Boletim Epidemiológico das Arboviroses
Fonte: Ass. de Imprensa da P.M.Ubá
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"Vacina do crack" já é novidade promissora que poderá ajudar dependentes químicos
Chamada de Calixcola, a vacina em desenvolvimento pela UFMG terá plataforma que poderá ajudar no tratamento da dependência de outras drogas. (Imagem: iStock).
Uma vacina em desenvolvimento pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) promete tratar a dependência da cocaína e do crack. O medicamento, chamado de Calixcoca, está em estudos desde 2015 e já passou por testes pré-clínicos com ratos, nos quais foi observada a produção de anticorpos anticocaína no organismo dos animais. Agora, os pesquisadores buscam recursos para iniciar estudos em humanos.
Nos experimentos com ratos, os anticorpos produzidos pela Calixcoca impediram a cocaína de ultrapassar a barreira hematoencefálica, que é a proteção do sistema nervoso central. Isso significa que a droga não chegou ao cérebro dos animais. A Calixcoca é uma das finalistas do Prêmio Euro de Inovação em Saúde - América Latina, da farmacêutica Eurofarma, que concederá 500 mil euros para o destaque desta edição. Outros 11 premiados também receberão 50 mil euros para continuarem suas pesquisas.
"Acreditamos que, como nos modelos animais, em humanos esse efeito impeça a percepção dos efeitos da droga e, com isso, o paciente não reative o circuito cerebral que leva à compulsão pela droga", explica Frederico Garcia, pesquisador responsável pelo desenvolvimento da vacina e professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG.
De acordo com Garcia, há pelo menos mais duas outras instituições desenvolvendo vacinas similares para o tratamento da dependência química — a John Cristal e a Georg Koob, ambas nos Estados Unidos. Os imunizantes não tiveram a mesma eficácia nas pesquisas com humanos, que se mostraram eficazes apenas para 25% dos pacientes, e atualmente, os pesquisadores norte-americanos estão fazendo estudos com outra molécula.
Proteção de grávidas
O imunizante também mostrou eficácia na proteção de grávidas, reduzindo abortos espontâneos e protegendo os fetos da dependência adquirida pela mãe. Segundo Garcia, "os filhotes tinham os anticorpos anticocaína na corrente sanguínea passados pela placenta e pelo leite materno. Eles não nasceram com sinais de abstinência e eram menos sensíveis à cocaína quando comparados aos filhotes dos animais não vacinados".
A ideia para o desenvolvimento da vacina em si veio do sofrimento de mulheres grávidas dependentes de crack que chegavam ao ambulatório da universidade. "Elas sofrem muito com o conflito de tentar proteger seus bebês e a compulsão pela droga. À época, conversei com o professor Angelo de Fátima, do departamento de Química da UFMG, que conseguiu construir essa nova molécula que estamos desenvolvendo", complementa.
E é justamente aí que está uma das inovações da Calixcoca. "A nossa molécula inova por ser uma plataforma não proteica, ou seja, uma molécula sintética. Isso, além de facilitar e baratear a produção, permite que a cadeia logística seja mais simples por não demandar cadeia fria", afirma Garcia.
Desafio da saúde pública
Dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNOD) indicam que, atualmente, dos cerca de 275 milhões de usuários de crack e cocaína em todo o mundo, 36 milhões sofrem de transtornos associados ao uso das substâncias. Ainda segundo o órgão, as quantidades de cocaína ofertadas em todo o planeta atingiram níveis recordes em 2020, com a produção de cerca de 2 mil toneladas.
No Brasil, ainda segundo a ONU, a cocaína e o crack respondem por 11% de todos os tratamentos de dependência, a maior parcela entre as drogas ilegais. No país, a dependência em crack tem sido um dos maiores desafios da saúde pública, principalmente com a proliferação de "cracolândias" nos maiores centros urbanos, como São Paulo.
Para Garcia, da UFMG, um dos principais entraves no tratamento do vício da cocaína e de seus derivados é que não há nenhum medicamento específico para o problema. Na maior parte dos casos, são medicamentos utilizados para outras doenças, como antidepressivos, que tentam melhorar os sintomas de abstinência e a compulsão.
"O que mais prejudica a terapia é a primeira recaída após um tratamento de abstinência, que parece ativar o circuito de recompensas e fazer com que o paciente volte a ter compulsões pela droga", diz o pesquisador, que afirma que a Calixcoca evita a primeira ativação, dando um tempo maior aos dependentes para a reabilitação.
A plataforma utilizada pela vacina da UFMG também poderá ajudar no tratamento da dependência de outras drogas. "Já temos o projeto dessas vacinas para opioides e metanfetamina. Estamos na busca de recursos para podermos desenvolvê-las", acrescenta.
Exclusão social
De acordo com o psiquiatra Dartiu Silveira, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com experiência de mais de 30 anos no tratamento de pacientes com dependência em cocaína, outros fatores, como depressão, impulsividade e exclusão social, também compõem os quadros de vício na substância.
"Cada indivíduo possui uma história por trás do uso da droga. É crucial identificar esses fatores, incluindo os tipos de indivíduos e as razões que levaram ao uso e à dependência", enfatiza, acrescentando que as vacinas também podem ter eficácia na prevenção de overdoses. O psiquiatra lembra que a reintegração de dependentes e moradores de "cracolândias" à sociedade é um componente vital na reabilitação, citando o exemplo do programa Braços Abertos, implementado em São Paulo durante a gestão de Fernando Haddad.
"Houve pessoas em situação de rua que conseguiram moradia e emprego e interromperam imediatamente o uso de drogas. Precisamos também abordar esse fenômeno, visto que, muitas vezes, a exclusão social é a causa subjacente do uso de drogas", destaca Silveira, que supervisionou o projeto. Para Garcia, a vacina Calixcoca poderia ser um grande avanço. "Facilitaria muito o tratamento dos dependentes e ofereceria uma perspectiva de recuperação não apenas para eles, mas também para as famílias".
* Com informações da agência Deutsche Welle (DW).
Conheça os efeitos do expossoma que é o agente causador do envelhecimento da pele
Um dos fatores
do envelhecimento da pele, a radiação UV danifica as fibras de colágeno e
elastina, que são responsáveis pela sustentação e elasticidade da epiderme.
Expossoma. A palavra é estranha, mas o conceito é simples. Criado pelo epidemiologista molecular britânico, Christopher P. Wild, em 2005, o expossoma descreve a soma de fatores aos quais estamos expostos e que influenciam nossa saúde e principalmente o envelhecimento visível da pele.
Esses fatores do expossoma vão desde o ar poluído que respiramos, quantas horas dormimos por dia, e até que comemos no almoço. Nossas escolhas diárias, nosso estilo de vida afetam a saúde no geral. Estudos mostram que 20% das doenças crônicas têm causas genéticas, enquanto 80% são causadas pelo expossoma. Quando se trata da pele, podem aumentar os sinais de envelhecimento.
Por isso, não faz muito sentido gastar fortunas naquele produto de skincare que promete fim às rugas, se seu estilo de vida estiver trabalhando contra. A boa notícia é que, embora não possamos escolher nossa genética, podemos modificar nosso estilo de vida. Ganhando saúde e, que bom, pele boa.
Mas como o expossoma atua no
envelhecimento da pele?
O expossoma abrange todas as influências
ambientais e internas às quais estamos expostos desde o momento em que nascemos
até o final de nossas vidas. Essas exposições podem resultar em danos
celulares, inflamação crônica e estresse oxidativo, que contribuem para o envelhecimento
precoce da pele.
A exposição crônica à radiação ultravioleta (UV) é uma das principais causas de envelhecimento da pele relacionado ao expossoma.
A radiação UV danifica as fibras de colágeno e elastina, que são responsáveis pela sustentação e elasticidade da pele (levando às rugas, manchas e flacidez, além de aumentar o risco de câncer de pele).
Outro fator importante do expossoma é a poluição atmosférica, segundo a dermatologista Mariana Muniz. A exposição diária a poluentes do ar, como partículas finas e compostos químicos, pode causar danos à pele, resultando em inflamação, manchas escuras e acelerando o processo de envelhecimento.
Como combater os efeitos do expossoma
Proteção solar adequada: use protetor solar com FPS adequado diariamente, mesmo em dias nublados. Além disso, procure abrigar-se do sol nos horários de pico (entre 10h e 16h) e use chapéus e roupas protetoras.
"Se você está dentro de uma sala e que tem claridade, está entrando radiação na sua sala. O UVA que é raio que envelhece, está ali atravessa o vidro. Precisa passar protetor mesmo em casa", diz a dermatologista.
Hidratação: mantenha a pele hidratada usando produtos adequados para o seu tipo de pele. Beber água regularmente também é essencial para manter a pele saudável.
Limpeza e cuidado da pele: limpe a pele suavemente e use produtos de cuidados específicos para as necessidades da sua pele. "O ideal é procurar um sabonete suave, próprio para a pele do rosto, e nada de ficar esfregando muito na hora de lavar", recomenda a dermato. "A barreira de proteção da pele, ainda mais na menopausa, diminuiu muito."
Alimentação saudável: vitaminas e minerais ajudam a nos proteger contra danos oxidativos causados pelos radicais livres e podem ajudar a retardar o aparecimento do envelhecimento da pele. Abastecer-se de superalimentos para a pele, como frutas e legumes da estação, e reduzir o consumo de açúcares refinados.
Consuma uma dieta equilibrada rica em frutas, vegetais, alimentos antioxidantes e ácidos graxos ômega-3, que contribuem para a saúde e beleza da pele.
Parar de fumar é o ideal: o tabagismo é extremamente prejudicial para a pele, acelerando o envelhecimento e causando rugas e manchas. Evite fumar e evite ambientes com fumantes.
Reduza o estresse: o cortisol é o hormônio produzido em resposta ao estresse. E níveis elevados de cortisol podem suprimir o sistema imunológico, aumentar o estresse oxidativo e prejudicar a função de barreira da pele. Pratique técnicas de gerenciamento do estresse, como meditação, exercícios físicos e hobbies relaxantes.
Durma bem: a falta de sono pode enfraquecer a barreira protetora da pele e prejudicar sua resposta a outros fatores do exposoma externo. Uma boa noite de sono é essencial para a regeneração da pele. Tente dormir de 7 a 8 horas todas as noites e crie uma rotina de sono saudável.
À noite, sua pele muda do modo de proteção para o modo de reparo, para se recuperar dos estresses do dia. A produção de melatonina e do hormônio do crescimento humano é aumentada, o que acelera a regeneração da pele e a produção de enzimas antioxidantes.
O perigo de requentar alimentos
Dependendo da maneira de preparo e armazenamento, os alimentos podem se tornar mais suscetíveis à proliferação de micro-organismos causadores de intoxicação alimentar.
Sabia que não é indicado requentar arroz e outros
alimentos? Nem sempre é fácil consumir alimentos frescos e preparados na hora.
Muitas vezes, a opção é cozinhar em quantidades maiores para facilitar o dia a
dia e comer as porções ao longo da semana. Mas será que requentar as sobras de
comida pode oferecer riscos à saúde? Sim, pode. Veja o porquê:
"O principal
problema é a forma como o alimento foi acondicionado até ser requentado",
explica Gisele Pontaroli Raymundo, nutricionista e professora de nutrição da
PUC-PR.
Dependendo da
maneira de preparo e armazenamento, os alimentos podem se tornar mais
suscetíveis à proliferação de micro-organismos causadores de intoxicação
alimentar. Este problema é bastante comum e provoca diversos sintomas
desagradáveis, como diarreia, cólicas, gases e vômitos. Em casos extremos, pode
até matar.
"De forma
geral, os alimentos não podem ficar sem refrigeração adequada. Outro ponto é a
diminuição do valor nutricional, que se perde quando o alimento é aquecido por
muitas vezes", diz Raymundo.
Alimentos que não devem ser requentados
Os especialistas
não recomendam requentar alimentos que não tiveram cozimento por inteiro e
perderam suas características originais, já que isso ocasiona riscos no seu
consumo.
Veja abaixo alimentos que não devem ser requentados.
Arroz: a situação fica mais perigosa quando
ele não é cozido integralmente e alguns grãos permanecem crus. Isso, associado
a uma temperatura morna, aumenta o risco de contaminação por uma bactéria
conhecida como Bacillus cereus, que possui rápida proliferação. "Essa
bactéria é eliminada em altas temperaturas, porém libera uma toxina no
alimento, ocasionando intoxicação, com quadro de diarreia, vômitos, dor de
cabeça, febre, entre outros", diz Ana Sandra Viana Zimichut, nutricionista
na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
Ovos: o consumo deve ser imediato após o
preparo. Se armazenado ou preparado de forma inadequada, há risco de
proliferação bacteriana.
Carnes, frutos do mar: são itens
propensos à contaminação bacteriana e devem ser consumidos logo após o preparo.
Espinafre cozido e beterraba: possuem altos
níveis de nitratos, que, ao serem requentados, transformam-se em nitritos.
Estes compostos fazem mal à saúde, além de terem relação com o risco de câncer
em longo prazo.
Preparações com tomate, cebola e pimentões: esses alimentos
são fermentativos e podem azedar durante o armazenamento ou ao requentar as
preparações.
Alimentos ricos em proteínas: é o caso do
feijão, lentilha e castanhas. Como são alimentos ricos em proteínas, gorduras,
vitaminas e minerais, e têm alta umidade, são mais perecíveis.
Molhos à base de leite e massas: esses itens
também favorecem a proliferação de micro-organismos pela variação de
temperatura e maior risco de contaminação cruzada com outros alimentos. Tanto o
leite quanto as proteínas de origem animal são mais perecíveis pela sua
umidade, que favorece a proliferação de micro-organismos. Além disso, esses
produtos são mais expostos, desde a coleta, produção, transporte, armazenamento
até a chegada na casa das pessoas. Isso pode afetar os métodos de conservação,
pasteurização e resfriamento feitos para a comercialização de leites e
derivados.
Aquecer na panela ou micro-ondas?
Apesar de ser
mais prático, o micro-ondas não aquece a comida de forma homogênea. Isso pode
favorecer o acúmulo de micro-organismos que causam intoxicação. Além disso, o
sabor e a textura da comida, geralmente, ficam menos agradáveis quando
comparamos com o aquecimento no fogão.
Se optar por aquecer nele (o micro-ondas), use utensílios (pote/pratos) de vidro, evitando assim a transferência de componentes químicos que estão presentes em alguns plásticos quando submetidos a altas temperaturas.
"Refratários
de plástico no micro-ondas liberam também contaminantes que são altamente
nocivos à saúde, como bisfenol A, que é um material poroso que acumula
bactérias. As panelas podem ser fontes de metais pesados. As mais indicadas são
de cerâmica, vidro e aço cirúrgico", destaca Jamille Carvalho Tahim,
nutricionista, mestre em nutrição e saúde pela Universidade Estadual do Ceará.
E sempre que possível, mexa o alimento para que o
aquecimento seja por igual.
Como minimizar os riscos?
Se o alimento foi produzido, servido e, em seguida, armazenado em refrigeração adequada (geladeira), é possível preservar sua qualidade; é importante atentar - se para a higiene dos utensílios utilizados, assim como da cozinha e de quem preparou as refeições.
O alimento não deve ficar sem refrigeração por mais de 2 horas, para evitar a proliferação de bactérias; evite requentar o mesmo alimento várias vezes. Vale destacar que cada vez que um alimento é submetido ao aquecimento, ele vai perdendo valor nutricional e aumentando o risco de contaminação.
Descarte qualquer sobra de alimentos que tenha um odor forte ou cor estranha, para diminuir o risco de consumir algo estragado; evite colocar comida quente direto no refrigerador e abrir com frequência a geladeira. Isso favorece a oscilação de temperatura, agravando o risco de contaminação dos alimentos; se for congelar as sobras, antes de colocá-las na geladeira, aguarde o resfriamento para evitar o surgimento de bactérias.
As sobras dos alimentos devem ser consumidas em, no máximo, até quatro dias. Acima desse período já é considerado impróprio para o consumo. Nunca se esqueça de checar a data de validade dos alimentos antes de (comprá-los/e) prepará-los.
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Imagem: Telavita
"Não é novidade que o estresse impacta a cognição de forma aguda e crônica, sendo considerado um dos fatores de risco modificáveis para Alzheimer".De acordo com um artigo americano recém-publicado no Jama (Journal of the American Medical Association), adultos que vivem sob maior tensão têm mais chances de experimentar declínio mental e perda de memória na velhice.
Esse novo estudo
se destaca por ser um dos poucos a avaliar um número considerável de pacientes,
uma vez que os autores acompanharam quase 25 mil voluntários com mais de 45
anos ao longo de quatro anos.
O que acontece no seu corpo quando você vive
estressado
Os pacientes
passaram por avaliações sobre a percepção do próprio estresse e capacidades
cognitivas. No final, aqueles que tinham maior pontuação nos níveis de tensão
desempenhavam pior resultado nos testes de memória. Isso ocorreu mesmo após
levar em conta variáveis como nível socioeconômico e outros problemas de saúde,
como males cardiovasculares.
"Não é novidade que o estresse impacta a
cognição de forma aguda e crônica, sendo considerado um dos fatores de risco
modificáveis para Alzheimer", diz a neurocientista Claudia Figueiredo,
da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Ele está associado com modificações hormonais e inflamatórias que podem afetar o cérebro, além de problemas de sono e queda no sistema imunológico. O esgotamento também favorece comportamentos pouco saudáveis, como tabagismo e sedentarismo.
Para os autores, o resultado sugere a necessidade de rastrear o problema e planejar intervenções para reduzir o risco de perda cognitiva em adultos mais velhos. Além disso, reforça a hipótese de que a alta prevalência de demência em grupos minoritários raciais e étnicos pode ser atribuída, em parte, aos maiores níveis de estresse enfrentados por essa população, entre eles baixo status socioeconômico e discriminação.
Fatores de risco modificáveis
Segundo os
autores do estudo, estima-se que uma redução entre 10% e 25% em fatores de
risco modificáveis, como estresse, má alimentação e baixa atividade física,
poderia prevenir 1,3 milhões de casos de Alzheimer no mundo todo.
Ainda assim, são
necessários mais estudos para entender como aspectos sociais e comportamentais
associados ao estresse afetam diferentes grupos para planejar intervenções
capazes de prevenir o declínio cognitivo.
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"Acreditamos que, como nos modelos animais, em humanos esse efeito impeça a percepção dos efeitos da droga e, com isso, o paciente não reative o circuito cerebral que leva à compulsão pela droga".
Produzido por pesquisadores da UFMG, imunizante
impede que a droga chegue ao cérebro dos pacientes e protege fetos de
dependentes grávidas, apontam testes pré-clínicos.
Uma vacina em desenvolvimento pela UFMG
(Universidade Federal de Minas Gerais) promete tratar a dependência da cocaína
e de seus derivados, como o crack.
Em estudos desde 2015, o medicamento, chamado de
Calixcoca, já passou por testes pré-clínicos com ratos, nos quais foi observada
a produção de anticorpos anticocaína no organismo dos animais. Agora, os
pesquisadores estão em busca de recursos para iniciar estudos em humanos.
stes com ratos, os anticorpos produzidos pela
Calixcoca impediram, por meio de uma molécula sintética, que a cocaína
ultrapasse a barreira hematoencefálica dos pacientes, ou seja, que seja levada
pelo sangue para o sistema nervoso central, chegando ao cérebro.
"Acreditamos que, como nos modelos animais, em humanos esse efeito impeça a percepção dos efeitos da droga e, com isso, o paciente não reative o circuito cerebral que leva à compulsão pela droga", disse Frederico Garcia, pesquisador responsável pelo desenvolvimento da vacina anticocaína e professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG.
A
Calixcoca é uma das finalistas do Prêmio Euro de Inovação em Saúde - América
Latina, da farmacêutica Eurofarma, que vai conceder 500 mil euros para o grande
destaque desta edição. Outros 11 premiados também vão receber 50 mil euros para
darem seguimento às suas pesquisas.
Dependentes grávidas motivaram pesquisa
Segundo Garcia, o imunizante também mostrou
eficácia na proteção de grávidas, reduzindo os abortos espontâneos, gerando o
ganho de peso nos fetos, além de protegê-los da dependência adquirida pela mãe.
