
O que é isso e por que tal ação governamental importa? Com o objetivo de estimular atividades dos chamados "nômades digitais" no Brasil, o Conselho Nacional de Imigração, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, regulamentou a concessão de visto temporário e autorização de residência a imigrante que, sem vínculo empregatício no país e fazendo uso de tecnologias da informação, possa a executar trabalhos para empregadores estrangeiros.
A medida, publicada na segunda-feira (24) no DOU (Diário Oficial da União), estabelece prazo inicial de um ano de residência, que poderá ser renovado por igual período.
Para o secretário nacional de Justiça e presidente do colegiado, José Vicente Santini, a regulamentação atende tendência mundial e contribui, inclusive, com o setor de turismo. "A remuneração dos nômades digitais é de origem externa, e os recursos trazidos por esses imigrantes movimentam a economia nacional. Esse é um passo importante para que o Brasil promova um dos modelos mais modernos de trabalho", afirmou.
Para entender o "modelo de negócio"
O visto temporário deverá ser requerido em qualquer repartição consular brasileira no exterior, com a apresentação dos documentos previstos na resolução, como seguro saúde válido no território nacional e a comprovação de condição de nômade digital. O imigrante que se encontre em território nacional poderá apresentar pedido de autorização de residência ao Ministério da Justiça pelo Sistema MigranteWeb. (clique no link e acesse).
Em ambos os casos, a comprovação da condição de nômade digital deverá ser feita com a apresentação de contrato de trabalho ou de prestação de serviços, entre outros documentos que demonstrem vínculo com empregador estrangeiro. Além disso, é necessário comprovar meios de subsistência no Brasil.
O que é o CNIg
O Conselho Nacional de Imigração (CNIg), conforme disposto no Decreto nº 9.873, de 27 de junho de 2019, é órgão colegiado integrante da estrutura do Ministério da Justiça e Segurança Pública, composto por 14 órgãos e entidades. Congregando entes governamentais federais e entidades representantes das centrais sindicais, de empregadores e da comunidade científica e tecnológica. Tem entre as principais competências a coordenação e orientação das atividades de imigração laboral, bem como a promoção de ações visando à atração de mão de obra imigrante qualificada para o país.
O que são nômades digitais e quais países já aderiram a essa modalidade de trabalho?
Os nômades digitais são profissionais que trabalham online, portanto não há necessidade de laborar em um escritório, cidade ou país específico. Desde que tenham conexão à Internet, podem oferecer os seus serviços de qualquer parte do mundo.
Com um estilo de vida mais livre, muitos desses profissionais viajam muito, já que não existem fronteiras para seus trabalhos. No entanto, geralmente estão no “limbo” entre os requisitos de visto de turismo e trabalho. Este ainda é um dos principais obstáculos para o trabalho remoto no exterior. Por isso, muitos países já têm voltado os olhos para esses novos profissionais sem endereço fixo.
O primeiro visto para nômades digitais na Europa é da Estônia. Ele irá permitir que nômades digitais trabalhem legalmente no país, mesmo que remotamente.
Outros países europeus como Alemanha, Espanha e Portugal também oferecem opções de visto para freelancers e profissionais liberais sem a necessidade de comprovação de renda mensal. No entanto, o visto da Estônia é reconhecido como o primeiro visto do mundo especificamente para nômades digitais. A diferença dos freelancers, é que o visto da Estônia pode ser empregado por uma empresa.
Dois mil e vinte e dois, ou 2022 (MMXXII, na numeração romana) será um ano comum do século 21 (XXI) que começará num sábado, segundo o calendário gregoriano. A sua letra dominical será B, a terça-feira de Carnaval ocorrerá a 1º de março e o domingo de Páscoa a 17 de abril. Segundo o horóscopo chinês, será o ano do Tigre, começando a 1º de fevereiro.
O vigésimo segundo ano do século 21 promete muito mais abalos do que a agenda descrita abaixo, que traz datas já pré-estabelecidas e que deverão influir, não só na vida do brasileiros como na dos latino americanos e boa parte da população do planeta. Vmos conferiri, então, conferir qual agenda programática no espera nesse novo ano.
Janeiro:
Dia 1º - As obras de Godofredo Rangel (José Godofredo de Moura Rangel -1884/1951 - escritor e tradutor brasileiro, nascido em Carmo de Minas, Minas Gerais) e outros autores brasileiros e europeus que faleceram em 1951 entrarão em domínio público, pois estarão passados 70 anos de suas mortes.
Dia 30 - Realizam-se as eleições legislativas portuguesas.
Fevereiro:
Dias 3 a 12 - Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2021, a ser realizada nos Emirados Árabes Unidos.
Dias 4 a 20 - Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, a serem realizados em Pequim, na China. A cidade será a primeira a ter recebido tanto Jogos Olímpicos de Verão quanto de Inverno.
Dia 6 - Eleições gerais na Costa Rica.
Dia 11 - Centenário da Semana de Arte Moderna no Brasil. Também chamada de Semana de 22, ocorreu em São Paulo, entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal da cidade.
Março:
Dia 1º - Retorno dos carnavais pelo Brasil.
Abril:
Dia 1º - Sorteio dos grupos para a Copa do Mundo FIFA de 2022, em novembro/dezembro, no Catar.
Dia 10 - Primeiro turno das Eleições presidenciais da França 2022.
Dia 24 - Segundo turno das Eleições presidenciais da França 2022.
Maio:
Dias 10 a 14 - Realização do 66º Festival Eurovisão da Canção em Turim, Itália.
Dia 26 - Primeiro turno das eleições presidenciais na Colômbia.
Junho:
Dia 2 - Jubileu de Platina da Rainha Elizabeth II, que marca o 70.º aniversário da sua ascensão ao trono do Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
Dia 19 - Segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia.
Julho:
Dias 15 a 24 - Campeonato Mundial de Atletismo de 2022, realizado em Eugene, nos EUA.
Dias 16 e 17 - Rio+30, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, será realizada no Rio de Janeiro.
Agosto/Setembro/Outubro:
Dias 26 a 11 de setembro - Campeonato Mundial de Voleibol Masculino 2022, a ser realizado na Rússia.
Dia 7 de setembro - O Brasil comemorará o bicentenário da sua Independência, ocorrido a 7 de setembro de 1822.
Dias 22 de setembro a 2 de outubro - Mundial de Basquete Feminino de 2022, a ser realizado em Sydney, na Austrália.
Dias 23 de setembro a 15 de outubro - Campeonato Mundial de Voleibol Feminino 2022, a ser realizados na Holanda e Polônia.
Dia 2 de outubro - Eleições gerais no Brasil - Primeiro turno para presidente da República e governadores, além da votação para senadores, deputados federais, estaduais e distritais.
Dia 30 de outubro - Eleições gerais no Brasil em 2022 - Segundo turno das eleições para presidente da República e governadores.
Novembro/Dezembro:
Dias 21 de novembro a 18 de dezembro - Copa do Mundo FIFA de 2022, a ser realizada no Catar.
NFT do Dodge Charger LS 1974 preto do colecionador Alexandre Badolato. Todas as 100 unidades foram comercializadas em meia hora
O futuro já chegou trazendo uma nova forma de colecionar veículos. Começa a ganhar corpo os NFTs, ou o criptocarro, contudo, não se trata de veículos físicos para estacionar na garagem.
Algo comparável a uma miniatura virtual, multimídia e numerada de determinado automóvel, cujo comprador pode até revendê-la posteriormente. O nome técnico para essas "miniaturas" é NFT, sigla para "token não fungível". Em linguagem mais simples, NFTs são bens criptográficos únicos, que não podem ser copiados como um arquivo qualquer. Isso é possível devido a uma tecnologia chamada de blockchain, a mesma já utilizada nas criptomoedas e que serve para comercializar uma infinidade de produtos digitais colecionáveis, incluindo obras de arte (assista ao vídeo.
No Brasil, dois exemplares raros do Dodge Charger LS 1974 estão entre os primeiros NFTs comerciais de carros lançados no País. Em apenas uma semana, já venderam mais unidades do que o NFT de maior sucesso do influenciador Felipe Neto, lançado há três meses e que não tem relação com o mundo automotivo.
Os "Criptocarros" em questão são réplicas de veículos reais do empresário Alexandre Badolato, dono da maior coleção da marca Dodge no Brasil, com mais de 400 modelos guardados no interior paulista. Ele explica que os compradores dos seus NFTs passam a ser de uma miniatura 3D do veículo, além de vídeos e fotos exclusivas. Dá até para ouvir o ronco do motor.
Assim como o Bitcoin, por exemplo, cujo preço de uma moeda custa R$ 256.198,19 (até o fechamento desta matéria), e tem que ser comercializado em fração para que o preço seja acessível a uma quantidade expressiva de pessoas, o criptocarro também é vendido fracionado, o que valoriza mais para quem vende e compra, pois agrega outra ativo ou se transforma em criptoativo.
"Nós temos o objetivo de preservar um pedaço da história automotiva do país, principalmente entre os anos 70 e 80. Vejo os NFTs como uma nova forma de me comunicar com o público. Ele é uma mistura de livro, vídeo, imagem e carrinho 3D. Os feedbacks têm sido bem positivos em termos de números", comemora Badolato, autor de livros sobre sua coleção.
Imagem: Divulgação
NFT do Dodge Charger LS 1974 preto de Badolato tem até caixinha de papel virtual
O primeiro NFT disponibilizado por Badolato foi do seu Dodge Charger LS 1974 preto (fotono topo), produzido no Brasil durante cinco anos, com apenas 55 unidades "reais" produzidas - das quais a única com pintura preta seria a do colecionador. Este foi posto à venda em 19 de agosto desse ano por R$ 74 e todos os seus cem exemplares foram vendidos em apenas 30 minutos, diz.
O segundo NFT, este ainda com exemplares à venda, é da versão branca do mesmo ano e modelo do Dodge. Por ser um pouco menos raro, foram ofertadas mil unidades, por R$ 34,90 cada. Em uma semana, 220 delas foram comercializadas, afirma - mais do que o dobro, incluindo o carro preto, das unidades vendidas até ontem (16.09.21) do NFT mais popular de Felipe Neto, lançado em junho deste ano.
Imagem: Arquivo pessoal
Dodge Charger LS 1974 branco. Versão virtual para colecionar, foram colocadas mil unidades a serem comercializadas sendo que 220 vendidas em uma semana.
Badolato prevê o lançamento de pelo menos mais seis NFTs da sua coleção de Dodges: Dart Sedan; Dart Coupe; Charger LS de outro ano; Dodge Magnum e dois Chargers RT.
Thiago Canellas, CEO da Block4, empresa responsável pela plataforma de comercialização dos NFTs de Alexandre Badolato, explica que o comprador pode utilizar o colecionável de diversas formas, inclusive vendê-lo, como já aconteceu com um dos exemplares do Dodge preto - negociado pelo dobro do preço, segundo Canellas. "Nossa ideia é disponibilizar jogos e outras formas de aplicação. É uma experiência multimídia única para os colecionadores", diz.
Para comprar, não é preciso ter criptomoedas: os NFTs podem ser adquiridas via cartão de crédito ou até mesmo Pix no site AGBadolato.
Será que o criptocarro tem futuro?
Para alguns, os colecionáveis digitais podem parecer um tanto sem sentido, mas a realidade é que valores altíssimos já circulam nesse mercado, principalmente na divisão de obras de arte.
Para se ter uma ideia, a obra de Picasso "Fumeur V", adquirida em um leilão pelo equivalente a R$ 105 mil, foi queimada e transformada em NFT por seus donos. Além disso, outros players estão entrando na tendência: duas equipes de Fórmula 1, a Aston Martin e a Red Bull, já anunciaram que vão lançar produtos em blockchain. Quem também está surfando essa onda é a Nissan, que irá oferecer uma obra de arte do artista Fesq em NFT para quem comprar o Kicks XPlay.
Imagem: MoMA "The Smoker" (Fumeur V) de 1964 - Pablo Picasso
Grupo queima obra "Fumeur V" de Pablo Picasso para eternizá-la como Blockchain
Imagem: Portal do Bitcoin
Fesq, o artista brasileiro que largou a universidade para vender NFTs
Assista como funciona o NFT como obras de arte e para ela
Brasil no escuro é o que a crise hídrica pode causar caso não haja racionamento de energia
Secando. Reservatório da usina hidrelétrica de Furnas, em São José da Barra (MG), está com o nível cada vez mais baixo.
País começa a pagar a conta do negacionismo do governo atual e o da inépcia dos anteriores. Crise hídrica e fantasma do racionamento revelam o quão o Brasil se desgarrou da trilha da sustentabilidade.
Altas consecutivas dos preços da energia elétrica e o risco de faltar luz nos próximos meses é o que pode ocorrer em breve. Especialistas no setor repetem: "eu avisei". Há mais de 10 anos, o problema da dependência do país das hidrelétricas é conhecido, mas ignorado.
O descontrole do desmatamento acelera uma das consequências mais palpáveis das mudanças climáticas no Brasil, a redução do regime de chuvas - cruciais para a geração da energia. Esforço para reduzir consumo de energia é 'inadiável', diz ministro Bento Albuquerque, das Minas e Energias.
O clima está se tornando mais seco nas regiões que, até pouco tempo atrás, eram garantia de usinas rodando a pleno vapor, inclusive na região sudeste. O professor de planejamento energético da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Roberto Schaeffer já alertava há muito tempo sobre os riscos. "Em 2007, a gente já falava: Brasil, cuidado. Essas novas hidrelétricas não vão gerar a energia que estão prometendo, porque elas estão baseadas em históricos de pluviosidade e de rios que os estudos que o Brasil tem feito, projetando o futuro, mostram que não irão se repetir. Há uma tendência de a região norte se tornar mais seca, do norte e do nordeste saírem de uma situação se semiárido para se tornar um deserto", afirma Schaeffer, que é membro do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU).
"A gente já chamava atenção para o fato de que as hidrelétricas, com o passar do tempo, se tornariam menos confiáveis e teríamos que preparar o sistema elétrico brasileiro para isso", afirmou.
A seca histórica no país, a mais grave em pelo menos 91 anos, leva os reservatórios do sudeste e do centro-oeste a operarem com 23% da capacidade de armazenamento - o nível mais baixo em 20 anos, quando o país sofreu um grave racionamento de energia.
As previsões não são nada animadoras - a estiagem deve fazer com que as hidrelétricas operem com apenas 10% da capacidade em novembro. "Ficamos muito reféns do clima e com as mudanças climáticas, a imprevisibilidade é gigantesca - tanto que essa crise de agora também está ocorrendo não só no Brasil, como no Chile, na Califórnia", comenta Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura).
"O que os estudos mais recentes mostram é que o que realmente custa dinheiro é não fazer nada. Faltar energia elétrica no Brasil neste ano custa mais do que qualquer plano possível de controle de desmatamento", complementa Schaeffer.
Luz tem aumento três vezes superior ao da inflação
A crise hídrica leva o governo brasileiro a acionar as usinas térmicas a carvão e a importar energia de países vizinhos - o que torna o preço da luz ainda mais alto, quase três vezes superior ao aumento da inflação desde janeiro. Atualmente, um terço da energia consumida no país vem das termelétricas.
A campanha de economia de luz é a solução que restou, diante de uma falta de planejamento energético que já vinha antes mesmo de o clima se degradar, ressalta Roberto Pereira d'Araújo, diretor do Ilumina (Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico). Assim como Adriano Pires, ele avalia que os apagões nos próximos meses serão quase inevitáveis.
"Se você pegar dados de 1950 e colocá-los no sistema atual, nós estaríamos na mesma situação. O que não ocorreu foi investimento. E não tendo investimento, o jeito é pedir para o consumidor consumir menos", sublinha Araújo.
"Se tivesse outras hidrelétricas captando energia de outros rios, que não estão sendo usados, não estaríamos com os reservatórios caindo", diz o diretor do Iumina.