"Os
filhotes tinham os anticorpos anticocaína na corrente sanguínea passados pela
placenta e pelo leite materno. Eles não nasceram com sinais de abstinência e
eram menos sensíveis à cocaína quando comparados aos filhotes dos animais não
vacinados", explica o professor.
Molécula inovadora
De acordo com Garcia, há pelo menos mais duas
outras instituições desenvolvendo vacinas similares para o tratamento da
dependência química — a John Cristal e a Georg Koob, ambas nos Estados Unidos.
Os imunizantes, porém, não tiveram a mesma eficácia
nas pesquisas com humanos, que se mostraram eficazes apenas para 25% dos
pacientes, e atualmente, os pesquisadores americanos estão fazendo estudos com
outra molécula.
E é justamente aí que está uma das inovações da
Calixcoca. "A nossa molécula inova
por ser uma plataforma não proteica, ou seja, uma molécula sintética. Isso,
além de facilitar e baratear a produção, permite que a cadeia logística seja
mais simples por não demandar cadeia fria", afirma Garcia, que diz que
já foi contatado por pesquisadores de outros países em busca de parcerias.
A plataforma utilizada pela vacina da UFMG também
poderá ajudar no tratamento da dependência de outras drogas. "Já temos o projeto dessas vacinas para
opioides e metanfetamina. Estamos na busca de recursos para podermos
desenvolvê-las", acrescenta.
Tratamento pioneiro
Dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas
e Crime (UNOD) indicam que, atualmente, dos cerca de 275 milhões de usuários de
crack e cocaína em todo mundo, 36 milhões sofrem de transtornos associados ao
uso das substâncias. Ainda segundo o órgão, as quantidades de cocaína ofertadas
em todo planeta atingiram níveis recordes em 2020, com a produção de cerca de 2
mil toneladas.
No Brasil, ainda segundo a ONU, a cocaína e o crack
respondem por 11% de todos os tratamentos de dependência, a maior parcela entre
as drogas ilegais. No país, a dependência em crack tem sido um dos maiores
desafios da saúde pública, principalmente com a proliferação de
"cracolândias" nos maiores centros urbanos, como São Paulo.
Para Garcia, da UFMG, um dos principais problemas
no tratamento do vício da cocaína e de seus derivados é que não há nenhum
medicamento específico para o problema. Na maior parte dos casos, são
medicamentos utilizados para outras doenças, como antidepressivos, que tentam
melhorar os sintomas de abstinência e a compulsão.
"O que
mais prejudica o tratamento é a primeira recaída após um tratamento de
abstinência, que parece ativar o circuito de recompensas e fazer com que o
paciente volte a ter compulsões pela droga", diz o pesquisador, que
afirma que a Calixcoca evita a primeira ativação, dando um tempo maior aos
dependentes para a reabilitação.
Problema social
De acordo com o psiquiatra Dartiu Silveira,
professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com experiência de
mais de 30 anos no tratamento de pacientes com dependência em cocaína, outros
fatores, como depressão, impulsividade e exclusão social,
também compõem os quadros de vício na substância.
"Cada
um vai ter sua história por trás da droga. É também importante identificar
isso, inclusive os tipos de indivíduos e por que fazem o uso e passam para a
dependência", afirma, apontando que vacinas podem ter eficácia também
na prevenção de possíveis overdoses.
O psiquiatra lembra que a reintegração de
dependentes e moradores das "cracolândias" à sociedade também são
componentes importantes na reabilitação, citando como exemplo o programa Braços
Abertos, que vigorou em São Paulo durante a gestão do ex-prefeito Fernando
Haddad (PT).
"Tinha
pessoas em situação de rua que conseguiram um lugar para morar e um emprego e
pararam imediatamente de usar drogas. Temos também que olhar para esse
fenômeno, pois, muitas vezes, a causa do uso da droga também é a exclusão
social", diz Silveira, que foi um dos supervisores do projeto.
Para Garcia, a vacina Calixcoca poderia aliviar o
problema. "Ela facilitaria muito o
tratamento dessas pessoas com dependência e daria uma perspectiva para a
recuperação delas e das famílias atingidas por essa grave doença",
conclui.
Internação por câncer de intestino cresce 64% em uma década no Brasil
Foram 657.183 hospitalizações só no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento dessa doença entre 2012 e 2021.
O número
de internações por câncer de intestino (colorretal) aumentou 64% nos últimos
10 anos, um resultado que preocupa especialistas de diferentes áreas. Todos
apontam as mesmas causas para esse crescimento tão significativo: alimentação e
estilo de vida.
Com isso,
os tumores de cólon já constituem o segundo tipo mais prevalente da enfermidade
entre homens e mulheres, atrás apenas de próstata e mama, respectivamente. O
levantamento inédito foi realizado pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva
(Sobed); Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e Federação Brasileira
de Gastroenterologia (FBG).
Médicos
explicam que o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e a redução do
consumo de fibras, somados a sedentarismo, tabagismo e alcoolismo, são as principais causas do
crescimento dos cânceres intestinais.
"O câncer colorretal sempre foi
prevalente, mas os números vêm aumentando, e ele já é o segundo mais comum
tanto para homens quanto para mulheres", explicou o cirurgião Marcelo
Averbach, do Hospital Sírio-Libanês, coordenador nacional da campanha para prevenção do câncer de intestino.
"O aumento do número de casos é decorrente,
basicamente, de condições ambientais, sobretudo da dieta, rica em alimentos
ultraprocessados e embutidos, baixa ingestão de fibras e de líquidos. Além
disso, há outras questões comportamentais, como sedentarismo, tabagismo e
alcoolismo."
Segundo o
trabalho, os registros de internação trazem números alarmantes: foram 657.183
hospitalizações só no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento dessa
doença entre 2012 e 2021, com impactos imensuráveis para milhares de famílias
brasileiras. Neste mesmo período, foi observado um crescimento de 64% das
internações.
Já os
dados de mortalidade decorrentes desse tipo de neoplasia indicam que, somente
em 2021, foram registrados 19.924 óbitos por câncer do cólon, da junção
retossigmoide e do reto, alta de 40% em relação a 2012.
Alimentação
"A associação entre estilo de vida e câncer
colorretal vem sendo demonstrada em vários estudos científicos",
afirmou a professora do Instituto de Nutrição Josué de Castro, da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Wilza Peres. "Isso envolve a má qualidade da alimentação e também o consumo de
álcool, o tabagismo e o sedentarismo. A qualidade da alimentação vem piorando
muito nos últimos anos, não só no Brasil mas em todos os países ocidentais."
De fato,
a última Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o brasileiro come, por exemplo, cada
vez menos feijão com arroz, prato considerado excelente por nutricionistas, por
reunir proteínas, carboidratos e fibras.
Entre a pesquisa realizada em 2002/2003 e a última, de 2017/2018, a média per capita anual de consumo de feijão caiu de 12,4 quilos para 5,9 quilos - uma redução de 52%. Por outro lado, alimentos preparados e misturas industriais registraram alta de 56%, e as bebidas alcoólicas, de 19%.
A
proporção de pessoas com obesidade na população com 20 anos ou mais
de idade mais que dobrou no país entre 2003 e 2019, passando de 12,2% para
26,8%, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do IBGE, de 2020.
Brasil vive epidemia de drogas Z usadas para insônia mas cai na dependência e sonambulismo
Mundo multicolorido e perigoso. Conhecidos como drogas Z, em razão dos nomes que as substâncias receberam: zolpidem, zopiclona (ou eszopiclona) e zaleplona.
País bate recorde de vendas de medicamentos hipnóticos. Isso em razão da facilidade de acesso e resistência de usuários à mudança de hábitos.
Episódio
real. Um vídeo postado numa rede social no final de dezembro (2022) fez soar um
alerta entre os amigos do estudante (cujo nome é preservado no anonimato). Ele
fez um inusitado passeio na chuva, pela orla do Rio de Janeiro, narrado com uma
voz estranhamente embargada.
"Eu tomei um zolpidem de tarde porque estava
muito ansioso e queria dormir, mas fiquei mexendo no celular, e essa é a última
lembrança que eu tenho daquele dia", conta o estudante de
administração de 22 anos, que foi resgatado por um amigo e levado para casa.
Culpa de quem? Também do Zolpidem.
Zolpidem é o nome de um dos medicamentos
hipnóticos indicados para insônia cujas vendas explodiram no Brasil nos últimos
anos. Segundo a Anvisa, entre 2019 e 2021, elas cresceram 73% para a versão de
5mg, a mesmo que o estudante da verídica história tomou.
Esses
remédios são conhecidos como drogas Z, em razão dos nomes que as
substâncias receberam: zolpidem, zopiclona (ou eszopiclona) e
zaleplona. Ingeridos durante qualquer atividade, promovem estados
dissociados, como confusão e sonambulismo, o que coloca a pessoa em risco. E
geram dependência quando usados durante longos períodos.
As redes sociais estão
repletas de relatos de pessoas que, sob o efeito de zolpidem, fizeram compras extravagantes para muito além de seus
recursos, deram declarações desconexas ou embaraçosas e agiram de maneira
confusa ou mesmo violenta.
"As parassonias, comportamentos não
desejáveis durante o sono, são um efeito colateral importante do uso de drogas
Z", explica a médica neurofisiologista Letícia Azevedo Soster,
especialista em medicina do sono e coordenadora da pós-graduação em sono do
Hospital Israelita Albert Einstein. "Tem
histórias de pessoas que se machucaram, que compraram coisas e que agrediram
outras pessoas, com implicações forenses. É bastante perigoso",
alerta.
Diversas
celebridades já culparam o zolpidem
por comportamentos inoportunos. Em 2018, a atriz Roseanne Barr teve seu
programa na TV americana cancelado depois de um tuíte racista que, afirmou ela,
foi redigido sob o efeito do medicamento. O laboratório Sanofi, fabricante do
remédio que Barr afirmava ter tomado, emitiu uma nota dizendo que "racismo não era um efeito colateral"
de seu produto.
Tuítes
bizarros de Elon Musk também foram creditados pelo bilionário como obra do zolpidem. Em 2017, o golfista Tiger
Woods foi preso e processado após ser encontrado, desacordado, dentro de seu
carro numa estrada, num efeito que atribuiu ao medicamento.
E, ainda
em 2010, o ator Charlie Sheen culpou o remédio pela quebradeira que promoveu no
quarto de um hotel em Nova York. "É
a aspirina do demônio", disse, um ano depois, numa entrevista.
As drogas
Z emergiram há cerca de 20 anos com a promessa de combater a insônia e
promover um sono rápido e com poucos efeitos colaterais em comparação aos
medicamentos até então disponíveis. "Os
pacientes relatam que são drogas que fazem a pessoa fechar os olhos e dormir,
como se fosse um botão de desligar", conta Soster. "A indústria vendeu essas drogas como se
elas não promovessem o efeito-ressaca de outras medicações nem tivessem efeitos
colaterais. Não é verdade", alerta.
A médica
aponta para riscos e problemas relacionados ao uso prolongado ou excessivo
dessas substâncias. "As pessoas
estão usando cada vez maiores quantidades de drogas Z porque, com o tempo, se tornam refratárias a elas. Já
recebi um paciente que estava tomando 40 comprimidos por noite de zolpidem para conseguir dormir."
Foi o
caso de Antony, 19 anos, (nome fictício), que começou a tomar zolpidem
aos 15, após o diagnóstico de ansiedade e depressão associado à dificuldade
para dormir. Chegou a tomar 30 comprimidos por semana e admite ter usado o
medicamento não só para dormir, mas para ter alucinações durante o período de
vigília.
"A cada semana, eu usava mais e mais. Passei
a confundir o que era sonho com o que era realidade, vivia em atrito com a
minha família, foi destruidor", diz. Para conseguir medicação
suficiente, o hoje estudante de arquitetura conta que falsificava cópias das
receitas e mentia para psiquiatras.
Soster
explica que, no processo de difusão de drogas Z no Brasil, dois fatores são
complicadores. "Primeiro, o fato de
o brasileiro ser um povo que tende a ser ansioso, o que potencializa a
ocorrência de problemas com o sono", aponta.
Segundo um estudo realizado por cientistas da
USP e da Unifesp e publicado na revista Sleep Epidemiology, 65% dos
brasileiros relatam ter algum problema relacionado ao sono. "O segundo é o fato de o Brasil ter um
sistema híbrido de saúde, meio público e meio privado. Então, o paciente vai
num sistema, recebe indicação do remédio, vai em outro, recebe também",
conta. "E como os sistemas não
estão interligados, ninguém percebe essa duplicidade, que tem acontecido muito
com as drogas Z, que são remédios
controlados. Isso sem falar no mercado clandestino."
A médica
explica que os problemas de sono ganharam maior amplitude durante a pandemia da
Covid-19, quando o gasto energético do cotidiano ficou reduzido com o
distanciamento social e o aumento do uso de telas incrementou os estímulos do
cérebro que nos mantêm acordados.
"Isso fez a preocupação relacionada ao sono
aumentar, e essa é a base da insônia crônica. A preocupação se torna maior do
que o problema em si, ativando o mecanismo de alerta e gerando o desejo de
controle do sono", explica. "As
pessoas querem deitar e dormir imediatamente sem assumir as responsabilidades
pelos seus próprios processos físicos necessários para isso", explica Letícia
Azevedo Soster.
Regular o
horário de dormir e de se levantar, fazer exercícios físicos regulares,
expor-se à luminosidade durante o dia, reduzir o tempo de tela de noite e
cessá-lo horas antes de ir para a cama são algumas dessas responsabilidades a
que Soster se refere.
"É como numa dieta: a pessoa quer emagrecer,
mas não quer cortar gorduras nem carboidratos. E, então, toma um remédio para
isso". O desejo de um controle absoluto sobre o sono com o mínimo
esforço, diz ela, também está por trás da epidemia de drogas Z. "Não tem absurdo maior do que tomar uma
droga para dormir e outra para acordar. É isso o que está acontecendo hoje em
dia".
ZOLPIDEM: Veja quais são os
riscos e efeitos do alucinógeno que tem se popularizado entre os jovens e pode
levar à morte.
O uso
indiscriminado da medicação alucinógena Zolpidem pode aumentar os riscos de
exposição a situações de perigo e causa danos graves à saúde. É uma medicação
utilizada no tratamento da insônia, mas que tem se popularizado entre os jovens
devido aos efeitos alucinógenos causados pela sua ingestão.
A busca
pelo uso recreativo de zolpidem, no entanto, tem despertado
o alerta das autoridades médicas, visto que o uso indiscriminado da medicação
pode causar danos graves à saúde. O Dr. Fabiano de Abreu Rodrigues, que é Pós
PhD em neurociências e biólogo, explica quais são os riscos e efeitos do
zolpidem, quando usado de maneira irregular. Confira.
O que é Zolpidem?
Antes de
tudo, o Zolpidem é um medicamento aprovado pela Anvisa e que pode ser
comercializado desde que seja apresentada a prescrição médica. Com propriedades
hipnóticas, ele atua diretamente no cérebro, levando o indivíduo ao sono com
maior facilidade.
Adosagem
e período de ingestão do Zolpidem devem ser controlados por um
médico, visto que o uso descontrolado - e junto com outras substâncias - pode
causar danos à saúde. “Os efeitos
adversos mais frequentes associados ao zolpidem
são náusea, dor de cabeça, tontura, sonolência, alucinação e perda de memória
de curto prazo [...] Além disso, este medicamento pode causar visão dupla ou
outros problemas de visão, ou lesões graves”, explica Rodrigues.
Efeitos do Zolpidem
Assim
como as drogas que também causam alucinações, o zolpidem também pode
desencadear efeitos colaterais que só poderão ser manifestados em longo prazo,
alguns até mais graves, como o câncer e a morte.
“Os efeitos colaterais em longo prazo do zolpidem podem incluir comportamentos
anormais relacionados ao sono, lesões relacionadas a acidentes ou quedas,
câncer, risco de overdose, risco de transtorno por uso de substâncias (SUD) e
morte", pontua.
Os riscos do uso de Zolpidem
A
popularidade do zolpidem tem crescido entre os jovens, que buscam
entretenimento através dos efeitos alucinógenos da medicação munida do uso de
outras substâncias, como o álcool. A mistura de outras substâncias, junto ao zolpidem,
além de favorecer a exposição das pessoas a situações de risco iminente, pode
causar disfunções hormonais, que podem, inclusive, levar à morte.
“Quando tomamos medicamentos sem
necessidade, causamos uma perigosa disfunção podendo desorganizar essa produção
acarretando doenças e/ou riscos de morte seja em curto ou longo prazo",
comentou Fabiano.
Mais de 14 mil
intoxicados por agrotóxicos no Brasil produziram quase 500 mortes durante o
governo Bolsonaro
Durante o governo de Jair Bolsonaro(PL), 14.549 pessoas foram intoxicadas por agrotóxicos no Brasil. Levantamento inédito feito pela Agência Pública e Repórter Brasil, com dados de 2019 a março de 2022 do sistema de notificações do Ministério da Saúde, mostra que essas intoxicações levaram a 439 mortes — o que equivale a um óbito a cada três dias.
O Brasil bateu o recorde de aprovações de pesticidas, com mais de 1.800 novos registros, metade deles já proibidos na Europa. O governo de Bolsonaro também foi marcado pelo avanço na tramitação do Projeto de Lei 1459/2022, apelidado de “Pacote do Veneno”, que pode facilitar ainda mais a aprovação dessas substâncias.
Segundo o levantamento, homens
negros são as principais vítimas de agrotóxicos. As circunstâncias que mais
levaram às intoxicações foram tentativas de suicídio, com cerca de 5 mil casos,
seguidas por acidentes, uso habitual dos pesticidas e contaminações ambientais,
por exemplo, quando o químico é dispersado pelo ar. As intoxicações aconteceram
principalmente nas lavouras de soja, fumo e milho.
Os dados também mostram que os
estados da região Sul concentraram a maioria das notificações, considerando o
número de habitantes. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul registraram
4,2 mil intoxicações. Nove entre os dez municípios com mais casos em relação à
população estão na região.
Estados do Sul concentram mais
intoxicações por número de habitantes
Os municípios com mais
intoxicações notificadas considerando o tamanho da população estão na região
Sul. Em Santa Catarina, o município de Rio do Campo registrou 61 casos para uma
população de apenas 5,8 mil habitantes.
Na análise do engenheiro-agrônomo
e integrante da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e da Campanha
Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida, Leonardo Melgarejo, os números
altos da região podem indicar que os serviços de saúde estão fazendo um melhor
trabalho de identificação destes casos do que em outros estados. “Acredito que
o dado não seja porque aqui no Sul os agricultores sejam mais descuidados, mas
sim ao fato de que profissionais da saúde têm mais zelo com relação aos casos
de intoxicações”, diz.
Já em números absolutos, o
município que mais registrou intoxicações por agrotóxicos foi Recife, com 938
notificações no período. A pesquisadora da Fiocruz Pernambuco e
vice-coordenadora do GT de Agrotóxicos da instituição, Aline Gurgel, reforça
que o número maior de registros de casos em um território não significa
necessariamente uma maior ocorrência de casos. Ela cita a criação do programa
de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos (VSPEA), que
instituiu ações como o cadastro na atenção primária dos aplicadores de
agrotóxicos e a vigilância participativa dos trabalhadores expostos a
agrotóxicos.
Homens
negros: o perfil da vítima dos agrotóxicos
Além das diferenças regionais, os
dados obtidos pela Agência Pública e Repórter Brasil revelam que homens negros
foram o perfil mais comum entre os intoxicados.
Para o médico e professor
aposentado que coordenou o Observatório do Uso de Agrotóxicos e Consequências
para a Saúde Humana e Ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPR),
Guilherme Cavalcanti de Albuquerque, a intoxicação recorde desse recorte da
população pode estar relacionada ao racismo estrutural, que faz com que homens
negros executem trabalhos mais precarizados, como o de aplicador de
agrotóxicos. “A população negra é uma população a quem foi negado por séculos o
acesso à educação e, mesmo quando há educação qualificada, o racismo estrutural
impõe maior dificuldade para acesso a trabalhos menos agressivos. Resta mais
aos negros esse tipo de trabalho prejudicial à saúde”, afirma.
Na mesma linha, Gurgel lembra que
a baixa escolaridade dificulta a compreensão das instruções e dos riscos e
perigos associados à exposição aos agrotóxicos. “Mais grave ainda é que as
recentes modificações nas normativas brasileiras vulnerabiliza ainda mais a
população, porque retiraram informações de alerta dos rótulos e bulas de
agrotóxicos, assim como o pictograma da caveira com duas tíbias cruzadas, de
vários agrotóxicos comercializados no Brasil. Para trabalhadores com baixa
escolaridade, essa mudança na comunicação de risco pode levar a um maior número
de casos de intoxicação, pois dificulta a identificação do perigo”, comenta a
pesquisadora, se referindo às mudanças no critério de classificação e nas
embalagens de agrotóxicos feita pela Anvisa em 2019.
Lavouras de soja, fumo e milho são
campeãs em intoxicações
Os casos de intoxicação
registrados entre 2019 e 2022 aconteceram principalmente em lavouras de soja,
fumo e milho. A soja correspondeu a 802 registros e o milho, 523. Os números
altos nesse tipo de lavoura, de acordo com os pesquisadores, podem estar
relacionados ao tamanho das plantações desses cultivos, onde os pesticidas
costumam ser pulverizados em larga escala, normalmente por aviões, o que
aumenta as chances do agrotóxico se espalhar para fora da plantação.
A pesquisadora da USP Larissa
Bombardi indicou que as plantações de soja, milho, cana-de-açúcar e algodão são
o destino de 79% das vendas de agrotóxicos no Brasil. O Atlas Geografia do uso
de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia, publicado em 2017,
mostra que 52% do veneno vai para plantações de soja e 10% para o milho.
Já os produtos usados em
plantações de fumo registraram 734 intoxicações nos dados do Ministério da
Saúde. O professor Albuquerque aponta que, apesar de não estar entre as
principais lavouras em extensão no país, o cultivo de fumo é um dos que mais
usa agrotóxicos. “Além disso, o cultivo exige contato muito próximo do trabalhador
com o fumo contaminado pelo agrotóxico. Isso faz com que a incidência de
intoxicação nesse plantio seja proporcionalmente maior”, comenta, lembrando que
a aplicação de agrotóxicos nas lavouras de fumo muitas vezes é feita via
costal.
Mais de cinco mil intoxicações foram
tentativas de suicídio
Os casos de tentativa de suicídio
são a circunstância mais comum das intoxicações, com 5.210 registros. Segundo
os pesquisadores, dois fatores ajudam a interpretar o dado.
O primeiro é a baixa notificação
de outras causas de intoxicação, que faz com que os registros por tentativas de
suicídio tenham destaque. O segundo é que o uso de alguns agrotóxicos pode
levar à depressão e a alterações do sistema nervoso, o que seria um fator a
mais que pode levar às tentativas.
“Como há muita subnotificação, os
casos de suicídio e de óbitos em geral são mais difíceis de ocultar”, avalia
Albuquerque. “Mas há grande vínculo entre a intoxicação por agrotóxicos e o
suicídio, porque há agrotóxicos que induzem fortemente a doenças depressivas e
ao suicídio”, complementa.
Aline Gurgel comenta que os
agrotóxicos do grupo químico dos carbamatos e organofosforados têm como um de
seus principais mecanismos de ação a depressão do sistema nervoso. O
propamocarbe é um exemplo do grupo dos carbamatos e é usado em mais de 40
culturas no Brasil, incluindo na abobrinha, alface e tomate. Os
organofosforados compreendem uma ampla gama de agrotóxicos, entre eles o
acefato, o quinto agrotóxico mais vendido no Brasil.
Pandemia reduziu registros de
intoxicações
A quantidade de casos de
intoxicações por agrotóxicos caiu durante os anos de pandemia do coronavírus:
em 2019 foram 5.875 casos para 4.073 em 2020, e 3.816 em 2021.
Segundo Leonardo Melgarejo, a
queda era esperada e pode não significar uma diminuição real de intoxicações.
“Durante a pandemia, as pessoas evitaram aglomerações, especialmente em locais
de risco [como hospitais e postos de saúde]”, afirma, mencionando dados da
Organização Mundial da Saúde (OMS) de que apenas uma a cada 50 intoxicações por
agrotóxicos é registrada.
A pesquisadora da Fiocruz
concorda com os impactos da pandemia nas notificações. “Os serviços de saúde foram sobrecarregados em decorrência da pandemia,
a identificação de casos suspeitos de intoxicação, bem como a notificação de
agravos como intoxicações, muito provavelmente foram prejudicadas”, pontua
Gurgel.
Ela também reforça que as
intoxicações por agrotóxicos são subnotificadas por diferentes motivos além da
Covid, como a falta de treinamento dos profissionais e a baixa cobertura
laboratorial para confirmação de casos. Além disso, há dificuldade dos
intoxicados chegarem aos postos de atendimento pela distância dos serviços de
saúde e a dificuldade de locomoção.
“Os agricultores nem sempre procuram atendimento e quando procuram é porque houve uma intoxicação aguda e sentiram medo de morrer. Então as outras intoxicações, de impacto mais baixo, mas que acontecem de forma crônica, sequer são registradas”, comenta Melgarejo.
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Dentistas passam a usar cannabis em tratamentos no Brasil
A cannabis medicinal passou a ser notada no Brasil
também pelos dentistas, que começam a se organizar em grupos de estudos sobre
casos clínicos e pesquisas científicas para melhor embasar seus métodos e
aplicações em clínicas espalhadas pelo País.
Vale ressaltar, porém, que poucos profissionais da área já prescrevem THC (tetrahidrocanabinol) e CBD (canabidiol) e apenas uma pequena porcentagem dos mais de 180 mil pacientes de cannabis medicinal no país é derivado da odontologia.
Desde que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância
Sanitária) autorizou a cannabis medicinal no país, médicos e
cirurgiões-dentistas receberam as mesmas permissões de prescrição e uso. Porém,
por haver muito mais pesquisas a respeito da efetividade da planta na medicina
do que na odontologia, a primeira acabou por se desenvolver muito mais
depressa.
Estima-se que 2.100 dos 502 mil médicos em
atividade hoje no Brasil prescrevam a substância. Não há dado oficial, mas uma
porcentagem bem menor dos cerca de 550 mil dentistas a prescreve.
Nesse ano, a Anvisa incluiu o campo "CRO", referente ao Conselho Regional de Odontologia, nos formulários de pedidos de importação pela RDC 660. Até o ano passado, os dentistas tinham de usar seus números de registro no campo "CRM (Conselho Regional de Medicina)", o que dificultava o processo de importação.
Conselhos Regionais de Odontologia, como os de São
Paulo, Rio, Alagoas e Distrito Federal, criaram grupos de trabalho para produzir mais debate sobre o tema. Organizações de profissionais, como a Sbocan
(Sociedade Brasileira de Odontologia Canabinoide), também existem com o
propósito de fomentar a troca de ideias.
Dentista
pioneira
A presidente da Sbocan, Endy Lacet, é reconhecida como a primeira dentista no Brasil a utilizar a terapia canabinoide na Odontologia, em 2015. Ela foi uma das fundadoras da Abrace, uma das mais consolidadas associações de pacientes de cannabis medicinal do País. Endy ainda estava na faculdade quando atendeu uma criança autista, que saía correndo pelo hospital sem deixar que a equipe tirasse o raio X de sua boca.
Lacet apresentou a proposta de entrar com a terapia
canabinoide. O garoto, medicado com azeite de maconha, permitiu que lhe fossem
feitas três restaurações na sessão seguinte. "A mãe chorou. Nunca tinha
visto um remédio que acalmasse o filho a tal ponto de ele não sentir
medo.", disse Endy Lacet.
Silvana Vasconcellos sofre de esclerose múltipla há 16 anos e é paciente de Endy por causa de uma neuralgia do
nervo trigêmeo, que, há cinco anos, a faz padecer de uma dor facial intensa.
"Comecei a usar a cannabis no início do ano e notei grande melhora.
Diminuiu minha medicação para a neuralgia de 900 mg para 300 mg por dia",
disse.
Segundo Endy, dá para usar a cannabis como
coadjuvante ou adjuvante, sem excluir, necessariamente, outros medicamentos.
Formação
de base é fundamental antes de prescrição
"É importante que o profissional tenha a
formação de base, que conheça os endocanabinoides produzidos pelo nosso corpo e
os fitocanabinoides encontrados na cannabis antes de prescrever", orienta
João Paulo Tanganeli, presidente do grupo de trabalho de canabinoides na
odontologia do CRO-SP.
A maior entidade de classe do setor, o Conselho
Federal de Odontologia (CFO), apoia a
utilização da cannabis, mas reforça a necessidade de qualidade da formação
recebida por quem administra. "Se o profissional conhecer o medicamento,
souber como trabalhar com ele, não há problema de usá-lo. Isso vale para todos
os medicamentos, não apenas para a cannabis", diz Evaristo Volpato,
diretor do conselho da entidade desde 2018.
Uso vai
de restauração a alívio pós-operatório
Como na Medicina, a cannabis vem demonstrando
versatilidade em seus possíveis usos na Odontologia, podendo ser empregada
antes, durante ou após o tratamento.
Ela pode ser utilizada em procedimentos como
restaurações, na modulação de sedação e como analgésico pós-operatório ou para
osteoindução - a formação de um novo osso pela influência de agentes indutores.
O THC é responsável por tratar casos de dor, enquanto o CDB é mais indicado para inflamações. Considerados igualmente importantes pelos dentistas, os dois canabinoides e a centena de outros que os acompanham nas versões full spectrum da planta têm apresentado bons resultados para bruxismo, dores dentárias ou neuropáticas, enxertos, DTM (disfunção da articulação temporomandibular), inflamações, cicatrizações, periodontite e controle bacteriano.
Embora a terapia canabinoide aplicada à Odontologia
não seja novidade no mundo, ela ainda não se popularizou. EUA e Canadá são os
países que se destacam nessa área, desde o atendimento clínico até a criação de
produtos para a higiene bucal, como pastas de dente e enxaguante à base da
planta.
Efeitos
colaterais
Guilherme Martins, vice-presidente da Sbocan e dono
do canal Odontologia Canabinoide no YouTube, já conseguiu cerca de mil
autorizações na Anvisa para prescrições. Segundo ele, os possíveis efeitos
colaterais são pequenos, facilmente reconhecíveis e dimensionados na
terapêutica.
Estudo mede riscos de fumar por idade e ideal é parar antes dos 35 anos
Pessoas que param de fumar antes dos 35
anos apresentam índice de mortalidade similar à taxa de óbito de pessoas que
nunca fumaram depois de um determinado período de tempo longe do cigarro. A
constatação é de um dos maiores estudos já feitos sobre o tema, publicado na
semana passada na Journal of the American Medical Association (Jama).
Aqueles que param de fumar mais velhos
também têm benefícios consideráveis, segundo o trabalho, mas sua taxa de
mortalidade é mais alta do que a dos que pararam antes dos 35. Fumantes que
deixam o fumo entre 35 e 44 anos, por exemplo, têm uma taxa de mortalidade
geral 21% maior do que os que nunca fumaram. Já os que largaram o tabaco entre
os 45 e os 54 anos, têm uma taxa de mortalidade 47% maior do que a dos que
nunca fumaram.
"Entre homens e mulheres de
diferentes grupos étnicos e raciais, os fumantes têm uma taxa de mortalidade
geral duas vezes mais alta do que a dos que nunca fumaram", sustenta o
estudo. "Parar de fumar, sobretudo na juventude, é associado a
substanciais reduções no excesso de mortalidade associado ao fumo."
Este é o terceiro grande estudo a
apontar que a idade ideal para parar de fumar é até os 35 anos. Sobretudo para
os que começaram a fumar bem jovens - mas, claro, o melhor é nem começar. O
novo trabalho foi feito por pesquisadores da Sociedade Americana do Câncer,
Universidade de Oxford e Universidade Nacional da Malásia.
IDEAL. "Há muito tempo sabemos que o quanto
antes a pessoa parar de fumar, melhor", escreveu John P. Pierce, professor
do Departamento de Medicina da Família e Saúde Pública da Universidade da
Califórnia, San Diego (EUA), em comentário técnico sobre o trabalho.
"Porém, agora é possível ser mais específico a respeito da idade ideal
para parar."
A análise incluiu o levantamento de
dados de mais de 550 mil adultos que responderam a questionários entre janeiro
de 1997 e dezembro de 2018 e tinham entre 25 e 84 anos no momento do trabalho.
Entre os entrevistados, estavam fumantes e pessoas que nunca fumaram (definidas
como aquelas que fumaram menos de cem cigarros ao longo da vida).
De acordo com o Índice Nacional de
Mortes, cerca de 75 mil pessoas que participaram do estudo já tinham morrido no
fim de 2019. Comparados aos que nunca fumaram, os fumantes apresentaram uma
taxa de mortalidade geral significativamente mais alta, além de taxas de morte
igualmente mais elevadas por câncer, doenças cardíacas e problemas pulmonares.
Pierce acredita que ter uma idade limite para parar de fumar pode ser potencialmente motivador para jovens tentando abandonar o vício. "Sem uma meta estabelecida, é tentador para fumantes abandonar uma tentativa de parar com a desculpa de 'não preciso fazer isso agora'", aponta Pierce. "O estudo oferece dados para que uma meta seja estabelecida." O fato é que quanto antes um indivíduo parar, menor o risco de morte prematura. Atualmente a DPOC é a terceira causa de morte no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) - em 2016 foram 3 milhões de mortes em decorrência da doença. No Brasil, a doença é a quarta causa de mortalidade. "Temos que lembrar que a DPOC também é uma das doenças que levam à aposentadoria precoce. A pessoa pode não morrer, mas esse é um problema extremamente limitante e incapacitante. Em casos mais graves o paciente pode precisar de suplementação ininterrupta de oxigênio", explicou o médico.
Com algumas gotas de reagente, material muda de cor; modelo já é usado pela polícia.
Pesquisadores cariocas da Universidade Federal do
Rio de Janeiro (URJF) desenvolveram um kit Cannabis capaz de
diferenciar a maconha ilícita da cânabis terapêutica. O modelo já está em uso pela Polícia Civil do Rio de
Janeiro.
Em um pequeno tubo de plástico, coloca-se o material a ser analisado e pingam-se algumas gotas de reagentes. De acordo com os inventores, caso a mostra fique azul, em meio minuto, trata-se de droga ilegal, rica em THC (tetraidrocanabinol). Após um período de 5 a 7 minutos no reagente, se a mostra ficar violeta, trata-se de medicação à base de CBD (canabidiol).
O kit foi desenvolvido numa parceria entre a UFRJ e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). A iniciativa foi pensada para combater fraudes em terapias à base de CBD e para identificar instantaneamente a droga ilícita, de acordo com Cláudio Cerqueira, professor do Instituto de Química da UFRJ e coordenador do Laboratório de Síntese e Análise de Produtos Estratégicos da universidade.
"Com a proibição da maconha, a pessoa que depende da medicação à base de canabidiol só tem a opção de importar o remédio, que vai para sua casa sem passar por uma análise. Um dos objetivos desse kit é proporcionar segurança terapêutica", afirma Cerqueira.
O professor lembra que o canabidiol, presente na medicação, pode trazer benefícios ao tratamento de pacientes com doenças neurológicas como mal de Parkinson, mal de Alzheimer, esclerose múltipla, convulsões, fobias e intensa ansiedade, entre outros.
O pesquisador sênior da Fiocruz André Luís Mazzei, que faz parte da equipe de pesquisadores, afirma que o kit vai ser barato e acessível. Ele destaca que o teste poderá ser realizado em aeroportos, por cuidadores de idosos, por médicos e pelos próprios pacientes em domicílio.
"Nossa ideia, também, foi fazer um ensaio de campo e de triagem para ver se o paciente estava realmente tomando o CDB. A cânabis medicinal não pode ter [concentração de] THC [maior que 0,3%], é fraude. Isso é um direito do consumidor", diz Mazzei.
Há três anos, o motorista Ricardo Nogara, 54,
fornece medicamentos à base de canabidiol para o filho Enzo, 5, aprovados pena
Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), sendo um deles importado dos
Estados Unidos. Antes dessa terapia, o garoto sofria 20 convulsões por dia.
Apesar de confiar na medicação, especialmente pelos
bons resultados, Nogara afirma não ter certeza do que vem na composição ou se a
concentração está correta. "A gente só sabe que é diluído em óleo. Eu me
sentiria mais seguro tendo uma forma prática de testar os remédios que eu dou
para meu filho."
Segundo a Anvisa, há duas formas de acesso ao CBD no país: a compra de um produto autorizado em farmácia e drogaria ou a importação para uso excepcional. São 20 produtos autorizados que podem ser
comercializados no Brasil, diz a agência.
O professor Cerqueira lembra a vantagem do modelo para identificar rapidamente a cânabis ilegal. "Teve gente que falou que eu queria fazer uma guerra contra as drogas, mas na verdade, fiz um kit também para atender ao local de crime e ajudar os cientistas forenses."
O professor destaca ainda a praticidade. "Vai
ser fácil para o perito fazer o teste. Poderá ser feito também por um agente da
investigação. Quanto mais você facilita para as pessoas no local do delito,
mais rápida é a resposta e a solução do crime."
Denise Pires de Carvalho, reitora da UFRJ comemora
o feito. "Se houver dúvida sobre a composição, pode usar o kit para saber
se é Cannabis terapêutica ou maconha, que é ilícita no país.
Somos os únicos no Brasil a produzir esse reagente. É uma inovação tecnológica
realizada por cientistas na nossa universidade e que vai beneficiar nossa
sociedade. "
O kit DLM Cannabis, como é chamado, foi inspirado no teste Duquenois-Levine, já aplicado em cocaína, com a diferença que o teste brasileiro incorporou a cor violeta. O tempo do teste também passa a ser uma evidência.
Já existem kits semelhantes no exterior, mas com valores elevados e com reagentes que evaporam em temperatura acima de 19º C, o que impossibilitaria o uso em ambientes externos no Brasil. O modelo nacional tem componentes que permitem a ebulição a 120º C.
"Se adapta ao calor de altas temperaturas do
Rio ou de qualquer cidade de um país tropical", afirma Mazzei.
O protótipo carioca será patenteado pela UFRJ e Fiocruz. O valor da unidade ainda não foi estabelecido, mas o modelo está em negociação para ser comercializado. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro investiu R$ 248 mil em protótipos da equipe da UFRJ que, além do kit Cannabis, também já produziu materiais para detecção de sangue, cocaína e até um marcador fluorescente para proteger mulheres sob medidas protetivas.
Cerqueira revela que quando criou o kit, seus pais já haviam sofrido as consequências do mal de Alzheimer. "Se eu tiver a doença também, quero ser tratado com cânabis medicinal. Esse kit pode viabilizar o tratamento de tantas outras pessoas."
A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou que está na fase inicial de utilização do kit Cannabis, mas que indicará um porta-voz
para comentar só após usar o material por mais tempo.
Estudo relaciona certos tipos sanguíneos com maior risco de AVC
Compilação de estudos levou em conta mais de 17 mil pessoas que tiveram AVC ao longo da vida.
Estudo publicado
pela revista científica Neurology aponta que pessoas com um tipo específico de
sangue correm mais riscos de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC)
precoce.
A compilação de 48 estudos foi feita por especialistas da Universidade
de Maryland, nos Estados Unidos, levou em conta casos de AVC isquêmico, que
acontece pelo entupimento de veias e artérias responsáveis pela irrigação de
diferentes partes do cérebro. A pesquisa analisou dados de mais de 17 mil
pessoas que tiveram derrame ao longo da vida e quase 600 mil que fizeram parte
do grupo de controle, mas que nunca tiveram a doença.
Durante o experimento, os pesquisadores notaram que o tipo sanguíneo A
predominou em comparação com pessoas que tiveram AVC com 60 anos ou mais ou
nunca tiveram: para essas pessoas, o risco de ter um derrame precoce foi 16%
maior. Já para aqueles com o tipo O, o risco foi 12% menor.
“O estudo é de associação de genoma. Ele consegue ver essa relação, mas
não testa o mecanismo dela. Então, ele traz algumas hipóteses junto com outros
estudos. Uma das ideias é que o sistema ABO é dado por glicoproteínas que, além
de estarem nos glóbulos vermelhos, também têm relação com proteínas em
plaquetas na parede dos vasos. Isso muda os fatores de coagulação e foi
mostrado em outros estudos anteriores uma mudança de fator de coagulação. Quem
é do tipo A tem uma tendência maior a fazer coágulos e também tem mais trombose
venosa”, explica Guilherme Diogo, neurologista no Hospital das Clínicas.