Ligado na eleição
Mais preocupado com a reeleição, o presidente Jair Bolsonaro hesitou até o limite para reconhecer a crise e incitar os brasileiros a economizarem energia. "Do ponto de vista técnico, o correto hoje seria decretar um racionamento, de 8 a 10% da carga. Mas o governo não consegue fazer isso porque acha que faria com que Bolsonaro perca, definitivamente, a eleição", diz Adriano Pires. "Mas não tem jeito: a energia vai continuar cara e vai ser uma das principais responsáveis pelo crescimento da inflação brasileira, que está disparando", esclarece.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, minimizou a situação, ao questionar "qual é o problema de a energia ficar um pouco mais cara". O clima de incertezas, porém, não ajuda em nada à recuperação da economia, num efeito cascata. Para a indústria, a conta de luz é uma das que mais pesam nas despesas da produção.
"A indústria estava num momento de retomada do crescimento, com todo mundo querendo comprar automóvel, geladeira. Havia uma demanda reprimida muito grande em função da pandemia em 2020. Se pegarmos o exemplo de 2001-2002, o racionamento causou uma perda de PIB de 2 a 3 pontos", frisa Pires.
Para as famílias, que já enfrentam a alta da inflação, a energia mais cara significa menos consumo de bens e serviços. "Se você compara a tarifa brasileira com outros países, nós já somos os vice-campeões: só perdemos para a Alemanha", ressalta Araújo.
"Com os aumentos que vão ocorrer, nós vamos com certeza ultrapassar a Alemanha, o que é um vexame total. Como pode o Brasil, com vento, sol, rios, ter a tarifa mais cara do mundo - e nem é por impostos", disse.
Um relatório inédito divulgado em agosto pelo MapBiomas apontou que a água doce disponível para o consumo no Brasil vem desaparecendo num ritmo assustador: 15,7% acabou nos últimos 35 anos, uma consequência do processo de desertificação por que passam biomas como o amazônico.
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Dia Nacional da Constituição
No dia 5 de outubro de 1988, e então presidente da Câmara dos Deputados, Ulysses Guimarães, entrega ao povo brasileiro a Constituição Cidadã".
Segunda-feira, 17 de maio é a data de celebração da carta magna brasileira, a Constituição Federal. Há 33 anos era promulgada a mais cidadã de todas as oito constituições que o Brasil já produziu.
Moldando a história do Brasil, desde sua Independência, em 1822, o país passa a ser representado por um dos documentos mais importantes de uma nação, denominado de “Constituição”.
Esse documento composto de títulos (parágrafos e artigos), que apresenta as relações políticas e jurídicas de um país, expõe os direitos e deveres dos cidadãos e do Estado. Há outra data em que a Constituição é lembrada, por exemplo "O Dia da Constituição Brasileira" comemorado em 25 de março, em homenagem à data em que D. Pedro I assinou a primeira Constituição do país, em 1824. Mas, atualizando a história, tirou-se o dia 17 de maio como o "Dia Nacional da Constituição".
História e Características das Constituições Brasileiras
No total, o Brasil teve oito Constituições, e a atual é 1988”, a chamada "Constituição cidadã". Por um lado, há os que afirmam que o país teve no total oito Constituições, mas outros asseveram que o Brasil produziu somente sete Constituições, uma vez que a de 1969, é considerado um documento de renovação da anterior (Constituição de 1967) pela Emenda Constitucional nº 1/1969. Um breve resumo da história e das características importantes de cada um desses documentos, essenciais para a melhor compreensão da história do Brasil.
1. Constituição de 1824
Após a Proclamação da Independência por Dom Pedro I (1798-1834), em 1822, o país passa por um importante processo de consolidação política sem os laços das obrigações da Corte portuguesa. Diante disso surgiu da Constituição de 1824, outorgada por Dom Pedro I, em 25 de março de 1824, entrando em vigor no mesmo ano.
Esse documento elaborado por um Conselho de Estado representa a primeira e única Constituição do período denominado “Brasil Império”, visto que as próximas foram outorgadas após a Proclamação da República, ou seja, depois de 1889.
Composta de 179 artigos, a primeira Constituição do Brasil, a mais longa do país (duração de 65 anos) possuía como principal característica o poder pessoal do Imperador, chefe supremo da nação que trazia a força do "Poder Moderador", o qual estava acima dos outros três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Já no Capítulo I do documento, nos artigos 98 e 99, observamos esse poder concedido ao Imperador: “Art. 98. O Poder Moderador é a chave de toda a organização Política, e é delegado privativamente ao Imperador, como Chefe Supremo da Nação, e seu Primeiro Representante, para que incessantemente vele sobre a manutenção da Independência, equilíbrio, e harmonia dos mais Poderes Políticos. Art. 99. A Pessoa do Imperador é inviolável, e Sagrada: Elle não está sujeito a responsabilidade alguma.”
Além dessa característica marcante, a primeira Constituição do país, concedeu o direito ao voto aos homens livres e proprietários, sendo que os os eleitos somente poderiam ser ricos, mediante comprovação de renda. A pena de morte foi incluída no documento.
2. Constituição de 1891
A segunda Constituição e a primeira do período do Brasil República, foi outorgada em 24 de fevereiro de 1891, no governo de Deodoro da Fonseca (1827-1892), dois anos após a Proclamação da República. Influenciada pelo Positivismo, esse documento foi essencial para consolidar a nova forma de governo republicano (federalismo), em detrimento do anterior: monárquico.
Em outras palavras, o modelo parlamentarista e centralizador da primeira Constituição (baseada na Constituição franco-britânico), foi substituído pelo modelo presidencialista e descentralizador, fundamentada na Constituição norte-americana, da Argentina e da Suíça.
Por isso, foi retirado da Constituição o "Poder Moderador", característico do sistema monárquico, de forma que estabeleceu as atribuições de cada um dos poderes: executivo, legislativo e judiciário. Além disso, retirou-se a pena de morte, aprovada pela Constituição anterior.
Quanto ao direito de votar, a Constituição de 1891 ampliou o campo de atuação dos brasileiros, ainda que excluísse os analfabetos e as mulheres. Assim, mediante o documento, podiam votar (voto aberto) os homens alfabetizados e maiores de 21 anos de idade.
Assim, o Presidente da República, considerado chefe do Poder Executivo, era eleito num período de quatro anos, sem possibilidade de reeleição. Outra importante característica desse documento foi a separação entre a Igreja e o Estado (Estado laico), onde a religião católica deixa de ser a religião oficial do país.
3. Constituição de 1934
A terceira Constituição do Brasil e a segunda do período republicano foi a constituição que vigorou durante menos tempo no país, ou seja, até 1937, quando começa o período denominado Estado Novo. Foi outorgada em 16 de julho de 1934 no governo do presidente Getúlio Vargas (1882-1954), inspirada sobretudo na Constituição alemã da República de Weimar.
Surgiu logo após a Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo, que por sua vez nasceu da insatisfação de muitos fazendeiros paulistas contra o governo de Getúlio Vargas, após a Revolução de 1930, golpe de Estado que depôs o presidente Washington Luís e levou Vargas ao poder. Uma das mais marcantes particularidades da Carta de 1934, de cunho autoritário e liberal, foi a concessão do direito ao voto às mulheres, sendo de caráter obrigatório e secreto a partir dos 18 anos (exceto mendigos e analfabetos), deixando assim, uma das caraterísticas da Constituição anterior, baseada no voto aberto concedido somente aos homens.
Focou em questões sociais e trabalhistas, estabelecendo assim, o salário mínimo, a jornada de oito horas de trabalho, repouso semanal e férias remuneradas. Proibiu o trabalho infantil e a diferença de salário entre homens e mulheres. A partir disso, além de criar a Justiça eleitoral, criou a Justiça Trabalhista.
4. Constituição de 1937
A quarta Constituição do Brasil e a terceira do período republicano também foi assinada pelo presidente Getúlio Vargas. A Constituição de 1937 foi a primeira Constituição autoritária do país, de forma que focou nos interesses de determinados grupos políticos. Foi outorgada em 10 de Novembro de 1937, representando o documentou que funda a ditadura do Estado Novo no país (Carta Constitucional do Estado Novo).
Após dissolver o Congresso, Vargas apresentou a “Carta de 1937”, documento de cunho centralizador, demostrando um certo fascismo e autoritarismo da figura do Presidente da República.
Segundo a Constituição de 1937, o Presidente seria eleito por meio da eleição indireta, com mandato de seis anos. Sofreram supressão os partidos políticos e os Poderes Legislativo e Judiciário foram unidos, cujo maior poder estava concentrado nas mãos do chefe do poder executivo, ou seja, o Presidente.
Dessa maneira, foi estabelecido a prisão e o exílio de opositores do governo, sendo restringida a liberdade de imprensa, dando início ao período marcado pela censura.
Inspirada na Constituição da Polônia, a Constituição de 1937 ficou conhecida como “Constituição Polaca”. Uma das características que retornou para o documento foi a pena de morte, instituída pela primeira Constituição e abandonada pela segunda. Além disso, foi vetado o direito de realizar greves trabalhistas.
5. Constituição de 1946
Promulgada em 18 de setembro de 1946, a quinta Constituição do país e a quarta do período republicano, foi assinada pelo Presidente da República e antigo Ministro de Guerra durante o governo de Getúlio: o militar Eurico Gaspar Dutra (1883-1974).
Com um Congresso recém-eleito (dissolvido pela Constituição anterior), a Constituição de 1946 foi outorgada um ano após a deposição do antigo presidente, Getúlio Vargas, pelo golpe militar de 1945. De caráter democrático, a nova Constituição, composta de 218 artigos, previa retomar alguns pontos expressos na Constituição de 1934, as quais foram retiradas pela de 1937.
Esse documento estabeleceu novamente as atribuições e independência de cada poder (legislativo, executivo e judiciário), além de propor o fim da censura, da pena de morte e do direito à greve, reforçando assim, os direitos e a liberdade individual dos cidadãos.
De regime presidencialista, de acordo com a nova Constituição, a eleição para Presidente da República aconteceria de forma direta, com mandato de cinco anos.
6. Constituição de 1967
Após o golpe militar de 1964, que depôs o Presidente da República, João Goulart (1919-1976), mais conhecido como Jango, a sexta Constituição do Brasil e quinta da República, foi promulgada no dia 24 de janeiro de 1967, durante o governo do militar Humberto Castelo Branco (1897-1967). Ela inaugurou o regime militar no Brasil, que perduraria 21 anos (1964-1985).
Segundo a Carta de 1967, o presidente seria eleito de maneira indireta dentro do mandato de cinco anos. Além disso, a concentração do poder estava centralizada no poder executivo.
A pena de morte e a limitação do direito de greve, salientava maior preocupação política e militar, em detrimento dos direitos individuais dos cidadãos. Com isso, a chegada dos militares do poder promoveu uma nova Constituição, dedicada em acabar com as questões democráticas, proposta pela Constituição Anterior, de 1946.
Mais uma vez na história política do país, o autoritarismo e a centralização dos poderes resultariam nas principais marcas da Constituição de 1967, com a implementação dos Atos Institucionais (AI's), proposto pelos militares.
Em resumo, esse mecanismo de legitimação, concedia aos militares poderes extraordinários. No total, foram 17 atos institucionais, e sem dúvida, o que recebeu maior destaque foi o AI-5 (Ato Institucional número 5). Decretado em 13 de dezembro de 1968, o AI-5, que resultou no fechamento do Congresso Nacional, foi marcado pela autoridade máxima dos militares e a censura dos meios de comunicação.
7. Constituição de 1969
Embora não seja considerada um nova Constituição do Brasil, uma vez que renovou a redação da Constituição de 1967, por meio da Emenda Nº 1 de 1969, o novo documento ou a sétima Constituição e sexta do período republicano, foi promulgado em 17 de outubro de 1969, no governo do militar Artur da Costa e Silva (1899-1969).
Esse documento ampliou a força do poder executivo, sendo que dos Atos Institucionais, o AI-12 foi, sem dúvida, o Ato que representou o fortalecimento dos militares no poder, na medida em que afastava o atual presidente, Artur da Costa e Silva, devido a problemas de doença, colocando os militares na cena política, e impedindo assim, a entrada de civis, como o vice-presidente, Pedro Aleixo.
Ao mesmo tempo, a implementação da Lei da Imprensa e a Lei de Segurança Nacional, reforçaram a atuação dos militares e de determinados interesses políticos em detrimentos dos interesses sociais.
Para tanto, a Lei de Segurança Nacional que garantia a segurança Nacional do Estado contra a subversão da lei e da ordem, e a Lei da Imprensa que restringia a liberdade de expressão, configurada pela censura, representaram duas ações importantes durante a vigência da Constituição de 1969, que promoveram a consolidação do regime militar no país.
8. Constituição de 1988
Após a fim da Ditadura Militar no Brasil, em 1985, a Constituição de 1988, chamada de "Constituição Cidadã", veio fortalecer os direitos dos cidadãos ao garantir seus direitos e deveres, reforçados pela liberdade individual de cada um.
A Constituição de 1988, outorgada em 5 de outubro de 1988 durante o governo de José Sarney, e que vigora até os dias atuais, apresenta a nova realidade do país, mediante um processo de redemocratização, após o término do regime militar.
Dentre suas principais características estão: fim da censura nos meios de comunicação, direito de voto aos analfabetos e aos jovens, redução da jornada semanal de 48 para 44 horas, abono de indenização de 40% do FGTS, seguro-desemprego, férias remuneradas acrescidas de um terço do salário, direito à greve trabalhista, licença maternidade de 120 dias e licença paternidade de 5 dias.
Empresa argentina investira R$ 25 bi pra instalação de fábrica de carros elétricos e baterias em Minas Gerais
(Imagem: Divulgação)
Arq Bravo Motor Company conceito Rod-on
Na última sexta-feira (5 de março) o governador Romeu Zema assinou um protocolo de intenções com a empresa Bravo Motor Company para implantação de uma fábrica de veículos elétricos e pacotes de baterias na Grande Belo Horizonte. O projeto, batizado de Colosso 1, tem investimento estimado de R$ 25 bilhões.
O montante do investimento será injetado até o final de 2029 e a empresa projeta criar mais de 13 mil empregos diretos e indiretos. A estimativa para o início das obras para a fábrica é junho de 2021, com início das operações em 2023.
A Bravo Motor Company tem, inclusive, projeções de quanto quer produzir já em 2024, segundo o governo de Minas Gerais. A empresa pretende entregar 22.790 unidades de carros elétricos e 43.750 pacotes de baterias. Esses números para venda no Brasil e exportação.
A ArqBravo foi fundada por Miguel Angel Bravo, que aparece como "inventor, professor, arquiteto e pesquisador" em um site americano da companhia, e que empresta seu sobrenome para a empresa. Enquanto Bravo aparece como fundador e presidente do conselho (chairman), Eduardo Javier Muñoz é o presidente executivo (CEO).
Mas, que empresa é essa?
A Bravo Motor Company foi criada na Argentina em 2008, mas está sediada atualmente em Merced, Califórnia (EUA), sob o nome de ArqBravo Group. O nome Bravo Motor Company surgiu sob um CNPJ criado para registrar a empresa no Brasil, cujo site o áudio não funciona (https://bravomotorcompany.com/), bem como seu equivalente argentino.
Um dos projetos já criados pela companhia é um citycar elétrico, batizado de Rod-on. Ele tem espaço para duas pessoas e autonomia de 120 km com uma carga na bateria. A proposta que é que os carros sejam utilizados em sistema de car sharing, no qual você paga com cartão de crédito e retira ou devolve em qualquer ponto de recarga da cidade. A Bravo também pensou anteriormente em um projeto de estações de recarga em formato de prédio, que segundo a proposta da companhia, seriam construções cilíndricas com capacidade de carregar baterias de até 30 desses citycars ao mesmo tempo, além de estarem aptos a carregar outros carros elétricos e serem alimentados por painéis solares que acompanham o movimento do sol durante o dia.