Saiba como o hormônio do exercício protege os rins contra danos do diabetes
"Vimos que o exercício aeróbico está associado ao aumento da irisina no tecido muscular e na circulação sanguínea", diz especialista.
Liberada pelo tecido muscular durante a prática de atividade física, a irisina é a mais recente esperança dos cientistas para proteger os rins de pessoas diabéticas dos danos causados pela progressão da doença. A substância, também conhecida como hormônio do exercício, é considerada pelos cientistas como um dos principais mensageiros químicos responsáveis pela longa lista de benefícios proporcionados pela atividade física regular ao organismo humano.
Após uma sequência de
experimentos, um grupo de pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de
Campinas) não apenas confirmou os benefícios da substância aos rins como
descreveu, pela primeira vez, de que maneira ela pode prevenir os estragos
renais produzidos pelo diabetes. Silenciosa, a doença atinge quase 20% das pessoas no mundo e mais de 7% no Brasil. Ao provocar danos nos vasos sanguíneos, artérias e veias
que irrigam os rins, conduz à insuficiência renal crônica.
"Nós constatamos que o exercício aeróbico está associado a um aumento da
irisina muscular na circulação sanguínea e também nos rins, conferindo
nefroproteção", explica o médico José Butori Lopes de Faria, do
Laboratório de Fisiopatologia Renal e Complicações do Diabetes da FCM-Unicamp
(Faculdade de Ciências Médicas) e orientador de Guilherme Pedron Formigari,
primeiro autor do estudo.
O trabalho, publicado na revista Scientific
Reports, teve apoio da FAPESP.
Metodologia
O primeiro passo dos
pesquisadores foi induzir o diabetes em ratos com oito semanas de idade e medir
indicadores de danos renais, como a presença de albumina na urina. A
perda dessa proteína é sinal de que as células renais já começaram a sofrer os
efeitos do diabetes. Os animais foram separados em três grupos - controle,
diabéticos sedentários e diabéticos exercitados (submetidos a treinamento
físico em esteira rolante por oito semanas).
"Vimos que o exercício aeróbico está
associado ao aumento da irisina no tecido muscular e na circulação sanguínea,
bem como ao aumento da enzima AMPK [proteína quinase ativada por monofosfato de
adenosina, que atua como sensor metabólico das células] nos rins, conferindo
nefroproteção", disse Faria.
Na segunda etapa, a
equipe injetou medicamentos nos roedores diabéticos e exercitados para bloquear
a ação renal da irisina. A deficiência da substância coincidiu com o bloqueio
dos efeitos benéficos do exercício, como a redução de albumina na urina e a
menor expressão de substâncias que atuam na fibrose dos glomérulos (a unidade
do rim que faz a filtragem do sangue e a eliminação dos resíduos do
metabolismo). "A falta da irisina
aboliu os efeitos protetores do exercício ao rim diabético",
escreveram os pesquisadores.
Mais uma prova foi
feita com células tubulares renais humanas cultivadas em laboratório para saber
se o tratamento com irisina seria capaz de evitar as alterações da glicose
elevada.
Durante o processo de
filtragem feito pelos rins, os túbulos renais reabsorvem e devolvem ao sangue a
água, eletrólitos e nutrientes necessários. No teste, eles foram imersos em um
meio que simulava as condições do diabetes e continha o hormônio na sua forma
recombinante, fabricada pela indústria.
"A resposta foi positiva. Concluímos que o
exercício físico aumenta a irisina no músculo e na circulação e que, nos rins,
a presença desse hormônio ativa a enzima AMPK, que bloqueia os mecanismos da
fibrose renal", explica Faria.
Em projeto anterior,
também apoiado pela FAPESP, o nefrologista havia demonstrado o papel da enzima
AMPK na fibrose renal, que resulta de um estado de inflamação crônica das
células e faz com que percam sua função.
Neste novo trabalho,
os pesquisadores avaliaram o soro humano (sangue centrifugado, sem os glóbulos
vermelhos) de diabéticos exercitados e sedentários. Nas amostras de quem se
manteve em atividade, a irisina encontrada protegeu o rim e reduziu a lesão das
células tubulares expostas a alta concentração de glicose.
"Pela primeira vez, podemos afirmar que, no
diabetes, o eixo irisina/AMPK induzido pelo exercício físico protege as células
renais dos efeitos da alta glicose", concluíram os autores.
Identificada por biólogos da Universidade de Harvard (Estados Unidos) há uma década, a irisina tem sido alvo de muitos estudos que visam desvendar seus mecanismos de ação. Pesquisas com roedores já mostraram, por exemplo, que esse hormônio também é importante para a formação da memória e a proteção dos neurônios em roedores com enfermidade semelhante ao Alzheuimer, entre outros benefícios.
Sua ressaca pode ser por beber em excesso ou intolerância e até mesmo alergia ao álcool
Você tem ressacas terríveis ou se sente mal bebendo apenas um pouco de álcool? Pode ser sinal de intolerância -- ou até de alergia -- a bebidas alcoólicas. Como saber?
O que entendemos como "ressaca" é um
conjunto específico de sintomas, normalmente uma dor de cabeça lancinante, náuseas,
forte sede, cansaço e nevoeiro mental. Tudo isso acontece depois do consumo de
bebidas alcoólicas ou, mais especificamente, como
resultado de uma série de processos do corpo desencadeados pelo álcool.
O álcool é tóxico e o corpo precisa convertê-lo em
substâncias que não sejam tóxicas. Mas isso leva tempo e faz com que os
sintomas possam durar um dia inteiro ou até mais.
A duração e a gravidade da ressaca
podem variar dependendo não só do teor e da quantidade de álcool que foi
consumida mas também da velocidade de processamento pelo nosso corpo, que varia
de uma pessoa para outra.
A desidratação faz parte importante da
ressaca, pois ela pode ser responsável por muitos dos outros sintomas típicos,
desde a dor de cabeça e fadiga até a ansiedade e a sensibilidade à luz e aos
sons, segundo o médico Timothy Watts, especialista em alergias em adultos do
hospital particular britânico The London Clinic.
Intolerância genética
Qualquer pessoa que beba em excesso
provavelmente sentirá esses efeitos prejudiciais, em maior ou menor grau.
Mas as pessoas que têm intolerância ao
álcool, muitas vezes, sofrem sintomas de ressaca particularmente sérios, devido
a um distúrbio metabólico genético que "faz com que o corpo processe ou
metabolize o álcool de forma incorreta", segundo Watts.
Quando bebemos álcool, uma enzima do
nosso corpo chamada álcool desidrogenase (ADH) decompõe-se em um composto
chamado acetaldeído. E outra enzima, a aldeído desidrogenase (ALDH), transforma
o acetaldeído em ácido acético (vinagre), que não é tóxico.
Adultos mais idosos possuem ALDH abaixo
da média, o que explica por que a nossa reação ao álcool parece piorar com o
avanço da idade. Mas as pessoas com intolerância genética possuem uma mutação
da ALDH, segundo Watts.
"A mutação dessa enzima
fundamental gera acúmulo de acetaldeído no corpo e diversos sintomas
desagradáveis", explica o médico. "Tipicamente, eles incluem extensa
vermelhidão da pele e outros sintomas como náuseas, vômitos, palpitações, dores
de cabeça e fadiga."
Pesquisas indicam que este é um dos
distúrbios hereditários mais comuns do mundo, afetando 560 milhões de pessoas,
ou 8% da população mundial. A maior incidência (35-40%) é de pessoas com
descendência do leste asiático.
Outros tipos de intolerância
Em outros casos, as pessoas podem ser
intolerantes às substâncias que fornecem cor e aroma às bebidas alcoólicas e
não ao álcool em si. A histamina (encontrada no vinho tinto) e os salicilatos
(encontrados no vinho, cerveja, rum e xerez) são exemplos comuns.
Algumas pessoas são intolerantes aos
conservantes do álcool, chamados sulfitos. Elas descobrem que seu consumo pode
trazer sintomas que incluem nariz congestionado ou coriza, forte dor de cabeça,
urticária, coceira, respiração ofegante e mal-estar estomacal.
Pesquisas indicam que até 10% dos
asmáticos são sensíveis aos sulfitos, com reações que variam de suaves a
potencialmente mortais.
"A respiração ofegante e os
sintomas na região nasal ocorrem particularmente devido à liberação de gás
dióxido de enxofre, que causa irritação das vias aéreas", explica Watts.
Bebidas alcoólicas com alto teor de
sulfitos e/ou histamina incluem vinho (tinto, branco, rosé e espumante), cidra
e cerveja. Algumas variedades de gim e vodca, além dos "vinhos
naturais", contêm baixo teor de sulfitos. Mas os especialistas em asma
aconselham os alérgicos a escolher suas bebidas com cuidado, pois mesmo os
vinhos com baixo teor de sulfito contêm alguma quantidade da substância.
Alergias ao álcool
"A verdadeira alergia ao álcool é
rara", segundo Fiona Sim, consultora médica chefe da organização britânica
especializada em álcool Drinkaware. "Em vez do álcool, é muito mais comum
que as pessoas sejam alérgicas a algum dos ingredientes da bebida alcoólica,
como o trigo, a cevada ou outros cereais."
Outro tipo de alergênico é a proteína
de transferência de lipídios (LTP). Ela é encontrada nas frutas, legumes,
verduras, sementes e cereais, podendo também estar presente em algumas bebidas
alcoólicas.
Os sintomas da reação alérgica a LTP
normalmente surgem em até 15-30 minutos e incluem inchaços, coceira, problemas
digestivos, dificuldades para respirar e, em casos extremos, anafilaxia. A LTP
não é destruída pelo calor.
"A alergia à LTP é uma causa cada
vez mais reconhecida de alergia alimentar no Reino Unido, certamente nos
últimos cinco anos", afirma Watts. "As bebidas alcoólicas podem
ocasionar reações em muitos casos, além de outros grupos alimentares."
Às vezes, é muito difícil para os
consumidores saber se uma bebida alcoólica contém alergênicos ou ingredientes
que causam intolerância. Ocorre que, em muitos países, os fabricantes de
bebidas alcoólicas não são obrigados a incluir uma lista completa de
ingredientes ou informações nutricionais no rótulo.
Por isso, Fiona Sim aconselha que
qualquer pessoa que saiba que é alérgica a certos alimentos, particularmente
cereais, lembre-se de que eles podem também estar presentes nas bebidas.
"Este risco deve ser
considerado", afirma ela. "Alguém com alergia séria, que pode ser
mortal, precisa ser aconselhado a perguntar ao fabricante quais são os
ingredientes de uma bebida antes de experimentá-la."
Isso é particularmente importante para
as pessoas que bebem coquetéis ou outras misturas de bebidas, que terão listas
de componentes maiores e mais variadas. "Pense em todos os ingredientes
para evitar qualquer coisa a que você seja alérgico", aconselha a médica.
As bebidas alcoólicas também podem causar
reações alérgicas se você as consumir com alimentos, pois o álcool pode
interferir com a mucosa intestinal. Alguém que seja alérgico a trigo, por
exemplo, pode sofrer reação apenas depois de comer trigo seguido por álcool ou
exercícios. "Isso é chamado de anafilaxia induzida por cofator dependente
de alimento", segundo Watts.
Cozinhar com álcool
Muitas receitas doces e saborosas
contêm álcool, incluindo ensopados e guisados com vinho tinto, além de bolos
embebidos em licor. É possível consumir esses alimentos quando se tem
intolerância ou alergia ao álcool?
"O álcool e os sulfitos tendem a
evaporar durante o cozimento, de forma que o potencial de intolerância
certamente é reduzido", explica Watts. Mas, se você for alérgico a um
ingrediente encontrado em certas bebidas alcoólicas, não será seguro consumir
pratos que contenham aquela bebida.
Em caso de dúvida
É relativamente simples reconhecer a
diferença entre a ressaca e a intolerância ao álcool.
"As ressacas normalmente são mais
fortes na manhã após uma noite de muita bebida", segundo Timothy Watts.
"Mas as intolerâncias genéticas metabólicas ocorrem com mais rapidez,
geralmente em até uma hora depois de beber."
Já diferenciar a intolerância da
alergia é mais difícil, pois os sintomas podem ser parecidos. Algumas reações
alérgicas são quase instantâneas, mas nem todas.
"Em caso de dúvida, sempre
consulte um profissional de saúde", aconselha Watts. "Os testes de
reações ao álcool normalmente consistem de exames de sangue especializados para
alergias, exames de punção da pele e talvez até um desafio alimentar."
Fiona Sim aconselha às pessoas com
qualquer tipo de intolerância ao álcool que evitem beber, mas reconhece que
"muitas pessoas estão dispostas a enfrentar o desconforto das erupções
cutâneas e talvez suaves sintomas abdominais para continuar a consumir bebidas
alcoólicas ocasionalmente".
É especialmente importante não beber
álcool se você tiver intolerância genética, pois isso "aumentará o risco
de lesões de órgãos causadas pelo álcool, incluindo alguns tipos de câncer e
doenças do fígado".
Quando o assunto é alergia a qualquer componente de uma bebida alcoólica, é preciso nunca consumi-la. "Pode ser mortal", conclui.
Os benefícios do exercício físico para o funcionamento do intestino
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O mecanismo exato que faz com isso aconteça ainda não é totalmente conhecido
Sabemos que a atividade física melhora a nossa saúde, mas a rica microbiota — grupo de microrganismos que vivem em determinado ambiente. Englobam as bactérias, os fungos, os protozoários e apesar de vírus não serem capazes de se reproduzir sozinhos, eles também entram neste grupo — escondida dentro de nós pode ajudar muito mais do que pensávamos.
O nosso intestino está repleto de vida. Cerca de
100 trilhões de bactérias, vírus, fungos e outros organismos unicelulares, como
arqueobactérias e protozoários, disputam espaço e alimento no nosso trato
gastrointestinal.
Suas funções vão desde ajudar a fermentar fibras
alimentares das nossas refeições até a regulagem do metabolismo da gordura e a
síntese de vitaminas. Eles também ajudam a nos proteger contra invasores
indesejados, interagindo com o nosso sistema imunológico e influenciando a
extensão das inflamações no nosso intestino e em outras partes do corpo.
O mecanismo exato que faz com que os exercícios
físicos afetem os micro-organismos que vivem no intestino ainda não é
totalmente conhecido. Estudos já demonstraram que a
diversidade desses inquilinos intestinais é menor em pacientes que sofrem de
obesidade, doenças cardiometabólicas e condições autoimunes. E existem doenças
que foram associadas a quantidades muito grandes ou muito pequenas de certas
espécies de bactérias no nosso intestino.
Níveis abaixo do normal de uma das bactérias mais
abundantes no intestino de adultos saudáveis (uma bactéria em forma de bastão
chamada Faecalibacterium prausnitzii) foram associados a
doenças inflamatórias.
Diversos fatores – incluindo nossos genes, os tipos
de medicação que tomamos, o estresse que vivenciamos, nossa alimentação e os
efeitos causados pelo fumo – podem se associar para alterar o equilíbrio dos
microorganismos no nosso intestino. A composição dessa comunidade interna é, de
fato, muito dinâmica.
Mas, da mesma forma que simples escolhas de estilo
de vida podem prejudicar nossos micróbios intestinais, também existem decisões
que os ajudarão a florescer de forma mais saudável.
Manter alimentação diversificada, incluindo mais de
30 alimentos vegetais diferentes por semana, pode ajudar. Também pode ser
benéfico ter uma boa noite de sono e reduzir os níveis de estresse. E,
surpreendentemente, passar algum tempo na natureza pode trazer efeitos positivos.
Mas o mais surpreendente é que os exercícios
físicos também podem influenciar nossas bactérias intestinais.
Todos nós sabemos que os exercícios trazem
benefícios para a nossa saúde física e mental, mas uma corrida após o trabalho
pode fazer com que os nossos micróbios do intestino também fiquem em forma?
"O exercício parece afetar nossos micróbios
intestinais, aumentando as comunidades bacterianas que produzem ácidos graxos
de cadeia curta [SCFAs, na sigla em inglês]", segundo Jeffrey Woods,
professor de cinesiologia e saúde comunitária da Universidade de Illinois em
Urbana-Champaign, nos Estados Unidos, que estuda os efeitos dos exercícios
físicos sobre o corpo humano.
"Os ácidos graxos de cadeia curta são um tipo
de ácido graxo produzido principalmente por micróbios e sabe-se que eles
modificam nosso metabolismo, imunidade e outros processos fisiológicos",
acrescenta Jacob Allen, professor de fisiologia do exercício da Universidade de
Illinois, colega de trabalho de Woods.
ESTUDOS EM CAMUNDONGOS
Ao longo dos últimos 10 anos, pesquisas voltadas
para os animais e os seres humanos ajudaram a revelar como é poderosa essa
ligação entre os exercícios físicos e as mudanças da comunidade dos micróbios
intestinais. E, o mais importante, elas vêm destacando como esse equilíbrio
pode ser benéfico.
Algumas das primeiras indicações podem ser
encontradas em estudos sobre os animais. Camundongos que puderam andar
voluntariamente em uma roda quando quisessem, por exemplo, desenvolveram
quantidades significativamente menores de uma bactéria específica chamada
Turicibacter. A presença desta bactéria é associada ao aumento do risco de
doenças intestinais, segundo Woods e Allen, que conduziram o estudo.
Já os camundongos sedentários ou que foram
suavemente cutucados para incentivá-los a correr apresentaram números muito
mais altos da bactéria. Acredita-se que forçar os camundongos a correr tenha
causado estresse crônico entre os animais, o que pode anular os efeitos
benéficos do exercício.
Os micróbios intestinais nos ratos também parecem
ser beneficiados quando eles correm voluntariamente em uma roda. Pesquisadores
descobriram que o exercício também parece aumentar os níveis de um ácido graxo
de cadeia curta específico chamado butirato, que as bactérias intestinais
produzem pela fermentação de fibras e é relacionado a diversos benefícios à
saúde.
O butirato tem diversas funções no corpo: é o
principal combustível para as nossas células intestinais, ajuda a controlar a
função de barreira intestinal e regula inflamações e as células imunológicas do
intestino.
O micróbio intestinal Faecalibacterium
prausnitzii é considerado uma das principais bactérias responsáveis
pela produção de butirato.
Bactérias produtoras de butirato foram associadas a
efeitos benéficos sobre o metabolismo em camundongos e seres humanos.
Particularmente, quantidades reduzidas de Faecalibacterium prausnitzii foram
relacionadas a doenças inflamatórias intestinais, pois sua presença é
necessária para que o intestino tome ações anti-inflamatórias.
Diversos estudos recentes com animais indicaram que
o exercício físico pode aumentar a quantidade dessas bactérias no intestino dos
camundongos.
Em 2018, pesquisadores norte-americanos também
concluíram que o transplante de micróbios intestinais de camundongos treinados
com exercícios em camundongos livres de germes reduziu o volume de inflamação
intestinal nos camundongos que receberam os micróbios.
E O EFEITO
NAS PESSOAS?
Os estudos em animais indicam como os exercícios
físicos podem melhorar o equilíbrio dos micróbios do intestino de camundongos.
E o que nos dizem os estudos com seres humanos?
Existem certamente muitos estudos em seres humanos
que demonstram que exercícios moderados a vigorosos, como correr, andar de
bicicleta e exercícios de resistência podem aumentar a diversidade das
bactérias intestinais, o que foi relacionado à melhora da saúde física e
mental.
Sessões de exercícios aeróbicoss e até 18-32 minutos
aliadas a exercícios de resistência, três vezes por semana por um total de oito
semanas, podem fazer a diferença, segundo indicam os estudos.
Os atletas também costumam ter maior diversidade de
micróbios intestinais, em comparação com as pessoas sedentárias. Isso pode
também se dever, em parte, às dietas especializadas que os competidores
costumam adotar.
Mas diversos estudos demonstraram que a combinação
de exercícios e alimentação pode aumentar a população de Faecalibacterium
prausnitzii e a produção de butirato em mulheres ativas, muitas vezes
com aumento da função intestinal.
"Alguns estudos, mas não todos, demonstraram
que o exercício físico aumenta [os níveis de] Faecalibacterium",
segundo Woods. Ele acrescenta que pessoas com baixos níveis deste tipo de
bactéria parecem ter mais risco de sofrer doença inflamatória intestinal,
obesidade e depressão.