No site americano da companhia, no qual o carro elétrico urbano é batizado de "road-on" e não "Rod-on" há mais informações e também algumas especificações técnicas do produto. No projeto ele usa bateria de grafeno-sílica e tem um motor elétrico que rende "entre 111 cv e 200 cv", segundo a ficha técnica. O torque máximo é de 46,9 mkgf.
A lista de funcionalidade que a empresa promete em seu carro faz inveja à maior parte dos modelos atuais à venda no Brasil. Entre os itens estão tecnologia de direção autônoma; controle de tração com assistente de partida em rampa; sete airbags; espelhos retrovisores aquecidos; sensores de luz e chuva; ar-condicionado e banco com detecção de peso e de uso de cinto de segurança.
Na Argentina a Bravo também prometeu mas nunca entregou
Empresa já prometeu carro argentino popular, em 2012. Ela tentou criar no mercado argentino o A!PA, ou Auto Popular Argentino. Ele seria um carro com estilo de crossover com quatro metros de comprimento, cinco lugares e carroceria de Polietileno, ou resina termoplástica, em termos gerais. Uma espécie de Ecosport, mas com design que lembra o Land Rover Evoque, com dianteira de um Lada moderno. Sua motorização seria baseada em uma versão do 1.0 da Fiat com 65 cv, pois havia a intenção de vendê-lo no Brasil e conseguir benefícios fiscais.
A ArqBravo prometia garantia de três anos ou 100 mil km. A empresa, à época, afirmava que também era possível equipá-lo com os motores 1.4 Fire Evo de 82 cv ou o 1.8 de 130 cv, também da Fiat. Por fim, queria uma versão elétrica. Mas o APA nunca foi produzido.
A companhia será uma das sediadas no Cluster Industrial
A Bravo, em tese, será uma das alojadas dentro do programa Colossus Cluster, nos arredores do Aeroporto Internacional de Confins, na Grande Belo Horizonte. O projeto foi criado para sediar um "conjunto de empresas dedicado à inovação aplicada nas áreas de mobilidade urbana e energia", diz o site do governo mineiro. Lá serão fabricadas baterias de lítio, veículos de mobilidade urbana destinados ao transporte de pessoas e ou mercadorias, sistemas de armazenamento de energia, componentes de comunicação para satélites, sistemas de recarga por indução, motores elétricos, entre outros.
Leia também:
Qual o verdadeiro sentido da Páscoa e por que é uma data cristã móvel?
A data da Páscoa foi instituída pela Igreja durante o Concílio de Niceia, em 325 d.C., século IV.
Páscoa ou Domingo da Ressurreição? Significa a mesma festividade religiosa. Feriado nacional, em muitos países, celebra a ressurreição de Jesus, ocorrida ao terceiro dia após sua crucificação no calvário, conforme o relato do Novo Testamento.
É a principal celebração do ano litúrgico cristão e também a mais antiga e importante festa cristã. A data da Páscoa determina todas as demais das festas móveis cristãs, exceto as relacionadas ao advento da própria. O domingo de Páscoa marca o ápice da Paixão de Cristo e é precedido pela Quaresma, um período de 40 dias de jejum, orações e penitências.
Comemorada tradicionalmente nas religiões cristãs, a Páscoa é o momento de relembrar a crucificação e morte de Jesus Cristo e celebrar sua ressurreição. Originalmente, a Páscoa foi iniciada pelos judeus e no cristianismo passou a ser comemorada com novo significado.
A data da Páscoa foi instituída pela Igreja durante o Concílio de Niceia, em 325 d.C., quando ficou determinado que a primeira lua cheia após o equinócio de primavera seria a data para iniciar-se a comemoração da Páscoa.
O equinócio marca o início da Primavera no hemisfério norte.Essa comemoração é realizada anualmente em uma data móvel e os critérios que determinam a data da Páscoa foram estabelecidos pela Igreja Católica no século IV d.C (325 d.C.). A palavra “Páscoa” deriva do termo pesach, oriundo do hebraico (פֶּסַח, Pesaḥ ou Pesach), e dos termos pascha do latim e do grego bíblico (Πάσχα) Paskha.
Semana Santa
A última semana da Quaresma é chamada de Semana Santa, que contém o chamado Tríduo Pascal, incluindo a Quinta-Feira Santa, que comemora a Última Ceia e a cerimônia do Lava pés que a precedeu. E também a Sexta-Feira Santa, que relembra a crucificação e morte de Jesus[. A Páscoa é seguida por um período de 50 dias chamado Época da Páscoa que se estende até o Domingo de Pentecostes.
A Páscoa é uma festa móvel, o que significa que sua data não é fixa em relação ao calendário civil. O Primeiro Concílio de Niceia, em 325 d.C., estabeleceu a data da Páscoa como sendo o primeiro domingo depois da lua cheia após o início do equinócio vernal (a chamada lua cheia pascal). Do ponto de vista eclesiástico, o equinócio vernal acontece em 21 de março (embora ocorra no dia 20 de março na maioria dos anos do ponto de vista astronômico) e a "lua cheia" não ocorre necessariamente na data correta astronômica. Por isso, a data da Páscoa varia entre 22 de março e 25 de abril. Os cristãos orientais baseiam seus cálculos no calendário juliano, cuja data de 21 de março corresponde, agora, século 21, ao dia 3 de abril no calendário gregoriano utilizado no ocidente. Por conseguinte, a Páscoa no oriente varia entre 4 de abril e 8 de maio.
A Santa Ceia ou Última Ceia
Quadro da Última Ceia realizada por Jesus Cristo e seus discípulos - (Tela de 1519 de Francesco de Santacroce)
A Páscoa cristã está ligada à Páscoa judaica pela data - segundo a Bíblia, a Última Ceia era originalmente um jantar de Páscoa judaica - e também por muitos dos seus simbolismos centrais. Ao contrário do inglês, que tem duas palavras distintas para as duas festas (Easter e Passover respectivamente), em português, e em muitas outras línguas, as duas são chamadas pelo mesmo nome (Páscoa) ou nomes muito similares.
Os costumes pascais variam bastante entre os cristãos do mundo inteiro e incluem missas matinais, a troca do cumprimento pascal e de ovos de Páscoa, que eram, originalmente, um símbolo do túmulo vazio. Obviamente que nesse ano, especificamente, por conta da pandemia do novo coronavirus, todos esses rituais estão prejudicados.
Muitos outros costumes passaram a ser associados à Páscoa e são observados por cristãos e não cristãos, como os ovos de Páscoa e o coelho da Páscoa. Há também uma grande quantidade de pratos típicos ligados à Pascoa e que variam de região para região.
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O Dia Internacional da Mulher é comemorado mundialmente no dia 08 de março mas não há consenso para o surgimento
Manifestação na Russia em 1917
A data enaltece a importância da mulher na sociedade e a história da luta pelos seus direitos. É comum nesse dia, as pessoas homenagearam as mulheres com flores, presentes, mensagens, frases, poesia e música.
Em alguns lugares, ocorrem conferências e eventos dedicados aos temas da igualdade de gênero, violência contra a mulher, conquistas e histórias de luta, feminismo, etc. Mas a origem do Dia Internacional da Mulher está repleta de controvérsias. Alguns associam o surgimento da data com a greve das mulheres que trabalhavam em Nova York, na Triangle Shirtwaist Company e, consequentemente, ao incêndio que ocorreu em 1911.
Outros indicam o surgimento na Revolução Russa, de 1917, a qual esteve marcada por diversas manifestações e reivindicações por parte das mulheres operárias. No dia 08 de março de 1917, cerca de 90 mil operárias russas percorreram as ruas reivindicando melhores condições de trabalho e de vida, ao mesmo tempo que se manifestavam contra as ações do Czar Nicolau II. Esse evento, que, provavlemente, deu origem à data, ficou conhecido como "Pão e Paz". Isso porque as manifestantes também lutavam contra a fome e a primeira guerra mundial (1914-1918).
Nessa época, ocorreu um mal entendido preconizado por jornais alemães e franceses, que cruaram um mito em torno do dia 8 de março de 1857, quando supostamente teria ocorrido uma greve, que na verdade não acontecera.
Ainda que existam diferentes versões sobre a origem da data, ambos os movimentos tinham o objetivo de alertar sobre o estado insalubre de trabalho que as mulheres estavam sujeitas. Destacam-se aqui, as longas jornadas de trabalho e os baixos salários que recebiam. Portanto, a luta dessas operárias focava na busca de melhores condições de vida e trabalho, além do direito ao voto. Diante desse panorama, a criação de um dia dedicado à luta das mulheres foi sendo delineada por manifestações que ocorreram concomitantemente nos Estados Unidos e em diversas cidades da Europa, finais do século 19 e início do século 20.
Cada uma das manifestações
Movimento nos Estados Unidos
Funcionárias da Triangle Shirtwaist Company, em Nova York
Em 1908, anteriormente ao movimento das operárias russas, houve uma greve das mulheres que trabalhavam na fábrica de confecção de camisas chamada de "Triangle Shirtwaist Company", localizada em Nova York. Essas trabalhadores costuravam cerca de 14 horas diárias e recebiam entre 6 e 10 dólares por semana.
Assim, além de reivindicarem melhores condições de trabalho e diminuição da carga horária, as funcionárias buscavam aumento de salários. Isso porque naquela época, os homens recebiam muito mais do que as mulheres. Um ano depois, em 28 fevereiro de 1909, aconteceu a primeira celebração das mulheres nos Estados Unidos. Esse evento surgiu inspirado na greve das operárias da fábrica de tecidos que ocorrera no ano anterior.
Infelizmente, o movimento foi finalizado de maneira trágica. No dia 25 de março de 1911, a fábrica pegou fogo com várias mulheres no interior do edifício Asch. O resultado foi a morte de 146 pessoas, dentre as 500 que trabalhavam lá e, desse número, cerca de 20 eram homens. A maioria das funcionárias que morreram eram imigrantes judias e algumas tinham apenas 14 anos.
Obviamente que, por ocasião da época, o local não estava preparado para um incêndio, visto que não possuía extintores, o sistema de iluminação era a gás e ainda, era permitido as pessoas fumarem. Após o trágico incidente, a legislação de segurança, em Nova York, para incêndios foi reformulada e as leis trabalhistas revisadas. Algumas conquistas foram adquiridas.
Incêndio no edifício Asch, no dia 25 de março de 1911, onde a Triangle Shirtwaist Company ocupava os três últimos andares
Um ano antes desse evento, em 1910, realizou-se na Dinamarca a "II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas". Na ocasião, Clara Zetkin, do Partido Comunista Alemão, propôs a criação de um dia dedicado às mulheres. Entretanto, a data foi definitivamente instituída pela ONU no ano de 1975. A entidade escolheu o dia 8 de março muito provavelmente por causa da greve das operárias russas de 1917.
No Brasil, a Lei Maria da Penha
A farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, responsável pela Lei que leva seu nome
No geral, a história das mulheres está marcada pela submissão, bem como pela violência. Apesa de atualmente elas terem alcançado muitos direitos, a luta ainda continua, visto que sofrem com o preconceito, a desvalorização e o desrespeito.
No Brasil, em 1932, no governo Getúlio Vargas, apesar de ditatorial, as mulheres adquiriram, superficialmente, o direito ao voto. Em 2006, por sua vez, foi sancionada a Lei n.º 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida popularmente como "Lei Maria da Penha". O nome é uma homenagem à farmacêutica, que sofreu violência do marido durante anos, o que lhe resultou numa paraplegia. Esta lei é considerada um marco na história de luta das mulheres brasileiras contra a violência doméstica.
Outras datas relevantes sobre o Dia Internacional da Mulher
Em 05 de setembro é comemorado o "Dia Internacional da Mulher Indígena" instituído em 1983. A data é uma homenagem à mulher quéchua Bartolina Sisa, esquartejada durante a rebelião anticolonial de Túpac Katari, no Alto Peru (atual Bolívia).
No dia 25 de Novembro é comemorado o "Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher" criado em 1981, no "Primeiro Encontro Feminista da latino-americano e do Caribe", e oficialmente adotado pela ONU em 1999. A data marca o assassinato das revolucionárias dominicanas "Irmãs Mirabal".
Todo 25 de julho é comemorado o "Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra". A data, instituída em 2014, é uma homenagem à líder quilombola que viveu no Brasil no século XVIII. Em 1908, em Nova York, cerca de 15 mil mulheres marcharam reivindicando, dentre outros direitos, o do voto. Elas desfilaram segurando pães e rosas, uma vez que o pão representava a estabilidade econômica, enquanto as rosas significavam melhor qualidade de vida. Por isso, esse movimento ficou conhecido como "Pão e Rosas".
A "Marcha Mundial das Mulheres" (MMM) é um movimento feminista internacional que surgiu em diversos países no dia 8 de março de 2000, Dia Internacional da Mulher . Em 2010 no Brasil, a Marcha Mundial das Mulheres (MMM) foi representada pela ação de 3.000 mulheres que caminharam, durante 10 dias, 120 km, de São Paulo a Campinas.
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Será que a CNH digital beneficia infratores quando parados em blitz?
Imagem: G1-Globo
A CNH quando é digital pode ser recolhida?
O CTB (Código de Trânsito Brasileiro) prevê, para 19 modalidades de infrações, o recolhimento da CNH como medida administrativa. No entanto, com o avanço da tecnologia e o uso mais frequente dos documentos de trânsito pelo celular (CNH e CRLV digitais), a questão é: se a CNH for digital, como a atutorida de trânsito fará o recolhimento?
Quando o condutor é parado em uma fiscalização de trânsito e sabe que está cometendo alguma infração, ele já sabe que vai ter problemas e terá de arcar com as penalidades previstas em lei. Dependendo da conduta do motorista, uma consequência que pode ser aplicada ainda na blitz é o recolhimento da CNH, e ele poderá recuperar o documento em poucos dias. Mas, como o guarda vai recolher a CNH do infrator, já que está está no celular do próprio?
Quando a Carteira for de papel, ainda pairam dúvidas sobre essa medida, de como recuperar o documento recolhido e se, de fato, essa pode ser executada pelo agente durante a fiscalização.
São 19 infrações de trânsito que levam ao recolhimento da CNH
Não são todas as infrações do Código de Trânsito que preveem o recolhimento da habilitação do condutor autuado em uma blitz. Essa medida somente será tomada perante aquelas situações em que o motorista não pode continuar dirigindo, seja porque ele não apresenta condições para isso ou o veículo oferece algum risco ou irregularidade que não pode ser sanado no local.
As infrações são as seguintes, não necessariamente nesta ordem:
1) - Dirigir com a habilitação cassada ou suspensa (art. 162, II).
2) - Dirigir com a carteira vencida há mais de 30 dias (art. 162, V).
3) - Dirigir sob o efeito de álcool ou substâncias psicoativas que causam dependência (art. 165).
4) - Recusar o teste do bafômetro (art. 165-A).
5) - Dirigir ameaçando pedestres (art. 170).
6) - Disputar corrida (art. 173).
7) - Promover ou participar de exibição de manobras ou eventos na via, sem autorização (art. 174).
8) - Demonstrar manobra perigosa com o veículo (art. 175).
9) - Deixar prestar socorro em acidente com vítima (art. 176, I).
10) - Não adotar medidas para evitar perigo para o trânsito em acidente com vítima (art. 176, II).
11) - Não preservar o local de acidente com vítima, para a polícia e a perícia (art. 176, III).
12) - Deixar de adotar as medidas para remover veículo, quando determinado por policial ou agente, em acidente com vítima (art. 176, IV).
13) - Deixar de identificar-se à polícia quando envolvido em acidente com vítima (art. 176, V).
14) - Transpor bloqueio policial sem autorização (art. 210).
15) - Dirigir moto sem capacete (art. 244, I).
16) - Dirigir moto transportando passageiro sem capacete ou fora do assento adequado (art. 244, II).
18) - Dirigir moto com faróis apagados (art. 244, IV).
19) - Dirigir moto transportando criança menor de 7 anos (art. 244, V) - Observação: a partir de 14/04/2021, a idade mínima passa a ser 10 anos, com a nova lei de trânsito começando a valer.
Por fim, ainda há um artigo do CTB que menciona que o recolhimento da habilitação também poderá ser realizado, mediante recibo, caso haja alguma suspeita de fraude ou adulteração no documento. Vale ressaltar, ainda, que todas as infrações listadas acima, que causam o recolhimento da CNH, são de natureza gravíssima ou seja, apresentam alto risco ao trânsito, o que também justifica essa medida excessiva.
CNH recolhida é diferente ter a CNH suspensa ou cassada
É preciso ter cuidado para não confundir o recolhimento da habilitação com as penalidades de suspensão e cassação. A principal diferença entre essas medidas é que, ao ter a CNH recolhida pelo agente, o condutor pode recuperá-la em poucos dias. Ainda assim, uma não exclui a aplicação da outra.
A Lei Seca (Lei 11.705, de 19 de junho de 2008) é um exemplo de infração que causa a suspensão da CNH e, também, o recolhimento da habilitação. Se atestado, na fiscalização, que o condutor está sob efeito de álcool, ele terá a habilitação recolhida e um processo de suspensão será aberto. Porém, no dia seguinte, poderá recuperar o seu documento e utilizá-lo, enquanto o processo corre. Diferentemente do recolhimento, que é uma medida imediata, o condutor só pode ter a carteira suspensa (ou cassada) após o vencimento do prazo para a sua defesa - ou se recorreu da penalidade e não obteve sucesso ao longo das três etapas do processo administrativo.
Mas, CNH digital pode ser recolhida?
Com a possibilidade de portar a CNH na tela do celular, por meio do aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT), muitos condutores têm dúvidas sobre como ocorre o recolhimento da habilitação quando o motorista não apresenta o documento impresso. Nesse caso, não há como recolher a CNH digital, uma vez que isso implicaria em apreender o celular do condutor.
Assim, o agente apenas irá certificar, no campo de observações do auto de infração, que não realizou o recolhimento da carteira por ela ter sido apresentada eletronicamente. Vale ressaltar que, a CNH digital é aceita em todo o território nacional como documento oficial, então o agente não poderá exigir a apresentação da CNH física, no momento da autuação, para que possa recolhê-la.
Condutor pode reaver CNH recolhida no dia seguinte
Depois de ter a CNH recolhida em uma blitz, o condutor penalizado precisa comparecer ao órgão ou entidade de trânsito responsável pela autuação para recuperar o documento. Esse procedimento pode ser realizado logo no primeiro dia útil após o cometimento da infração. No caso da Lei Seca, o motorista ficará com a CNH retida até que comprove não estar mais sob o efeito do álcool. Ou seja, precisará apresentar-se ao posto do órgão e obter resultado negativo em novo teste do bafômetro para ter o documento liberado.
O condutor precisa comparecer para a retirada da habilitação em um prazo máximo de cinco (05) dias a partir do registro da infração, portando um documento de identidade. Caso ele não compareça nesse período, a CNH será encaminhada ao Detran em que ela estiver registrada, e esse será o novo local em que o motorista deverá recuperar o documento.
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Cursinho Pré-vestibular gratuito da UFJF recebe inscrições
A oferta é de 70 vagas sendo que sete são reservadas para candidatos com mais 30 anos.
O Cursinho Popular Garra, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), está com inscrições abertas para o seu processo seletivo para novos estudantes. O prazo vai até o dia 23 deste mês, através de formulário on-line. Inscreva-se aqui.
Por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) a seletiva do preparatório será realizado de forma remota e formada por cinco fases. Podem participar aqueles que já concluíram o ensino médio ou vão finalizá-lo em 2021; são oriundo de escola pública ou bolsista integral em escola particular; não possuem curso superior completo ou curso superior em tecnologia; e ter a mínima estrutura para conseguir acompanhar assiduamente as atividades, usufruindo de ambiente com acesso à internet e com algum dispositivo capaz de acessar às plataformas do Google Meet, WhatsApp e Google Drive.
É desejável que o estudante resida em Juiz de Fora ou tenha condições de deslocamento para o município diariamente, de segunda a sexta-feira, quando for possível o retorno das atividades presenciais. Também é preciso ter disponibilidade aos sábados e domingos, predeterminados em calendário, para a realização de simulados obrigatórios.
Por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) a seletiva do preparatório será realizado de forma remota. Ela será formada por cinco fases: a inscrição on-line; uma prova diagnóstica com 50 questões de múltipla escolha em que são abordadas as competências de Linguagens;Ciências da Natureza;Ciências Humanas;Matemática e Interdisciplinares; um sorteio on-line para a fase de entrevistas; a entrega da documentação; e as entrevistas.
Confira as datas no cronograma abaixo.
08/02 - Início das inscrições;
23/02 - Rérmino da inscrições, às 23h59;
07/03 - Prova diagnóstica;
08/03 - Sorteio online para a fase de entrevistas;
09/03 a 14/03 - entrega da documentação;
15/03 a 23/03 - entrevistas;
02/04 - Divulgação de convocados para matrícula.
A lista com os aprovados será divulgada pelas redes sociais do Garra no dia 02 de abril. Os candidatos serão informados por e-mail sobre a aprovação. Caso as vagas disponíveis na primeira chamada não sejam preenchidas, o Cursinho Popular irá disponibilizar outras listas convocatórias para os candidatos excedentes.
A aula inaugural está prevista para ser realizada no dia 09 de abril, às 18h30 pela plataforma do Google Meet. O ano letivo terá início em 12 de abril. A oferta é de 70 vagas, sendo que desse total, sete são reservadas para candidatos com mais de 30 anos, 14 para ex-alunos do curso que não foram aprovados em provas vestibulares e 49 para ampla concorrência.
Acesse no rodapé desta matéria as obras de arte campeãs de vendas
Em operação judicial quadro de Tarsila do Amaral é vendido pelo valor recorde de R$ 57,5 milhões de reais
O quadro 'A caipirinha, de Tarsila do Amaral, é vendido por R$ 57,5 milhões de reais. É o valor mais alto já pago por uma obra, em venda pública, no Brasil, segundo a Bolsa de Arte.
Produzido em 1923, na França, ‘A caipirinha’, é leiloado em 15 minutos com 19 lances. Mas ainda há dúvidas se o comprador poderá ficar com o quadro por ser objeto de embate judicial.
Um dos expoentes da Semana de Arte Moderna de 22, Tarcila do Amaral, numa de suas estadas na Europa, mais especificamente na França, pintou algo que valeria mais de R$ 57 milhões, quase um século depois.
Trata-se do quadro "A caipirinha", que fez o embate de seis pessoas, que se habilitaram para participar do leilão, determinado por ordem judicial da obra que pertencia ao empresário Salim Taufic Schahin, investigado na Operação Lava Jato. Três colecionares disputaram o quadro, avaliado inicialmente em R$ 47,6 milhões de reais.
É o valor mais alto já pago por uma obra em venda pública no Brasil, segundo a Bolsa de Arte. A diferença do recorde anterior impressiona. Em 2015, o quadro do pintor Alberto da Veiga Guignard, "Vaso de flores", foi arrematado por R$ 5,7 milhões de reais. Antes disso, em 2013, "Superfície Modulada nº 4", de Lygia Clark, foi vendido por R$ 5,4 milhões de reais. Tarsila do Amaral já havia quebrado esse recorde duas vezes. A primeira em 1986, quando sua gravura "Cidade" foi vendida por U$ 370 mil dólares ― o maior valor de uma obra brasileira à época. Ultrapassou a barreira do milhão em 1995, com o "Abaporu", vendido para o banqueiro argentino Eduardo Constantini por U$1,3 milhões de dólares. No ano passado, o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) adquiriu o quadro "A Lua" da pintora brasileira. O valor não foi divulgado.
Ainda há dúvidas se o comprador de "A caipirinha" poderá ficar com a obra. Isso porque o leilão é fruto de um embate jurídico entre uma dúzia de bancos, incluindo gigantes como o Itaú, Bradesco, Santander e a família Schahin, do grupo empresarial homônimo, que pediu falência e deve R$ 2 bilhões de reais.
No início deste mês, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Moura Ribeiro, negou pedido de tutela provisória que buscava suspender o leilão da obra. Apesar de manter o leilão, o juiz decidiu determinar o bloqueio do dinheiro, que deverá ser depositado em conta judicial, até que haja o julgamento de mérito do recurso, impetrado por um dos filhos de Schahin, Carlos Eduardo, que alega que a obra tinha sido doada a ele, pelo pai, há alguns anos.
A tela "A capirinha" foi pintada em 1923, durante uma das estadas de Tarsila, em Paris. De lá escreveu a sua família: “Na arte, quero ser a caipirinha de São Bernardo, brincando com bonecas de mato, como no último quadro que estou pintando”, conta junto a um esboço. A obra ficou por em exposição na semana de Natal, na Bolsa de Arte, em São Paulo.
Acesse aqui as obras campeãs de vendas que constam na matéria
Em 1886, o cartunista alemão Thomas Nast criou uma nova imagem para o bom velhinho. A roupa nas cores vermelha e branca, com cinto preto, visual que se perpetua até hoje foi usado quase meio século depois para uma campanha publicitária da Coca-Cola.
Segundo Pedro Paulo Funari, professor de História e Arqueologia, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a origem da comemoração e a carga simbológica do Natal é muito mais pagã do que cristã.
Qual é a origem de todos os signos e da festa natalina? Quando e por que surgiu a comemoração do, "Dia do nascimento de Cristo"? Tais conceitos não seriam muito mais pagãos que cristãos?
O pesquisador Pedro Paulo Funari explica que, o dia 25 de dezembro para o Natal é derivado de uma festa muito anterior ao cristianismo e ao calendário do ciclo solar. De acordo com ele, os pagãos comemoravam na época do solstício de inverno - o dia mais curto do ano e que, no hemisfério norte, ocorre no final de dezembro - porque os dias iriam começar a ficar mais longos. "É uma celebração que tem a ver com o calendário agrícola, originalmente. E, como todo calendário agrícola, ele está preocupado com a fertilidade do solo e a manutenção do ciclo da natureza", diz o professor.
Em Roma, essa data era associada ao deus Sol Invictus, já que, após o dia mais curto do ano, o sol volta a aparecer intensamente. Quanto ao cristianismo, a comemoração do nascimento de Jesus Cristo só começou a ocorrer no século 4 – do ano 301 a 400, quando no primeiro ano desse século, Gregório, o Iluminador converte o rei da Arménia, que se torna, assim o primeiro estado Cristão - quando o imperador Constantino deu fim à perseguição contra essa religião, que usa a comemoração pagã e a reveste com simbolismo cristão. Curiosamente, afirma o pesquisador Pedro Paulo Funari, “no final do mesmo século, como a Igreja ganha poder, ela passa a perseguir os pagãos que comemoravam a festa da forma original”.
Até o final do século 19, o Papai Noel era representado com uma roupa de inverno, na cor marrom e verde escura.
Papai Noel seria o primeiro representante da geração Coca-Cola
O professor Pedro Paulo Funari afirma que, "o homem chamado Nicolau, que viveu na Antiguidade e virou santo (São Nicolau), não tem nada a ver com o Papai Noel, apesar de muitas versões dizerem isso". A figura tem origem em tradições germânicas e nórdicas e foi inspirada em um bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia, em 280 d.C. O protestantismo, que buscava um simbolismo diferente da comemoração católica, utilizou o personagem.
Até o final do século 19, o Papai Noel era representado com uma roupa de inverno, na cor marrom ou verde escura. Em 1886, o cartunista alemão Thomas Nast criou uma nova imagem para o bom velhinho. A roupa nas cores vermelha e branca, com cinto preto, criada por Nast foi apresentada na revista Harper's Weeklys, nesse mesmo ano. Quase meio século depois, em 1931, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou o Papai Noel com o mesmo figurino criado por Nast, que também eram as cores do refrigerante. A campanha fez um grande sucesso, ajudando a espalhar a nova imagem do atual Papai Noel pelo mundo.
"A gente pode dizer que o Papai Noel, como a figura que conhecemos, é uma invenção da Coca-Cola e dos meios de comunicação de massa", diz o pesquisador Pedro Funari. "O papel da mídia foi difundir e o cinema e, assim como, os outros meios de comunicação trouxeram essa imagem criada pelos publicitários, ao Brasil", enfatiza o professor.
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Bolsonaro enfrenta os piores índices de avaliação nos maiores colégios eleitorais do País
Os grandes centros urbanos podem se converter num obstáculo à reeleição do presidente Jair Bolsonaro, em 2022
Nos cinco primeiros, o índice de eleitores que consideram o governo Bolsonaro ruim ou péssimo é sempre maior do que os que o avaliam como ótimo ou bom, segundo dados das últimas pesquisas do Ibope.
Em quatro desses colégios eleitorais, 40% ou mais dos eleitores consideram a gestão ruim ou péssima: São Paulo (48%), Salvador (65%), Belo Horizonte (40%) e Fortaleza (49%). A única exceção é o Rio de Janeiro (37%). Por outro lado, a avaliação ótima ou boa é de 35% no Rio e em BH - o maior patamar. Nos demais, não chega nem a 30%: São Paulo (24%), Salvador (11%) e Fortaleza (27%).
As capitais expressaram um desejo de frear o avanço do conservadorismo cristão representado por Bolsonaro - assim como Trump nos EUA. Em 13 capitais, representantes da comunidade LGBT, feministas e do movimento negro, alguns com “mandatos coletivos”, ficaram entre os 10 vereadores mais votados. Ao todo, 25 transexuais e travestis foram eleitos vereadores em todas as regiões do País. A maioria em partidos de esquerda, como PSOL.
Na atual disputa por prefeituras, Bolsonaro entrou na campanha por votos para seis candidatos a prefeito de capital. Dois avançaram ao segundo turno, e outros quatro nomes bolsonaristas foram derrotados já no primeiro: no Recife, Delegada Patrícia (Podemos); Manaus, Coronel Menezes (Patriota); Belo Horizonte, Bruno Engler, (PRTB) e São Paulo Celso Russomanno (Republicanos).
Das capitais ainda em disputa, com aliados por quem Bolsonaro se engajou, há chances mais abertas de vitória apenas em Fortaleza, onde Capitão Wagner (PROS) passou em segundo lugar, mas com apenas 2,4 pontos porcentuais a menos que Sarto (PDT). No Rio, todas as projeções são de derrota para o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos). Ele avançou ao segundo turno com 15 pontos atrás do ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), favorito na disputa. A mais recente pesquisa Ibope coloca Paes com 53% das intenções de voto, contra 23% de Crivella.
Bolsonaro conseguiu eleger dois aliados em cidades médias: Gustavo Nunes (PSL) em Ipatinga (MG) e Mão Santa (DEM), em Parnaíba (PI). O interior, aliás, tem sido um bastião político do presidente, com propaganda política favorável a ele em painéis espalhados na entrada de municípios e estradas país adentro, às custas dos sindicatos rurais, como mostrou o Estadão.
Sem partido, Bolsonaro adotou uma estratégia de distanciamento durante a maior parte da campanha, o que contrasta com presidentes anteriores no cargo. Mas acabou cedendo a pressões diante do fato de que sua gestão viraria tema de debates e seria inevitavelmente avaliada. Além disso, um teste da imagem do governo e sua capacidade de transferir votos a apadrinhados políticos. Dono do maior capital político-eleitoral do País, ele sofreu pressão com pedidos de ajuda por parte de candidatos alinhados.
Embora discreto e com ajuda dos filhos, Bolsonaro gravou vídeos para campanhas e transformou o Palácio da Alvorada, residência oficial, em sede de uma “live eleitoral gratuita”, em que propagandeava a favor de seus escolhidos. Para observadores do mundo político, um erro. “Ele não tem partido, não precisava entrar na campanha”, disse Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, um dos partidos que mais cresceram e conhecido estrategista eleitoral.