Os estudos de Woods e Allen destacaram que sair
para correr por 30 a 60 minutos ou um breve exercício na esteira da academia
pode trazer impactos sobre a quantidade de bactérias produtoras de butirato no
intestino, como Faecalibacterium.
Em um estudo que envolveu 20 mulheres e 12 homens
com diversos índices de massa corporal (IMC), Woods e seus colegas tentaram
determinar se exercícios aeróbicos por seis semanas poderiam alterar os
micróbios intestinais de seres humanos adultos que antes eram sedentários.
Eles pediram aos participantes que fizessem três
sessões de exercícios aeróbicos com intensidade moderada a vigorosa por semana,
seja correndo na esteira ou andando de bicicleta, por 30-60 minutos.
Amostras de sangue e fezes foram coletadas ao longo
de todo o estudo. A alimentação dos participantes foi controlada a cada três
dias para garantir sua consistência antes de cada coleta, assim limitando as
mudanças causadas pela alimentação sobre os micróbios intestinais.
Suas conclusões demonstraram que a quantidade de
"produtores de butirato" aumentou muito com os exercícios,
independentemente do índice de massa corporal. E, acompanhando as mudanças na
comunidade microbiana, os participantes magros tiveram aumento dos ácidos
graxos de cadeia curta, como butirato, nos seus exames de fezes.
É interessante observar que, quando as pessoas que
participaram do estudo retornaram ao seu estilo de vida sedentário nas seis
semanas seguintes, os pesquisadores descobriram que os micróbios intestinais
dos participantes haviam retornado ao seu estado inicial. Esta conclusão indica
que, embora o exercício possa melhorar a saúde da comunidade bacteriana no
intestino, as mudanças são transitórias e reversíveis.
Outro pequeno estudo, publicado em 2019 por uma
equipe liderada pela professora Jarna Hannukainen, do Departamento de Clínica
Médica da Universidade de Turku, na Finlândia, observou mudanças mais
específicas nos microorganismos intestinais de 18 participantes sedentários,
que haviam sido diagnosticados com diabetes tipo 2 ou pré-diabetes.
Os participantes praticaram exercícios de alta
intensidade com intervalos (pedalar por 30 segundos, com quatro minutos de recuperação
a cada quatro, cinco e depois seis períodos curtos) ou treinamento contínuo
moderado (andar de bicicleta por 40-60 minutos), três vezes por semana, por
duas semanas.
Os pesquisadores observaram que as duas formas de
exercício aumentaram a quantidade de bactérias Bacteroidetes – um grupo
fundamental de bactérias intestinais que participam da decomposição de açúcares
e proteínas e induzem o sistema imunológico a produzir moléculas
anti-inflamatórias no interior do intestino. Níveis reduzidos dessas bactérias
foram associados à obesidade e à síndrome do intestino irritável.
Os exercícios também reduziram os níveis de
bactérias Clostridium e Blautia. Acredita-se que estas bactérias, em altos
níveis, prejudiquem parte do sistema imunológico, aumentando as inflamações.
De fato, Hannukainen e sua equipe observaram níveis
significativamente menores de moléculas indicadoras de inflamações no sangue e
no intestino, em participantes que haviam praticado exercícios.
Particularmente, havia níveis mais baixos de marcadores inflamatórios
conhecidos por se ligarem a lipopolissacarídeos – componentes encontrados nas
paredes celulares das bactérias intestinais.
Sabe-se que os lipopolissacarídeos causam
inflamações em baixo grau em todo o corpo e também influenciam a resistência à
insulina e o desenvolvimento de arteriosclerose – que, por sua vez, aumenta o
risco de ataque cardíaco e derrame cerebral.
Hannukainen e seus colegas afirmam que seu trabalho
também demonstrou que os exercícios físicos reduziram especificamente as
bactérias intestinais associadas à obesidade.
POR QUE ISSO ACONTECE?
Woods afirma que ainda não está claro como os
exercícios promovem mudanças na comunidade de microorganismos intestinais,
embora haja diversas teorias.
"Quando nos exercitamos, nosso corpo produz
lactato, que pode servir de combustível para certas espécies de
bactérias", segundo ele.
Woods explica que outro possível mecanismo podem
ser as alterações induzidas pelos exercícios no sistema imunológico,
especialmente o sistema imunológico intestinal, pois nossos micróbios
intestinais estão em contato direto com as células imunológicas do intestino.
Os exercícios físicos também causam mudanças no
fluxo sanguíneo para o intestino, que pode afetar as células que revestem as
paredes intestinais e, por sua vez, gerar mudanças nos micróbios. Alterações
hormonais causadas pelos exercícios também podem causar mudanças nas bactérias
intestinais.
Mas nenhum desses possíveis mecanismos "foi
definitivamente testado", segundo Woods.
Alguns atletas de elite costumam sofrer estresse
induzido por exercícios físicos, devido à alta intensidade dos seus
treinamentos. Estimativas indicam que até 20-60% dos atletas sofrem de estresse
devido ao excesso de treinamento e recuperação inadequada.
Mas as bactérias intestinais podem ajudar a
controlar a liberação de hormônios acionada pelo estresse relacionado aos
exercícios e também ajudar a liberar moléculas que melhoram o humor.
Elas podem ainda ajudar os atletas a lidar com
certos problemas intestinais, mas são necessárias mais pesquisas neste campo.
Ainda existe muito mais que podemos aprender sobre
como nossa atividade física afeta as criaturas que vivem dentro do nosso
intestino, como os tipos e a duração dos exercícios que podem alterar a
comunidade microbiana.
Essa influência pode também variar de um indivíduo
para outro, dependendo do IMC, dos micróbios que moram no intestino de cada um
e de outros fatores de estilo de vida, como a alimentação e os níveis de
estresse e sono.
À medida que os cientistas continuarem a desvendar
os segredos escondidos no nosso trato gastrointestinal, poderemos encontrar
novas formas de melhorar nossa saúde com as vibrantes e diversificadas
comunidades de organismos que habitam o nosso corpo.
SP registra conjuntivite associada à variola dos macacos
Casos de varíola dos macacos
·
Lavar as mãos com frequência.
·
Evitar tocar os olhos, nariz, ouvidos com as mãos.
·
Não compartilhar colírios.
·
Não usar colírios por conta própria.
· Não compartilhar objetos de uso pessoal como toalhas de rosto, talheres,
lençóis e fronhas de travesseiro.
·
Uso de máscaras de proteção.
Brasil é o terceiro no mundo em casos de varíola dos Macacos
Em todo o país, são 3.700 casos,
segundo o Ministério da Saúde, o que coloca o Brasil como o 3° com mais
ocorrências, atrás de Estados Unidos (14,5 mil) e Espanha (5.700).
No mundo, são 41,5 mil casos confirmados de varíola dos macacos,
registrados em 96 países, afirma a OMS (Organização Mundial da
Saúde). Até o momento, ao menos 13 pessoas morreram , incluindo um brasileiro,
no final de julho, em Minas Gerais.
A capital paulista soma 1.880 casos confirmados da doença e outros 689
estão em investigação, de acordo com o boletim divulgado na terça (23). Do total, 1.757 casos foram
confirmados em pacientes do sexo masculino (93,45%) e 115 entre pacientes do
sexo feminino (6,11%).
Dois bebês infectados
Ocorrências foram reportadas na Bahia, em bebê de 60 dias, e em São
Paulo, em criança de 10 meses. A Bahia teve um diagnóstico positivo em uma
criança de 60 dias de vida e, em São Paulo, foi confirmada a doença em um bebê
de 10 meses.
A Secretaria
Municipal da Saúde de São Paulo informou que a criança, do sexo masculino, está
clinicamente estável e sem sinais de agravamento, com quadro característico
para a doença, com febre e lesões cutâneas.
A pasta
acrescenta ainda que os sintomas tiveram início no dia 11 de julho e que a
criança se encontra em isolamento domiciliar. A Unidade Básica de Saúde e a
Unidade de Vigilância em Saúde da região de residência do paciente monitoram o
caso.
A Secretaria
da Saúde do Estado da Bahia afirmou que não divulga informações sobre a saúde
dos pacientes.
Os casos em
crianças preocupam porque elas são mais vulneráveis a complicações da doença.
Outro país que já confirmou diagnósticos em menores foi os EUA..
A
enfermidade é disseminada principalmente ao tocar as lesões na pele que os
pacientes apresentam. Outra forma de infecção é por gotículas respiratórias,
como tosses e espirros. Nesse caso, é necessário contato muito próximo e
prolongado com a pessoa infectada.
Os sintomas
da doença incluem início súbito de lesão (uma ou mais) em qualquer parte
do corpo, dor de cabeça, febre ou calafrio, dores musculares, cansaço, caroços
no pescoço, axila ou virilha. A orientação em caso de suspeita é procurar a
unidade de saúde mais próxima para orientação e diagnóstico.
A principal forma de prevenção é o isolamento de pacientes com a doença. A vacinação em grupos prioritários e em pessoas que tiveram contato recente com os doentes também é uma medida importante.
Conheça as vacinas contra a varíola dos macacos, matéria mais abaixo.
Brasil é o atual
campeão mundial de ansiosos
O psiquiatra Marco Abud, professor da USP, ensina como como diferenciar
os sintomas normais de ansiedade dos patológicos, que seja o transtorno e o
tratamento.
Pensamentos catastróficos,
medo constante e preocupação excessiva são alguns dos sintomas
de ansiedade. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil é o
país com o maior número de ansiosos no mundo. São cerca 19 milhões de
brasileiros que convivem com o transtorno, ou seja, por volta de 9% da população
que chega a 213,3 milhões de pessoas.
A ansiedade também pode causar sintomas físicos, como falta de ar, tremores e tensão muscular. Para enfrentar a doença é preciso entender como ela funciona. Como diferenciar a ansiedade normal da patológica, explica o psiquiatra Marco Abud.
"Para conquistarmos uma melhora real e sustentável, o primeiro e mais importante passo é termos um plano de tratamento claro, sabendo que tipo de ansiedade existe, quais ferramentas têm a maior chance de funcionar e em quanto tempo", diz o médico.
Abud mantém
o canal Saúde da Mente, no YouTube (assista no rodapé desta matéria), no
qual ele dá dicas e esclarece dúvidas sobre saúde mental. Já no início do ano, ele
inicia a maratona Livre da Ansiedade. Assista abaixo, os quatro episódio
(aulas), no rodapé desta matéria.
A seguir, a entrevista com o psiquiatra.
Pergunta: Como uma pessoa pode saber se está apenas passando por um período de
ansiedade, por causa dos acontecimentos diários, ou se o que está sentindo já
se caracteriza como um transtorno de ansiedade?
Resp: A ansiedade considerada normal é uma reação automática desagradável que ocorre quando o corpo percebe um perigo futuro. Ela é composta por sensações físicas de agitação, alerta, inquietação e pensamentos focados em ameaças, ou seja, por preocupações. O corpo alerta mais a preocupação nos deixam preparados para resolver ou fugir de problemas. Já o transtorno de ansiedade, ou seja, a ansiedade patológica, tem o cérebro "enganado". Ele percebe o perigo onde não existe e não reconhece nossa capacidade de enfrentamento.
Nesses
casos, a ansiedade torna-se um padrão, um hábito tóxico de sensações, pensamentos
negativos e comportamentos de fuga que causam muito sofrimento, não
permitindo que a pessoa faça suas escolhas. Além disso, faz com que ela se
torne refém da ansiedade com prejuízos no trabalho, nos relacionamentos e na
saúde.
Na prática,
se você tem crises de ansiedade, não consegue se desligar das suas
preocupações, tem medo intenso de passar vergonha e de ser julgado, tem medo de
passar mal e não ter ajuda e sente que isso prejudica ou dificulta sua vida, é
possível que haja um transtorno de ansiedade presente.
Pergunta: Tem gente que diz que é ansiosa por natureza, que não tem um transtorno.
Existe isso, uma personalidade ansiosa?
Resp: Importante explicar que a ansiedade é uma reação normal e saudável para nos proteger de perigos e resolver problemas de forma eficiente. O que queremos combater é a ansiedade paralisante, presente nos transtornos de ansiedade que se mantém em um ciclo vicioso de pensamentos negativos, sensações ruins e de comportamentos de fuga. Um passo fundamental para isso é separar o transtorno ansioso de quem você é. Um quadro de ansiedade patológica é algo relacionado ao estado atual dos seus sintomas, não uma característica da sua personalidade.
É importante
dizer também que nenhum transtorno ansioso possui uma causa 100% genética. A
genética pode propiciar uma sensibilidade maior ou menor a estímulos negativos,
mas ser alguém mais sensível a ataques não é algo ruim, pelo contrário, pode
ser algo muito vantajoso, conferindo maior responsabilidade, resolução de
problemas e cuidado com os outros.
Pergunta: Muitas pessoas que sofrem de ansiedade, antes mesmo de procurar ajuda
de um profissional da saúde mental, recorrem a meditação, ioga, florais e chás
calmantes para aliviar os sintomas. O que o senhor acha dessas práticas ?
Resp: Sempre digo que o excesso de opções causa mais ansiedade do que a falta de opção. Isso é especialmente verdade em relação à sobrecarga de práticas, conselhos e terapias que a internet nos dá. Para conquistarmos uma melhora real e sustentável, o primeiro e mais importante passo é termos um plano de tratamento claro, sabendo que tipo de ansiedade existe, quais ferramentas têm a maior chance de funcionar e em quanto tempo.
O melhor
método é a prática baseada em evidência que leva em conta três fatores:
evidência científica, experiência do profissional e escolha do paciente.
Baseado nisso, sabemos que quadros de ansiedade leves e moderados, que não
estão gerando tanto impacto na vida da pessoa, devem ser abordados com métodos
não medicamentosos.
O método que possui o poder da melhora é a terapia cognitivo comportamental, um treino específico para mudar o padrão de pensamentos, sensações e comportamentos ansiosos. Exercício físico, meditação mindfulness, mudanças alimentares, ioga, alguns fitoterápicos como passiflora, valeriana, camomila e suplementos também podem ser usados nesses casos. Normalmente, deve-se ver uma melhora significativa em cerca de 4 a 8 semanas.
Não há qualquer evidência para florais, mas eu não recomendo florais que possuam álcool, uma vez que o álcool piora a ansiedade com o tempo. Nos casos mais intensos, crônicos e que interferem muito nas atividades diárias, é indicado o uso de medicações específicas, junto com a terapia cognitivo comportamental.
Vale lembrar
que essa avaliação deve ser feita por um profissional de saúde mental e que o
papel do remédio é de proporcionar um alívio dos sintomas e permitir que as
outras estratégias sejam implementadas.
Pergunta: A partir de que momento a pessoa deve procurar um profissional da saúde
mental, como um psicólogo ou psiquiatra, para tratar o transtorno de ansiedade?
Quais são os sinais de que a ansiedade já está prejudicando a vida dessa
pessoa?
Resp: A procura deve ser feita quando a ansiedade está impedindo ou atrapalhando o trabalho, a vida social e os relacionamentos, ou quando ela não melhora ou piora mesmo fazendo os métodos não medicamentosos após 8 a 12 semanas. Além disso, se a pessoa não conseguir colocar em prática nenhum método de tratamento devido à intensidade dos sintomas, também é importante procurar por um especialista.
Pergunta: O que diferencia a síndrome do pânico do transtorno de ansiedade?
Resp: A síndrome
ou transtorno de pânico, que seria o nome oficial, é uma das formas como a
ansiedade patológica pode se manifestar. Ela é composta por três elementos que
vão aprisionando a pessoa e tirando sua capacidade de escolha:
- crises de
pânico, que são crises de pavor intenso, surgem sem motivo óbvio, com muitos
sintomas físicos ruins e sensação de morte iminente;
-
preocupação constante em ter outras crises, com um hiperfoco nas sensações
corporais;
- evitação
ou mudança de comportamentos pelo medo de ter uma crise de pânico e não
conseguir ajuda. A pessoa pode evitar dirigir, ir a lugares em que não há
hospital, evitar sair sozinha, por exemplo.
Pergunta: Por causa do vaivém do agravamento da pandemia de
Covid, o senhor tem notado
mais pessoas com sintomas de ansiedade?
Resp: Incertezas,
dilemas, segurança, saúde e finanças são os maiores gatilhos de ansiedade que
existem. Isso para todo ser humano. Ou seja, se você não apresentar qualquer
ansiedade nesse momento, podemos dizer que algo está muito errado. Isso é
ansiedade normal, que é produtiva, nos motiva a resolver ou tirar um problema
da nossa frente.
O nosso inimigo é a ansiedade patológica, tóxica, que engana o cérebro dizendo que existe perigo onde não há e que nós não damos conta de lidar com ele. Existem dois principais combustíveis para esse tipo de ansiedade:
-
pensamentos catastróficos, por exemplo, "vai ser horrível e não vou dar
conta" ou "e se eu pegar este avião e ele cair?";
-
comportamentos de fuga, evitação e distração, que na ansiedade normal podem
surgir como "não sei se minha mãe tomou a terceira dose da vacina. E se
ela pegar Covid? Preciso anotar na agenda para checar isso assim que chegar em
casa". Já na ansiedade patológica surgem como "será que minha mãe
tomou a terceira dose? Que péssima filha eu sou, tinha que ter visto isso. Eu
sempre faço besteira. Com certeza ela vai pegar Covid e a culpa vai ser minha.
Já sei o que meu irmão vai falar. Nossa, estou suando muito. Que falta de ar é
essa? Não, não posso começar a passar mal aqui na frente de todo mundo, tenho
que sair agora.".
Pergunta: Na maratona Livre da Ansiedade, que o senhor vai promover no seu canal
do YouTube, quais aspectos do transtorno serão abordados para enfrentar esse
problema? O que o público pode esperar da maratona?
Resp: Na maratona
vou abordar os seguintes tópicos:
- desvendar
tudo sobre ansiedade, como ela age no cérebro, os sintomas e causas
verdadeiras;
- descobrir
os tipos de ansiedade e qual pode estar ocorrendo com você;
- entender
tudo sobre remédios usados, como funcionam, efeitos colaterais e cuidados;
- aprender
técnicas práticas, suplementos e fitoterápicos que funcionam e como usá-los;
- conhecer o
melhor plano, passo a passo, para libertar-se da ansiedade sem utilizar medicamentos
e de forma sustentável, sem recaídas.
Assista abaixo, aos quatro episódios (vídeo-aulas), com o psiquiatra Marco Antônio Abud.
Aula 01 - Aula 02 - Aula 03 - Aula 04
(clique na imagem e acesse a matéria)
Conheça as vacinas contra
varíola dos macacos
De 1 a 5 dias, após o início da febre, aparecem as lesões cutâneas (na pele), que são chamadas de exantema ou rash cutâneo (manchas vermelhas).
Após a OMS (Organização Mundial da Saúde) decretar que a varíola dos macacos é um emergência global, sábado (23), o Ministério da Saúde afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar a doença. Com quase 700 casos registrados no país, o governo articula a compra de vacinas para imunizar a população.
O infectologista e coordenador do Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), Rico Vasconcelos explicou que duas vacinas desenvolvidas para combater a varíola humana — doença considerada erradicada pela OMS em 1980 — mostraram-se capazes de induzir a produção de anticorpos que protegem contra a varíola dos macacos e já estão sendo usadas em alguns países. Entenda a seguir como essas vacinas funcionam.
ACAM2000
Produzida
pela Sanofi - e já aprovada nos EUA para a prevenção da varíola dos macacos, é
uma versão moderna da vacina que foi aplicada nos anos 1970 e ajudou a
erradicar a varíola humana.
Tecnologia. Contém um vírus vivo chamado vaccinia, que segundo
Rico Vasconcelos é do mesmo gênero que o smallpox (causador da varíola humana)
e o monkeypox (causador da varíola dos macacos). Depois de aplicado na pessoa,
o vaccinia se replica no organismo sem causar doença, mas induzindo a produção
de uma resposta imune protetora contra os três vírus.
Dose única e múltiplas agulhas
A
vacina é aplicada uma única vez e não usa a seringa "convencional"
que estamos acostumados a ver. "A ACAM2000 é administrada com a utilização
de um dispositivo com múltiplas agulhas que perfuram a pele do braço diversas
vezes para inocular o vírus", explicou Vasconcelos.
Mas
não fique com medo das agulhas, elas são minúsculas. A aplicação é semelhante à
da vacina BCG (contra tuberculose), que todos os bebês do Brasil recebem ao
nascer e deixa aquela cicatriz característica no braço por toda a vida.
Tempo
para proteção: quatro semanas após a aplicação.
Reações
adversas. De acordo com o CDC (Centros de
Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), a aplicação pode provocar
efeitos comuns de qualquer vacina, como dor, inchaço e vermelhidão no local da
injeção, irritação na pele e febre. Também pode haver inchaço dos linfonodos
— órgãos presentes em várias regiões do corpo, como pescoço, axilas e virilhas.
ACAM2000 não é indicada para indivíduos imunossuprimidos (com doenças congênitas, que passaram por transplante ou em tratamento de câncer, por
exemplo), pois há risco de provocar quadros clínicos mais graves.
O CDC não recomenda que o imunizante seja usado em gestantes, bebês com
menos de 1 ano e pessoas com doença cardíaca; doença ocular tratada com
esteróides tópicos, distúrbios de imunodeficiência congênita ou adquirida, incluindo aqueles que tomam medicamentos imunossupressores, pessoas vivendo
com HIV (independentemente do estado
imunológico) e com histórico de dermatite atópica ou eczema.
Jynneos
Também conhecida como Imvamune ou Imvanex, é produzida pela farmacêutica
dinamarquesa Bavarian Nordic. A vacina já é aplicada nos Estados Unidos, Reino
Unido, Canadá e Alemanha para conter o surto atual de varíola dos macacos.
Tecnologia. A Jynneos contém mesmo vírus
vaccinia utilizado na ACAM2000, mas ele é enfraquecido em laboratório para se
tornar incapaz de causar doença grave, inclusive em imunossuprimidos. Por isso,
nos EUA, o CDC autoriza o uso da vacina em pessoas com 18 anos ou mais com
certas deficiências ou condições imunológicas, como HIV e dermatite atópica.
Duas doses e seringa comum. A aplicação
da vacina é subcutânea —método "habitual", com a seringa de uma
agulha — e requer duas doses, a segunda quatro semanas após a primeira.
Tempo para proteção. Duas semanas
após a aplicação da segunda dose.
Reações adversas. Pode haver efeitos comuns em qualquer vacinação,
como dor, inchaço e vermelhidão no local da aplicação.
Contraindicações. Segundo do
CDC, pessoas com alergia grave à proteína do ovo ou qualquer componente da
vacina (gentamicina, ciprofloxacina) não devem receber a Jynneos. O CDC diz que não há dados de pesquisa sobre o uso do imunizante em grávidas ou amamentando, mas estudos em animais não mostram evidências de danos
reprodutivos. Portanto, a vacina não é contraindicada para gestantes e lactantes.
Quem deve tomar
A OMS ainda não recomenda a vacinação em massa da população contra a varíola dos macacos — por não haver doses suficientes. Nos EUA, o infectologista Rico Vasconcelos diz que a vacinação é recomendada para profissionais da saúde que podem entrar em contato com o vírus ao atender pacientes ou no laboratório e para homens gays e bissexuais que moram onde há maior circulação do vírus e que tem critérios de maior vulnerabilidade a ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), tais como maior número de parcerias sexuais e antecedente de ISTs.
"Essas vacinas, em geral, são aplicadas antes de uma infecção, para proteger a pessoa do vírus. Mas podem também ser utilizadas como Profilaxia Pós-Exposição para proteger quem teve contato próximo com uma pessoa diagnosticada com a doença", explicou Vasconcelos.
O
que é a varíola dos macacos?
É uma zoonose
viral, isto é, uma doença infecciosa que passa de animais para humanos, causada
pelo vírus de mesmo nome (varíola dos macacos). Este vírus é membro da família
de Orthopoxvirus, a mesma do vírus da varíola, doença já erradicada entre
os seres humanos.
Onde surgiu a varíola dos
macacos?
A varíola
dos macacos foi identificada pela primeira vez em 1958 entre macacos de
laboratório. O primeiro caso em humanos foi notificado em 1970, na República
Democrática do Congo (antigo Zaire), e desde então a doença tem sido detectada em países nas
regiões central e ocidental da África, sendo considerada endêmica lá, ou seja,
com incidência relativamente constante ao longo dos anos.
Somente em
2003 a doença foi registrada fora daquele continente — naquele ano, ocorreu um
surto nos Estados Unidos entre pessoas que tinham como animal de estimação
cão-da-pradaria (um tipo de roedor) e que haviam tido contato próximo com um
grupo de animais importados da África. Não se sabe se os macacos são a espécie
onde este vírus surgiu precisamente.
Por que surgiram muitos novos
casos da varíola dos macacos?
Uma
investigação epidemiológica está em andamento para tentar explicar o motivo do
surgimento dos surtos atuais. Existem algumas hipóteses, entre elas:
O vírus sofreu uma mutação, o que tornou sua
capacidade de transmissão muito mais eficiente;
A diminuição na proteção gerada pela vacina contra
varíola desde que os programas de vacinação foram suspensos há cerca de 40
anos;
Um nicho populacional novo propício para a
disseminação.
Quais os sintomas da varíola dos
macacos?
A doença
começa com febre; fadiga; dor de cabeça; dores musculares, ou seja, sintomas
inespecíficos e semelhantes a um resfriado ou gripe. Em geral, de a 1 a 5 dias
após o início da febre, aparecem as lesões cutâneas (na pele), que são chamadas
de exantema ou rash cutâneo (manchas vermelhas). Essas lesões aparecem
inicialmente na face, espalhando para outras partes do corpo.
Elas vêm acompanhadas
de prurido (coceira) e aumento dos gânglios cervicais, inguinais e uma erupção
formada por pápulas (calombos), que mudam e evoluem para diferentes estágios:
vesículas, pústulas, úlcera, lesão madura com casca e lesão sem casca com pele,
completando o processo de cicatrização. Vale ressaltar que uma pessoa é
contagiosa até que todas as cascas caiam — as casquinhas contêm material viral
infeccioso — e que a pele esteja completamente cicatrizada.
Os casos
atuais têm apresentado alguns elementos atípicos, como a ausência dos sintomas
de mal-estar iniciando o quadro clínico, e também a manifestação do exantema
que começa na área genital e perianal e pode não se espalhar para
outras partes do corpo.
Como é a transmissão da varíola
dos macacos?
A varíola
dos macacos não se espalha facilmente entre as pessoas — a proximidade é fator
necessário para o contágio. Sendo assim, a doença ocorre quando o indivíduo tem
contato muito próximo e direto com um animal infectado (acredita-se que os
roedores sejam o principal reservatório animal para os humanos) ou com outros
indivíduos infectados por meio das secreções das lesões de pele e mucosas ou
gotículas do sistema respiratório.
A
transmissão pode ocorrer também pelo contato com objetos contaminados com
fluídos das lesões do paciente infectado — isso inclui contato a pele ou
material que teve contato com a pele, por exemplo as toalhas ou lençóis usados
por alguém doente.
Qual o tempo de incubação do
vírus?
O tempo de
incubação — intervalo entre o contato com uma pessoa infectada e o aparecimento
do primeiro sintoma — é entre 5 e 21 dias.
Como é feito o diagnóstico da
varíola dos macacos?
O
diagnóstico clínico, baseado em sinais, sintomas e história, pode ser
facilmente confundido com outras condições, como catapora ou molusco
contagioso.
O
diagnóstico definitivo requer teste de laboratório específico, o PCR que
detecta o vírus nas lesões de pele, mas essa ferramenta não está disponível em
laboratórios clínicos, somente em alguns laboratórios de referência fora do
Brasil, e, ainda assim, em quantidade limitada.
Qual o tratamento para a varíola
dos macacos?
A varíola
dos macacos tende a ser leve e, geralmente, os pacientes se recuperam em
algumas semanas sem tratamento específico, apenas com repouso, muita hidratação
oral, medicações para diminuir o prurido e controle de sintomas como febre ou
dor.
Existem
medicamentos antivirais, como o tecovirimat e o cidofovir, que
podem ser usados em pessoas sob risco de complicações, mas que não são
facilmente disponíveis comercialmente.
A varíola dos macacos tem cura?
Sim, como na
maioria das viroses agudas, o próprio sistema imunológico é capaz de eliminar o
vírus e o paciente ficar completamente curado, sem intervenção alguma. No
entanto, é essencial controlar e quebrar as cadeias de transmissão por meio da
identificação de casos, com orientação de isolamento, a fim de se reduzir o
número total de infectados.
A vacina da varíola humana
protege contra a varíola dos macacos?
Sim, estudos
apontam que a vacinação prévia contra varíola pode ser eficaz contra a varíola
de macacos em até 85% — isso ocorre porque ambos os vírus pertencem à mesma
família e, portanto, existe um grau de proteção cruzada devido à homologia
genética entre eles. Entretanto, como a varíola humana foi erradicada há mais
de 40 anos, atualmente não há vacinas disponíveis para o público em geral.
Qual a diferença entre a varíola
dos macacos e a varíola humana?
As duas
doenças têm sintomas semelhantes, porém a varíola dos macacos parece ser mais
leve e menos contagiosa do que a versão humana. A varíola humana foi um flagelo
de grandes proporções, com mortalidade em 30% dos casos de infecção — ela foi
erradicada em 1980.
Varíola dos macacos pode matar?
Pode, mas o
risco é baixo. Existem dois grupos distintos do vírus da varíola de macacos
circulando no mundo, agrupados com base em suas características genéticas: um
predominantemente em países da África Central — com taxa de fatalidade de cerca
de 10% —, e outro circulando na África Ocidental, com taxa bem menor, de 1%. A
vigilância genômica ainda incipiente mostra que o vírus em circulação fora do
continente africano é o menos letal.
Complicações
podem ocorrer, principalmente infecções bacterianas secundárias da pele ou dos
pulmões, que podem evoluir para sepse e morte ou disseminação do vírus para o
sistema nervoso central, gerando um quadro de inflamação cerebral grave chamado
encefalite, que pode ter sequelas sérias ou levar ao óbito.
Além disso,
como toda doença viral aguda, a depender do estado imunológico do paciente e
das condições e acesso à assistência médica adequada, alguns casos podem levar
à morte.
Fonte: Ana Luíza Gibertoni Cruz, médica infectologista da UK Health Security Agency e pesquisadora no Departamento de Saúde Populacional da Universidade de Oxford, na Inglaterra; José David Urbaez Brito, médico infectologista, presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Se aprovado o PL do Veneno causará sete impactos à saúde pública e aos trabalhadores rurais
Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) atendeu ao pedido de agilidade para trâmite da proposta, sem passar por outras comissões.
Após manobra da bancada ruralista, proposta criticada por pesquisadores
e ambientalistas pode ser votada a qualquer momento, no Senado. PL retira poder
de decisão do Ibama e da Anvisa sobre a liberação dos produtos e flexibiliza
regras sobre agrotóxicos, com impactos à saúde pública. Especialistas apontam
aumento de contaminação de alimentos e da água, danos à saúde dos trabalhadores
e até problemas às exportações do país.
Antecipação da votação
do chamdo PL do Veneno permitirá que ele seja analisado somente pela Comissão de
Agricultura, sem passar pelas outras comissões (como a do Meio Ambiente e de
Assuntos Sociais) - o que pode acontecer antes do recesso parlamentar, que
começa na próxima segunda-feira (18). O projeto retira poder de decisão do
Ibama e da Anvisa sobre a liberação dos produtos e flexibiliza regras sobre
agrotóxicos causando ddanos à saúde pública.
Jair Bolsonaro (PL) vem adotando uma política de
liberação de agrotóxicos desde o início do seu governo. Nos últimos três anos,
foram aprovados 1.682 novos produtos, segundo levantamento feito pelo site Repórter
Brasil. Quase a metade (45%) de todos os pesticidas vendidos no país foram
registrados no atual governo.
No final de 2021, o presidente aprovou um decreto que alterou a Lei dos Agrotóxicos (Altera os arts 3º e 9º da Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989), o que permitirá que produtos que causam doenças como câncer possam ser liberados no Brasil, caso exista um "limite seguro de exposição" e criou uma tramitação prioritária para aprovação de novos pesticidas. O decreto foi visto como mais uma saída "fácil" para a flexibilização das regras de agrotóxicos, já que um projeto de lei sobre o tema seguia parado na Câmara dos Deputados desde junho de 2018, o PL 6299/2002.
Apesar dos atos presidenciais, os decretos são frágeis já que poderiam ser revogados. Ao manobrar para acelerar a aprovação do chamado 'PL do Veneno', como ocorreu na semana passada, senadores da bancada ruralista buscam consolidar o que já foi conquistado por meio do Executivo, segundo especialistas.
"Uma vez aprovado, o PL deixa mais forte e contundente todo o desmonte proporcionado pelo governo", analisa Rafael Rioja, coordenador de consumo sustentável do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).
Rodrigo Pacheco atendeu aos pedidos de agilidade ao
trâmite da proposta
A possibilidade de fim do mandato de Bolsonaro é uma preocupação para a
Frente Parlamentar Agropecuária. Com a entrada de um governo mais preocupado
com o meio ambiente e saúde, os parlamentares estão fazendo de tudo para que o
projeto seja aprovado o quanto antes.
"A sociedade tem que debater
esse tema muito mais do que estão debatendo. Não dá para aprovar uma lei que
está envenenando a água, os alimentos, o meio ambiente, pulando comissões. É
inaceitável", critica Suely Araújo, ex-presidente do Ibama.
Investigação do site Repórter Brasil e da Agência Pública mostrou que cinco
senadores da Comissão da Agricultura foram multados em R$ 444,9 mil por
infrações e crimes ambientais nos últimos 23 anos. A maioria dos senadores
da comissão é ligada à Frente Parlamentar Agropecuária, a bancada ruralista.
Em abril, os parlamentares se reuniram com o presidente do Senado
Rodrigo Pacheco para cobrar agilidade na tramitação desse e de outros projetos
com impacto ambiental - e foram prontamente atendidos. Como o projeto de lei
foi aprovado na Câmara dos Deputados por 301 a 150 votos em fevereiro, caso
passe no Senado, vira lei.
"Esse projeto não interessa à sociedade, aos consumidores, à população, justamente pelos impactos na saúde e no meio ambiente. Se tem um setor que se beneficia é o que vem se posicionando a favor dele", afirma Rioja, do Idec, referindo-se aos fazendeiros e empresários ligados ao agronegócio.
O projeto recebeu críticas por parte de diversas organizações, tais como o Ministério da Saúde, Anvisa, Ibama, Instituto Nacional do Câncer, Fiocruz e a Onu. Porém, a pergunta que fica é: "o que muda na sua vida caso a manobra dos senadores dê certo?" Especialistas explicam quais os impactos à saúde, à vida dos trabalhadores rurais e ao meio ambiente caso o PL do Veneno seja aprovado.
1) Projeto significa mais veneno na
alimentação dos brasileiros
As
análises feitas na água e nos alimentos no Brasil mostram que já estamos em um
cenário preocupante. Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Agricultura este
ano analisou 37 produtos e mostrou que 89% das amostras do feijão-de-corda
e 32% do feijão comum, coletadas em 2019, continham resíduos de agrotóxicos
proibidos ou acima do permitido. O pimentão e o morango foram os outros dois
produtos com maior índice de contaminação, com 64% e 57% das amostras em
desconformidade, respectivamente.
Nem o
lanche das crianças fica de fora. Uma pesquisa publicada no ano passado pelo
Idec (revelou que 59% dos ultraprocessados mais consumidos no país, como
cereais matinais, bolachas, bebidas lácteas e pães, tinham resíduos de agrotóxicos. Em 14 dos 27 produtos analisados, foi identificada a
presença de glifosato ou glufosinato, herbicida relacionado à má formação
embrionária e a problemas no sistema nervoso central em ratos.
E se está no alimento, também está na água que sai da sua torneira. Em março deste ano, 50 cidades do país apresentam agrotóxicos acima do limite em suas águas. Os dados são resultados de testes realizados entre 2018 e 2020 por empresas ou órgãos de abastecimento e enviados ao Sisagua (Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano), do Ministério da Saúde. Dos 27 pesticidas monitorados na água do país, 19 são tão perigosos à saúde que foram proibidos na União Europeia e cinco são "substâncias eternas", tão resistentes que nunca se degradam.
2) Proposta omite risco de produtos e
pode ter impacto em casos de câncer
A mais
grave das mudanças criadas pelo PL do Veneno, segundo especialistas, é a
exclusão de critérios que podem impedir o registro de um novo agrotóxico.
Atualmente, qualquer substância que cause câncer, mutações no DNA ou má
formação fetal não pode ser aprovada para uso no Brasil. O novo texto,
entretanto, não cita nenhuma vez a palavra câncer nem especifica outros
possíveis danos ao organismo.
Segundo a
proposta, só será proibido o registro de novos produtos caso, "nas condições recomendadas de uso,
apresentem risco inaceitável para os seres humanos e para o meio ambiente".
O critério para definir o que é um "risco aceitável" não está
detalhado na proposta. "Botando o 'liberou geral' numa lei que tira as
restrições atuais só vai deixar o cenário pior", afirma Suely Araújo,
especialista em políticas públicas do Observatório do Clima e ex-presidente do
Ibama.
Araújo
comenta que, se o projeto for aprovado, tanto a população quanto o solo, água e
ar estarão mais expostos a agrotóxicos proibidos em outros países e
reconhecidamente prejudiciais. "Esse
PL implode com o sistema atual", complementa.
O Brasil
é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e principal destino de
produtos proibidos em outros países e regiões, como a União Europeia.
"Quem é que aceita esse tipo de risco à
exposição ao veneno? Todas as vezes que os senadores foram questionados, não
conseguiram sustentar ou explicar
essa questão nas audiências públicas", afirma Juliana Acosta, da
Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida.
3) Trabalhadores rurais ficarão mais
expostos a riscos
Expostos
diariamente aos produtos nocivos, os assalariados rurais e os agricultores
familiares representam o elo mais frágil. Entre 2010 e 2019, 7.163
trabalhadores rurais foram atendidos em hospitais e diagnosticados com
intoxicação por agrotóxico dentro do ambiente de trabalho ou em
decorrência da atividade profissional, segundo dados do Sinan (Sistema de
Informação de Agravos de Notificação), do Ministério da Saúde.
O quadro vai se agravar caso o projeto de lei seja aprovado. "É uma situação grave. Sabemos que o trabalhador vai acabar ficando exposto. Temos diversos relatos: situações de como fica a pele do trabalhador, casos de câncer, que a cada dia aumentam, a contaminação da família, porque o trabalhador vai para casa contaminado. É uma série de preocupações", afirma Gabriel Santos, presidente da Contar (Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais). Juliana Acosta concorda: "o trabalhador da agricultura é o que estará mais exposto, e entrará em contato com substâncias ainda mais danosas".
Segundo o
PL, novos produtos só serão vetados em caso de "risco inaceitável mesmo diante de medidas de gestão de risco",
ou seja, mesmo com o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). A
ausência de critérios sobre o que é ou não aceitável pode colocar em risco a
saúde dos trabalhadores do campo.
É o que teme o presidente da Contar. O sindicalista, que já foi aplicador de veneno em lavouras de arroz e soja no Rio Grande do Sul, explica que mesmo atualmente o uso de EPIs "não é garantia de tranquilidade". Quando você está trabalhando com um macacão de Tyvek, 7.163 trabalhadores rurais foram atendidos em hospitais e diagnosticados com intoxicação por agrotóxico, uma máscara de carbono, com luva, às vezes num sol escaldante de 40 graus, será que você vai aguentar trabalhar o dia todo nessa situação?", questiona. "É muito difícil. Sabemos que o trabalhador vai acabar ficando exposto".
Não é
somente Santos que tem preocupações sobre o uso dos EPIs. Durante 7.163
trabalhadores rurais foram atendidos em hospitais e diagnosticados com
intoxicação por agrotóxico, substância que pode gerar mutações genéticas e
doença de Parkinson, a indústria afirmou diversas vezes que o uso correto dos
equipamentos de segurança evitaria a contaminação dos trabalhadores. Contudo,
especialistas, ouvidos à época, afirmaram que os protocolos para uso eram
complexos e de difícil execução, além disso, as roupas eram extremamente
quentes, tornando as medidas impraticáveis em algumas regiões do país.