Por outro lado, o PSD, Progressistas, DEM e outros partidos de centro-direita, com nomes na primeira linha do governo e na base congressual cresceram em número de prefeitos, vereadores e eleitorado governado. Ora dentro, ora fora do Centrão, essas legendas não têm ainda um plano definido para 2022 e estão no mercado de alianças. Mas o Palácio do Planalto comemorou, numa tentativa de minimizar as derrotas pessoais de Bolsonaro, que apoiou candidatos derrotados.
Bolsonaro pediu votos, individualmente, a candidatos desses três partidos (PSD, Progressistas e DEM), mas a maioria era de outras alas mais alinhadas à direita, como Republicanos, PSC, Patriota, PSL e PRTB. À exceção da última sigla, as demais também cresceram, num movimento de pulverização da direita. Dessas, só o Republicanos entrou no top 10 nacional do ranking de prefeitos, com 208 eleitos, mais do que os 179 do PT. Ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, o Republicanos cresce a cada eleição desde sua fundação e abriga dois filhos de Bolsonaro - o vereador Carlos Bolsonaro, reeleito no Rio, e o senador Flávio Bolsonaro (RJ).
Os três maiores partidos do país (MDB, PT e PSDB), perderam prefeitos e vereadores. Embora caciques partidários ponderem que o resultado de eleições municipais traduz mais a realidade local dos municípios, desejos e cobranças cotidianas das populações, as disputas podem indicar as ideias em debate, virtudes e entraves na organização de forças eleitorais - como a dificuldade de união na esquerda.
Dificuldades enfrentadas por candidatos bolsonaristas em capitais e exemplos externos como a derrota do presidente republicano Donald Trump nos Estados Unidos sinalizam que os grandes centros urbanos podem se converter num obstáculo à reeleição do presidente Jair Bolsonaro, em 2022. A conjunção de fatores inclui ainda piora na avaliação do governo em capitais populosas, que reúnem os maiores eleitorados, e a expansão de representantes de pautas identitárias nas Câmaras Municipais das capitais para fazer frente à onda conservadora que Bolsonaro carreou há dois anos em todo o País.
Se confirmada, essa tendência de resistência ao conservadorismo de direita que Bolsonaro representa em zonas urbanas seria uma inversão do resultado de 2018. Na eleição nacional passada, ele obteve margem de vantagem ampla nas capitais, principalmente nas regiões Sudeste, Norte, Sul e Centro-Oeste, onde foi líder de votos em todas no primeiro turno. Além disso, venceu em cinco capitais nordestinas: Maceió (AL); João Pessoa (PB); Recife (PE); Natal (RN) e Aracaju (SE), rompendo o favoritismo da esquerda e o domínio petista na região. Ao todo, o presidente levou 23 capitais na primeira rodada, e 21 na segunda, contra Fernando Haddad (PT) - o petista recuperou Recife e Aracaju.
Nos Estados Unidos, as regiões metropolitanas, mais populosas, se converteram numa barreira à reeleição de Donald Trump. Um olhar para o mapa eleitoral norte-americano mostra uma clara divisão pró-Joe Biden, o democrata eleito presidente, puxado pelo votos dos centros urbanos. E foi justamente neles que se deu a virada contra Trump na apuração de dias.
A diferença é que lá, ao contrário daqui, o voto “territorial” praticamente não se altera ao longo dos anos. Seja quem forem os candidatos, é praticamente garantido que o interior sempre será terreno de vantagem dos republicanos, mais conservadores, enquanto as cidades costumam ser dos democratas, partido que abriga parcela cada vez mais empoderada da esquerda. Isso ocorre mesmo nos Estados “pêndulos”, aqueles sem predileção histórica dos eleitores por um dos partidos. O cenário é favorecido pelo bipartidarismo “de fato” da política nos EUA - embora haja outros partidos e candidatos, só Democratas e Republicanos têm estrutura para disputar a Casa Branca há cerca de 160 anos.
No Brasil, diferentemente, costuma haver uma variação das capitais de acordo com os candidatos e partidos. A principal divisão se dá entre Nordeste e as demais regiões. Se em 2018, Bolsonaro venceu Haddad em quatro dos cinco maiores colégios eleitorais entre as capitais (São Paulo; Rio de Janeiro; Belo Horizonte e Fortaleza, exceção feita a Salvador), quatro anos antes, a ex-presidente Dilma Rousseff perderia para Aécio Neves em São Paulo e BH e venceria em Salvador, Rio e Fortaleza.
Além disso, nas cidades com segundo turno - médias e grandes, com mais de 200 mil eleitores - o debate se nacionaliza quando só há dois candidatos na disputa. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indica que haverá segundo turno em 57 localidades, sendo 18 capitais e 39 cidades.
“O segundo turno sempre é mais politizado e os temas nacionais comparecem com mais força. É muito difícil não ter candidatos associados ao presidente e outros menos associados. Poderemos vir a ter, a partir daí, uma mudança importante, o início do descolamento do presidente dessas populações urbanas nas capitais”, analisa o cientista político e sociólogo Antônio Lavareda. “Qualquer modificação do desenho de preferências em direção a 2022 tem que se expressar em primeiro lugar nas capitais, que são os centros irradiadores da opinião pública do País.”
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Bolsonaro o ‘pé-frio’ das urnas
Imagem: Fundação Perseu Abramo
Com a justificativa de que tinha “muito trabalho na Presidência”, no fim de agosto, o presidente declarou que não participaria das eleições municipais de 2020. Mas participou e cometeu um verdadeiro salto no escuro.
Pé-frio ou Mick Jagger da política? Alcunhas depreciativas remetidas ao presidente Jair Bolsonaro, nessas eleições, por não alavancar as campanhas de seus correligionários. Nem mesmo internacionalmente Bolsonaro acertou. Dos sete presidentes que ele torceu para que fossem eleitos, todos colheram insucessos. O último, o seu ídolo, o presidente Donald Trump derrotado por Joe Biden, nos Estados Unidos, no início do mês.
O objetivo de Bolsonaro era claro: não se associar a nenhuma derrota nas urnas que pudesse indicar sinais de fragilidade para o pleito de 2022, quando tentará se reeleger. Mas o capitão não cumpriu a promessa: nas últimas semanas, dedicou tempo precioso para pedir votos a apadrinhados, exibir santinhos e cartazes, distribuir “colinhas” nas redes e gravar peças de campanha. Ele mesmo batizou as últimas lives de “horário eleitoral gratuito” de Jair Bolsonaro.
No domingo da eleição, no entanto, o resultado do esforço revelou-se uma decepção: dos 14 candidatos a prefeito que declarou apoio, apenas cinco tiveram sucesso no primeiro turno – Marcelo Crivella (Republicanos) e Capitão Wagner (Pros) avançaram para o segundo turno no Rio de Janeiro e Fortaleza, respectivamente; e foram eleitos Mão Santa (DEM) em Paranaíba (PI); Gustavo Nunes (PSL), em Ipatinga (MG) e Divaldo Lara (PTB), em Bagé (RS).
Dos candidatos a vereador, proporcionalmente, o fiasco foi ainda maior: dos 59 postulantes a quem fez propaganda aberta, só nove foram eleitos. Em lives nas redes, Bolsonaro até chegou a dizer que iria “pegar mal” para ele se as candidatas Sonaira Fernandes (Republicanos) e Clau de Luca (PRTB) em São Paulo não fossem eleitas – foi o que aconteceu. Também não vingou a candidatura de Wal do Açaí (Republicanos), em Angra dos Reis, a funcionária fantasma de seu gabinete que foi às urnas com o nome de Wal Bolsonaro e recebeu 266 votos.
Foi na disputa às prefeituras, no entanto, que o presidente confirmou o apelido que ganhou dos opositores nas redes – o “Mick Jagger da Política”, em referência ao roqueiro “pé frio” nos jogos da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, líder dos Rolling Stones. Em São Paulo, Celso Russomanno que largou na disputa municipal na frente viu o seu apoio derreter à medida que mais se colava ao presidente. Acabou em quarto lugar com 10% dos votos. O mesmo ocorreu com a candidata à prefeitura de Recife, Delegada Patrícia (Podemos), que declarou ao lado do presidente que iria “varrer a esquerda” na capital pernambucana, e amargou a quarta posição, com 13,6% dos votos.
Em Belo Horizonte, o candidato Bruno Engler (PRTB) não fez nem cócegas no prefeito Alexandre Kalil (PSD), reeleito em primeiro turno. Ficou com 10% dos votos enquanto o ex-cartola conquistou 63%. Líder de um movimento de direita, Engler foi a Brasília gravar live com o presidente e até declarou que passaria a senha das suas redes sociais a Carlos Bolsonaro. A derrota dele confirmou a máxima de que os radicais bolsonaristas podem até fazer barulho na internet, mas têm poucos votos. Em Manaus, capital onde Bolsonaro tem um dos melhores índices de aprovação, outro revés: o candidato Coronel Menezes (PSC) terminou na quinta colocação, com 11,32% dos votos válidos.
Um dos maiores termômetros para Bolsonaro era a eleição de seu filho Carlos Bolsonaro (Republicanos). Mesmo com todo o apoio do presidente, que publicou diversas vezes o número de urna do filho nas redes sociais, o Zero Dois perdeu votos em relação ao pleito municipal passado e a posição de vereador mais votado da capital fluminense para o rivel Tarcísio Motta (PSOL), o que deixou um gosto amargo no clã. Reeleito, Carlos ficou em segundo lugar, com 71.000 votos – número bem menor do que os 106.657 votos que ele recebeu em 2016. A mãe do Zero Dois, Rogéria Nantes (Republicanos), não foi eleita. Recebeu 2.034 votos e não entrou nem entre os 20 candidatos mais votados do próprio partido.
Diante dos insucessos, Bolsonaro ainda tentou esconder o rastro nas redes sociais dos apoios que fez – apagou uma colinha que postou no sábado – e tentou minimizar o papel que desempenhou no pleito deste ano. “Minha ajuda a alguns poucos candidatos a prefeito resumiu-se a 4 lives num total de 3 horas”, escreveu ele. A explicação, no entanto, não convenceu nem os seus apoiadores mais aguerridos, como o escritor Olavo de Carvalho e o assessor especial Filipe Martins. “Ou fazemos a devida auto-crítica ou nossos erros cobrarão um preço ainda maior no futuro”, publicou o assessor.
Confira abaixo o desempenho dos nomes apoiados pelo presidente:
Postulantes a prefeitura não eleitos.
Celso Russomanno (Republicanos) – São Paulo
Bruno Engler (PRTB) – Belo Horizonte
Delegada Patrícia (Podemos) – Recife
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Coronel Menezes (Patriota) – Manaus
Oscar Rodrigues (MDB) – Sobral
Júlia Zanatta (PL) – Criciúma
Doutor Serginho (Republicanos) – Cabo Frio (RJ)
Morgana Macena (MDB) – Cabedelo (PB)
Ivan Sartori (PSD) – Santos (SP)
Postulantes a prefeito eleitos no primeiro turno.
Gustavo Nunes (PSL) – Ipatinga (MG)
Mão Santa (DEM) – Parnaíba (PI)
Divaldo Lara (PTB) – Bagé (RS)
Postulantes a prefeito que passaram ao segundo turno.
Marcelo Crivella (Republicanos) – Rio de Janeiro
Capitão Wagner (PROS) – Fortaleza
'Pre-frio' internacional
Políticos apoiados pelo presidente brasileiro também sofreram derrotas na, Argentina, Bolívia, Venezuela, Israel e Itália.
O candidato democrata Joe Biden conquistou no sábado (07/11) os votos necessários para ser o próximo presidente dos Estados Unidos, segundo as projeções dos principais grupos de mídia americanos.
O resultado representa um revés para o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que manifestou apoio ao republicano Donald Trump publicamente diversas vezes, contrariando a tradição diplomática brasileira de não interferir em pleitos de outros países, estratégia que permite estar bem posicionado para estabelecer relações com o governo eleito, seja ele qual for.
Trump, aliás, não foi o primeiro político internacional apoiado por Bolsonaro a se dar mal nas urnas.
A série de aliados perdedores levou brasileiros a fazerem piada nos últimos dias nas redes sociais chamando o presidente de "Mick Jagger da política". Como já citamosa acima, nesta matéria, a brincadeira é uma referência a fama de pé frio que colou no rockeiro britânico após a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul , quando ele compareceu a algumas partidas, sempre na torcida do país que acabava derrotado.
O "azar" de Bolsonaro, porém, não gera apenas memes na internet. Para analistas em relações internacionais ouvidos pela BBC News Brasil, as "apostas erradas" na eleição de outros países contribuem para aumentar o isolamento internacional do Brasil e minar sua capacidade de liderança na América do Sul.
Hoje, o governo brasileiro tem relação distanciada com seu maior vizinho, a Argentina, depois que Bolsonaro apoiou publicamente a reeleição de Mauricio Macri, derrotado pelo atual presidente Alberto Fernández. Logo após o resultado, Bolsonaro lamentou a vitória do peronista e disse que a "Argentina escolheu mal".
Também na América do Sul, o governo Bolsonaro apoiou tentativas frustradas de governos de direita na Bolívia (reconhecendo Jeanine Añez como presidente após a deposição militar de Evo Morales) e Venezuela (onde apoiou o autoproclamado presidente Juan Guaidó). No primeiro caso, o partido de Morales retomou ao governo boliviano um ano depois, com a eleição de Luis Arce presidente em primeiro turno. Já na Venezuela, Guaidó não conseguiu obter o poder de fato, que segue nas mãos do autoritário presidente Nicolás Maduro.
A lista de aliados de Bolsonaro, que têm perdido força nas urnas inclui ainda o italiano Matteo Salvini, líder do partido de extrema-direita Liga, que tenta ser primeiro-ministro da Itália desde 2019, e o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, que após sucessivos pleitos sem conseguir conquistar maioria do Parlamento teve que fazer um acordo repartindo o governo e se comprometendo a deixar o cargo em outubro de 2021.
Interferência contraria Carta da ONU
Segundo o professor Juliano Cortinhas, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), a postura de Bolsonaro de apoiar candidatos no exterior contraria o princípio de "autodeterminação dos povos" previsto na Carta das Nações Unidas, documento que marca a criação da ONU em 1945 e ao qual o Brasil aderiu.
Seguir esse princípio significa respeitar o direito da população de cada país se autogovernar e decidir livremente a sua situação política. "A política externa do governo Bolsonaro tem sido um desastre. Desde o seu início, fez apostas incorretas que romperam com uma tradição longa da diplomacia brasileira de se pautar pelos princípios do direito internacional, como não intervenção (em outras nações), a autodeterminação dos povos", afirma o professor. "E o pior é que todas as apostas feitas têm se mostrado incorretas. Isso nos cobra um preço que é o isolamento em relação às nossas principais alianças ao longo dos anos", acrescenta.
Para Cortinhas, Bolsonaro apoia candidatos em outros países porque guia sua política externa de acordo com seus interesses ideológicos e eleitorais, e não pensando na melhor estratégia para o país. Ele critica o que vê como "declarações irrefletidas" do presidente pelo Twitter e na porta do Palácio do Alvorada, onde quase todo dia conversa com apoiadores.
Na quarta-feira, dia 4 de novembro, quando a apuração dos votos avançava nos Estados Unidos e já indicava probabilidade maior de vitória para Biden, Bolsonaro disse que "a esperança é a última que morre" ao ser questionado por uma apoiadora sobre a situação de Trump. "A diplomacia é feita de símbolos. As manifestações de intenção e os discursos são muito importantes. E isso tem sido feito pelo governo de forma muito atabalhoada, sem que haja uma reflexão sobre qual é o interesse nacional e quais são as melhores posições para o Brasil", reforça Cortinhas.
Ex-embaixador do Brasil em Washington (1999-2004) e Londres (1994-1999), Rubens Barbosa também vê uma estratégia política na postura de Bolsonaro. "Ele está sendo coerente com a posição dele, essa posição nacional-populista de direita. Então, ele apoia os candidatos que estão na mesma linha dele", disse à BBC News Brasil.