4) Exportações brasileiras podem ser
barradas pelo uso de agrotóxicos
Com a
aprovação da nova lei, a liberação de mais produtos pode se intensificar e
impactar até as exportações brasileiras. Em 2012, por exemplo, os Estados
Unidos suspenderam a venda de suco de laranja vindo do Brasil devido à presença
de carbendazim na bebida, agrotóxico que pode causar defeitos genéticos,
prejudicar a fertilidade e o feto, além de ser tóxico para a vida aquática.
"Teremos impacto econômico com a aprovação do PL", garante Acosta. "Já existe precedente para que outros países barrem os produtos brasileiros com substâncias específicas proibidas em seus países. Quem é que vai ganhar com essa mudança?", indaga?
5) Projeto tira poder de decisão da
ciência e entrega para a política
Outro ponto questionado por pesquisadores e ambientalistas é o
enfraquecimento da Anvisa e do Ibama, enquanto o Ministério da Agricultura
ganha maior poder decisório. Hoje, os três órgãos são responsáveis pela análise
sanitária, ambiental e agrícola do registro de um agrotóxico. Caso o projeto
seja aprovado, o ministério será o único responsável pela análise e registro
dos produtos, enquanto os outros dois órgãos deverão apenas homologar a
avaliação da pasta.
"Hoje, os três órgãos estão em pé de igualdade. Se a Anvisa definir
por banir um agrotóxico por ser inaceitável para a saúde humana, ele é proibido
no Brasil. A partir do momento que ela não tiver mais esse poder, passa a
sugerir ao ministério o banimento, que pode aceitar ou não. Haverá uma
concentração de poder", explica Juliana Acosta.
A proposta também cria um prazo máximo para análise de registros de
novos produtos. O texto prevê que os pedidos devem ser analisados entre 30 dias
e 2 anos. Se os três órgãos não conseguirem analisá-los dentro do prazo,
poderão responder civil, penal e administrativamente, tendo que pagar multa em
alguns casos, e os produtos receberão automaticamente uma autorização temporária.
Na prática, há a possibilidade de diversos produtos que fazem mal à saúde e ao
meio ambiente sejam registrados.
Hoje, a revisão de registros de agrotóxicos já é problemática. Os
processos para reavaliação de produtos são demorados e muitos, mesmo com o
risco à saúde e sendo banidos em outros países, acabam não tendo seu registro
cancelado no Brasil. O glifosato é um exemplo: apesar de ter seu uso
banido em diversos países como México, Catar e Vietnã, ser considerado
provavelmente cancerígeno pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer
(Iarc) e ser um dos pesticidas que mais matam brasileiros por intoxicação,
o Brasil optou por manter seu registro
após uma reavaliação que durou 12 anos.
6) Mesmo proibidos no país,
pesticidas poderão ser produzidos para a exportação
O projeto
também altera regras que irão impactar diretamente os trabalhadores dos
fabricantes de agrotóxicos. Caso aprovado, as empresas não precisarão mais
registrar um produto que seja destinado à exportação e terão apenas que
comunicar ao órgão responsável qual o produto e a quantidade a ser enviada ao
exterior.
Além
disso, não será mais necessário que o fabricante apresente estudos
toxicológicos e ambientais para a sua produção no Brasil de agrotóxicos
destinados ao mercado exterior.
A
proposta é criticada por especialistas. Segundo eles, o PL não considera os
riscos relacionados ao processo de produção industrial, assim como os riscos
aos trabalhadores que estarão lidando diretamente com aqueles produtos e as
contaminações ambientais decorrentes da produção. "Toda uma cadeia
produtiva que não passa [pela fiscalização] dos órgãos de regulação",
lamenta Acosta.
7) A compra de agrotóxicos poderá ser
feita sem prescrição correta
O texto
ainda cria a possibilidade de engenheiros agrônomos, florestais e técnicos
agrícolas prescreverem, de forma preventiva, receitas para o uso de agrotóxicos
em caso de pragas. O projeto torna mais fácil a compra de produtos sem que haja
uma necessidade de uso, deixando os trabalhadores rurais expostos a doses e
produtos que não passaram por uma avaliação de um especialista. Críticos ao
texto afirmam que essa medida irá criar "receituários de gaveta".
Hoje, a
venda de agrotóxico só acontece mediante a apresentação de uma receita dada por
um especialista. Esse profissional, por sua vez, atua como um médico, analisa
as condições da lavoura e recomenda qual pesticida deve ser utilizado, a
quantidade, os EPIs, as restrições de uso, entre outros alertas. O principal
objetivo da receita é garantir a segurança na venda e no uso dos venenos.
Falta de aminoácido na dieta pode favorecer acúmulo de gordura no fígado
Imagem: Istock
A metionina influencia um processo bioquímico conhecido como "metilação do DNA" (adição de um radical metil à molécula de DNA).
Depois de demonstrar que a dieta pode interferir na expressão gênica, a ciência começa a identificar os mecanismos pelos quais isso acontece.
Segundo estudo recente publicado na revista Food and Chemical Toxicology, a dieta suplementada ou deficiente em metionina, um aminoácido essencial fornecido por alimentos proteicos, tem o poder de interferir na expressão de genes relacionados ao metabolismo das gorduras nas células do fígado e de genes modificadores da cromatina (material genético enrolado em proteínas).
O trabalho investigou como a metionina influencia um processo bioquímico conhecido como "metilação do DNA" (adição de um radical metil à molécula de DNA). Trata-se de um dos mecanismos da chamada epigenética, termo que se refere a mudanças no perfil de expressão dos genes que definem as características apresentadas por um indivíduo (o fenótipo) e podem se repetir na divisão celular e até mesmo ser transmitidas aos descendentes, embora não estejam relacionadas com alterações na sequência de DNA (o genótipo). Um dos aspectos mais estudados da atualidade é a relação entre as alterações no padrão de metilação e o surgimento de doenças.
Para chegar à descrição dos mecanismos epigenéticos
envolvidos nas alterações em células hepáticas, os pesquisadores realizaram
experimentos com camundongos. Parte dos animais foi alimentada com dieta
deficiente de metionina e, os demais, com dieta suplementada com o aminoácido.
Após esse período, as células hepáticas foram congeladas e submetidas a
análises moleculares.
Este é o quarto estudo publicado pelo Grupo de Pesquisa em Nutrigenômica da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP) e tem como base os dados gerados durante o doutorado de Alexandre Ferro Aissa, que teve bolsa de doutorado e de estágio no exterior da FAPESP.
O trabalho tem ainda a colaboração da equipe
coordenada por Igor Pogribny, pesquisador do National Center for
Toxicological Research, nos Estados Unidos, e pioneiro na publicação de
estudos sobre a metilação e o papel da metionina. O alvo de Pogribny é a doença
hepática gordurosa não alcoólica, a chamada esteatose hepática, atualmente
considerada uma epidemia. Foi o próprio Pogribny quem sugeriu que Aissa focasse
seus estudos nas ações da metionina sobre células do fígado.
Em artigos anteriores, como o publicado em 2014 na revista Molecular Nutrition & Food Research, o grupo da FCFRP-USP demonstrou que a deficiência e a suplementação de metionina na dieta podem induzir anormalidades moleculares no fígado associadas ao desenvolvimento de doença hepática gordurosa não alcoólica, incluindo a expressão alterada de genes que leva ao acúmulo de lipídios no fígado.
Os pesquisadores também constataram que o
acúmulo de gorduras nas células hepáticas aconteceu apenas quando houve
deficiência de metionina. São situações que predispõem a doenças, como a
cirrose, e ao surgimento do câncer. "Mas ainda não sabíamos como isso
ocorria", diz Aissa à Agência FAPESP.
Os achados contribuem para o melhor entendimento da
atividade dos compostos presentes na dieta sobre a regulação gênica. Um dos
seus méritos é avançar na compreensão do impacto da dieta sobre a ação dos
microRNAs (ou miRNAs, pequenas moléculas de RNA que não dão origem a proteínas,
mas regulam o funcionamento de genes).
"Vimos que dietas com concentrações inadequadas de metionina, especialmente aquelas deficientes, podem envolver a desregulação de vários microRNAs que desempenham papel significativo na homeostase hepática", destaca Lusânia Maria Greggi Antunes, autora correspondente e coordenadora do Grupo de Nutrigenômica da FCFRP-USP.
"Nossas análises indicaram uma quantidade considerável de genes que
poderia ser alvo da ação desses microRNAs ligados à homeostase hepática,
incluindo miR-190b-5p, miR-130b-3p, miR-376c-3p, miR-411-5p, miR-29c-3p,
miR-295-3p e miR-467d-5p, com a dieta deficiente em metionina causando um
efeito mais substancial", relata Aissa.
Biomarcadores
Para Antunes, "a contribuição específica deste
trabalho é fornecer uma lista de alguns desses biomarcadores relacionados a uma
alteração tecidual, como os genes que têm o padrão de metilação alterado e os
microRNAs associados a esse processo. Tudo isso pode ser utilizado para
melhorar o diagnóstico e o prognóstico".
O grupo ainda tem muitos dados a serem analisados.
O trabalho atual, por exemplo, foi feito em camundongos fêmeas no período
reprodutivo, o que permitirá análises futuras sobre as repercussões da dieta
suplementada ou deficiente nos descendentes. Há também dados sobre a relação
entre o metabolismo da metionina e sua influência, também por mecanismos
epigenéticos, no desenvolvimento de doenças do coração.
Vale destacar que o estudo analisou a influência da
metionina na expressão dos genes, o que varia de indivíduo para indivíduo. E
que os resultados, segundo os pesquisadores, sugerem que o consumo excessivo do
aminoácido também pode ser nocivo. O ideal é consultar um nutricionista antes
de qualquer alteração na dieta ou de iniciar o uso de suplementos.
O artigo Epigenetic changes induced in mice liver by methionine-suplemented and methionine-deficient diets pode ser lido em: pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35314295/.
A Prefeitura de Ubá (Secretaria Municipal de Saúde), iniciou na segunda-feira (04), as Campanhas de Vacinação contra a Gripe (Influenza) e contra o Sarampo. A previsão é que as terminem no dia 03 de junho.
Durante a primeira etapa da vacinação contra a Gripe, de 04 de abril a 02 de maio, serão imunizados idosos com 60 anos ou mais e os trabalhadores da saúde. Já na primeira fase da vacinação contra o Sarampo, que acontece no mesmo período, serão contemplados os trabalhadores da saúde.
As vacinas estarão disponíveis de segunda a sexta-feira, exclusivamente nas Unidades Saúde Santa Bernardete/Industrial, Palmeiras, São José, Peluso, São Sebastião, Eldorado/São Domingos, Santa Edwiges, Cohab, Cibraci, Pires da Luz, São João, Bom Pastor, Colônia, Schiavon, Ubari , Diamante e Miragaia.
Para ser imunizado será necessário apresentar cartão de vacina, CPF e o comprovante de Profissional de Saúde em atuação.
Segunda etapa
A segunda etapa das Campanhas de Vacinação contra a Gripe e o Sarampo ocorrem entre os dias 03 de maio e 03 de junho. Nesta fase o público-alvo da imunização contra a Influenza inclui crianças de 06 meses a menores de 05 anos de idade (04 anos, 11 meses e 29 dias), gestantes, puérperas, povos indígenas, professores, pessoas com comorbidades e deficiências permanentes, caminhoneiros, trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano e de longo curso, trabalhadores portuários, forças de segurança e salvamento, forças armadas, funcionários do sistema de privação de liberdade, população privada de liberdade e adolescentes e jovens em medidas socioeducativas.
Já a vacinação contra o Sarampo será focada em crianças de 06 meses a menores de 05 anos de idade.
---
Endereço das Unidades Básicas de Saúde
ESF Santa Bernadete/Industrial
Endereço: Rua Antenor Machado, 340 – Centro
Telefone: 3301-6501
ESF Palmeiras
Endereço: Rua Onofre Leite Alves, 55, Altair Rocha
Telefone: 3539-6192
ESF São José
Endereço: Rua Dionísio Magaton, 25 - São José
Telefone: 3539-6199
ESF Peluso
Endereço: Rua Armando Moreira Mendes, 75 – Peluso
Telefone: 3539-6195
ESF São Sebastião
Endereço: Rua Farmacêutico José Rodrigues de Andrade, 50 - São Sebastião
Telefone: 3539-6169
ESF’s Eldorado/São Domingos
Endereço: Rua Tancredo Graciano de Souza, 102 - Santa Clara
Telefone:3539-6210
ESF Santa Edwiges
Endereço: Av. Elpídia da Silva Fagundes, S/N, Santa Edwiges
Telefone: 3531-4917
ESF Cohab
Endereço: Av. Levindo Coelho, 1274 - Cohab
Telefone: 3539-6170 / 3531-9365
ESF Cibraci
Endereço: Rua Alagoas, 176 – Chiquito Gazolla.
Telefone: 3541-1233
ESF Pires da Luz
Endereço: Rua Vereador João G. Pereira, S/N, Pires da Luz
Telefone: 3532-6394
ESF São João
Rua José de Assis Nogueira, 79 - Vila Flanel
Telefone: 3539- 6193
ESF Bom Pastor
Endereço: Rua José Médice, 350 – Bairro da Luz
Telefone: 3539-6320
ESF Colônia
Endereço: Praça José Custódio Pereira, 231 – Povoado São Domingos
Telefone: 3533-8102 / 3539-8394
ESF Schiavon
Endereço: Av. Amadeu José Schiavon, 494, Palmeiras
Telefone: 3539-6179
ESF Ubari
Endereço: Rua Santo Antônio, 15 - Distrito de Ubari
Telefone: 3539-9100
ESF Diamante
Endereço: Rua Mário Tereza Pontes, S/N - Distrito de Diamante
Telefone: 3533-6880
ESF Miragaia
Endereço: Rua Cel. João Ferreira de Andrade, S/N - Distrito de Miragaia
Telefone: 3533-7106
Situações em que o FGTS pode
ser sacado
(Clique na imagem e acesse a matéria)
Clique Aqui e saiba qual a relação de documentos necessários e formulários a serem preenchidos. Em caso de solicitação do benefício pode ser consultada diretamente na página da Caixa na internet.
A Prefeitura de Ubá (Secretaria Municipal de Saúde), iniciou na segunda-feira (04), as Campanhas de Vacinação contra a Gripe (Influenza) e contra o Sarampo. A previsão é que as terminem no dia 03 de junho.
Durante a primeira etapa da vacinação contra a Gripe, de 04 de abril a 02 de maio, serão imunizados idosos com 60 anos ou mais e os trabalhadores da saúde. Já na primeira fase da vacinação contra o Sarampo, que acontece no mesmo período, serão contemplados os trabalhadores da saúde.
As vacinas estarão disponíveis de segunda a sexta-feira, exclusivamente nas Unidades Saúde Santa Bernardete/Industrial, Palmeiras, São José, Peluso, São Sebastião, Eldorado/São Domingos, Santa Edwiges, Cohab, Cibraci, Pires da Luz, São João, Bom Pastor, Colônia, Schiavon, Ubari , Diamante e Miragaia.
Para ser imunizado será necessário apresentar cartão de vacina, CPF e o comprovante de Profissional de Saúde em atuação.
Segunda etapa
A segunda etapa das Campanhas de Vacinação contra a Gripe e o Sarampo ocorrem entre os dias 03 de maio e 03 de junho. Nesta fase o público-alvo da imunização contra a Influenza inclui crianças de 06 meses a menores de 05 anos de idade (04 anos, 11 meses e 29 dias), gestantes, puérperas, povos indígenas, professores, pessoas com comorbidades e deficiências permanentes, caminhoneiros, trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano e de longo curso, trabalhadores portuários, forças de segurança e salvamento, forças armadas, funcionários do sistema de privação de liberdade, população privada de liberdade e adolescentes e jovens em medidas socioeducativas.
Já a vacinação contra o Sarampo será focada em crianças de 06 meses a menores de 05 anos de idade.
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Reajuste negativo da ANS causa surpresa nos brasileiros usuários de planos de saúde

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou em julho (2021) um inédito reajuste negativo para as mensalidades dos planos de saúde. Ou seja, já está valendo - 8,19%. Isso significa que o valor pago para contratos individuais será reduzido até o próximo ano.
Dia Nacional de Combate ao Fumo
(clique na imagem e acesse a página do Inca)
No Brasil morrem mais de 440 pessoas por dia devido ao problemas causados pelo tabagismo
Um estudo realizado pela Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz), com base nos valores monetários de 2011, intitulado “Carga das Doenças Tabaco Relacionadas para o Brasil", estimou que o custo atribuível ao tabagismo chega a R$ 21 bilhões de Reais por ano para o sistema de saúde. O estudo analisou um total de 2.442.038 doenças e destas, 34% foram atribuíveis ao tabagismo.
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Cadastro para realização de exames na carreta da Fundação Cristiano Varella - Clique aqui e informe-se.
[Exames preventivos para mulheres de 25 a 64 anos; Mamografia (pacientes de 50 a 69 anos e de 40 a 49 anos com pedido médico), e PSA (para homens a partir dos 45 anos), durante a permanência da carreta da Fundação Cristiano Varella, em Ubá, entre os dias 30 de agosto e 03 de setembro de 2021.
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Clima seco de inverno acirra crises respiratórias e acelera uso de medicamentos prejudicando fígado e rins
![]() |
| Mais da metade dos entrevistados brasileiros apresentam alergia respiratória, além de uma vez por mês, e 81% das pessoas têm crises com duração de até uma semana. |
Uso prolongado do medicamento traz malefícios para a saúde, como sobrecarga do fígado e dos rins. Estados como Minas Gerais, que tem clima bastante seco nesta época do ano concentra de partículas no ar por mais tempo. Com isso, os relatos de crises provocadas por alérgenos costumam saltar durante esse período.
Contudo, um alerta deve ser feito em relação ao uso prolongado de antialérgicos. “Mesmo que sejam medicamentos livres, é fundamental não utilizá-los de forma excessiva – assim como qualquer outro –, uma vez que pode diminuir ou perder o efeito. Além disso, pode afetar e sobrecarregar o organismo e causar efeitos adversos”, reforça Iwanna.
Mas, qual a diferenças entre alergia e doença viral?
Eficácia em confronto com eficiência
Compare as vacinas contra covid-19 disponíveis no Brasil
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Chegou o inverno com seus mitos e verdades em relação à saúde humana
Gripes, resfriados, asma, bronquite, rinite e outras complicações tendem a se manifestar com maior intensidade no inverno.
Entenda como a estação mais temida por uns e amada por outros afeta o corpo e organismo. Especialistas desvendam os benefícios e desvantagens do frio para a beleza e a saúde.
o que acaba levando muitas pessoas a adotarem hábitos equivocados. "Com as temperaturas mais baixas, a tendência é querer 'esquentar' o corpo com alimentos com alto teor de açúcar e gordura. Mas, é preciso cuidado porque costuma-se praticar menos exercícios físicos, e é possível que se ganhe quilos a mais na balança", alerta o endocrinologista Alfredo Cury.
Quem também pode sofrer com o frio é a pele, como explica a dermatologista Samantha Enande. "O nosso corpo tem em torno de 36ºC e, quando a temperatura do lado de fora começa a cair, ele perde calor na forma de vapor d'água, ficando cada vez mais desidratado e perdendo alguns sais minerais e nutrientes importantes. A pele, então, acaba ficando fragilizada, ressecada e começam a aparecer as dermatites, que são os processos inflamatórios." Para manter o corpo e a saúde em dia neste inverno, confira uma lista de mitos e verdades da estação segundo especialistas:
Verdade. Você certamente já se perguntou por que a gula parece vir com tudo no inverno. Pois a explicação não é apenas o fato de que ficar mais tempo em casa, debaixo das cobertas e diante da televisão desperta aquela vontade de atacar a geladeira. "Durante o inverno há um aumento no consumo energético, pois a temperatura ambiente, geralmente, é menor do que a temperatura corporal. Nosso corpo trabalha mais para se aquecer, gasta mais energia, por isso precisamos de maior quantidade de nutrientes para a reposição”, explica a nutricionista Ana Maria Gonçalves.