Na sua visão, o apoio de Bolsonaro não tem qualquer impacto na eleição americana, mas pode ter repercussão interna no caso dos países vizinhos. "Há uma contradição entre o discurso de Bolsonaro, de que o Brasil não interfere na política de outros países e a ação dele na política da Bolívia, da Argentina. Essa posição deixa o Brasil cada vez mais sem voz na América do Sul", afirmou ainda.
Biden pragmático com Brasil
Apesar da insistente torcida de Bolsonaro por Trump, a expectativa dos especialistas entrevistados é que o futuro governo Biden mantenha uma relação pragmática com o Brasil, país que não está entre as prioridades na política externa americana. "Não tem o menor sentido o presidente de um país ficar nessa torcida por um governo ou outro na eleição de outros países, muito menos se pronunciar, mas acredito que o governo democrata será absolutamente pragmático e vai manter uma relação com o Brasil de acordo com o que interessa aos Estados Unidos", afirma a professora do Instituto de Relações Internacionais da USP Maria Antonieta Lins.
A expectativa é que o governo Biden siga pressionando o Brasil a proibir a empresa chinesa Huawei de participar da implementação da tecnologia de quinta geração de telecomunicações (5G) no país. Esse é uma agenda da gestão Trump que deve ser mantida porque a expansão da Huawei é vista como uma ameaça à segurança nacional americana.
Por outro lado, uma mudança importante na política externa dos Estados Unidos que terá impacto no Brasil é o esperado alinhamento do governo Biden com países europeus pela preservação da Amazônia. Durante a campanha eleitoral, o democrata chegou a citar a possibilidade de retaliações econômicas contra o Brasil caso o governo Bolsonaro não aceite recursos externos para combater a destruição da floresta.
"Eu acho que a relação institucional Brasil-Estados Unidos não vai se alterar (com a eleição de Biden), o que vai se alterar é a relação entre os presidentes. O governo americano vai continuar a tomar decisões de acordo com o interesse deles. Essa questão ambiental não é uma questão contra o Brasil, é uma prioridade global que tem desdobramentos sobre o Brasil", ressalta o embaixador Rubens Barbosa.
Juliano Cortinhas, da UnB, também acredita no pragmatismo americano, mas prevê que os EUA, sob Biden, adotarão "posturas mais firmes" na relação com o Brasil. Historicamente, os democratas têm uma sensibilidade maior à agenda ambiental e de direitos humanos, o que se choca com os posicionamentos do governo brasileiro hoje.
"O Brasil é um país importante, então não imagino que o Biden vai virar as costas para o Brasil. Mas as posições (do governo Bolsonaro) em relação ao meio ambiente, aos direitos humanos, aos direitos das mulheres, tudo isso faz com que o Biden esteja em posição de fazer uma série de exigências para negociar com o Brasil", afirma Cortinhas.
"E isso será legítimo porque o Brasil vem desrespeitando uma série de princípios do direito internacional e vem prejudicando a humanidade como um todo, com a postura em relação às queimadas na Amazônia e no Pantanal, por exemplo", disse o professor.
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O derrotado Donald Trump se recusa a reconhecer Biden como o próximo presidente e afirma que não sai da Casa Branca
Em 244 anos de história dos Estados Unidos nunca um candidato derrotado se recusou a deixar o cargo de presidente da república.
E agora? O que acontece se Trump realmente não quiser passar o cargo e se instalar arbitrariamente na sede do governo?
Há quase dois séculos e meio (244 anos) de história dos Estados Unidos, nunca houve um presidente que se recusasse a passar o cargo ao seu sucessor, depois de perder uma eleição.
A transferência de poder ordenada, legal e pacífica é uma das marcas do país mais rico do planeta, considerado o berço da democracia moderna. Por isso, o anúncio do presidente Donald Trump de se recusar a aceitar sua derrota contra Joe Biden, gera uma situação tão nova quanto desconcertante na vida dos Estados Unidos da América do Norte.
Analistas apresentam o desafio de considerar cenários anteriormente impensáveis. O atual parce estar longe de um final feliz.
Trump estava jogando golfe fora de Washington, quando a vitória eleitoral de Biden foi confirmada, no sábado, 7 de novembro. Pouco depois, a campanha do candidato derrotado divulga um comunicado garantindo que a "eleição está longe do fim". Assim estava escrito:
"Todos nós sabemos por que Joe Biden está se apressando em se apresentar falsamente como o vencedor e por que seus aliados da mídia estão fazendo o possível para tentar ajudá-lo: eles não querem que a verdade seja conhecida", disse o comunicado, indicando que Trump continuaria se opondo ao resultado anunciado por meio de ações judiciais, alegando a existência de suposta fraude.
A Constituição dos Estados Unidos é clara, sem sombra de dúvida, ao estabelecer que o atual mandato presidencial termina "ao meio-dia de 20 de janeiro". Joe Biden conseguiu vencer em vários Estados que lhe garantiram mais de 270 votos no Colégio Eleitoral. Portanto, ele tem o direito de ocupar a presidência pelos próximos quatro anos.
Mas, Donald Trump tem recursos legais e legítimos que ainda pode usar para contestar o resultado da votação.
A menos que haja uma reviravolta dramática nos tribunais, daqui em diante, e ele possa provar na Justiça a existência de irregularidades na eleição que alega, embora não apresente provas, 20 de janeiro é a data em que o novo presidente é empossado - e em que Trump deve renunciar ao cargo de presidente dos Estado Unidos da América do Norte.
No entanto, a posição do derrotado está anunciada. Trump foi claro, ao longo da campanha atual, ao advertir que não aceitaria a derrota. Ele disse, repetidamente, que estava determinado a permanecer no comando, independentemente do que dissessem as autoridades eleitorais, indicando que a única hipótese de perder seria se as eleições fossem roubadas.
Portanto, o país começou a discutir o que aconteceria se Trump cumprisse sua ameaça e tentasse se agarrar ao poder pela força. Uma hipótese até comentada pelo próprio Joe Biden quando era candidato. Em uma entrevista televisionada em 11 de junho, o comediante Trevor Noah perguntou a Biden se ele havia pensado na possibilidade de um Trump perdedor se recusar a desocupar a residência presidencial. "Sim, já pensei sobre isso", respondeu Biden, acrescentando que estava convencido de que, em tal situação, os militares estariam encarregados de impedi-lo de permanecer no cargo e simplesmente o expulsariam da Casa Branca.
Também foi dito que o Serviço Secreto poderia cumprir a tarefa de escoltar Trump para fora da residência presidencial.Esse órgão civil, encarregado da segurança do presidente, também tem a obrigação legal de proteger todos os ex-presidentes e continuará a acompanhá-lo, a partir de 20 de janeiro.
Como a vantagem eleitoral de Biden se tornou evidente e o anúncio de sua vitória parecia iminente, o Serviço Secreto aumentou as medidas de proteção ao presidente eleito, efetivamente começando a dar-lhe um nível de segurança "presidencial", apesar de Trump não reconhecer a derrota.
Cenário impensável ou factível?
Mas, nesse ponto, seria necessário avaliar a lealdade das forças de segurança a esse presidente, assim como fazem os analistas que buscam entender a situação de qualquer país em um momento de instabilidade institucional.
A BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC, perguntou a especialistas se era viável para Trump tentar usar as forças de segurança do Estado para permanecer ilegalmente no poder. "Para um presidente abusar dos poderes da presidência para permanecer no cargo depois de aparentemente perder a eleição, seria difícil e destruiria as normas vitais. Mas não é inconcebível", diz o professor Dakota Rudesill, especialista em política e legislação de segurança nacional da Ohio State University, nos Estados Unidos. "Isso prejudicaria muito o país, os princípios importantes das relações civis-militares e as perspectivas globais da democracia", alerta Rudesill.
No entanto, ele esclarece que, em sua opinião, o cenário em que Trump poderia se agarrar à presidência com o apoio das forças de segurança é difícil de imaginar. "Os militares juram fidelidade à Constituição, não ao político atualmente no cargo. E quem é o militar de mais alto escalão no país no momento, o general Mark Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, disse repetidamente que os militares não terão nenhum papel nesta eleição."
Rudesill não está sozinho ao fazer esses questionamentos. Keisha Blaine é professora da Universidade de Pittsburgh e especialista em movimentos de protesto social. "O simples fato de termos que nos perguntar se as Forças Armadas vão intervir nas eleições revela muito sobre o triste estado de coisas em nosso país", lamenta ela à BBC News Mundo.
Blaine acrescenta que "há quatro anos, a maioria dos americanos não estava se perguntando isso. Mas ter visto Trump enviar agentes federais (durante os recentes distúrbios) a Portland e Washington nos últimos meses, é uma preocupação séria. Não acho este é um cenário provável, mas não podemos descartá-lo como uma possibilidade séria, considerando tudo o que aconteceu este ano.", alertou.
De fato, durante os protestos sociais que surgiram com o movimento antirracismo, em meados do ano, Trump considerou mobilizar os militares para dispersar as manifestações.
Em 5 de junho, o jornal americano The New York Times afirmou que o General Milley "convenceu Trump a não invocar o Insurrection Act de 1807 para mobilizar tropas regulares em todo o país para suprimir os protestos, uma linha que vários oficiais do Exército dos EUA disseram que não vão cruzar, nem mesmo se o presidente ordenar que o façam."
No final, diante da recusa do Exército regular em se envolver, Trump enviou efetivos da Guarda Nacional, que dependem dos governadores de cada Estado, para conter os protestos. Membros das forças de segurança não militares que se reportam ao Ministério da Segurança Interna também estiveram envolvidos na contenção dos protestos em Washington, Portland e outras cidades.
Assim, alguns contemplam que, em uma crise decorrente das eleições, Trump poderia ordenar a mobilização de um número de pessoal armado não militar. No entanto, supondo que as Forças Armadas não se colocariam à disposição do presidente, é difícil imaginar uma ação bem-sucedida de Trump para permanecer no poder nessas condições.
Violência em meio à espera pode ser um cenário provável, nesse final de ano, por lá.
Rudesill diz estar preocupado com cenários relacionados. "Escrevi sobre a possibilidade de que o presidente Trump tente usar uma ordem executiva, ou que o Departamento de Justiça controlado por seus aliados políticos tente emitir uma 'diretriz' , indicando que o Poder Executivo deve considerar Trump como o vencedor de uma eleição disputada", diz o especialista à BBC News Mundo, mas alerta que seria totalmente inapropriado e inadmissível. "Ordenar ao Exército que continue saudando o presidente além do final de seu mandato, ao meio-dia de 20 de janeiro, colocaria os militares em uma situação impossível", diz ele.
Desordem civil a caminho?
Analistas dizem que uma situação em que o candidato derrotado na eleição presidencial se recuse a aceitar o resultado pode levar à possibilidade de grave desordem civil. "Metade do país e muitas pessoas ao redor do mundo pensariam que os militares dos EUA assumiram uma posição partidária. Os militares nunca, nunca deveriam receber essa ordem", diz Rudesill.
E sem chegar ao caso extremo de uma situação em que a autonomia das Forças Armadas seja posta em jogo diante das disputas partidárias, outros alertam que uma extensão da atual situação política pode gerar violência em outros campos.
Uma situação em que o candidato derrotado nas eleições presidenciais se recuse a aceitar o resultado certamente leva à "possibilidade de grave desordem civil", diz Keisha Blaine à BBC News Mundo. A retórica presidencial "aumentou a possibilidade de protestos e até violência", argumenta.
"A situação testemunhada em diferentes cidades americanas, nos últimos meses, de manifestantes armados até os dentes expressando seu apoio ao presidente, bem como o aparecimento nas ruas dessas mesmas cidades de grupos de oposição radical, são um lembrete do potencial de violência que traz consigo a atual tensão política nos Estados Unidos", completa Keisha Blaine.
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Três séculos de um Estado formado por suas riquezas naturais
Data sem consenso: em 12 de dezembro de 1720 a Capitania de Minas Gerais ganharia sua emancipação territorial. Outros registros dão conta de que seria 12 de setembro.
Em 28 de fevereiro de 1821, a divisão territorial passou a se chamar Província de Minas Gerais, e já era uma das unidades de extrema importância para a economia da maior colônia de Portugal.
A Capitania de Minas Gerais foi uma divisão administrativa do Brasil colonial sob força de alvará oficial datado em 12 de dezembro 1720, a partir da cisão da capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Sua capital era Vila Rica (atual Ouro Preto). Outros registram afirmam que a data da separação de São Paulo é 12 de setembro do mesmo ano.
Inicialmente o território não incluía apenas a região correspondente ao Sertão da Farinha Podre (atual Triângulo Mineiro, integrada em 1816) e a margem esquerda do Rio Sapucaí e Rio Grande (integrada em 1764). Em 28 de fevereiro de 1821 tornou-se uma província, a qual viria a ser o atual estado de Minas Gerais com a Proclamação da República.
Hoje, Minas Gerais é o quarto estado mais extenso do Brasil, com 586.528 km2, o equivalente ao território total de Madagáscar, país insular no Oceano Índico, que ocupa a maior ilha do continente africano, situada na costa sudeste da África, antiga República Malgaxe. É o segundo mais populoso do país, com 21.331.292 de habitantes, o que perfaz 10% do total do território nacional, atrás somente de São Paulo, que tem 46.289.333, ou 21,9% do Brasil, segundo estimativas de 1º de julho de 2020, do IBGE.
Basicamente, a emancipação territorial da Capitania de Minas Gerais se deu em 7 de novembro de 1720. O desbravamento na região que hoje compreende o atual estado se iniciou no século XVI, por meio do trabalho dos bandeirantes, em busca de ouro e pedras preciosas. Em 1709, foi criada a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, e em 1720, desmembrada em São Paulo e Minas Gerais.
No início do século 18, a região tornou-se um importante centro econômico da maior Colônia portuguesa, com rápido povoamento. No entanto, a produção de ouro começou a cair por volta de 1750, levando a Metrópole – Portugal - a criar formas cada vez mais rígidas de arrecadação de impostos, o que resultou no mais conhecido movimento político e histórico de Minas Gerais – A Inconfidência Mineira (história abaixo).
A absoluta influência da mineração na economia do estado inibiu, de certa forma, o desenvolvimento de outras atividades econômicas de exportação. Por muitos anos, apesar dos avanços advindos da produção de açúcar, fumo e algodão, Minas Gerais continuou baseando sua economia nas grandes fazendas. O lento avanço da economia da Província, como o de toda a colônia, foi acelerado com o advento da produção e exportação de café.
A introdução da cafeicultura em Minas Gerais ocorreu no início do século XIX e logo se transformou na principal atividade da Província e no agente indutor do povoamento e desenvolvimento da infra-estrutura de transportes. A prosperidade trazida pelo café ensejou um primeiro surto de industrialização, reforçado, mais tarde, pela política protecionista implementada pelo Governo Federal após a Proclamação da República.
As indústrias daí originárias eram de pequeno e médio portes, concentradas, principalmente, nos ramos de produtos alimentícios (laticínios e açúcar), têxteis e siderúrgicos. No setor agrícola, em menor escala, outras culturas se desenvolveram, como o algodão, a cana-de-açúcar e cereais.
O predomínio da cafeicultura se alterou, gradualmente, no primeiro terço do século 20, a partir da década de 1930, com a afirmação da natural tendência do Estado para a produção siderúrgica e com o crescente aproveitamento dos recursos minerais. Ainda na década de 1950, no processo de substituição de importações, a indústria ampliou consideravelmente sua participação na economia brasileira.
Na década de 1970, a economia mineira passou por mudanças estruturais graças a um grande volume de investimento. Nesse período, o Estado reverteu a perda de posição relativa no contexto nacional. Iniciou-se então um processo de adensamento e diversificação da sua estrutura industrial, de consolidação de novos setores industriais e de ampliação da inserção nacional e internacional da economia mineira.
Inconfidência Mineira
O movimento que inspirou a bandeira de Minas Gerais, símbolo maior do estado, surgiu com a intenção de romper as relações entre a Colônia e a Metrópole. O movimento reuniu proprietários rurais; intelectuais; clérigos e militares, numa conspiração que pretendia eliminar a dominação portuguesa e criar um país livre, em 1789.
O ideal Iluminista que difundia-se na Europa, ao longo do século 18, e a Independência das 13 colônias inglesas na América do Norte que, apoiadas nas idéias iluministas não só romperam com a metrópole (Inglaterra), mas criaram uma nação soberana, republicana e federativa, (Estados Unidos) influenciaram diretamente os colonos mineiros, que passaram a ansiar por liberdade.
A Inconfidência Mineira, na verdade, não passou de uma conspiração, onde os principais protagonistas eram elementos da elite colonial - homens ligados à exploração aurífera, à produção agrícola ou a criação de animais - sendo que vários deles estudaram na Europa e se opunham às determinações do pacto colonial, enrijecidas no século 18. Além destes, encontramos ainda alguns indivíduos de uma camada intermediária, como o próprio Tiradentes, filho de um pequeno proprietário que, após dedicar-se a várias atividades, seguiu a carreira militar - ocupava a posto de Alferes, que, atualmente, é referente a segundo-tenente - sendo portanto, um dos poucos indivíduos sem posses que participaram do movimento.
Um dos mineradores contatados foi o coronel Joaquim Silvério dos Reis que, a princípio, aderiu ao movimento, pois como a maioria da elite, era um devedor de impostos. No entanto, com medo de ser envolvido diretamente, resolveu delatar a conspiração. Em 15 de março de 1789 encontrou-se com o governador, Visconde de Barbacena e formalizou por escrito a denúncia de conspiração. Com o apoio das autoridades portuguesas, instaladas no Rio de Janeiro, iniciou-se uma sequência de prisões, sendo Tiradentes um dos primeiros a ser encarcerado na capital, onde se encontrava, na busca de apoio ao movimento. Alguns dias depois iniciava-se a prisão dos envolvidos na região das Gerais e uma grande devassa para apurar os delitos.
A investigação portuguesa promoveu a acusação de 34 pessoas, que tiveram suas sentenças definidas em 19 de abril de 1792, com 11 dos acusados condenados a morte: Tiradentes; Francisco de Paula Freire de Andrade; José Álvares Maciel; Luís Vaz de Toledo Piza; Alvarenga Peixoto; Salvador do Amaral Gurgel; Domingos Barbosa; Francisco Oliveira Lopes; José Resende da Costa (pai); José Resende da Costa (filho) e Domingos de Abreu Vieira.
Desses, apenas Tiradentes foi executado, os demais tiveram a pena comutada para degredo perpétuo por D. Maria I - apelidada de "a Piedosa" e "a Louca", foi a Rainha de Portugal e Algarves de 1777 à 1815, e também Rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves a partir do final de 1815 até sua morte. A partir de 1792, seu filho mais velho, João, atuou como regente do reino em seu nome devido à sua doença mental. O Alferes foi executado em 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, esquartejado, sendo que as partes de seu corpo foram expostas em Minas, como advertência a novas tentativas de rebelião.
Brasil Colônia de 1709: a Capitania de S.Paulo ocupava mais da metade do país
Brasil Colônia de 1750: as Capitanias de Minas Gerais e R. de Janeiro, que ocupava os atuais estados de S.Paulo, Paraná e metade de Sta Catarina. Bahia preenchia um vasto território, que ao sul viria a ser o Espírito Santo.
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Dia da Posse
O Facebook lançará serviço de notícias no Brasil
Facebook News será o nome da plataforma informativa da rede social mais acessada do Planeta.
A direção da empresa, que tem valor de mercado de meio trilhão de dólar, anunciou no final de agosto desse ano, seus planos para lançar, entre fevereiro e agosto de 2021, seu serviço de notícias no Brasil.
Também deverá chegar a outros países como, Reino Unido; Alemanha; França e Índia. A ferramenta implementada nos Estados Unidos, ano passado, paga aos veículos de notícias pelos conteúdos, e tem hoje reportagens originais de mais de 200 editoras.
Nos últimos anos, a rede social, que ostenta 2,7 bilhões de usuários ativos mensais, tem sido criticada pela circulação de notícias falsas e campanhas de desinformação em sua plataforma - muitos acreditam que esse tipo de conteúdo afetou o resultado da eleição presidencial dos EUA de 2016, vencida por Donald Trump.
O serviço de notícias do Facebook é uma resposta às críticas. O presidente-executivo, Mark Zuckerberg, diz que a empresa tem compromisso em priorizar notícias “confiáveis” em seu feed, identificando canais de alta qualidade. "Os hábitos do consumidor e o inventário de notícias variam de acordo com o país. Portanto, trabalharemos em estreita colaboração com os parceiros de imprensa em cada um dos países para adaptar a experiência", afirmou o Facebook.
Ainda não há data específica para o lançamento do serviço no Brasil. Mas a rede social disse que, "tem como objetivo lançar o Facebook News, em vários países, no mais tardar, entre os próximos seis meses e um ano".
O ministro da economia P. Guedes é condenado por comparar servidores públicos a parasitas
(Foto: AP Photo/Eraldo Peres)
Ministro central do governo Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, tem condenação em primeira instância decretada. Na decisão poderá pagar R$ 50 mil ao Sindicato dos Policiais Federais da Bahia (Sindopol-BA).
A condenação é devida à comparação de servidores públicos à “parasitas”, em fevereiro desse ano. A Advocacia-Geral da União afirmou que vai recorrer. A decisão foi anunciada pela juíza da 4ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária da Bahia (SJBA), Claudia da Costa Tourinho Scarpa.
Segundo o Sindipol, se a decisão final for favorável ao sindicato e o ministro pagar a quantia de R$ 50 mil, o dinheiro será doado a hospitais de Salvador que combatem a COVID-19. Guedes foi criticado e interpelado por comparar, após uma palestra no início do ano (fevereiro), servidores públicos a "parasitas", o que pode ser conotado como "sanguessugas"; "chupins"; "aproveitadores"; "exploradores"; "hospedeiros" e tantos outros sinônimos que o termo possa suscitar.
O ministro criticava os reajustes anuais dos servidores, quando proferiu: "O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita, o dinheiro não chega no povo e ele quer aumento automático”, disse. Em nota, o ministério afirmou depois que a fala de Guedes ilustrava a importância de mudanças no sistema para “corrigir distorções”.
História de San Gennaro ou São Januário
Interior da Igreja S. Januário, em Ubá S. Januário foi condenado à morte no século quatro
Padroeiro de Ubá,no século 4, por volta do ano de 305, San Gennaro era diácono da igreja da cidade de Miseno Sosio e depois foi Bispo em Benevento, cidade da região de Campânia, próxima a Nápoles (Italia).
Ele sofreu forte perseguição por parte do imperador romano Diocleciano e a tradição conta que o Santo foi reconhecido e preso pelos soldados do governador de Campânia, quando se dirigia à prisão para visitar os cristãos detidos. Foi condenado à pena de morte e decapitado.
Como era costume, nos martírios da época, os cristãos recolheram um pouco do sangue de San Gennaro, numa ampola de vidro, para ser colocada diante de seu túmulo, sendo, após isso, sepultado numa estrada entre Pozzuoli e Nápoles.
No século seguinte (cinco), por volta de 413, seu corpo foi transferido para as catacumbas napolitanas, na Colina Capodimonte. Mais tarde, foi novamente removido para Benevento (Abadia de Montevergine) e por fim, no século 15 (10 séculos depois), no ano de 1492, seus restos mortais foram transferidos para Nápoles, por ordem do Arcebispo Alessandro Carafa.
No ano de 472 da Era Cristã, ao aproximar-se o final do século 5, os cristãos buscavam a ajuda de San Gennaro. Ocorreu terrível abalo e arruinamentoda região, principalmente da cidade de Pompeia, pela erupção do Vesúvio. Os napolitanos correram para o túmulo de San Gennaro, onde, aturdidos e de mãos postas, rogaram proteção ao mártir cristão. Milagrosamente, as lavas estacionaram às portas de Nápoles, poupando-lhe o mesmo destino trágico de Pompeia.
Desde 1608 (século 17), os restos mortais encontram-se na Capela do Tesouro - Catedral de Nápoles com seus 700 anos de História - em cumprimento da promessa feita pelos napolitanos em 1527, por ocasião de uma peste que assolou a região, mas Nápoles foi preservada pelo Santo. Também em outras duas outras ocasiões, San Gennaro protegeu a cidade : na cólera que infestou a região, em 1884, e na erupção do Vesúvio em 1631.
A partir então de 1608, o culto a San Gennaro só tem aumentado. Especialmente em maio e setembro, quando o napolitano ruma em massa para o Duomo, a histórica catedral onde está guardado o frasco com o sangue coagulado do santo. A devoção a San Gennaro é conhecida no mundo inteiro pela liquefação do sangue do bispo mártir, que ocorre três vezes por ano: no sábado, que precede o 1º domingo de maio; no dia 19 de setembro, que é a festa do Santo e em 16 de dezembro, aniversário da erupção do Vesúvio de 1631.
A ocorrência, que vem sendo verificada desde 1389, consiste na passagem do sangue de San Gennaro do estado sólido para o estado líquido, perdendo no peso e aumentando no volume. Existem uns 5 mil processos, que confirmam o fenômeno, inclusive a declaração de Montesquieu, que assistiu duas destas liquefações em 1728.
Início do século 20, em 1902, o conteúdo das ampolas foi submetido a exame electroscópio diante de testemunhas e o cientista Sperindeo declarou que não há dúvida de que se trata de sangue humano que, uma vez coalhado, não perde o estado sólido. São 600 anos de fé, superstição e ceticismo, que acompanham o mistério dos milagres do sangue do padroeiro de Ubá e Nápoles, além do bairro da Mooca, em São Paulo.
Acreditam os fieis, que quando o sangue do mártir não se liquefaz, sempre ocorre uma catástrofe, como aconteceu no caso de várias epidemias em Nápoles, nas várias perigosas erupções do Vesúvio e no começo da 2ª Guerra Mundial. Essas ocorrências são motivos suficientes para que os crentes no Santo aumentem a fé para que o sangue de San Gennaro se liquefaça agora em setembro.
Padroeiro de Ubá, Nápoles e do bairro da Mooca, em S. Paulo.
Gennaro para os italianos e São Januário para os brasileiros, é considerado santo e mártir, tanto para a igreja católica como para as ortodoxas, no leste europeu. Padroeiro de Ubá, em 19 de setembro é feriado em seu nome e uma igreja erigida em sua honra, desde a fundação da cidade, em 1857.
Mas, não só por aqui, Gennaro ou Januário é um santo de especial devoção. Na Mooca, tradicional bairro da colônia italiana, na cidade de São Paulo, também há uma igreja em sua homenagem. Anualmente, a festa de San Gennaro, de setembro a outubro, é um dos acontecimentos religiosos mais tradicionais entre os devotos católicos.
Voltando à Mooca, São Januário também é o santo padroeiro do Clube Atlético Juventus, tradicional clube do Futebol Paulista, fundado por imigrantes italianos que trabalhavam no Cotonifício Crespi, e viviam no bairro da Mooca.Mas, na contramão das homenagens, ele não é o padroeiro do Vasco da Gama, no Rio de Janeiro. O Santo dá nome ao estádio do clube, mas isso é devido somente à rua homônima, que fica ao entorno.
Imposto "Lobo Mau" está sendo produzido no gabinete de Paulo Guedes e deve abocanhar boa parte de seus recursos
Imposto de Guedes pode incidir sobre mais operações que a antiga CPMF
"Imposto digital" é o nome pelo qual o ministro Paulo Guedes (Economia) está batizando o novo tributo sobre transações financeiras. Proposto pelo governo, o já alcunhado de "Imposto Lobo Mau" está sendo desenhado para incidir sobre saques em dinheiro e pode ter um espectro de cobrança mais amplo do que a extinta Cobrança Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF).
O modelo está em fase final de formatação no Ministério da Economia, que busca a maior base possível para garantir uma receita robusta, segundo participantes da discussão. Embora o foco seja alcançar operações digitais, um interlocutor do ministro diz que os saques físicos (nos caixas eletrônicos e agências) também serão taxados.
A Receita Federal está debruçada sobre possíveis modelos para o novo tributo. Técnicos têm se reunido com representantes do Banco Central para avaliar os tipos de cobrança e seus efeitos colaterais. O debate inclui a possibilidade de cobrar transações interbancárias, investimentos e até operações entre contas de mesma titularidade, algo que era isento durante a CPMF.
A análise feita no momento prevê incidência sobre o que vem sendo chamado de transações externas, como saques; compras em lojas e na internet; pagamentos de boletos ou contas e operações digitais. O debate em aberto diz respeito às transações internas, como transferências de mesma titularidade, operações entre bancos e movimentação de uma conta-corrente para um investimento.
A tão difamada CPMF, criada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) vigorou, entre 1997 e 2007, incidiu sobre as movimentações financeiras, mas com exceções. Havia isenção para negociações de ações na Bolsa de Valores, transferências entre contas-correntes de mesma titularidade e saques de aposentadorias, seguro-desemprego e salários.
Ao contrário disso, o "Lobo mau" vai abocanhar a maioria ou todas as transações financeiras. Pessoas próximas a Guedes argumentam que a proposta em análise é menos nociva do que o atual emaranhado tributário do país, mas, nos bastidores, tratam a nova contribuição sobre pagamentos como "o novo antigo imposto".
Um auxiliar do ministro afirma que a modulação do tributo precisa ser feita de forma a abarcar a maior base de arrecadação e que, ao mesmo tempo, gere o menor volume de efeitos negativos. Especialistas dizem que, por suas características, a CPMF pode criar travas na economia, incentivar tentativas de burlar o sistema e ampliar o volume de operações em espécie.
Críticos afirmam ainda que o "novo" tributo gera um amplo efeito em cascata. Uma mesma pessoa pode pagar o imposto mais de uma vez sobre o mesmo volume de dinheiro se, por exemplo, receber uma transferência bancária, pagar uma compra com esse recurso, sacar uma parcela e depois depositar novamente. Esse efeito também é sentido pelas empresas, já que cada operação, compra de insumo ou contratação de serviço ao longo da cadeia de produção é alvo da cobrança. O custo acaba empurrado para o consumidor.
O modelo elaborado pela Economia prevê alíquota de 0,2%, com arrecadação potencial de R$ 120 bilhões ao ano. Para alcançar esse volume de receita, a proposta desenhada pela pasta prevê cobrança em duas pontas. Por exemplo, se uma pessoa faz uma compra em uma loja online, o imposto é cobrado do comprador e da empresa vendedora. A incidência total daquela operação, portanto, será de 0,4%.
Em 2007, último ano em que vigorou, a CPMF a alíquota era de 0,38% e incidia apenas de um lado da operação, na hora do débito na conta, por exemplo, no saque. A Receita Federal informou que só irá se manifestar sobre a proposta do novo imposto a partir do anúncio oficial das próximas etapas da reforma tributária.
O advogado tributarista Roberto Duque Estrada diz que o tributo é altamente regressivo - onera diretamente os mais pobres - e guarda o risco de ter sua finalidade desviada ou a alíquota ampliada ao longo do tempo, como houve com a CPMF. Estrada acredita que os fatores negativos serão minimizados se o governo realmente criar o novo tributo em substituição de outros impostos. Ele ressalta que o modelo facilita a fiscalização e inibe a atuação de sonegadores.
Em relação às isenções, o tributarista afirma que é razoável que essas exceções existam para não onerar muito o contribuinte. Ele criticou a possibilidade de haver cobrança sobre transferências entre contas de mesma titularidade. "É um absurdo ter que pagar imposto duas vezes em uma operação na qual eu movimento meu próprio dinheiro.", rechaçou.
Na busca pela aprovação do imposto, Guedes prometeu apresentar um plano de desoneração de encargos trabalhistas. Há propostas para promover uma redução ampla de tributos sobre os salários mais baixos e fazer um corte parcial dos encargos para todas as faixas salariais.