E a questão não é apenas comer mais. No inverno, sentimos o impulso de consumir alimentos mais calóricos e pesados, principalmente, ricos em carboidratos, que constituem uma importante e rápida fonte de energia. Como explica a nutricionista, o sinal da fome transmitido pelo organismo é resultado da ação de fatores neuronais, endócrinos, adipocitários e intestinais. "O desejo de comer não está só na necessidade de repor energia, ele também está presente nas nossas cabeças, no anseio por alimentos quentes e que produzem conforto gastrointestinal."
Mito. Do fondue ao chocolate quente, passando pelo vinho e pela massa, as tentações no inverno não são poucas. Mas, apesar de o corpo precisar repor os gastos energéticos para se manter aquecido e os alimentos calóricos atuarem nesse sentido, não se deve riscar totalmente da dieta os legumes, verduras e frutas.
"O inverno é uma época do ano em que o nosso corpo precisa de vitaminas e minerais para aumentar nossas defesas e prevenir gripe, resfriados e demais enfermidades típicas da época de frio", afirma Ana Maria Gonçalves. Se consumí-los crus em salada não apetece tanto, vale preparar sob a forma de sopas, caldos ou ensopados.
Verdade. É normal bater aquela preguiça só de pensar em sair da cama nos dias mais frios, mas para quem quer emagrecer, essa pode ser a época ideal para dar início ao projeto verão. Isso porque no inverno o metabolismo do corpo acelera, pela necessidade de produzir mais calor, ativando mecanismos naturais que promovem a queima de gorduras. Para impulsionar ainda mais essa tendência do corpo a gastar calorias, vale manter a rotina de exercícios sempre em dia.
Mito. É verdade que com as temperaturas mais baixas, a tendência é produzir menos suor. Mas isso não significa que se deva descuidar da hidratação. Apesar de o clima ameno favorecer a redução da sudorese, o corpo compensa com o aumento da vontade de urinar, de forma que continua com a mesma necessidade de água para hidratar os tecidos e manter os órgãos funcionando.
"Outro problema relacionado à desidratação, é a diminuição da sensação de sede, que faz com que, naturalmente, a pessoa beba menos água que o habitual. Logo, manter a ingestão de entre dois a três litros de água por dia é o ideal", recomenda o médico ortomolecular Dr. Gilberto Kocerginsky.
Verdade. Você sabia que é nesse período que as clínicas de cirurgia plástica apresentam um aumento de cerca de 40% no movimento? E isso tem explicação. De acordo com o cirurgião Dr. Marcelo Daher, a tendência é que as pessoas passem mais tempo em casa e se exponham menos ao sol, o que torna o pós-operatório muito mais agradável. "A preocupação não está com a cirurgia em si, mas sim no pós-operatório. As cirurgias nos seios, abdômen e lipoaspiração, por exemplo, exigem o uso da cinta durante dias ou até mesmo meses, o que pode incomodar nos dias quentes de verão."
A dermatologista Flavia Medina destaca ainda os efeitos negativos que o sol poderia ter sobre a pele. “O sol é inimigo da cicatrização e prejudica a recuperação da pele, podendo até piorar ou agravar o estado da cútis se exposta ao sol durante um tratamento”, alerta.
Verdade. As baixas temperaturas características do inverno provocam algumas mudanças no corpo das mulheres e, segundo o ginecologista Domingos Mantelli, a fertilidade também pode ser afetada. "Pode acontecer de a mulher não ovular, já que a baixa imunidade pode afetar a ovulação."
Além disso, o frio diminui a vascularização das mamas, podendo provocar algum desconforto. "O frio gera uma vasoconstrição e diminui o aporte sanguíneo para nódulos ou cistos e, consequentemente, pode dar um pouco mais de dor em mulheres que os apresentam", explica. Outras alterações que podem ser decorrentes das temperaturas mais baixas são mudanças no pH vaginal, que favorecem corrimentos vaginais e podem levar a mulher a ter mais cólicas uterinas. "É recomendável manter uma boa higiene íntima e procurar um ginecologista se tiver algum desconforto para ver se há algum corrimento e tratar", conclui o ginecologista.
Parcialmente mito. De acordo com a ginecologista e obstetra Erica Mantelli, é comum que no inverno as pessoas fiquem menos dispostas para sair ou praticar atividade física, o que também pode significar - mas não necessariamente - menos propensão a fazer sexo. "O frio leva à vasoconstrição, o que diminui a irrigação sanguínea na pele, nos órgãos genitais e zonas erógenas e pode prejudicar a sensibilidade." Mas existem várias formas de esquentar o clima entre o casal, como apostar em alimentos que melhoram a circulação sanguínea e aceleram o metabolismo, como chocolate, vinho, gengibre, pimenta e amendoim.
Mito. O sol pode até não estar brilhando tão intensamente quanto durante os dias quentes de verão, mas isso não pode servir de desculpa para você abrir mão dos cuidados com a pele. Usar protetor solar diariamente, mesmo em dias nublados, continua sendo a recomendação dos dermatologistas. “Apesar de a luminosidade ser muito maior em dias ensolarados, a luz passa pelas nuvens e reflete em tudo ao seu redor. Como os raios solares são fator de risco para o câncer de pele, além de acelerarem o envelhecimento, o uso do filtro solar deve ser um hábito diário”, garante a médica dermatologista Christiana Blattner. E não basta aplicar o produto no rosto. Todas as demais áreas expostas ao sol, como mãos, braços e colo, devem ser contempladas.
Verdade. Gripes, resfriados, asma, bronquite, rinite e outras complicações tendem a se manifestar com maior intensidade no inverno. Em primeiro lugar, porque as baixas temperaturas favorecem a aglomeração de pessoas em ambientes fechados com pouca ventilação, o que potencializa a transmissão de doenças. Além disso, explica o Dr. Gilberto Kocerginsk, nessa época do ano, o tempo de exposição ao sol é reduzido, comprometendo a concentração e a produção de Vitamina D - associada ao aumento de imunidade em relação a infecções respiratórias.
O médico ortomolecular aponta ainda que a inversão da massa de ar frio faz com que a camada de poluição do ar fique "aprisionada" mais próxima ao chão, agravando possíveis irritações das vias aéreas, olhos e pele. "É importante evitar lugares aglomerados, fechados, neste período, já que a imunidade está baixa e a chance de adquirir alguma doença, principalmente por vias respiratórias, é muito alta", recomenda o Dr. Domingos Mantelli.
Verdade. Quem sofre de dores musculares crônicas ou artrite tende a reclamar da maior intensidade dos incômodos durante o inverno. Isso acontece em função do processo de constrição vascular, ou seja, o estreitamento dos vasos sanguíneos. Além disso, Flavia Medina chama atenção para um hábito comum dessa época e que provoca a tensão muscular. “Com o frio, as contrições musculares e vasculares aumentam porque as pessoas se ‘encolhem’ mais, o que contribui para aumentar as dores”, aponta.
Para evitar esses incômodos, a alimentação pode ser uma boa aliada. "As dores musculares e câimbras podem ser resultado da própria desidratação, do mecanismo de tremor no intuito de manter a temperatura e da deficiência de alimentos ricos em potássio, como banana, alho e abacate, e em magnésio, tais quais o trigo, o tofu e o coco", indica o Dr.Gilberto Kocerginsky.
A coordenadora de Educação Física do Centro Universitário Celso Lisboa, Ana Cristina Barreto, destaca também a importância de fazer um bom aquecimento com movimentos de alongamento sem carga ou de baixa intensidade antes da atividade física. "Exercícios que induzam o aumento do fluxo de sangue, da oferta de oxigênio e nutrientes e da produção de líquido sinovial - que permita maior lubrificação das articulações - no momento da atividade muscular são fundamentais para evitar fatores de risco que possam induzir ao processo lesivo."
Verdade. A queda na umidade relativa do ar aliada às alterações na temperatura comprometem a hidratação da pele nessa época do ano. "É preciso um cuidado redobrado, pois é muito comum, além do ressecamento, rachaduras e até feridas em lábios e pés", afirma a dermatologista estética Gabriella Vasconcellos. "O ideal é usar produtos para uma pele mais sensível e fragilizada, substituir o sabonete em barra pelo líquido, que já tem um hidratante na composição, além de aproveitar os três minutinhos após o banho, quando a pele ainda está úmida e vai absorver um pouco mais dos produtos tópicos, para passar um bom hidratante", recomenda Samantha Enande.
Alguns hábitos comuns dessa época também são prejudiciais para a pele. Christiana Blattner ressalta a importância de não tomar banhos quentes e demorados, pois a água em altas temperaturas retira o manto lipídico que protege a pele. Além disso, muitas pessoas não dão tanta atenção ao cabelo quanto durante o verão. "Elas deixam de lado os tratamentos por causa do frio, lavam menos a cabeça e isso acaba acumulando muita gordura e oleosidade, além de não fazerem os tratamentos regulares nos salões, o que vai deixando os fios mais ressecados", garante a hairstylist Sonia Nesi.
Governo federal comprou e distribuiu máscaras com suspeita de falsificação
No total, foram importadas 40 milhões de máscaras e governo diz que foi uma doação, mas o Ministério da Saúde importou e distribuiu máscaras chinesas com suspeita de falsificação. Sem garantia de segurança e eficácia, os itens ficaram estocados em galpões nos estados.
Acompanhe, com este vídeo da Fiocruz, como o Brasil foi avermelhando, desde o início da pandemia, o que colapsou o sistema de saúde do país.
Assista a outros vídeos clicando aqui.
O sol é tão belo e necessário quanto perigoso!
Desde 2014, a Sociedade Brasileira de Dermatologia promove o Dezembro Laranja, iniciativa que faz parte da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele.
Pesquisa aponta que mais de 60% dos brasileiros tomam sol sem nenhuma proteção. Informe-se clicando neste subtítulo.
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| Câncer de próstata: Diariamente, 42 homens morrem em decorrência desse tipo de carcinoma e, aproximadamente, três milhões vivem com a doença. |
Novembro é o mês de conscientização sobre o bem-estar orgânico, mental e principalmente físico da população masculina, com ênfase na prevenção do câncer de próstata.
O movimento Novembro Azul teve início em 2003, na Austrália, com o objetivo de chamar a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce das doenças que atingem a população masculina, com valorização e destaque na prevenção do câncer de próstata.
É o tipo de câncer mais frequente entre os homens brasileiros, depois do de pele, ocorrendo geralmente na população masculina mais velha - cerca de 6 em cada 10 casos são diagnosticados em pacientes com mais de 65 anos.
Próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, que pesa cerca de 20 gramas e se assemelha a uma castanha. Localiza-se abaixo da bexiga e sua principal função, juntamente com as vesículas seminais, é produzir o esperma. Os principais sintomas, do câncer de próstata, na fase inicial, são quase nulos, ou seja, não apresentam manifestações de anomalias e quando alguns sinais começam a aparecer, cerca de 95% dos tumores já estão em fase avançada, dificultando a cura.
Prevenção e tratamento
A única forma de garantir a cura do câncer de próstata é o diagnóstico precoce. Mesmo na ausência de sintomas, homens a partir dos 45 anos com fatores de risco, e 50 anos sem estes fatores, devem ir ao urologista para fazer o exame de toque retal e de sangue PSA (antígeno prostático específico). O toque retal, tão temido e carregado de preconceito por parte de uma parte da população masculina brasileira, permite ao médico avaliar alterações da glândula, como endurecimento e presença de nódulos suspeitos.
Cerca de 20% dos pacientes com câncer de próstata são diagnosticados somente pela alteração no toque retal. Outros exames poderão ser solicitados se houver suspeita de câncer, como as biópsias, que retiram fragmentos da próstata para análise, guiadas pelo ultrassom transretal. A indicação da melhor forma de tratamento vai depender de vários aspectos, tais como: estado de saúde atual, estadiamento - processo para determinar a localização e a extensão do câncer presente no corpo de uma pessoa. É a forma como o médico determina o avanço da doença no organismo de um paciente - e expectativa de vida.
O exame de toque retal e de PSA, são os principais meios para detectar a doença precocemente, quando as chances de cura são maiores e os tratamentos, menos invasivos. Converse sempre com seu urologista sobre o tema, tirando dúvidas e quebrando preconceitos. A detecção e o tratamento precoces podem salvar vidas, inclusive a sua, que leu esta matéria até aqui. Lembre-se: "homem esperto se cuida". Então, previna-se, indo todos os anos ao urologista.
Saiba quais são os 10 principais mitos e verdades sobre o câncer de próstata
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Recente descoberta demonstra cada vez mais a necessidade de se lavar as mãos com frequência para combater a pandemia da Covid-19.
Em comparação, o patógeno que causa a gripe sobrevive na pele humana por aproximadamente 1,8 hora, conforme o estudo publicado este mês na revista Clinical Infectious Diseases.
O coronavírus permanece ativo na pele humana por nove horas, cinco vezes mais do que o vírus da gripe, de acordo com um grupo de pesquisadores japoneses.
Em comparação, o patógeno que causa a gripe sobrevive na pele humana por aproximadamente 1,8 hora, conforme o estudo publicado este mês na revista Clinical Infectious Diseases.
"A sobrevivência de nove horas do SARS-CoV-2 [o vírus que causa a covid-19] na pele humana pode aumentar o risco de transmissão por contato em comparação com o IAV [vírus da gripe A], acelerando, assim, a pandemia", afirma o estudo.
A equipe de pesquisa examinou a pele obtida em necropsias, aproximadamente um dia após a morte. Tanto o coronavírus quanto o vírus da gripe se tornam inativos em 15 segundos com a aplicação de etanol, usado em desinfetantes para as mãos.
"A sobrevida mais longa do SARS-CoV-2 na pele aumenta o risco de transmissão por contato. No entanto, a higiene das mãos pode reduzir esse risco", observou o estudo.
A pesquisa apoia as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) de se lavar regularmente as mãos para limitar a transmissão do vírus. No início da semana (19 de outubro) eram mais de 40 milhões de pessoas infectadas em todo mundo desde que o novo coronavírus surgiu na China, no final do ano passado, segundo a Universidade Johns Hopkins.
O Brasil ultrapassava os 5,23 milhões, seguido da Índia (7,55 milhões) e Estados Unidos (8,16 milhões).
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Cientistas detectam pela primeira vez microplásticos em organismo humano
Pesquisadores fazem relato inédito: encontraram microplásticos e nanoplásticos em órgãos e tecidos humanos, de acordo com um estudo apresentado já na segunda metade de agosto.
Os pesquisadores obtiveram as mostras de um banco de tecidos criado para estudar doenças neurodegenerativas. O método analítico que desenvolveram permitiu que identificassem dezenas de tipos de plástico nos tecidos humanos, incluindo policarbonato (PC), tereftalato de polietileno (PET), usado em garrafas plásticas, e polietileno (PE), utilizado na fabricação de sacos plásticos.
Já o bisfenol A (BPA), o composto utilizado na produção de plástico e que ainda é usado em recipientes para alimentos, apesar das preocupações com os danos que causa à saúde, foi encontrado em todas as 47 amostras. Pesquisas em animais têm associado a exposição a microplásticos e nanoplásticos a infertilidade, inflamações e câncer, mas os resultados para a saúde de pessoas ainda são pouco conhecidos.
A ACS lembra, num documento sobre a investigação, que a ingestão de partículas de plástico por animais e seres humanos tem consequências ainda desconhecidas para a saúde. "Pode encontrar-se plástico contaminando o ambiente em praticamente todos os locais do globo, e em poucas décadas deixamos de ver o plástico como algo muito benéfico para o considerarmos uma ameaça", diz Charles Rolsky também autor do estudo.
"Há provas de que o plástico está entrando no nosso corpo, mas muito poucos estudos o procuram nele. E neste momento não sabemos se este plástico é apenas um incômodo ou se representa um perigo para a saúde humana", adiantou o pesquisador.
Vários estudos já mostraram como os microplásticos podem entrar na cadeia alimentar humana. No ano retrasado, uma pesquisa revelou que esse material foi encontrado em quase todas as marcas de água engarrafada. Também naquele mesmo ano, cientistas encontraram o material em fezes humanas. "Nunca queremos ser alarmistas, mas é preocupante que estes materiais não biodegradáveis presentes em todos os lugares possam entrar e acumular-se nos tecidos humanos, porque não conhecemos os possíveis efeitos sobre a saúde", adverte Varun Kelkar, outro autor do estudo.
"Assim que tivermos uma ideia melhor do que está nos tecidos, podemos realizar estudos epidemiológicos para avaliar os resultados de saúde humana", disse ele. "Dessa forma, podemos começar a entender os riscos potenciais à saúde, se existirem.", completou.
Os cientistas definem microplástico como um fragmento de plástico com menos de cinco milímetros de diâmetro. Os nanoplásticos são ainda menores, com diâmetros inferiores a 0,001 milímetro. Estudos já mostraram que os plásticos podem passar através do trato intestinal dos humanos, mas os dois investigadores se debruçaram em descobrir se há partículas que se acumulam nos órgãos.
Os professores acreditam que o estudo é o primeiro que examina a existência de partículas de plástico em órgãos de pessoas com um histórico conhecido de exposição ambiental. Os doadores de tecidos forneceram informações detalhadas sobre o seu estilo de vida, dieta e exposições ocupacionais, o que pode ajudar a encontrar potenciais fontes e vias de exposição a micro e nanoplásticos, dizem os cientistas.
Francês tentar transmitir live de sua morte mas facebook bloqueia o vídeo
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| (Foto: Philippe Desmazes/AFP) - Alain Cocq sofre de uma doença extremamente rara e sem nome. |
"Embora respeitemos sua decisão de chamar a atenção para este assunto complexo, com base no conselho de especialistas, tomamos medidas para impedir a transmissão ao vivo na conta de Alain (Alain Cocq), pois nossas regras não permitem a representação de tentativas de suicídio", declarou um porta-voz do Facebook à Agencia France Press (AFP).
Poucas horas depois, quando estava prestes a publicar um novo vídeo, Cocq anunciou: "O Facebook está bloqueando minha transmissão de vídeo até 8 de setembro. Julguem por vocês mesmos", escreveu o homem de 57 anos, dirigindo-se a seus seguidores, antes de dar o endereço do Facebook França, em Paris, para, segundo ele, "façam com que saibam o que pensam de seus métodos para impedir a liberdade de expressão", escreveu.
O Facebook tem regras muito detalhadas, embora não esclareça disposições específicas sobre o fim da vida. A rede social se mostra muito rígida em termos de conteúdo que possa parecer promover suicídio ou automutilação. Casos que incluem eutanásia e suicídio assistido.
Alain Cocq sofre de uma doença extremamente rara, sem nome, que faz com que as paredes das artérias se colem, provocando uma isquemia, a diminuição ou suspensão da irrigação sanguínea no tecido, ou órgão. Paralisado por dores incessantes há 34 anos e acamado, Cocq gostaria de receber uma sedação profunda, algo que a lei francesa não permite, exceto quando se está a poucas horas da morte certa.
"Isto não é suicídio", ressaltou o doente, que é católico. "Estou dentro do caso previsto por lei, no qual um paciente pode interromper seu tratamento", explicou na madrugada, afirmando que, nestes casos, a morte acontece "entre dois, cinco ou sete dias". "Será muito difícil, mas não será nada enorme em comparação com tudo que já vivi", completou Cocq, deitado no leito médico instalado em casa. Ele havia escrito ao presidente Emmanuel Macron para autorizar um médico a prescrever um barbitúrico e "partir em paz".
Com a resposta de Macron, Cocq confirmou sua intenção de promover a própria morte parando de se alimentar, hidratar e continuar o tratamento, a não ser para aliviar a dor. "Emocionado, respeito sua iniciativa", afirmou Macron na carta, que incluiu uma frase escrita a mão: "Com todo meu apoio pessoal e meu respeito profundo". Ass. Emmnuel Macron.
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Planos de saúde serão obrigados a cobrir teste para a Covid-19 a partir de agora
A ANS( Agência Nacional de Saúde Suplementar) obrigará que todas as operadoras cubram, além de outros, os testes sorológicos, em caso de supeita da Covid-19. A normatização está precista na resolução publica no Diário Oficial da União (DOU) do dia 29 de junho.
- Falta de ar
- Cansaço aos esforços
- Diminuição da tolerância das
atividades físicas mesmo que habituais
- Tosse
- Disfunção pulmonar
- Redução na capacidade de troca
gasosa e difusão
- Redução dos volumes pulmonares





















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