Sabotada pelo governo Jair Bolsonaro e agora desempregada a atriz Regina Duarte pede clemência para retornar à Rede Globo
Foto: OFuxico
A ala ideológica do governo limou a atriz do cargo de secretária especial da Cultura. Desempregada, ela está trabalhando nos bastidores para retornar à TV da família Marinho.
Depois de trabalhar na dramaturgia da Rede Globo por mais de 50 anos - estreou na TV Globo em 1969,depois que a TV Excelsior, onde trabalhou por quatro anos, decretou falência - , Regina Duarte solicita ajuda à autora Glória Perez para voltar às novelas.
Desde que foi exonerada do cargo de secretária especial de Cultura, em maio desse ano, a atriz já vinha comentando com amigos, nas últimas semanas, sobre seu anseio de retornar a carreira e aos papéis em novelas da Globo.
Corajosa, em março desse ano, aos 73 anos, Regina Duarte largou uma carreira de mais de cinco décadas na TV da família Marinho, para assumir um cargo político no governo Jair Bolsonaro. Por causa de sua decisão, foi criticada ostensivamente por fãs, adversários políticos de Bolsonaro e colegas da categoria.
Não ficou três meses em Brasília
O apoio que teve foi mínimo, além de ser muito mal recebida, e com sua administração sabotada, pela ala ideológica do governo, oriunda dos escritórios do filósofo auto-didata Olavo de Carvalho, guru de Bolsonaro e sua família.
Segundo o colunista Ricardo Feltrin, era condição sine qua non que a atriz deixasse o governo, pois não suportaria a carga dos extremistas olavistas. Regina ainda tentou se implantar num cargo na Cinemateca Brasileira, importante braço do Ministério da Cultura, responsável pela preservação e difusão da produção audiovisual brasileira, e que tem o maior acervo da América do Sul. Mas, para piorar, o cargo que desejava, e chegou a ser anunciado por ela e Bolsonaro, nem sequer existia.
Posta de lado e isolada, Regina Duarte foi à luta para tenta retomar a carreira de atriz. Começou a procurar os amigos que restaram na Globo, pois não quer, obviamente ser alijada e esquecida de uma forma tão melancólica. Asseverou que está disposta à voltar para as novelas globais, "mesmo que seja com um novo contrato por obra, e não de longa duração, como sempre teve", afirmou Feltrin.
Nos últimos dias, porém, Regina Duarte partiu para o ataque e decidiu pedir ajuda diretamente à autora Glória Perez, que está escalada para assumir uma novela em horário nobre no próximo ano. A atriz demonstrou interesse em integrar o elenco, que ainda não está fechado. Nem mesmo a trama foi escrita pela novelista.
A previsão inicial era de que essa novela (ainda sem nome definido) estreasse no primeiro semestre de 2021, mas, ninguém sabe, por causa da pandemia. Regina Duarte reiterou que está de prontidão para assumir um papel, "caso queiram", afirma Ricardo Feltrin.
Entretanto, para os anti-bolsonaristas e agora, também, anti-reginistas, as notícias não são nada boas: segundo o colunista. "Quem acha que a atriz não tem mais chance de retornar à Globo fica aqui um aviso: há pelo menos 10 anos a TV dos Marinhos deixou de tomar decisões supostamente 'vingativas' e de repelir profissionais que a deixaram ou trocaram por qualquer motivo. Então Regina tem chance, sim, de voltar à Globo. O tempo tudo apaga", completou em tom de profecia, Ricardo Feltrin.
Fim desta matéria
Ministério Público Federal processa Bolsonaro e ministros por considerar postura inadequada contra as mulheres
Foto: APE
MPF ajuizou ação civil pública contra União, na figura do presidente e ministros, por falas e ações de Bolsonaro por considerar que tiveram “postura estatal inadequada” no tratamento de assuntos relativos às mulheres.
A ação (ACP Misoginia) foi protocolada por Pedro Antonio de Oliveira Machado, procurador da República, e por Lisiane Braecher, procuradora Regional dos Direitos do Cidadão.
Segundo ambos, desde o início da atual gestão , integrantes da cúpula do governo Bolsonaro proferiram inúmeras declarações e atos administrativos que revelam vieses preconceituosos e discriminatórios contra o público feminino, reforçando estigmas e estimulando a violência, dentre elas, a doméstica. As declarações ou falas, segundo o MPF, configuram abuso da liberdade de expressão.
Na ação, os procuradores pedem à Justiça Federal o bloqueio imediato de pelo menos R$ 10 milhões no orçamento federal e que obrigue União a usar este recurso para promover campanhas de conscientização sobre os direitos das mulheres com veiculação em um período de um ano. Os conteúdos deverão expor os dados sobre a desigualdade de gênero no Brasil e a vulnerabilidade das mulheres à violência, além de reforçar informações sobre os direitos que elas têm ao atendimento nas áreas de saúde, segurança e assistência social. O objetivo seria o de reparar danos sociais e morais coletivos causados pelas atitudes de Bolsonaro e seus ministros.
O Ministério Público federal solicita ainda que a União seja condenada ao pagamento de R$ 5 milhões ao Fundo de Direitos Difusos, a título de indenização por danos sociais e morais coletivos. “É desolador que mensagens e pronunciamentos de Ministros do Poder Executivo Federal, que com absoluta falta de sensibilidade, minimizem o grave problema da violência contra a mulher e reforcem, com potencial de perpetuar ou de dificultar sobremaneira o combate ao preconceito contra as vítimas mulheres, mensagens que partindo de autoridades do topo da administração pública federal, impõem inegáveis danos morais coletivos e danos sociais”, afirma no documento.
Segundo Pedro Antonio de Oliveira Machado e Lisiane Braecher, "são muitos os episódios em que o presidente se dirigiu a mulheres de maneira desrespeitosa ou fez insinuações misóginas". Eles citam o caso de insulto feito à jornalista Patrícia Campos Mello, do jornal Folha de S.Paulo, em fevereiro de 2019. Na ocasião, Bolsonaro fez uma insinuação com conotação sexual ao dizer que a jornalistas “queria dar o furo” – entre repórteres. A expressão “dar um furo” significa publicar uma informação antes dos concorrentes.
Os procuradores também recordam que, em abril de 2019, Bolsonaro, na tentativa de refutar que o Brasil seria lugar do que chamou de “turismo gay”, proferiu: “Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”. O MPF cita ainda quando, em 6 de julho, Bolsonaro referiu-se ao país como “uma virgem que todo tarado de fora quer”.
Além das declarações de Bolsonaro, os procuradores afirmam que, “o descaso do presidente” em relação às mulheres também são evidenciados que ações do governo vêm dificultando o cumprimento dos direitos femininos. A exemplo, eles citam a revogação de uma nota técnica do setor de Coordenação da Saúde da Mulher, vinculado ao Ministério da Saúde, em junho, assim como a exoneração dos servidores que a assinaram. O texto recomendava a continuidade de ações de assistência durante a pandemia, como o acesso a métodos contraceptivos e a realização de abortos em casos previstos na legislação. “No que depender de mim, não terá aborto”, afirmou o presidente ao justificar a decisão.
Em relação aos ministros, os procuradores citam quando, em setembro de 2019, o ministro da Economia, Paulo Guedes, endossou os ataques que seu chefe havia proferido contra a mulher do presidente francês Emmanuel Macron, Brigitte Macron, ao chamá-la de “feia”.
Também mencionam quando o chanceler Ernesto Araújo afirmou que críticas e denúncias referentes a abusos sexuais teriam fundo ideológico, em audiência na Câmara dos Deputados em agosto de 2019.
Além disso, citam declarações da ministra Damares Alves (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos). Em abril do ano passado, em evento na Câmara dos Deputados, ela buscou na religião a justificativa para seu entendimento de que os homens são superiores nas relações matrimoniais. “A mulher deve ser submissa. Dentro da doutrina cristã, sim. Dentro da doutrina cristã, lá dentro da Igreja, nós entendemos que um casamento entre homem e mulher, o homem é o líder do casamento”, afirmou.
Eis uma imagem divulgada pelo MPF com falas do presidente e de ministros:
Fonte: Poder 360
“Este padrão presente em tais pronunciamentos, assim como outras declarações veiculam estereótipos que reforçam abusivamente a discriminação e o preconceito, que estigmatizam as mulheres. Causam danos morais coletivos e danos sociais, pois atingem todas as mulheres, impactando negativamente o exercício da missão constitucional (que é indeclinável no agir dos dirigentes estatais) de modificar esse quadro de desigualdade social e de discriminação, através da promoção da cidadania e da dignidade humana”, argumentam os procuradores na ação.
Fim desta matéria
A Aliança pelo Brasil emperra na justiça e Bolsonaro poderá ficar sem representação nas eleições municipais desse ano
Novo partido que pretende abrigar o bolsonarismo está longe de se tornar legenda do presidente e seus apoiadores nos próximos pleitos.
São sete meses do início de uma nova sigla partidária, que vem sofrendo reveses, na justiça e fora dela e não consegue alçar voo do papel que a concebeu.
A Aliança pelo Brasil não consegue cumprir as metas legais para estar apta a disputar, nem mesmo as eleições de novembro desse ano e, no momento, há um atropelamento das ações, por conta do novo coronavírus. Até metade da primeira quinzena de julho (dia 9), somente 15.721 das 492 mil assinaturas de apoio exigidas tinham sido validadas pela Justiça Eleitoral, ou seja, 3,2% do mínimo necessário.
São 61% a mais a porcentagem de assinaturas rejeitadas, o que perfaz 25.384, guinchando vários motivos, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O cardápio extenso de entraves, por exemplo, são 44 nomes de pessoas que já morreram e mais 150 eleitores que não existem, segundo o Tribunal. Outro motivo crucial do entrave para regularização da Aliança pelo Brasil é o largo percentual de 71% das fichas barradas ou 18.112, cujo significado é a filiação de eleitores já inscritos em vários dos 32 partidos existentes, no Brasil, o que a lei não permite.
Mais problemas, além dos mortos e inexistentes, são 1.284 apoiadores descartados, porque segundo o TSE há duplicação, e 3.352 cidadãos que declararam estado divergente do que consta no cadastramento eleitoral. Mas há 98.873 assinaturas de apoio ao embrião de partido do presidente da república que estão em fase de tramitação anterior ao momento da verificação de sua validade. Ocorre que, se a proporção de descarte se mantiver, a sigla A Aliança pelo Brasil precisará recolher cerca de 800 mil e não somente 492 mil.
Correr contra o tempo é a missão dos bolsonaristas. A regulamentação eleitoral determina que a validação das assinaturas vence em dois anos, ou melhor, a futura legenda terá que reunir tudo o que precisa até o começo de dezembro de 2021, do contrário perderá tudo o que já angariou para formação do partido presidencial. O começo é o apoiamento dos 492 mil eleitores e o segundo passo é a fase judicial, em que o futuro partido será questionado (o que poderá impugná-lo ou não) por adversários políticos ao presidente e à nova sigla, se for o caso, o que demandará um trâmite não muito curto. E palavra final sempre cabe ao plenário do TSE, composto por sete ministros.
Lançada em novembro de 2019, a Aliança pelo Brasil teve em seu marco de içamento a presença do recém-eleito Jair Bolsonaro, logo que rompeu com o partido que o elegeu, o PSL, oitava sigla pela qual passou o presidente. Antes ele foi filiado pelos, PDC (1988-1990); PPR (1993-95); PPB (1995-2003); PTB (2003-2005); PFL (2005); PP (2005-2016); PSC (2016-2017), e novamente PSL (2018-2019). Em 2017 declarou que já havia pensado em se filiar ao Prona, também chegando a conversar sobre sua filiação ao PEN (Partido Ecológico Nacional), atual Patriota, mas nada se concretizou.
O presidente informal (já que a sigla ainda não existe por lei) é o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho mais velho de Bolsonaro, que traz como vice, o empresário Luís Felipe Belmonte. Quem trabalha para que A Aliança pelo Brasil saia do papel são os advogados Admar Gonzaga, ex-ministro do TSE e Karina Kufa, que esteve na campanha de Bolsonaro. Os preconizadores da sigla estabeleceram como meta inicial oficializar o partido a tempo de participar das eleições municipais deste ano. Eles tentaram cumprir todo o rito de validação das assinaturas e aprovação do pedido de registro até abril, data limite para participar do pleito. Como trunfo, contavam com a aprovação, pelo TSE, da permissão para obtenção das assinaturas de forma digital, não em formulários de papel. Mas, em dezembro, a corte decidiu aceitar o apoiamento digital, mas mediante regulamentação sem prazo para ocorrer e, ainda assim, por meio da certificação digital, procedimento pago e pouquíssimo usado no país, os bolsonaristas passaram ao plano B: erguer a Aliança a tempo da eleição de 2022.
Mas, o principal problema à Aliança até agora, é o fato de que houve um segundo revés judicial: o Supremo Tribunal Federal decidiu, em março, manter a proibição de que o apoio de cidadãos já filiados a outros partidos seja considerado válido para a criação de legendas.
O partido chegou a ingressar com uma petição no TSE pedindo para que a comunicação de desfiliação de simpatizantes da Aliança fosse aceita sem necessidade de comparecimento da pessoa à sede do partido que deseja abandonar, o que foi recusado.
A Aliança também pediu ao TSE que fizesse a checagem de eventual filiação pré-existente com base na data da assinatura de apoio, não na data efetiva da averiguação. Isso evitaria a recusa das fichas dos que se filiaram a outras legendas para disputar as eleições municipais. O tribunal também recusou esse pedido. No entanto, Belmonte e Kufa afirmam que eventuais erros e imprecisões são pequenos em relação ao tamanho do apoio obtido.
"Sabíamos de caso de três falecidos. Um deles já havíamos identificado como falecido após ter assinado o apoiamento. Não tenho conhecimento do que aconteceu com os outros casos", diz Belmonte. "Quanto a eleitores tidos como inexistentes, já tivemos algumas notícias de preenchimento errado do título de eleitor. Se isso ocorrer o cartório eleitoral, acertadamente, não irá validar. Isso é normal em casos de criação de partido, onde se busca cerca de 700 a 800 mil fichas de apoiamento.", completou.
Fim desta matéria
Bolsonaro vai onerar o caixa do governo em R$ 8 bilhões com aumento a militares
Por causa das dificuldades para o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600, aos autônomos e beneficiários de outros programas assistenciais, que o Ministério Público de Contas (MPC) quer suspensão do aumento dos “penduricalhos” à elite militar em função da crise econômica provocada pela Covid-19 e, também, pelas dificuldades de ao atendimento aos mais afetados pela pandemia.
Uma lei sancionada em maio proibiu reajustes ao funcionalismo, até 2021, mas o aumento dos adicionais às Forças Armadas foi aprovado antes e escapou do congelamento. Até 2024, a despesa com os encômios se aproximará de R$ 8 bilhões anualmente, diz o jornal O Estado de São Paulo.
Um dos motivos que, segundo Bolsonaro, justifica o aumento a militares de baixa patente, reservistas e pensionistas, é que estes se incomodaram com o reajuste salarial concedido pelo governo aos cargos mais altos das Forças Armadas, que recebem até R$ 50 mil mensais. Para evitar protestos, o presidente (sem partido) autorizou a abertura de negociações com a classe.
Líderes de associações da categoria se reuniram no Palácio do Planalto com o chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, cujo encontro, também, compareceram parlamentares e a alta cúpula dos ministérios da Defesa, da Economia e da Casa Civil.
Para o governo, de acordo com a publicação, "o encontro foi necessário para acalmar os ânimos dos praças, que ameaçaram protestar com panelaços na frente dos palácios presidenciais".
Interlocutores do grupo, os senadores Major Olímpio (PSL-SP) e Izalci Lucas (PSDB-DF) estimularam protestos afirmando que o Planalto “enrolava” e “tripudiava” sobre militares de baixa patente. Izalci chegou a ameaçar deixar a vice-liderança do governo no Congresso se os praças não fossem atendidos.
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